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Drácula - Bram Stoker

Tópico em 'Literatura Estrangeira' iniciado por kika_FIL, 26 Jan 2013.

  1. kika_FIL

    kika_FIL Usuário

    CUIDADO**** Este post está cheio de spoilers sobre o livro, e eu não vou colocar as partes dentro da caixinha de spoilers...

    Eu esperei quase vinte anos para ler Drácula, contando do momento em que ele entrou no meu radar cultural, com o filme do Coppola. Nesse meio tempo eu vi uma infinidade de filmes de vampiros, joguei Vampiro a Máscara, criei uma personagem vampira, li The Vampyre do John Polidori, li Crepúsculo e li Anne Rice. Sim, nesta ordem. Posslo dizer que quando a oportunidade de ler Drácula finalmente apareceu eu estava mais do que ansiosa para ler o livro. E talvez isso tenha diminuído o brilho da minha experiência.

    Drácula é, definitivamente, um clássico do gênero. Toda a cultura de vampiros a partir do século XX se compara, direta ou indiretamente, ao Conde criado por Bram Stoker. E o vampiro, como personagem, é tão ou mais fascinante do que o retrato que dele faz o Bela Lugosi, ou o Gary Oldman. Aliás, todos os personagens tem um potencial absurdo. São homens e mulheres inteligentes e esclarecidos, a nata do século XIX, têm um conhecimento raro da tecnologia da sua época e raciocínios brilhantes. É praticamente um romance epistolar, formado pelos diários dos protagonistas e também de algumas cartas e notícias anexadas a eles. Contam da viagem de Jonathan Harker à Transilvânia, como solicitador, para tratar da compra de um imóvel em Londres. Da paixão e morte de Lucy Westenra. Da convivência de Dr. Seward com seu paciente lunático Renfield e também da corrida contra o tempo para destruir o Conde. Um romance que tinha tudo para me agradar, e que me decepcionou.

    Parte da culpa advém da minha insatisfação com a tradução. A edição que li, da L&PM e traduzida por Theobaldo de Souza. Alguns parágrafos não faziam muito sentido para mim, então me aventurei no Project Gutenberg (
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    ) e acabei descobrindo que ele escolheu traduzir lunch como "lanche" e birthday como aniversário natalício. É uma birra que tenho com tradução de clássicos, principalmente do inglês e francês - idiomas que eu conheço. Eles teimam em deixar a linguagem mais complicada do que é no original. Percebi também que ele pulou frases inteiras, o que deixou alguns textos totalmente sem objetivo.

    Mas não foi só isso. Me incomodei muito com o rumo que Stoker deu para a história. Adorei a primeira metade do livro, até a morte final de Lucy, mas quando Mina e Jonathan se unem ao quarteto liderado por Van Helsing, pra mim a coisa começou a degringolar. Uma delas, a maneira como cinco homens inteligentes, que já passaram por tudo o que passaram, um no castelo do Conde, e quatro acompanhando a agonia de Lucy, não perceberam que Mina tinha sido mordida. Ela apresentou exatamente os mesmos sintomas, a fraqueza, a palidez, e ninguém teve o senso de dar uma olhadinha no seu pescoço? Mesmo sabendo que aconteceu logo depois da primeira noite que passaram separados? E esses mesmos homens que demoraram eras pra descobrir que a Mina estava se transformando descobrem bastante rápido o paradeiro do Conde e como matá-lo (apesar de que, admito, o lance da Kukri foi legal). Me empolguei com a parte da perseguição, o que quase me fez esquecer a obtusidade dos caras, mas esperava um confronto final mais, sei lá, "confrontoso". Era o Drácula, poxa! Achei também o Van Helsing um cara muito chato. Fazendo mistérios sobre o que conhecia, indo e voltando nos assuntos, sem a capacidade de falar objetivamente com ninguém em nenhuma circunstância, característica que confronta diretamente com suas atitudes de homem prático.

