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Definir a literatura

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Francine Ramos, 6 Out 2011.

  1. Francine Ramos

    Francine Ramos Usuário

    Estou lendo o Diário de Virginia Woolf, abaixo um trecho que achei muito interessante a respeito da tentativa dela em definir a literatura:

    Fui levada a tentar definir a minha própria busca – não da moralidade ou da beleza ou da realidade – não; mas da literatura em si; e isto fez a Janet ficar um pouco ansiosa e insistente, como se ela afinal tivesse deixado escapar alguma coisa. Onde encontrava eu a literatura? Como a explicava? Concordamos acerca de uma certa passagem de Sófocles; mas como ela a comparou a uma do Lear acho que estávamos a falar coisas diferentes. E insistiu comigo para que lhe explicasse o que eu queria dizer; e, é claro, não consegui nem de longe, e ela disse que sim, que começava a compreender o que eu queria dizer… depois de passar todos estes anos a estudar grego! Sim, deprimiu-me a sua velhice, uma certa instabilidade; mas também me deprimiu a sua crítica implícita a The Voyage Out e a insinuação de que era melhor que me dedicasse a outra coisa que não ao romance. Ora parece-me ser uma tolice, e quem me dera inventar uma cura para isto, ficar assim tão abatida depois destes encontros, que têm por força de acontecer com certeza todos os meses da minha vida. É a maldição da vida dos escritores, quererem ser elogiados e serem assim tão humilhados pelas censuras ou pela indiferença. O único caminho sensato a seguir é uma pessoa lembra-se de que escrever é afinal o que faz melhor; que outro qualquer trabalho me parecia ser um desperdício de vida; que, afinal, escrever me dá um prazer infinito; que consigo ganhar cem libras por ano; e que há gente que gosta do que eu escrevo. Mas para a Janet o que conta é o amor, e disse que as suas amigas só conseguiram “sair-se bem” na vida, e não na arte.

    [Janet - Janet Case, uma amiga]

    Biografia: Diário – Primeiro Volume. Bertrand, p. 129
     
  2. AlexB

    AlexB Usuário

    A literatura é apenas aquilo que já encontra-se depositado na biblioteca de Babel, tudo que há a fazer é ser o primeiro a tirar um volume de suas quase infinitas prateleiras, é uma escolha, de toda sua coleção apenas uns poucos livros foram retirados, é só tomar seu volume abaixo dos braços que por mágica seu nome será escolhido na capa, dentre os muitos que lá poderiam estar.

    Você só retira um livro desta biblioteca se já o leu, não pode tirar um volume desconhecido para si, e sim um livro conhecido para outrem. Você escolhe os livros que os outros lerão, pois para você mesmo ler é preciso que outro tire o livro para ti.

    Escolher um livro para outros não é tarefa fácil, podes passar muito tempo conversando com a bibliotecária, e existem muitas no imenso prédio que abriga a coleção. Eu particularmente indico as recomendações da Srta. Musa, tem gosto refinado, lhe dirigindo ao melhor da literatura, se estiver em seus freqüentes horários de folga, vale esperar por sua chegada. Se quer algo mais prático, lhe recomendo a Sra. Fortuna, não tem conhecimento da fina flor da literatura, mas pode indicar-te livros que vão agradar à maioria das pessoas, é ela freqüente consultora de editoras e livrarias. É muito difícil retirar um livro que seja indicado por ambas. Muitos livros indicados pela Srta. Musa só serão conhecidos pela Sra. Fortuna muitos anos após a morte do usuário que retirou o livro.

    No geral literatura é apenas isso, ir ao prédio da famosa biblioteca e tomar posse de um volume nunca antes retirado de suas prateleiras, mas parece que há um problema, um tal Pierre Menard quer tirar um volume já retirado, é verdadeiramente impossível, irritante, há gente querendo complicar tudo.

    Abraço,
    Alex
     

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