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Dois textos sobre o Futuro dos Livros

Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por Zzeugma, 25 Mai 2011.

  1. Zzeugma

    Zzeugma Usuário

    Ambos foram retirados do blog literário do jornal O Globo. O primeiro conseguiu me emocionar, sem ser "contra" o livro digital... O segundo é irônico e divertido... até certo ponto.

    Ambos foram traduzidos de uma coletânea norte-americana na qual autores dão a sua visão sobre o Futuro dos Livros. A entrevista com um dos organizadores da antologia está
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    , de onde extraí a primeira parte abaixo:

    Debates sobre o futuro do livro tendem a reunir editores, advogados, gurus da mídia, mas nem sempre escritores. Por que vocês resolveram levar essa discussão aos autores, e em que a abordagem deles difere das usuais?

    C. MAX MAGEE: Tínhamos a impressão de que as pessoas no lado empresarial do mundo dos livros estavam recebendo atenção demais nessa discussão. Estávamos interessados em saber o que os desafios e oportunidades criados pelas novas tecnologias significam para quem está de fato tentando viver do que escreve. O escritores se perguntam sobre a transição da leitura para uma tela ou isso não faz diferença nenhuma para eles? Nosso livro acabou sendo mais eclético e emotivo do que a maioria das coisas que você lê sobre o assunto. Muitos desses autores têm uma conexão pessoal profunda com livros e a escrita, e acho que isso aparece nos textos.
     
  2. Zzeugma

    Zzeugma Usuário

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    O livro está de saída, me dizem. A era do livro acabou, o grande dragão está se dirigindo ao horizonte, para fora de vista, morrendo. Estou tentando entender o que isso quer dizer. A palavra “livro” é uma abstração quando usada assim e pode significar todo tipo de coisas:

    • O objeto, o livro ele mesmo, o dispositivo físico encadernado.
    • O texto do livro, o que está entre as capas — o romance, a biografia, o grupo de poemas.
    • A habilidade de escrever livros: se há menos livros, o conjunto de habilidades (parte técnica, parte arte intuitiva) requeridas para escrevê-los vai atrofiar.
    • O ímpeto, o impulso autoral para articular e moldar narrativas, para puxar aquilo que está dentro da mente e botar em palavras, contar algumas mentiras a respeito, organizá-lo meticulosamente e entregá-lo a estranhos. (E tememos também perder um impulso mais geral — a necessidade de criar impressões narrativas de nós mesmos? A necessidade de criar algo que perdure, de tomar parte numa tradição?)
    • O desejo coletivo pelo livro: o público e o buraco que o livro preenche no peito, seja o que for que impulsiona o leitor, uma silenciosa busca passiva de algum tipo, por sentido ou conexão, o desejo de estar ausente ou “perdido”, ou, alternativamente, um desejo de estar presente, conectado, “engajado”.
    • A comunidade dos livros: os clubes de leitura, os programas de escrita criativa a AWP (Associação de Escritores e Escrita Criativa).

    Quais desses estão desaparecendo com “o fim do livro”? Quais seria pior perder?
    Quanto ao próprio objeto, parece de fato haver o perigo de que o livro encadernado siga o caminho de outros objetos civis datados e diminuídos: a caixa de fósforos, rolos de cabelo, filmes no drive-in — coisas que ainda existem, mas rarefeitas. Provavelmente haverá menos livros na casa das pessoas, menos em mochilas e pastas, menos livrarias.

    E, sim, isso é triste, porque gostamos de livrarias e mochilas cheias de livros (até o filme no drive-in ainda mantém um lugar em nossos corações), mas você não pode se apegar a alguma coisa por puro sentimentalismo — ou pode, mas não vai funcionar. Além disso, um monte de gente nunca sequer teve livros nas suas pastas. Então no fim das contas não acho que isso vá importar muito.

    E talvez o que está dentro do livro, o texto, esteja um tanto em perigo também. O formato original pensado para um romance ou um punhado de poemas foi o livro, e se o formato definha, a forma vai definhar — ou se transformar para adequar-se a seu novo meio. O e-book: seja como for que o terremoto literário afinal se acomode, se o e-book sobreviver a escrita para esses aparelhos vai assumir uma forma distinta. Além do e-book provavelmente se tornar uma espécie de dispositivo conectado à internet, em 3-D, com hologramas, raspe-e-cheire, o cérebro lê uma tela diferente do modo como lê uma página impressa, então a escrita vai se readaptar para ajustar-se à leitura em tela.

