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De Atlântida, cáucaso e Silúria

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Calimbadil Thálion, 11 Fev 2008.

  1. Calimbadil Thálion

    Calimbadil Thálion We eat the wounded ones

    Meu primeiro conto. Pretendo continuá-lo aqui.

    capítulo I - O Ataque

    5000 A.C - Ilha situada 40 léguas a oeste do estreito que hoje se chama Gibraltar:
    O fogo é derramado aos borbotões sobre a proa de grandes galeras e trirremes, na praia o almirante Aliontes grita ordens rápidas para os homens que ainda estavam vivos para que se organizem e façam uma parede de escudos. Assim poderiam recuar para as escarpas que apontavam acima deles como grandes guardiãs e mães. Essas encostas que cercavam a área do porto atlante e que serviam como uma proteção caso a frota local fosse derrotada era agora a esperança dos marinheiros. Os navios atlantes que ainda estavam em condições de operar fugiam para as praias da borda sul onde a frota do príncipe Haleto poderia protegê-los, enquanto os barcos gigantescos com velas verdes irrompiam de todos o cantos do mediterrâneo ocidental e engolia a praia de Platehlia com um fogo que jamais se apagava, e mesmo a própria água estava em chamas.
    Eram as grandes dromundas da frota oriental.
    Após a destruição dos barcos atlantes na escaramuça inicial, os marinheiros dos navios atacantes desceram em botes e rumaram para as praias com o intento de tomá-las, os famosos ektrakt caucasianos atacaram o que sobrou dos homens do porto de Platehlia vencendo-os rapidamente, alguns foram tomados como prisioneiros, outros, conseguiram escapar sob o comando do almirante Aliontes. Estes subiram as escarpas onde poderiam resistir graças aos arqueiros "Gastaphretes", que utilizam um "arco barrigudo", muito preciso a média distância, eram arqueiros extremamente habilidosos, usavam um largo capacete e grevas grossas, seu segredo eram as flechas pentangulares que raramente deixavam sobreviventes, e como proteção adicional usavam um pequeno escudo atado ao braço que manejava o arco; neles o brasão de Órion reluzia ameaçador.
    Na praia, o comandante caucasiano, Nikoladio, estava sentado em uma pedra afiando sua espada ensangüentada quando um dos Hypasties(homens que portavam grandes escudos, na falange macedônica 4700 anos depois, foram chamados hypaspistai) chegou correndo da parte sul do acampamento improvisado, arfando, se dirigiu ao comandante:
    - O.. Prín..ci..pe se... aproxima... com sua hoste...
    -LEVANTAR ACAMPAMENTO! FORMAÇÃO EM TRÊS BLOCOS!
    Por todos os lados vários homens corriam procurando seus paramentos para enfrentar uma nova batalha, estavam exaustos, que infortúnio era para eles a chegada tão precoce do príncipe Haleto.
    Os olhos de Nikoladio não mostravam medo, mas obviamente deixavam perceber que a situação não o agradava.
    Os caucasianos eram homens de estatura média e não muito robustos, mesmo assim, os ektrakt usavam espadas bem grandes e peculiares, já que seu cabo era anormalmente longo, o que permitia que eles a usassem como lanças largas tornando-os pouquíssimo vulneráveis às cargas de cavalaria ligeira ou mesmo azagaieiros. Em compensação sua mobilidade era reduzida, não haveria defesa decente contra infantaria bem armada.
    Os comandantes Nikoladio e Amadio organizaram as fileiras na ribanceira que se erguia a pouca distância da praia, um banco de areia pouco mais alto do que o resto da praia. Não ventava, se os navios de Haleto chegassem agora, nenhum marinheiro caucasiano escaparia.
    Em pouco tempo já podiam divisar os escudos com brasões da vanguarda de Haleto, cada nobre com o desenho de sua casa e todos com o desenho de Posêidon, senhor dos mares. Um tremor leve percorreu as espinhas dos caucasianos mais jovens, era medo.


    As passagens estão cheias de lacunas, alguém mais experiente pode me ajudar a corrigí-las?
     
