1. Caro Visitante, por que não gastar alguns segundos e criar uma Conta no Fórum Valinor? Desta forma, além de não ver este aviso novamente, poderá participar de nossa comunidade, inserir suas opiniões e sugestões, fazendo parte deste que é um maiores Fóruns de Discussão do Brasil! Aproveite e cadastre-se já!

Dismiss Notice
Visitante, junte-se ao Grupo de Discussão da Valinor no Telegram! Basta clicar AQUI. No WhatsApp é AQUI. Estes grupos tem como objetivo principal discutir, conversar e tirar dúvidas sobre as obras de J. R. R. Tolkien (sejam os livros ou obras derivadas como os filmes)

De Mandelstam para Stálin (Robert Littell)

Tópico em 'Literatura Estrangeira' iniciado por Meia Palavra, 4 Dez 2010.

  1. Meia Palavra

    Meia Palavra Usuário

    Se nos acostumamos a pensar na literatura russa do século XIX pelos seus grandes prosadores – Dostoiévski, Tolstói, Gógol, Turguêniev, e outros –, o seu início de século XX tem como palco a poesia, na qual uma espécie de luta por uma nova linguagem para novos tempos veio a se instaurar. Óssip Mandelstam (1891-1938) é um dos grandes nomes desse período, que junto a Marina Tsvetáieva e Anna Akhmátova, formava uma das grandes tríades da poesia russa nos tempos da revolução de 1917 (a outra era formada por Maiakovski, Khelebnikov e Krutchônikh). Diante dessa lista de imensos autores, a afirmação de que nenhum país no mundo dá mais importância ao verso do que a Rússia não parece insignificante. Contudo, essa frase atribuída a Mandelstam vai mais longe, porque ela lembra que a importância de um poema aqui é da ordem do crime, e que com Stálin no poder, estamos diante de uma máquina jurídica paranóica e teatral. È diante dessa máquina que Mandelstam se colocou e cujos mecanismos o livro do escritor franco-americano Robert Littell (1935 -), “De Mandelstam para Stálin – Um epigrama trágico”, tenta reconstruir.

    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
     
  2. Clara

    Clara O^O Usuário Premium

    Que história ótima!
    E que personagem esse Mandelstam, hein?

    :sim:
     
  3. Tem uma série de poemas dele muito bem traduzidos naquela coletânea Poesia Moderna Russa, pelo irmãos Campos + Boris Schinaidermann
    Também há pelo mesmo Boris, em parceria com Nelson Ascher, uma outra seleção que pode ser lida
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)


    O primeiro poema de Mandelstam que está traduzido nesse último, e que está com o nome de "Vivemos sem sentir..." é o famoso Epigrama de Stálin do qual o livro de Littell tanto fala...

    Óssip Mandelstam

    "Vivemos sem sentir..."

    Vivemos sem sentir a Rússia embaixo,
    não se ouvem nossas vozes a dez passos.

    Mas onde houver meia conversa – sempre
    se há de lembrar o montanhês do Kremlin.

    Seus grossos dedos são vermes obesos;
    e as palavras – precisas como pesos.

    Sorri – largos bigodes de barata;
    e as longas botas brilham engraxadas.

    Rodeiam-no cascudos mandachuvas;
    seu jogo: os meio-homens que subjuga.

    Um assobia, um rosna, um outro mia,
    só ele é quem açoita, quem atiça.

    E prega-lhes decretos-ferraduras
    na testa ou no olho, na virilha ou nuca.

    Degusta execuções como quem prova
    uma framboesa, o osseta de amplo tórax.

    1934
     

Compartilhar