    Como escritora de ficção, posso imaginar que elementos estruturais, como o ritmo, e elementos micro-estruturais, como o tamanho das frases, vão mudar, por exemplo. Então a capacidade de escrever livros poderiam também estar em perigo. A habilidade específica para escrever romances ou compor poemas poderia regredir ou mudar muito. Mas não vai desparecer completamente. Algumas pessoas ainda vão escrever livros não importa o que aconteça, porque é difícil (ao menos para mim), e seres humanos têm uma tendência a fazer coisas difíceis, ainda que sem sentido ou recompensas.

    Quanto ao impulso autoral e o desejo coletivo pelo livro — o quanto tantos de nós desejamos tão intensamente dizer o que é ser nós mesmos, e como parecemos fascinados por descobrir o que nossos companheiros pensam da existência — esses não estão indo a lugar nenhum. Seja o que for que o livro faz pela Humanidade, da forma misteriosa como o faz, ainda será feito. Algumas pessoas ainda serão impelidas a representar a experiência e a buscar criativamente sentido narrativo, e outras pessoas vão preferir dedicar-se a consertar aviões ou o que seja, sem ajuda da distração existencial da arte.

    E o mundo do livro? E quanto a isso? Todos editores e agentes e divulgadores e resenhistas? O que acontecerá com esse povo merecedor de emprego? Ah, essa espécie é resistente. Vão encontrar outros lugares para fazer o que fazem, apenas de maneira um pouco diferente. Eu não me preocuparia com eles.

    E o ensino de escrita criativa? Qual é o sentido disso tudo? Todas essas pós-graduações em criação artística? Não, não, isso ainda é uma boa ideia. Afinal, as universidades estão cheias de cursos que já não dizem respeito a nada. Isso é triste? É uma droga, essa perda do livro-objeto, esse destronamento do ofício? Bem, para mim é uma droga, é claro. Passei muito tempo aprendendo esse ofício específico, em detrimento de todos outros Se você for lamentar o declínio do livro, lamente por pessoas como eu (e você: se você está lendo isso, provavelmente é uma dessas pessoas também). Lamente pela geração anterior à minha, e talvez por alguns dos nossos estudantes que foram bobos o bastante para acreditar quando dissemos que isso era algo de importante, nada a ver com estudar arte bizantina ou literatura francesa. Lamente por aqueles envolvidos na transição, as várias gerações que se prolongam, e por aqueles de nós que, como jovens crédulos, apostaram todas suas fichas no livro e então se tornaram tão especializados que logo qualquer outra vida estava fora do nosso alcance. Essa parte é uma droga.

    Mas na maior parte não é uma droga. Outras coisas são uma droga. Pense nos bilhões de animais terrestres nascidos para serem torturados e assassinados para nosso divertimento culinário a cada ano. Redes de pesca industrial arrastam cinquenta toneladas de animais marítimos a cada puxão. Pense no desmatamento. Estamos esmagando tudo que pudermos. O livro agonizante parece algo suave em comparação, insignificante e natural e nada de inédito. Estou me tornando antiquada, e daí. Meus amigos também, e daí. Formas de arte evoluem, e suas mídias se transformam ou são substituídas. Para mim esse planeta parece um holocausto: os corpos se empilhando, a terra se enchendo de plástico e sangue, enquanto a única vida restante (nós) se arrasta pelo grande cemitério, pulsando e destruindo. Se eu for prever o futuro da narrativa (Para quê? Para que possamos olhar para nós mesmos e rir?) meu palpite é que as próximas grandes obras — seja como forem transmitidas — serão um enorme jorro de desespero e arrependimento pelo que fizemos, por nossa estupidez e egoísmo. Estaremos sentados em nosso tanque esterilizado, esfregando as janelas na esperança de ver a terra de sonho que destruímos. Estaremos escrevendo com nossas barras em nossas telas-espaciais sobre a punição que merecemos, a punição que não virá.

    * * *

    DEB OLIN UNFERTH é escritora, autora de “Minor Robberies”. Texto publicado originalmente no livro “The late american novel”
     
  3. Zzeugma

    Zzeugma Usuário

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    2020: Todos os livros serão multiplataforma e interativos

    Os “livros” do futuro serão agrupados com trilhas sonoras, leitimotivs musicais, gráficos em 3-D e vídeo em streaming. Serão aprimorados com marcadores de página coletivos, namoro online e alertas emitidos por aplicativos sociais geolocalizados a cada vez que alguém na sua vizinhança comprar o mesmo livro que você — qualquer coisa desde que você não precise de fato ler a coisa. Autores vão fazer seu próprio marketing, o leitor será responsável pela distribuição, a sabedoria das multidões se encarregará da edição e a mão invisível do mercado vai cuidar da escrita (se houver alguma). Escritores reagirão tornando-se virais ou animais.