  2. Calimbadil Thálion

    Calimbadil Thálion We eat the wounded ones

    Os atlantes eram muito diferentes entre si, eram constituídos por três fenótipos básicos, dentre eles dois conviviam quase sem se diferenciar, estes eram os aquillanos, que deram origem aos gregos, e os arúnios que deram origem aos etruscos. Mas havia também um terceiro povo, que habitava a parte norte da ilha que era isolada por uma grande cadeia quase intransponível
    Esses eram muito altos e fortes, mas os "atlantes nobres" não conviviam oficialmente com eles, embora todos sejam fiéis ao Basileu.
    A vanguarda dos atlantes se posicionava a frente da infantaria, composta de soldados de elite que têm, em sua maioria, barba e cabelo grisalhos. Tratava-se dos triari, ou os veteranos, que tinham grande experiência de combate, e compensavam um eventual decréscimo no vigor físico com paramentos de alta qualidade.
    Ao ver tamanha formação de triari, o comandante Nikoladio ordenou que seus homens se mantessem na defensiva para que pudessem vencer pelo cansaço da tropa inimiga, claro que isso era apenas uma maneira de animar seus homens, pois seus batedores lhe informaram que o exército Atlante era três vezes maior do que o dele só contando a companhia triar, isso sem falar de Alionte que ainda detinha alguns Gastaphretes nas montanhas atrás deles, todavia Nikoladio já cumprira sua missão, já havia feito o que tinha de ser feito, e agora só esperava ter uma morte rápida em combate, e nisso também teve sucesso.

    O príncipe Haleto já era um homem feito com seus 43 invernos, sabia que não haveria negociação e ordenou que a vanguarda, chamada de hippi, se organizasse na formação de cunha e atacasse os hypasties, ao passo que Aliontes castigaria os ektrakt com suas flechas. Por fim usaria os triar em formação cerrada pra explorar brechas deixadas por aqueles que tentam fugir.
    O combate foi indescritivelmente sangrento, afinal, muitos dos marinheiros caucasianos não tiveram tempo de recolocar seus paramentos e assim lutavam de peito aberto, sendo logo alvejados pelas flechas dos gastaphretes.
    No centro da formação, Nikoladio formou uma barreira de lanceiros e ektrakti para causar o maior dano possível, o que saísse a mais de sua missão já era um lucro considerável, mas não conseguiu muito pois os triar logo romperam o bloqueio, e agora enfrentavam a guarda de Nikoladio, Aliontes desceu das escarpas com alguns escaramuçadores e apoiou o ataque, tendo ele próprio cravado uma azagaia no peito de nikoladio que caiu morto com um sorriso nos lábios. Não foi uma visão bonita para nenhum dos dois lados.
     