    E aí tem a parte que me incomoda por ser uma leitora do século XXI, que talvez não incomodassem um leitor contemporâneo. A primeira é que Van Helsing é um cara muito machista, e acaba contaminando todos os homens da trupe, inclusive o marido de Mina. Outra são as quatro transfusões de sangue em Lucy, coisa que me incomodou, mas como descobri que a tipagem sanguínea é coisa do século XX e o fator RH também, acabei me convencendo que funciona para a história - ainda que na minha cabeça a Lucy seja sangue AB positivo, só por via das dúvidas). E, algo que um amigo apontou e que eu acabei percebendo também, a pouca diferenciação nas vozes das personagens. Os diários eram muito parecidos entre si, apesar de serem pessoas a princípio muito diferentes.

    De toda forma, escrevendo agora sobre o assunto, me dei conta que eu entrei o suficiente na história para me irritar com seus personagens, e não tanto com a forma de Bram Stoker (ou o tradutor), escrever. E por isso só, o livro merece o título de clássico e, ainda que eu tenha me decepcionado com ele, não me arrependo por um minuto de tê-lo lido. Ele tem informações valiosas para mim sobre a sociedade do fim do século XIX, e sua leitura também me levou a uma longa pesquisa (online) sobre a vida e os costumes de seu autor, como a inspiração deste para criar o Drácula, o ator Henry Irving.
     
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  2. Ana Lovejoy

    Ana Lovejoy Administrador

    eu acho que você tocou num ponto importante, o de ser leitora do século xxi. o que drácula representou como romance tem muito a ver com o que havia sido escrito até aquele momento. sabe como quando assistimos cidadão kane e pensamos "piuft, é só isso?" e aí vem um cinéfilo e explica tudo o que ele representou sobre fotografia, roteiro ou whatever para o cinema? então. acho que segue por aí. e acho que tem um pouco a ver com nossa experiência como leitores também. eu li drácula tem já uns 13 anos - e é evidente que, apesar de na época eu já ser uma leitora voraz, eu ainda não tinha a maturidade que tenho como leitora hoje em dia. um monte de informação que você colocou no post eu juro que passou batido para mim na época, mas talvez se eu lesse, seria uma experiência completamente diferente.
     
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  3. kika_FIL

    kika_FIL Usuário

    Sim, eu estava ciente que muita coisa me irritava exatamente por eu não ser exatamente o público alvo de Stoker... Mas o legal é que a importância da história advém dos primeiros filmes, já no século XX. Mas eu tenho certeza que me decepcionei pq esperava demais do Drácula... aí ele morre daquele jeito,assim, do nada e eu whaaaaaaaaaaaaaaaaat? E também o fato dele aparecer mesmo bem pouco depois da morte da Lucy... Entendo a construção do Stoker, de trabalhar o horror psicológico com a presença/ausência do monstro, mas eu meio que queria mais... acho q isso resume bem. Eu queria mais Drácula no Drácula
     
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  4. Calib

    Calib Visitante

    Acho que você, como leitora do século XXI e da geração videogame, esperava uma luta cheia de porrada e golpes especiais contra o final boss do livro... :lol:
    Mas isso quem quiser pode ler Eduardo Spohr. Haha.


    Eu acho o Drácula um livro fascinante e, claro, reconheço nele defeitos - alguns que vocês mesma apontou.
    Se não me engano, é na tradução da L&PM que o bocó, na primeira página, fala em "pelo que pude ver através do clarão do trem"... ou algo assim, quando o original diz "from the glimpse which I got of it from the train".
    É, é uma tradução bem sofrível que pode diminuir o prazer da leitura, com efeito.


    E acho que grande parte da decepção com a leitura vem das trocentas adaptações e obras inspiradas no Drácula que não são fiéis e criam uma falsa ideia do que seja este clássico.

    Em suma, a minha conclusão é mais ou menos a mesma a que você chega: que ele merece ser lido, sim, por todos.
     