    2030: Todos os livros serão financiados em crowdsourcing e armazenados na nuvem

    Romancistas vão começar elaborando seus personagens na forma de séries de bonecos de vinil. Se eles gerarem um boca-a-boca razoável, fãs produzirão o romance colaborativamente como um wiki. Conforme você estiver lendo, câmeras termais medirão seus sinais fisiológicos, incluindo oscilações no movimento ocular, contrações dos músculos faciais e batimentos cardíacos, para determinar que rumo você deseja que a história tome em seguida — será esperado que ela leia a si mesma, explique-se e combine de modo não intrusivo no diálogo as mensagens de texto que você for recebendo. Você também será capaz de ajustar com precisão a figuração digital dos personagens, de atirar neles, e (quando imperativo) de entregar-se ao cybersexo. Se um romancista for descoberto postumamente, seus bonecos de vinil podem acabar se tornando itens de colecionador.

    2040: Autores serão como tamagochis

    Tendo determinado que o que os leitores buscam é um “sentimento de conexão”, editores vão organizar campanhas adote-um-autor, reposicionando escritores no estilo dos Backyardigans e outros animais de estimação imaginários. “Alimentar” seus autores favoritos comprando seus livros fará com que seus avatares virtuais fiquem menos pálidos e entediados. Se eles morrerem de fome sob sua guarda você perderá pontos nas redes sociais. Clubes do livro cultivarão com seus escritores favoritos o mesmo tipo de vínculo caloroso, aconchegante e orgânico que um treinador desenvolve com o seu ou sua Pokémon, um processo que culminará em encontros de luta-até-a-morte entre seu autor e o autor patrocinado por outro clube do livro. Essas lutas ocorrerão offline, já que ainda haverá uma ou duas livrarias existentes, e alguma coisa vai ter que acontecer por lá.

    2050: A leitura analógica será simulada digitalmente

    À medida em que as pessoas passarem mais e mais tempo imersas em jogos de RPG multiplayer online, elas começarão a ansiar por algum tempo desconectadas. Mundos virtuais começarão a incluir “bibliotecas” onde você poderá se refugiar. Lá você poderá entrar numa banheira virtual e confortavelmente folhear um daqueles tomos puídos — baseados em narrativa linear no estilo velha guarda — que a essa altura já terão sido proibidos no mundo real. Serão reproduzidas perfeitamente a sensação de virar as páginas, as dobras na lombada e o ocasional corte no dedo. Por volta de 2052, 95% da atividade de 73% dos gamers se passará num desses esconderijos, já que eles serão o único lugar onde será possível escapar da incessante construção de comunidades e da conectividade que então será considerada um aspecto enervante da realidade offline.

    2060: Livros físicos farão uma reentrada em contextos inconvenientes


    Com material impresso tornando-se cada vez mais difícil de encontrar, o Arquipélago dos Antiquários será um popular show de infotainment, estrelando arquivistas com armamento pesado teleportando-se de ilha para ilha em busca de raros tesouros. Enquanto isso novos livros impressos ainda serão lançados — na forma de sobrecapas feitas de fungos comestíveis — como joias faux-antique em Feiras da Renascença e eventos de reencenação histórica nostálgica assemelhados. O último bibliófilo atravessará a cidade em estupor, perguntando-se o que aconteceu com as livrarias. Enquanto isso todo o conhecimento humano será gravado num chip e enviado para o espaço sideral por alunos da quinta série, como estratégia para se livrar do dever de casa.

    2070: Nós todos viraremos cyborgs

    Novas interfaces entre o cérebro e o computador redefinirão a narrativa, à medida em que eletrodos implantados no neocórtex induzirem histórias a tomarem forma, sem intervenção de terceiros, como alucinações duradouras. Eis que os “leitores” do futuro passarão a maior parte do tempo num estado de evasão epiléptica. Inteligências artificiais usarão o reconhecimento de padrões estruturais profundos, modelagem preditiva e teoria da informação para garantir que cada novo estado de transe seja popular o bastante para ser votado ao topo das plataformas mais quentes de ranqueamento de conteúdo. Nanorobôs em nossa corrente sanguínea vão nos informar como devemos nos comportar, coordenando nossas ações com informações em tempo real de marketing e tendências comportamentais e atitudiais, até que o próprio conceito de individualidade seja reconfigurado, resultando na morte do pensamento independente e na eliminação de muitos de nossos descendentes por vírus mentais interpessoais.