  3. Calimbadil Thálion

    Calimbadil Thálion We eat the wounded ones

    Os atlantes armaram acampamento na ribanceira após organizarem um funeral decente para os mortos e separá-los daquilo que não iam mais usar de qualquer forma. Na tenda central, Haleto, o príncipe, conversava com Aliontes e mais dois homens de sua casa que se chamavam Isaldes e Kataphranos, este último um grandalhão que era primo de Haleto, sendo filho de um Hesílio, ou homem do norte e portanto sendo maior que seus companheiros. Alionte perguntou ao príncipe qual seria a ação seguinte:
    -Meu senhor, que temos de fazer agora que a guerra está aberta? É evidente que concluíram a missão deles por aqui, mesmo que tenham tido pouco tempo para agir. O desgraçado do Nikoladio estava muito sorridente quando morreu. Isso não me conforta nem um pouco, na verdade me perturba consideravelmente, o que ele pode ter feito?
    - Não devemos nos precipitar, vamos nos reunir com meu pai no círculo central de Atlântida e de lá poderemos lançar qualquer empreitada com um mínimo de chances de sucesso. - disse o príncipe.
    - Iremos recorrer aos meus parentes do norte? - interrompeu Kataphranos
    - Sim, assim devemos proceder, pois por mais que eles sejam diferentes da maioria de nós não podemos negar que jamais nos faltaram em tempos de fartura ou necessidade.
    -Diferentes de quem?
    -Você entendeu, mas eu devo desculpas de qualquer forma.
    -Tudo bem...
    E assim seguiu uma longa noite de discussões sobre estratégia e relatos de mensageiros vindos de várias partes da ilha.
    No dia seguinte os atlantes prosseguiram pelo vale extenso formado pela cadeia dupla de montanhas chamadas de cordilheiras do crepúsculo, pois estas em certo período do ano formavam um perfeito círculo de sombras durante o crepúsculo, os anciões consideravam tal época ideal para suas experiências místicas. Eram montanhas muito altas, e continuavam crescendo a medida que se afastavam do mar, os atlantes gostavam do vale do crepúsculo, tinha um ar úmido e agradável, e o mar canalizava sua brisa fresca até o círculo central pelo vale, que jamais foi arrasado por nenhum povo. E haviam templos de mármore incrustados nas montanhas onde os atlantes veneravam Posêidon e se refugiavam nas invasões. No centro do vale havia uma grande estrada pavimentada com enormes blocos do mais puro mármore e a cada "possi" havia uma coluna, existindo120 dessas do porto do sudeste até o círculo central. Sempre que a percorriam, os triar lembravam-se de sua juventude.
    (Para constar, cada possi equivale a cerca de 1,7945km)

    A formação dos Triar era de tal maneira brutal que se você chegava a esse ponto, o estado Atlante não economizava com sua necessidades.
    Os jovens entravam para a escola preparatória aos 7 anos para aprender filosofia e outras disciplinas teóricas, aos 14 eram treinados fisicamente nas montanhas da parte central da ilha onde se formavam soldados "hastati", ou novatos. Depois de mais doze anos de treinamento, quem sobrevivesse aos dias ao relento e às disputas com os lobos pela escassa comida se tornava um Hoplita, e depois de 5 anos servindo no exército você se tronava um veterano, um triar.
    Dessa formação derivou-se o treinamento militar dos dórios, um povo que também é neoatlante.
    Já passava das 4 da tarde segundo os sinos dos vinte picos da Atlântida, enormes sinos de zinco posicionados estrategicamente ao longo da ilha, cada qual com seu guardião, cada qual com seu brasão. Ao ouvir as familiares badaladas os homens, interromperam a marcha, a uma distância de 6 possi da divisa com o círculo central. Aquela região já tinha as características geológicas do planalto que abrigava a cidade do círculo central, eram montanhas altas e pontudas, suas bases eram rosadas por causa das sedimentações de suas rochas ígneas, e no antro desses gigantes havia um espetáculo emplacado na rocha bruta, o círculo central.
    O círculo central era um milagre arquitetônico que ainda hoje é impossível se reproduzir, poucos conseguem conceber como uma cidade de rocha, sem cimento poderia ser encravada sem uso de brocas na rocha dura sem que se estilhassasse com os abalos sísmicos da cordilheira em que fica. E saibam que não foi um terremoto orogênico que afundou Atlântida (bom, sabem que ela afundou, certo?) mas sim um processo epirogênico, que deu origem aos montes Atlas africanos, ao passo que Atlântida submergiu lentamente, possibilitando a alguns escaparem da ilha a tempo; Embora depois de um tempo a placa tenha se rachado fazendo com que pouco tempo depois a ilha sumisse do mapa de uma vez.
    Voltando a cidade; Logo de entrada é possível ver os pilares de Posêidon, que se erguem em colunas coríntias a 50 metros de altura, era o portal o círculo central. Entre essas colunas de mármore havia um portão, que quando selado, mal se via que poderia ser aberto e mais parecia um dique. Era de uma liga de ferro extremamente resistente, e embora seu peso fosse enorme, o sistema de contrapesos que ficava logo atrás dele permitia que suas toneladas fossem transformadas em meros quilos para quem os abre.
    Agora você se pergunta, como forjar um portão de ferro daquele tamanho se era necessário muita energia pra derreter tanto ferro? Para alguns isso é um mistério.
     
