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Divã / Esquecimento

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Liico, 5 Abr 2010.

  1. Liico

    Liico Usuário

    os dois mais recentes textos colocados no meu cantinho.

    DIVÃ.

    Foi ao psicólogo pedir ajuda, acreditava que poderia ser louco, que poderia estar mal, entrou no pequeno escritório em tons fracos de dourado e lilás, sentou-se com ressalva no pequeno divã amora, pequeno demais para ele, não se cabia inteiro sentado ou mesmo deitado, não entendia como podia ser tão desconfortável algo que supostamente deveria lhe passar conforto, pensou se alguém já coubera naquele divã, coubera e sobrara, com os pés palmos longe da borda do estofado amorado.
    O Doutor, barbudo e rechonchudo, apertado em suas roupas em tons sóbrios, ajeitava o fumo em seu cachimbo de ébano, enquanto movia os dedos dos pés dentro das pequenas pantufas trinta e oito que usava dentro de seu escritório. A tapeçaria na Parede, a mesa de mogno, a pequena lamparina verde, os blocos de anotações, um copo de água, o mini-bar logo atrás da mesa, um peixe de acrílico segurando os papéis, o ventilador envernizado girando lentamente, o seu divã pós moderno amora, sua poltrona amarelo ocre grande demais para seu corpo pequeno e rechonchudo, mas confortável, extremamente confortável, gostava de se sentar nu depois do expediente, e se masturbar olhando para a tapeçaria de Davi e Golias, olhar para os músculos definidos na costura, a funda feita de madeira grossa, as partes baixas descobertas, minúsculas, mas excitantes, que confortável era a poltrona!
    - Doutor, o problema é este, estou com
    - Com muita pressa meu homem! vou lhe dizer uma coisa, a pressa só acaba com a vida das pessoas, minha ex-mulher gostava muito de se apressar para nunca ficar atrasada e veja bem, morreu, ataque cardícaco, foi muito depressa para longe da vida, HAHA, você não tem senso de humor homem? Senso de humor é algo muito importante hoje em dia, em outra consulta me veio uma mocinha muito da sem graça me contar como tinha atirado nos pés do marido um prato de porcelana porque ele tinha feito uma piada sobre a comida dela ser horrorosa, e cá entre nós, isso é uma demonstração clara de falta de humor, porque uma mulher bem divertida ria da piada e ainda lhe cagava no arroz no dia seguinte por vingança, mas tacar o prato aos pés do marido é muita falta de sexo, pois podia aleijar o coitado e depois este ficava impossibilitado de executar qualquer tipo de coisa com os pés, para você ver como os pés são importantes, outro dia pedi para um desses garotos de programa colocar o dedão do pé em um de meus orifícios e veja só que não acreditava que poderia sentir prazer com algo tão esdrúxulo, mas lá estava eu, a revirar os olhos e sentir as órbidas úmidas e o pênis roçar o zíper, ziper este que hoje está estragado pois não sei cá o que me aconteceu mas outro dia resolvi abrir as coisas com boca, abria latas, celular, portas, calças, e bom, fui abrir esta para vir ao trabalho e engoli o maldito zíper e estou sem zíper na maldita calça, agora venho com essas bermudinhas de explorador pois é uma das poucas peças em meu armário que ainda me cabe e tem um tom de seriadade. Não que mostrar os joelhos dê um tom de seriade, mas meus joelhos não são nada sensuais como o de uma menininha que veio se consultar comigo outro dia, veio com um shortinho minúsculo que só lhe cobria a vulva e deixava toda a perna à mostra, principalmente aqueles joelhinhos vermelhos, a dona do joelho era uma dessas menininhas que descobriu o sexo agora e se descobriu ninfomaníaca e agora estava com uma certa fixação por escrotos masculinos. Veja bem, eu não me abro assim para todos os pacientes, mas aqueles joelhos me deixaram torto, tive que por o escroto para fora e deixar ela mamá-lo, e enquanto ela o fazia pensei se essa não seria uma forma nova de terapia, não estava eu saciando os desejos da moça? não seria esse um remédio para que ela não atacasse escrotos alheios na rua? vir aqui uma ou duas vezes na semana e mamar como um bebê puxa leite de sua mãe? Acho que estou criando minha própria forma de terapia e devo escrever um livro, mas não me entendo com as palavras escritas, não lia direito os livros quando criança, na falculdade nem me dei ao trabalho de comprar os livros adicionais, lia os que me serviam para os exames e deixava os outros de lado pela preguiça de tentar me entender com aquelas letrinhas pintadas no papel pardo, mas cá estou eu psicólogo sem precisar ler absolutamente nada, só escrever, e nem o que escrevo me dou ao trabalho de ler, não me presta de nada ler algo que acabou de sair da minha cabeça, anotações se faz na mente, falando em mente…

    - Doutor, me sinto ótimo, sinceramente, perfeitamente ótimo, me sinto normal e curado.
    - Mas nem falamos de ti ainda, veja bem sair assim de um consultório sem nem mesmo se explicar, não acho que seja adequado, outro dia mesmo eu…
    - Não doutor, não tenho mais problemas, ouvindo o que o senhor me disse, me sinto perfeitamente normal.
    - Mas Homem! não seja assim tão cabeça dura, se sentarmos para colocar em ordem tudo aquilo que…
    - DOUTOR!!
    - S-s-sim?
    - Meu tempo acabou.

    Thales de Mendonça.


    ESQUECIMENTO

    Tinha me esquecido como escrever, porque tinha me esquecido como sentir.
    Quando a brasa ainda quente caiu sobre meu ventre nu, nem ardência nem dor, nem surpresa.
    Já não sentia faz um tempo. Não sentia mais aquela vontade de sorrir por nada.
    A cevada gelada descendo no gogó.

    O gogó tirou de mim aquela cara de moça que eu tinha na adolescencia, quando ainda sentia.
    Seria o gogó a causa da minha falta de sentimento, sofrimento, acompanhamento? não.
    A culpa pertencia a um único alguém, um único ninguém que levara consigo o meu sentimento.

    Devolveria ela o que me pertencia? In-certeza.
    Acendo uma brasa em nome da pequena incerta certeza que surge no âmago do ser perdido
    pelo fato de ser deixado para trás para ficar em meio de suas palavras mal ditas e desconexas.

    E ali, no meio-fio, com uma corda inteira na mão, espuma quente na boca e olhos cheios de cor, de um vermelho brasil que envolve o corpo castanho do garoto sem sentimentos, lhe falta brasa no peito, para mover a pequena máquina que bomba sangue para os buracos que a vida constrói dentro do peito da gente.

    falta carvão.

    Que goza, goza. O suficiente para encher um bebê de felicidade, mas lhe falta tesão.
    Lhe falta o roçar constante, lhe falta o cheiro de suor e o contato do sexo com o prazer e toda
    aquela bagunça que se faz na cama, no tapete, na mente da gente e principalmente, na nossa respiração.

    Me faltam palavras, mas me recheio com certezas.
    Uma delas agora, é de que realmente me esqueci como escrever, pois me esqueci como sentir.

    Thales de Mendonça.

    mais devaneios em www.pieceofmontauk.tumblr.com
     

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