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Notícias Dostoiévski, Adorno e outros autores cômicos

Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por Zzeugma, 10 Nov 2011.

  1. Zzeugma

    Zzeugma Usuário

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    Postado por Michel Laub

    (Publicado no blog da Companhia das Letras):

    Numa entrevista à Prospect Magazine, em 2010, Martin Amis lamentou o pouco prestígio dos escritores cômicos, ao menos em relação aos seus colegas sérios. É uma queixa comum entre praticantes do gênero e leitores saudáveis, inclusive por aqui: “A literatura brasileira contemporânea e sua irmã, a crítica (…), parecem ter se esquecido por completo da lição de Machado”, escreveu Sérgio Rodrigues em seu blog. “E — num país basicamente absurdo, o que é mais absurdo ainda — tentam empurrar o humor e a ironia para fora de seus domínios, como se fossem recursos estéticos necessariamente menores.”

    Amis arrisca algumas explicações para o fenômeno. Uma é que o humor teria algo de “anti-democrático”: ri-se de alguém ou alguma coisa, o que pressupõe um sentimento de superioridade facilmente relacionado a gênero, classe, etnia ou religião — os tabus, enfim, de uma época asfixiada pelo fetiche da igualdade. Outra é que boa parte dos leitores adultos de hoje foi educada sexualmente com pornografia, a “morte dos sentimentos” cuja característica talvez principal o próprio entrevistado definiu como falta de humor.

    A última frase é uma piada, claro, como outras respostas talvez sejam. Nomes como Dostoiévski, Dickens, Tolstói e Flaubert são elogiados por serem “divertidos”, conceito que passaria longe de J.M. Coetzee (“ele não tem talento”) e do “alemão que escreve sem separar parágrafos” (provavelmente Thomas Bernhard, que era holandês/austríaco). Há uma verdade aí, porém: tendemos a achar engraçados — ou prazerosos, outra tradução possível para as palavras de Amis — aqueles textos de que gostamos, mesmo os áridos e trágicos. Tenho um amigo que ri ao comentar os romances de Faulkner. Kafka gargalhava quando lia em voz alta sua obra. Eu mesmo, que não tive uma reação assim com O processo ou O artista da fome, sempre me divirto ao lembrar de seus enredos, ou ao menos da existência do tipo de pessoa capaz de criá-los.

    É uma diversão externa ao texto, mas isso é parte da essência da comédia. No recém-traduzido Meus prêmios, de Thomas Bernhard, eu já estava rindo na segunda vez em que apareceu o nome Kleiner Staatspreis no relato O Prêmio Nacional Austríaco de Literatura. Não porque as duas palavras sejam cômicas em si — nenhum leitor desta coluna acha, imagino —, mas porque conheço a obra de Bernhard e pressenti o que aconteceria dali por diante: a repetição delas num ritmo muito particular, num tom que para mim — e sempre ouço a voz do autor ditando o texto que está à minha frente — é o mais debochado possível. Há uma predisposição, uma boa vontade análoga à que temos com piadas contadas por alguém que nos é simpático. E que, se for o caso, se estende a quem nem mesmo está tentando ser engraçado.

    Num dos textos de O imitador de vozes, o mesmo Bernhard diz que o segredo do sucesso de um dramaturgo é “escrever tragédias como se fossem comédias, e comédias como se fossem tragédias”. A inversão, outra piada no contexto em que aparece, lembra que nem sempre o humor precisa se anunciar para ser entendido como tal. Eu diria, inclusive, que algumas da vertentes mais nobres do gênero se fundam em situações, discursos e sentimentos que nada parecem ter de humorísticos. Amis considera Tolstói engraçado/divertido por sua “pureza e verdade”. Dá para botar na mesma família — pode-se ler todos a sério ou com alguma ironia — a erudição de Borges, uma certa chatice de Beckett e, bem, o controle e a frieza de J.M. Coetzee.

    Talvez haja aí um paralelo com o humor involuntário, que tem menos a ver com seu protagonista/narrador que com o público. Mas diferentemente do humor involuntário tradicional, no qual exercemos nossa condescendência ou sadismo, a diversão de Amis com Dostoiévski, Dickens, Tolstói e Flaubert — ou a de muitos leitores com Kant, Adorno, Evanildo Bechara e vai saber quem mais — tem um sentido generoso. Que homenageia as neuroses, obsessões e idiossincrasias — é delas que rimos, agradecidos — sem as quais acreditamos que um autor nunca escreveria obras tão maravilhosas.

    * * * *
     
  2. Zzeugma

    Zzeugma Usuário

    Aproveitando este texto do Michel Laub.

    Eu sei que é quase um "clichê" defender gêneros ou subgêneros na Internet: fantasia é legal, quadrinhos são demais, ficção científica é uma coisa soberba, terror é espetacular, Harry Potter no céu e Deus na Terra, Bianca é maravilhoso, Pornografia precisa ser redescoberta, Manual Técnico do Imposto de Renda deveria receber o Nobel.

    Mas... outro dia pensei que livros de humor, por melhores que sejam, quase nunca estão nas minhas prateleiras de coração. Me divirto muito, morro de rir, mostro pra amigos, roubo piadas e posto na Internet (ou uso no balada)... Porém, passam-se uns meses e me esqueço completamente deles.