  4. Calimbadil Thálion

    Calimbadil Thálion We eat the wounded ones

    O fato é que ainda caíam muitos meteoros pelo mundo, e vários deles continham níquel, ferro e estanho, o que possibilitava a forja desses materiais brutos, afinal, chegando do espaço esses meteoritos eram puros, ou seja, não era necessário separar o ferro da hematita ou o estanho da pentlundita e assim por diante, sendo esses materiais puros, bastava moldá-los e eventualmente derretê-los novamente.
    Obviamente encontrar este portão chamuscado e semiaberto, sem ninguém para guardá-los não era a recepção que o exército aguardava.

    Capitulo II - entranhas de fogo

    Algo abalou os soldados assim que passaram pelo portão semiaberto, havia fumaça no ar... não a fumaça habitual de alguns ferreiros ou fogueiras, mas de um grande incêndio, não tendo muitas florestas por perto eles logo perceberam que a cidade estava em chamas. Correram sem perder a formação, pois esperavam uma grande tropa inimiga atacando a cidade, entretudo ao chegarem à cidade viram que seria melhor que estivessem sendo atacados.
    Na verdade o que incendiava tudo era um Helioconstritor, um gigante de fogo, com seus 4m de altura e seus 4000ºC, normalmente, eles apareciam durante erupções vulcânicas e eram rapidamente consumidos pelo sistema hidráulico de contenção Atlante, mas ao que parece, dessa vez, além de atingirem o círculo central, vieram em bando, agora é problema. Os atlantes não lutavam corpo a corpo com um helioconstritor a mais de 250 invernos e nunca houvera uma batalha contra tantos, isso era mau agouro com certeza, será que os deuses estão enfraquecidos? Talvez, mas agora tinham que lidar com seus problemas imediatos, gigantes de fogo.
    Não havia nenhuma estratégia organizada para combater helioconstritores, você tinha que pegar um martelo pesado e quebrar o máximo possível de seu compo de basalto antes que você morra, e sim, você morre, a não ser se usar um aríete ou onagro para pegá-lo a distância, o que não é muito eficiente, pois eles não são bobos e nem lentos, mesmo assim não esperam que você salte em cima dele. Água também funcionaria, mas pelo visto os caucasianos tinham a missão de desabilitar as bombas d'água que vinham dos portos, deixando apenas aquelas que vêm dos lençóis freáticos e dos pequenos lagos nas montanhas, que serviam como fonte de água potável e deviam ser economizadas.
    O tempo urgia, logo seriam atacados por um deles, era melhor que fizessem alguma coisa logo, nem que só se dispersassem para não serem atingidos em grupos compactos por qualquer projétil que os gigantes resolvam lançar.
    O general Aliontes tinha uma mente muito rápida, assim que assimilou os acontecimentos, rapidamente correu para os pilares de Posêidon, onde teriam uma chance maior com suas Balistas.
    No campo, próximos ao príncipe haleto, os triari se dispersavam para confundir o gigante, ao passo que alguns se arriscavam no estilo suicida.
    Pelo portão norte surge uma fileira de homens altos, facilmente avistados devido à altura do ponto onde estavam os triari, traziam enormes armaduras de ferro cujo propósito os homens de haleto desconheciam, e também não tinham interesse em conhecer. "Aqueles homens do norte são loucos" era o comentário mais comum entre aqueles que não conheciam Kataphranos e seus parentes, mais por os considerarem inferiores, o que viria a seguir mastraria o quão errados estavam.
     