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  5. Erendis

    Erendis I'm a motherfucking woman

    eu tenho o livro em casa, não li ainda porque adquiri a pouco tempo e tenho uma lista de livros imensa na frente dele, mas lendo tudo que foi escrito aqui e tendo visto pelo menos uma adaptação, fiquei com mais vontade ainda de ler e por isso assim que possível, vou seguir os conselhos de vocês
     
  6. Clara

    Clara Que bosta... Usuário Premium

    A edição de L&PM tem inclusive erros de ortografia/revisão.
    Me incomodou demais isso.
    Não sei como a L&PM, que é super cuidadosa com suas publicações, ainda vende essa edição; devia mandar recolher tudo, picar e jogar no mato. =/
     
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  7. kika_FIL

    kika_FIL Usuário

    vero...vou dar uma chance pro original, mas daqui a um tempo...
     
  8. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    Achei interessante o que você mencionou, Kika, embora eu mesmo tenha minhas justificativas para as partes das quais você não gostou. Como a Anica disse acima, isso chama a atenção para as experiências de leitura, bem como para o olhar do século XXI sobre uma obra do século XIX. Prometo depois postar como eu enxergo os "defeitos" apresentados por você, mas desde já achei interessante sua colocação. Ainda assim, leia no original - talvez você não curta tanto a trama em si, mas a linguagem, na minha opinião, é algo gostoso de tão bem trabalhado. :)
     
  9. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

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  10. Bilbo Bolseiro

    Bilbo Bolseiro Bread and butter

    Eu tinha comprado esse livro, quando eu tinha 17 anos, eu acho, e estava lendo, mas antes que eu terminasse minha mãe pegou e deu ele pra um primo meu, sem nem me consultar antes :disgusti:
     
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  11. Calib

    Calib Visitante

    Agora você arranje outra cópia (menos da L&PM) e leia tudinho de novo. :yep:
     
  12. kika_FIL

    kika_FIL Usuário

    Putz...perder um livro sem terminar é um pecado...eu perdi um livro faltando 10 páginas para terminar uma vez...
     
  13. Bilbo Bolseiro

    Bilbo Bolseiro Bread and butter

    Sem dúvida, assim que puder vou comprar ele novamente e aí ler até o final, hehe

    Pois é, e eu estava super empolgado com ele, aí de repente levei esse balde de água fria, foi muito chato :-(
     
  14. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    great books: dracula

     
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  15. Reverendo

    Reverendo Usuário

    E eu queria mais Hyde no O Médico e o Monstro e mais monstro no Frankenstein.
    Clássicos de "horror" podem nos decepcionar.
     
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  16. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    Depende das expectativas que você tem em relação a eles. Todas essas obras citadas por você e pela Kika são muito mais que simples romances de terror/horror - são mergulhos na psique humana, no inconsciente coletivo e na natureza da moral/ética como pensada pelos filósofos. É questão de gosto, mas prefiro mais reflexão que simples enfeite estético passageiro. (Até porque, é justamente por isso que tais livros perduram e são hoje considerados "clássicos".)
     
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  17. Spartaco

    Spartaco James West

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    Adquiri há algum tempo atrás as três obras acima mencionadas (Frankenstein, Drácula e O Médico e o Monstro) num único volume, que foram reunidas pela primeira vez pela Ediouro, com prefácio de Stephen King e nova tradução para o português feita pela escritora Adriana Lisboa.

    Acho que vale a pena.
     
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  18. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    é a mesma edição q eu tenho, spartaco. hj ela é encontrada só em sebos, mas tb a indico.
     
  19. Spartaco

    Spartaco James West

    JLM, você melhor do que eu pode confirmar, mas parece-me que essa tradução é boa.
     
  20. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    comparada com a da martin claret e da nova cultural (aqueles livros d capa dura d coleção) ela é perfeita. eu, particularmente, ñ notei nada q a desabonasse. dizem porae q a melhor tradução é aquela q ñ aparece. esta se encaixaria na definição dboa. mas como é uma tradução d 2002, talvez a da l&pm (2010) tb seja interessante d se conferir, já q traz 1 time d tradutores pras 3 histórias.

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