    Então, aproveito aqui pra quem quiser fazer seu "mea culpa" e sugerir livros engraçados aqui.

    Qdo criança, havia uma coleção escrita por um sujeito chamado Leon Eliachar (Acho que é assim que escreve). Era bem engraçado: Homem ao Cubo, Homem ao Quadrado, etc. Ele escrevia no Pasquim, salvo engano. Porém acabou morto por se meter com a mulher de um fazendeiro. Deveriam republicar os livros dele. Recomendo.

    Há um outro recente: 101 lugares para NÃO se conhecer antes de morrer. Esqueci a autora, mas a introdução é fantástica. E os lugares que ela escolheu realmente são de doer coração de qualquer turista.

    Outros? Não vale citar o Guia dos Mochileiros das Galáxias. Ou vale?
     
  3. Calib

    Calib Visitante

    Penso que "o pouco prestígio dos escritores cômicos" seja um reflexo, ainda hoje, do pensamento aristotélico de que a comédia seria uma arte mimética inferior se comparada à tragédia e à epopeia, por retratar justamente os tipos imperfeitos, reles, etc. e ressaltar-lhes os defeitos. É claro que com o passar do tempo, até o mais reles dos seres pode ser o protagonista de um romance (gênero épico) mais sério. Mas a ideia persistiu e vigora firme e forte.
     
  4. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    vou falar só da minha experiência atual p ñ soar antiquado.

    dos autores nacionais, acho q o humor do verissimo é oq me atrai. embora veja o humor dele + aparente nas crônicas q nos romances e prefira + os últimos pelas técnicas. o jô soares eu tentei, mas depois do assassinatos tô meio escaldado. tirando todo o barulho propagandístico ao redor dos livros dele, talvez fosse uma opção a observar. eu resolvi experimentar + alguns suassunas, depois da última experiência.

    dos estrangeiros, já ri mto com o terry pratchett, jeff lindsay, cressida cowell, e alguns franceses e ingleses contemporâneos costumam cair mto bem. humor diferenciado do nativo daqui, é claro, mas q com o tempo aprendi a apreciar. apesar d ñ escrever livros humorísticos, tem umas passagens d george r. r. martin q tb foi impossível ñ rir alto.
     
  5. Zzeugma

    Zzeugma Usuário

    Realmente, JLM, muitos autores ingleses são bem engraçados.

    Eu estava esquecendo do Veríssimo. É curioso porque li a postagem do Sergio Rodrigues lá no TodoProsa (citado no texto do Laub) e ele fez uma crítica à literatura brasileira atual como excessivamente séria...

    (Trecho daqui:
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    )

    “A comédia me parece ser tudo o que resta para um escritor trabalhar no mundo atual. Drama, romance, épico, tudo isso de alguma forma parece corresponder a outras épocas, a outras formas de ver o mundo.” A declaração do inglês Martin Amis, em entrevista que fiz com ele para o “Jornal do Brasil” em 2001, é categórica demais para não conter muito de exagero. Mesmo assim, nunca mais a tirei da cabeça. De vez em quando me divirto imaginando como se sairia, julgada por critério tão absoluto, a literatura brasileira contemporânea e sua irmã, a crítica, que parecem ter se esquecido por completo da lição de Machado e – num país basicamente absurdo, o que é mais absurdo ainda – tentam empurrar o humor e a ironia para fora de seus domínios, como se fossem recursos estéticos necessariamente menores.


    Eu não sei quem ele tinha na cabeça, mas o Sérgio esqueceu de mencionar o Veríssimo e o Ubaldo, dois escrachados. Ou eles já não são mais contemporâneos? Mas ressalvas são ressalvas, é impossível fazer uma afirmação generalizantes, a gente sempre pode pensar em exceções...

    * * *

    Eu penso que a comédia "pode" ser bem reveladora de um estado de coisas, e pode ser muito mais "denunciadora" do que o drama... Porém, isto requer mais do leitor, que precisa abstrair as risadas que deu e pensar melhor no assunto... O autor não pode explicar a piada. Existem alguns textos do Veríssimo que encaro como conselhos de escrita.

    Outros autores engraçados são os italianos.
    Várias vezes me peguei rindo com o Ítalo Calvino (como em Cavaleiro Inexistente, onde se compara uma batalha medieval com a balbúrdia e o bate-panela de uma cozinha na hora do almoço; ou nas Cosmicômicas, onde - num dos contos - um personagem eterno fica encaficado com um voyeur em um planeta distante milhares de anos-luz).
    E as histórias do Comissário Montalbano de Andrea Camilleri? São ótimas também, apesar do ambiente policial, político e corrupto da Sicília (Foi uma tremenda decepção assistir a versão televisiva e italiana de Montalbano... Cara de playboy, todo arrumadinho...)
     
  6. Diva

    Diva Usuário

    Eu gosto do humor do Dalton Trevisan. Gargalhei lendo O Vampiro de Curitiba.
     
  7. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    como eu pude me esquecer d mencionar o gde moacyr scliar?
     

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