  5. Calimbadil Thálion

    Calimbadil Thálion We eat the wounded ones

    Os nortistas também eram conhecidos como Palagos, vieram do continente pouco depois dos outros povos atlantes, mas pareciam não ser muito sociáveis e por isso se isolaram aonde tinham seus assentamentos e se restringiam a unir-se aos outros atlantes no caso de algum problema, esse era o caso.
    Os palagos vinham com seus exoesqueletos maciços de ferro em trios carregando uma enorme marreta à guisa de aríete e com ela arremetiam-se contra os Helioconstritores quebrando seus membros inferiores fazendo com que o restante desmoronasse e, ao mesmo tempo, evitando danos maiores aos seus próprios soldados.
    A batalha se alongava, os homens da companhia de kataphranos foram ter com seus parentes do norte ao passo que as companhias de Haleto, Aliontes e Isaldes corriam como baratas tontas enquanto somente alguns se ariscavam com os helioconstritores e menos ainda tinham qualquer sucesso.
    Então ouviram o retumbar de alguns tambores, as casas tremiam, eram passos de alguma coisa gigantesca, sentiram um cheiro de queimado, e de enxofre, da montanha saiu um ser que os Atlantes não viam há mais de 5000 anos, um colosso pirocinético.
    A batalha se alongava, os homens da companhia de kataphranos foram ter com seus parentes do norte ao passo que as companhias de Haleto, Aliontes e Isaldes corriam como baratas tontas enquanto somente alguns se ariscavam com os helioconstritores e menos ainda tinham qualquer sucesso.
    Então ouviram o retumbar de alguns tambores, as casas tremiam, eram passos de alguma coisa gigantesca, sentiram um cheiro de queimado, e de enxofre, da montanha saiu um ser que os Atlantes não viam há mais de 5000 anos, um colosso pirocinético.
    Era enorme, tinha cerca de 20 metros de altura e era constituído de Basalto e outras rochas vulcânicas, podia controlar a ação do fogo e seu único objetivo é consumir tudo o que encontrar e por fim ser consumido por si próprio. Era uma massa negra coroada de vermelho, nada vivo jazia atrás e não havia muita esperança para o que havia à frente.
    Aliontes olhava de um lado para o outro, seus olhos verdes estavam esbugalhados e procuravam um meio de evitar que todo o círculo central fosse consumido, suava, não pelo calor dos helioconstritores, mas um suor frio de medo, uma sensação que não experimentava em tamanha intensidade desde que saíra formado da caserna. Por fim decidiu tomar uma atitude que sua mãe certamente reprovaria, pegou todos os gastaphretes dos quais dispunha e partiu em direção à coorte dos palagos, passara no teste, vencera mais uma vez o medo e tornava à razão, o objetivo era salvar Atlântida e não manter regras socio-morais, dirigiu-se ao comandante interino:
    -Como pretende esfriar o grandão? Não temos suprimentos de água dos portos.
    O palago sorriu, não era freqüente um oficial não-palago dirigir-se a qualquer palago diretamente, então pegou o Almirante pelo ombro e o puxou para uma tenda improvisada.
    -Notamos uma estranha movimentação nas entranhas dos montes nos últimos meses, preparamos alguns tanques d'ádua para enfrentarmos alguns helioconstritores, mas obviamente ninguém esperava um colosso, a única chance que temos é o lençol freático, mas não em quantidade, por isso preciso que vocês ponham algumas carapaças e fechem o maior número de poços artesianos que puderem!
    - Entendo, com uma pressão suficiente a água teria maior poder contra o colosso!
    - Exato, tenho alguns alforjes para aumentar a pressão, mas ainda vai levar muito tempo para que tenhamos força suficiente, preciso de alguns de seus homens com carapaçass para segurarmos o que sobrou dos helioconstritores, porque o colosso é grande, mas não é dois.
    - Não quero imaginar como seria se fossem dois.
    - Nem eu, todavia precisamos tomar providências logo, mande alguém até Haleto e diga que a idéia foi sua, facilitará as coisas e com certeza aumentará nossas chances.
    - Podemos tentar as balistas dos muros de posêidon, assim atrairíamos os constritores para fora da cidade e ainda os tornaria um problema a menos.
    - Íríamos precisar de ainda mais homens!
    - Posso pressionar Isaldes para isso.
     
