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DESONRADA - Mukhtar Mai

Tópico em 'Literatura Estrangeira' iniciado por Angélica, 6 Set 2008.

  1. Angélica

    Angélica Visitante

    Lendo os comentários do tópico "é cor de rosa choque..." lembrei-me desse texto que postei num outro fórum e comunidade e que trata da dura realidade de algumas mulheres desse nosso mundinho... Resolvi copiá-lo aqui, porque o que escrevi foi baseado nesse título de literatura estrangeira, mas, se for o caso, por favor, podem mover o tópico.

    Este livro é uma autobiografia da paquistanesa Mukhtar Mai. No Paquistão, onde mora Mai, a sociedade é dividida em castas (nível social) e a história dela envolve a casta dos Gujjar (camponeses, casta inferior da tribo) e a casta dos Mastoi (fazendeiros: casta superior da tribo).

    Ela foi condenada pela Jirga (tribunal da aldeia encarregado de resolver os problemas à margem da justiça oficial) a pedir desculpas públicas aos Mastoi por um crime que, segundo eles, seu irmão de 12 anos cometeu. A condenação seria pedir desculpas, em público, em nome do irmão ao chefe dos Mastoi.

    Sempre que há problemas entre as castas, os Gujjar, por não terem condições de contratarem um advogado que cobram valores exorbitantes, submetem-se à Jirga. Convém esclarecer que o poder dos Mastoi é tão grande que se sobrepõe ao poder da aldeia (a Jirga) porque alguns deles são membros do seu Conselho.. Desnecessário entrar em detalhes.

    Pensando em seu irmão que estava desaparecido (depois se soube que havia sido preso pelos Mastoi, que o espancaram e o estupraram) ela pensa que valeria a pena pagar tal humilhação. Acompanhada por seu pai, seu tio e um amigo de outra casta ela se dirige até a propriedade dos Mastoi para cumprir a pena.

    Todavia, ao terminar o seu pedido de perdão feito de cabeça baixa, em alto e bom som e sem permitir que a voz lhe tremesse ergueu a cabeça e ao deparar com o olhar do Chefe deles, entendeu que havia caído numa cilada... De fato, eles não só recusaram seu pedido de perdão como ainda a arrastaram para dentro de um quarto onde foi estuprada por quatro homens, enquanto do lado de fora toda a aldeia imóvel esperava pelo desfecho do ‘castigo’, dentre eles o pai, o tio e o amigo.

    O estupro e outras formas de violência às mulheres (e crianças) são muito comuns no Paquistão e sempre ficam impunes, pois, a Jirga tendo conselheiros da casta dos Mastoi acaba subjugando-a.

    Mukhtar Mai relata nesse livro os detalhes de tudo por quanto passou e de sua decisão de, em vez de se suicidar como faz a maioria das mulheres que passam por tal provação, tomar à frente de uma batalha para tentar acabar com esse tipo de violência tão absurda em pleno século XXI.

    O prefácio do livro foi escrito pela jornalista Miriam Leitão, da Central Globo de Jornalismo. Ela o inicia falando da hipocrisia das Nações Unidas que cancelou a entrevista de Mai porque o primeiro-ministro do Paquistão visitava a ONU e não queria constrangê-lo.

    A impressão que me foi passada por esse comentário é que o primeiro-ministro escolheu deliberadamente essa data pra sua visita, tenho cá pra mim, que uma paquistanesa pobre e analfabeta não conseguiria agendar uma entrevista na ONU num estalar de dedos, deve ter sido percorrido um longo caminho pra se conseguir uma data para Mai. Já, um primeiro-ministro teria mais facilidades pra agendar data para uma visita, mas convenhamos, mesmo assim, não seria num estalar de dedos, portanto, depreendi que a ONU, por interesses políticos e/ou outros quem nem sou capaz de imaginar, aceitou receber o primeiro-ministro e cancelar a entrevista de Mai. É lamentável que aquela que chamamos de ‘Organização das Nações Unidas’ que tem dentre os seus propósitos...
    “realizar a cooperação internacional para resolver os problemas mundiais de caráter ... e humanitário, promovendo o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais,”
    ... com poderes de decisão sobre as autoridades dos 192 países a ela filiados se preste a tal atitude. Simplesmente revoltante!

    Outra coisa que me impressionou no livro é que os homens que praticam tais barbáries o fazem afirmando que têm o apoio do Alcorão, que para eles, é o equivalente à Bíblia para os católicos.
    Pergunto: isso não nos remete de volta ao tempo das Cruzadas, em que os homens matavam em nome de Deus? Em que século vivemos?

    O Prefácio deste livro foi publicado em 24 de janeiro de 2006 no Jornal O Globo.

    Eis o comentário do The New York Times sobre este livro:

    Sua autobiografia é Best-seller na França (...). “Já estão produzindo filmes sobre ela, e personalidades como Laura Bush e o Ministro das Relações Exteriores da França têm feito elogios ao seu trabalho”.

    Recomendo. Uma verdadeira lição de vida!

    bj da angel ;)

     
  2. Zuleica

    Zuleica Usuário

    Fico muito furiosa com esse assunto. Uma amiga emprestou-me o livro que está na pilha dos "à ler com urgência".

    Quer dizer, que a ONU, em nome sei lá de que, permite que sua honra seja enlameada por um político Paquistanês. O que poderia ser lido a seguinte forma:
     

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