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dissolução

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Luciano R. M., 16 Jul 2010.

  1. Luciano R. M.

    Luciano R. M. vira-latas

    Avood

    sem direção

    sem foco

    como a fumaça

    do cigarro que

    se espalha

    me

    perco

    e não sei mais

    quem sou

    sinto meu coração

    forte

    rítmico

    prestes a explodir

    não vai explodir

    pois

    é como a fumaça

    e se espalha

    sem barulho

    apenas

    desaparece

    o desejo murcho

    o desejo morto

    o desejo nulo

    que me resta

    é incapaz de

    manter as forças de atração

    entre os átomos

    que me formam

    carbono

    hidrogênio

    enxofre e nem sei

    mais o quê

    me desagrego

    sem forças

    o começo do

    fim

    encarcerado

    em mim

    não sei mais aonde ir

    acendo esse

    cigarro – e nem ao menos

    quero

    fumar

    sem direção sem

    foco não sei mais

    aonde ir a

    fumaça que se espalha e se dissolve e se perde

    se torna

    invisível como parte do ar

    me espalho e me dissolvo e

    me perco

    me torno

    invisível

    como parte da morte

    como parte dos

    dias

    Me’ahev

    o que você pensa

    que vai conseguir

    que tenha pena

    que te despreze

    que te ame

    não

    se sente não se faz

    nada

    a respeito dos dias

    ou da morte ou do ar ou da fumaça

    não me importo

    com sua tristeza

    não

    me importo com

    seus sentimentos confusos

    suas desesperanças

    ou os poemas idiotas

    que você

    escreve com sangue

    Avood

    não esqueça

    que todas

    e

    cada uma

    das vezes

    fui quem

    te desprezou

    não quero

    que se

    importe

    simplesmente

    não quero

    coisa

    alguma

    Me’ahev

    por que

    por que

    por que então você não

    morre e me deixa

    em paz

    sem que

    essa sua dor

    estrague a lembrança

    da felicidade

    Avood

    sem rumo

    sem direção

    como

    a fumaça de

    um cigarro

    que

    acendo sem ao

    menos querer

    fumar

    desapareço

    me dissolvo

    no ar

    como se fosse parte

    dos dias como se

    fosse

    parte da morte

    Me’ahev

    segui

    com a vida

    até esqueci

    que você

    existia

    você

    e sua falta

    de desejo

    seu desejo morto seu desejo murcho

    seus cigarros sem vontade e seu uísque anestésico

    os comprimidos de felicidade

    que sempre acabavam no ralo

    porque com eles

    dizia você

    não se pode escrever porque

    com eles não

    sou

    dizia você

    mas esqueci tudo

    isso como

    se fosse parte

    dos dias

    como se fosse parte

    da morte

    e continuei

    com a vida

    só que a mancha da

    sua miséria

    me maculou para sempre

    Avood

    por outro lado

    nunca esqueci

    e nunca vou esquecer

    de nada

    que disse

    de nada que fiz

    cada palavra

    cada lágrima ou gota

    de sangue

    cada fio de baba

    de tudo me recordo

    menos

    de mim

    me recordo de tudo e não esqueço de nada

    mesmo daquilo

    que fingi

    nunca saber

    e de tudo

    que nunca acreditei

    Me’ahev

    por acaso algum

    dia acreditou

    em algo

    não no amor nem

    na liberdade até mesmo

    seus esforços

    para crer em

    algo maior que

    tudo foi em vão

    nem mesmo em si

    acreditou

    por acaso algum

    dia

    Avood

    minha única verdade

    sempre foi a

    descrença

    meu único sentimento

    sempre foi a dor

    ensimesmado

    preso acorrentado

    dentro

    da caixa

    da minha alma

    se é que

    um dia tive uma

    por acaso

    algum dia

    Me’ahev

    você não faz ideia

    depois que

    se foi da minha vida

    o que passei

    sofri chorei tentei

    esquecer

    porque amei você

    porque aceitei

    você dentro de mim

    e quis ser parte

    do seu mundo

    podre

    onde tudo é

    parte dos dias

    parte da morte

    por acaso

    seu egoísmo

    sem filhos sem liberdade

    sem amor sem vida

    apenas acreditava em

    não acreditar

    apenas vivia para

    um gesto derradeiro

    que nunca cometeu

    não era fácil

    a corda ou a lâmina do bisturi

    os pulsos ou mesmo a jugular

    quem sabe um tiro

    e você prometeu

    que não me amava

    porque só sabia

    disso

    porque era parte dos dias

    parte

    da morte

    Avood

    seria fácil

    seria muito fácil

    poderia

    fingir amar

    poderia fingir acreditar

    e mentir sobre

    ser feliz

    e um dia

    por acaso

    não mais acordar

    mas o que

    então

    aconteceria

    sofri

    depois que você se foi

    como se fosse parte dos

    dias parte da morte

    sem filhos sem vida

    sem amor sem

    nada

    sem um único

    sentimento sequer

    apenas o desejo

    murcho

    morto

    vazio

    um dia por

    acaso

    Me’ahev

    e agora

    que nos reencontramos

    não existe mais

    nós

    pois esqueci

    de você

    amei e amei e amei

    várias vezes

    vários dias

    e nunca foi por acaso

    tive filhos

    fui livre

    e esqueci

    de você

    mas nunca

    da sua

    dor

    como se fosse parte

    dos dias

    como se fosse parte

    da morte

    Avood

    eu nunca esqueci

    de nada

    mesmo que por acaso

    algum dia

    tenha fingido esquecer

    como se fosse parte dos dias

    como se fosse

    parte da morte

    nunca esqueci

    nunca acreditei
     

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