  6. Calimbadil Thálion

    Calimbadil Thálion We eat the wounded ones

    Aliontes pôs seu traseiro para mexer e foi em busca do comandante Isaldes, mas quando chegou ao local onde seus Murmilli estavam reunidos viu seu corpo queimado debruçado sobre uma coluna partida ao meio, ao seu lado havia uma marreta e vários blocos de basalto em chamas, ele superara o medo da morte e enfrentara um constritor.
    Se virou para os homens e perguntou quem estava no comando, um dos murmilli mais velhos disse que todos tinham a mesma patente e que não havia comandante, então Aliontes disse-lhes que tomaria controle da coorte, deu instruções para que atraíssem os constritores para os portões de posêidon para que os eliminassem com as balistas que ali se encontravam e se guarnecessem nos postos de guarda como alguns soldados haviam feito.Virou-se para o grupo do príncipe haleto que enfrentava problemas com dois constritores. Aliontes não queria perder mais um amigo e comandante, tratou de convocar alguns palagos pra distrair os gigantes e logo pode se aproximar do nobre, quando chegou no local foi recebido por alguns homens da guarda real que estavam meio chamuscados e entrou numa construção que recordava ser o templo de héstia. Dirigiu-se ao príncipe e falou com ele sobre o plano, este não tendo nada melhor em mente deu carta branca ao almirante pra tomar qualquer providência, e Aliontes o fez rapidamente.
    Aliontes fez soar as cornetas correspondentes à cada coorte do exército e distribuiu as tarefas por intermédio dos mensageiros tendo ele próprio partido com uma carapaça de volta à concentração dos palagos, onde prontamente avisou o oficial que agora sabia se chamar Clídios sobre o sucesso de sua missão, logo depois sentou-se numa coluna tombada para descansar.
    Restavam poucos constritores, nada se podia fazer sobre o colosso no momento, todavia este estava entretido com uma fonte na praça central, provavelmente pensava no porquê de uma obra de arquitetura tão magnífica e bem planejada ter sido criada para jorrar água, algo que ele odiava. Mas ele não era tolo para não saber que não era possível construir algo para o fogo sendo que este consome tudo aquilo que entra em contato com ele, sendo assim contentou-se em secar a fonte e observar a pira eterna dos reis atlantes, acima de toda a ilha sobre a colina do Atlantikon, coberta de neve e e sempre ardente com sua ígnea luz.
    3 possi distante do colosso, Aliontes admirava o mesmo local, pensava em seu tio-avô, o rei Atlante que Derrotara os canídeos do deserto africano durante o confronto com os piratas egípcios, quisera ele ter a mesma força naquele momento, mas só conseguia olhar o colosso à distância, com seus olhos já opacos de velhice, e procurava no monstro algo que o fizesse levantar e tomar alguma atitude, porém nem ele sabia porque estava fazendo isso. Olhava incessantemente para o gigante, uma criatura do titã helios, mas que este não podia controlar, pois decidira eternamente puxar o sol com sua carruagem todos os dias, por isso ele os trancafiou com a ajuda de hefaísto, que criou as montanhas e os pôs debaixo delas. Mas agora eles estavam novamente a céu aberto, e o almirante não conseguia figurar nada que pudesse vencê-lo mais rapidamente, pois se o colosso pirocinético decidir mostrar o lado cinético do piro a coisa ia ficar feia de uma hora pra outra.
    Aliontes se levantou e começou a andar na direção do gigante, que logo o percebeu, contudo nada fez para machucá-lo, o velho tirou o capacete e sentou-se na fonte, sendo agora observado por vários homens de diversas coortes e até pelos sábios no observatório, o gigante sentou-se num pedestal onde ficava uma estátua de Palas-Atena e o encarou curioso. Normalmente os colossos destroem os humanos ou são destruídos por eles rapidamente, provavelmente nunca tiveram nenhum contato parecido com este, o que revelou uma descoberta surpreendente. Os filhos de Helios têm o dom da fala.
    O colosso se aproximou do almirante, que começava a enrubescer com o calor, e Falou com uma voz rouca, abrasiva como metal aquecido "Eris trama, procure dentro de mim" em seguida virou-se para o círculo central e consumiu a si mesmo tornando-se nada mais do que cinzas e rochas fumegantes de basalto.
    Aliontes levantou-se, suado e chamuscado por todo o corpo, as roupas que usava por baixo da armadura eram agora apenas farrapos brancos de algodão lacerados por arranhões e queimados por seres de fogo.
    Era tudo muito surreal pra ele, estava cheio de adrenalina mas mesmo assim movia-se lentamente na direção das pedras negras que jaziam perto da fonte, tentava organizar seus pensamentos, mas não conseguia devido ao porte dos choques que sofrera recentemente, não conseguia figurar algo como um colosso de fogo falando, ou melhor ajudando um Atlante ou qualquer ser que encontrasse na frente. E Isaldes! O conhecera por 20 anos e nem lamentara sua morte, não passou nem dois minutos ao lado de seu corpo, e só agora tais detalhes afloravam na mente do Homem, que agora cambaleava em direção a uma clareira que ficara isenta de rochas ígneas.
    Sua mente não processava mais nada, mas seu corpo obedecia ao aviso do colosso como se este fosse uma ordem enviada pela natureza, algo muito mais direto do que o habitual que geralmente se resumia a teólogos vendo coisas e escrevendo profecias.
     