    2080: Uma era de ouro de fluidez informacional

    Em reconhecimento àquelas pessoas em debates sobre o-futuro-do-livro — há sempre uma dessas, por algum motivo — que insistem que o importante no fundo não é o texto mas o cheiro do livro, livros estarão a essa altura disponíveis apenas como linhas de perfumes. Em seguida, os seres humanos se transformarão numa espécie com um poderoso sentido olfativo, capaz de ler debaixo d’água decodificando sequências de feromônios. A bibliografia-em-aroma será triunfante, à medida em que vastos épicos forem compostos para receptores de fragâncias recentemente desenvolvidos, transformando os mares em elevação numa gigantesca solução de conteúdo transmídia produzido comunitariamente. Também por essa época, a literatura oral dos golfinhos será decifrada e acabará, inexplicavelmente, por ser toda ela sobre vampiros.

    * * *

    JAMES WARNER é escritor, autor de “All Her Father’s Guns” (um livro de verdade!). Mais informações em <www.jameswarner.net>. Texto publicado originalmente na revista McSweeney’s.
     
  4. Calib

    Calib Visitante

    Também por essa época, a literatura oral dos golfinhos será decifrada e acabará, inexplicavelmente, por ser toda ela sobre vampiros.

    Melhor fecho possível! :rofl:
     
  5. Rodovalho

    Rodovalho Usuário

    Muita gente prediz a Terceira Guerra Mundial e também a Quarta. Depois da Quarta, talvez reinventem o papiro de chumbo com tinta radioativa. Mas ainda não sabemos quanto é rara a vida inteligente e auto-destrutiva. A culinária é uma de nossas formas de crueldade natural, talvez até os livros. Aos livros, um pra cada criança, se fosse economizado a capa, seriam salvas muitas árvores. Até a produção de livros é em escala industrial.

    Enquanto se discute o fim do livros, eu vou tentando assegurar minha imaginação. A imaginação não é confinada em tinta e papel. A tinta e o papel são só a armadura do Dom Quixote.
     
  6. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    acho q os livros é q deveriam estar preocupados com o fim da humanidade.
     
  7. Zzeugma

    Zzeugma Usuário

    Pois é.

    Mas muito deles não estão? Penso em Meridiano de Sangue, A Estrada, ou até muitos destes livros bíblicos, evangélicos... A ideia de fim do mundo não está impregnada em Senhor dos Anéis? Ou em "O Leopardo", de Lampedusa: "As coisas precisam mudar, se queremos que elas fiquem como estão"?

    Mas para humanidade não se "destruir", ela não precisaria dos livros pelo menos pra entender como chegaram até ali? Talvez o problema não seja a forma como este conhecimento chega às pessoas (pela memória, por livros, por e-readers, por videogame, por filmes ou por "odores"), mas sim a "mercantilização" de tudo. Enquanto colocarem em pedestais livros que "vendem muito" em detrimento daqueles que "ensinam algo(*)", vai ficar difícil chegar em alguma conclusão... Talvez seja este o verdadeiro problema.

    (*)Algo que preste, bem entendido. O ser humano aprende com tudo... até com lixo. O problema é usar isto pra crescer "espiritualmente" ou "intelectualmente"...
     
  8. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    falei no sentido fantástico mesmo, z. como se 2 livros se encontrassem na biblioteca para um chá das 5 e debatessem como seria a vida deles sem os homens.
     
  9. Zzeugma

    Zzeugma Usuário

    Ah tá, desculpe...

    Hm... Boa ideia. Algo como...

    "O Alquimista" decidiu parar... Seu carro estava com problemas. Para sua sorte viu a oficina aberta no posto de gasolina... Como já não existiam mecânicos nem o restante da humanidade, ele deixou "Christine" com "Zen e a Arte de Manutenção de Motocicletas".

    "Zen" começou a criticar o carro. Prefira motos, sempre, ele disse. Além do mais "Christine" não é lá um cadillac muito bom. "O Alquimista" reconheceu que o automóvel de King era um perigo, mas sua outra opção era "Crash" do Ballard...


    E etc, etc...
     
  10. Rahmati

    Rahmati Grub grub grub uáááááá

    Hahaha :rofl:
    Continue esse texto, faça dele um conto! Vai ficar legal! :happyt:
     

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