  7. Calimbadil Thálion

    Calimbadil Thálion We eat the wounded ones

    Aliontes prucura em meio às cinzas e encontra um tomo metálico maciço, com uma minúscula fenda em forma de sol que permitia que este fosse aberto, analisando grosseiramente o almirante percebeu que o tomo era de níquel e que a abertura era assombrosamente compatível com a chave do templo de Helios, que ficava na mesma montanha na qual estava encravado o túmulo dos reis de Atlântida.
    Certamente os Deuses queriam uma comunicação direta, nada de teólogos inventando histórias ou ocultando informações importantes, aquela mensagem era pra Aliontes, ele próprio sentia isso, imaginou como estaria Nikoladio ao atravessar o mundo inferior com Caronte, sabendo que sua sabotagem tivera conseqüencias que definiriam o rumo de Atlântida.
    Aliontes subitamente voltou a si, sentia o efeito da exposição prolongada ao calor e suava em bicas, voltou para a concentração dos palagos e reportou o acontecido a Clídios, mas este disse ter visto tudo e fê-lo sentar em um banco que trouxeram de uma taverna próxima.
    -Os gigantes se foram, sumiram junto com o grandão, gostaria de saber o que você fez para que eles simplesmente queimassem de uma vez.
    -Nada, acho que eles estavam aqui em missão.
    -Helioconstritores em missão, não entendo.
    Aliontes mostrou o livro a Clídios.
    -Por Zeus, o que é isso?
    -provavelmente uma mensagem, descobriremos mais quando chegarmos ao templo de Helios no pico Atlantikon.
    Clídios era um homem muito alto, mesmo para um palago, tinha cerca de 194cm de altura. Ver alguém desse tamanho com medo é algo simplesmente impagável para um aquillano como Aliontes, que só tinha seus 169cm. Clídios estava pasmo com aquela situação toda, primeiro um colosso não ataca um homem, depois deixa uma mensagem para ele! Isso era algo completamente inusitado, mas é muito diferente quando um homem de respeito como o Comandante Aliontes atender ao pedido de uma besta de fogo que ficou a poucos metros dele é outra história. O palago cofiava nervosamente seu cavanhaque negro e olhava para todos os lados procurando em vão numa cidade de pedra respostas que acalmassem seu espírito, mas por fim deu de ombros e decidiu acompanhar o radiante Aliontes até o templo de Helios, não faria diferença se ele morresse agora, afinal ficaria louco se não satisfizesse sua curiosidade recém-adquirida sobre colossos de fogo que falam.
    Foram as duas figuras dissonantes andando lado a lado sob o pôr-do-sol flamejante, cômico para quem visse de longe, imponente para quem estivesse a par de tudo e com certeza assustador para algum humano que fosse onisciente, mas esse dom era restrito aos oráculos e estes não eram muito sociáveis.

    Capítulo III - A mensagem dos Deuses.

    Os dois companheiros observavam durante sua passagem vários homens que finalmente saíam de abrigos subterrâneos, estes avisariam às suas esposa e a seus filhos se já era seguro sair, e provavelmente ajudariam os hastati(soldados rasos que são mais jovens) a apagarem o fogo. Era curioso observar, principalmente para um palago, que os demais atlantes vestiam túnicas, togas e outras vestimentas das mais variadas cores, de acordo com sua ocupação e classe social, coisa que inexistia em meio ao povo do norte que vivia em socialismo tribal, Clídios deu um meio sorriso, "pobres criaturas" pensou consigo. Aliontes captou a idéia e imitou o gesto do palago.
    -Escravos de suas posições, acorrentados por suas ilusões.
    -Então esse é o preço pelo dito luxo. Não poder vestir a cor que quer.
    Aliontes riu, passara tanto tempo fora do círculo central que se esquecera de como era a vida na capital, diga-se que havia um ditado entre os marinheiros "Vida no mar vida de palago, vida na terra, pé de guerra." e Aliontes sempre ria quando constatava a veracidade deste.
     
  8. Calimbadil Thálion

    Calimbadil Thálion We eat the wounded ones

    Deixemos de lado Aliontes e Clídios por um minuto. Voltemos ao príncipe Haleto. Este estava Operando uma oxybeles na muralha de Posêidon quando viu o que se passou entre o colosso e o comandante Aliontes, teve um atauqe de gargalhadas, pois para ele aquilo não podia ser mais do que uma piada sem-noção, com certeza estava alucinando devido ao estresse do conflito.
    Essa possibilidade foi descartada quando ele pôde observar que vinha em sua direção um bando de teocratas e gente da alta sociedade para tirar satisfação. Haleto esqueceu momentaneamente o mistério envolvendo o colosso e Aliontes para que pudesse se dedicar a um dos ofícios mais chatos que ele exercia naquela época, o de Demagogo.
    Os "socialites", teólogos, nobres e outros aparecidos se reuniam embaixo da muralha de Posêidon, era um mar verde e roxo que não parava de gritar, dizendo que o administradores de Atlântida eram incompetentes, que o parlamento devia regular as atividades dos Marechais etc.
    Haleto se recusou a descer, usou um amplificador para se dirigir aos presentes:
    -Que fazem aqui cigarras abelhudas? Não percebem que acabamos de evitar um desastre?
    -Evitar, veja o que houve com o bairro do comércio! Gritou um grupo de socialites.
    -Deviam agradecer por estarem vivos seus texugos gananciosos! Percorri inúmeras possi durante uma semana para proteger os portos e neutralizar os gigantes de fogo para hoje ter de ouvir um pelotão de imbecis ociosos que só pensam em suas barracas de laranjas!
    -Não se esqueça de nós meu jovem - gritou um Teológo que trajava uma toga roxa.
    -Que querem aqui?
    -Não vê isso foi um castigo dos deuses!
    -Ora, cale a boca.
    -Tamanha é sua ousadia jovem guerreiro!
    -Tamanha é sua língua velho parvo! Os acontecimentos de hoje só serão deslindados daqui a anos! Então, em vez de nos importunar, vá para seu templo, pois ao contrário de vocês, temos muito trabalho pela frente.
    Haleto não era muito amistoso com os teólogos em geral, na verdade só confraternizava com 2 ou 3, e esses nunca saíam de seus respectivos templos e nem mesmo abusavam de sua influência. Sendo assim conselheiros dos jovens comandantes, além de tutores dos príncipes e as pessoas mais importantes de Atlântida, atrás somente do Rei e seus marechais.
    Nesse meio tempo Aliontes subia a montanha com Clídios, e de lá observavam a situação de Haleto. Clídios soltou um muxoxo e riu.
    -Coitado.
    -Esses burocratas são enxeridos demais por meu gosto, raios, se não podem ajudar em nada pelo menos não importunem ninguém!
    -Parecem abelhas.
    -Eu diria que são abelhudos porém seria um trocadilho desnecessário.
    Os dois riram, as escadas de Ardósia já chegavam ao fim, já era possível avistar os dois guradiões do Templo de Helios e seus paramentos avermelhados.
    Não seria agradável ter de enfrentá-los. Os guardiões dos templos eram os melhores soldados de toda Atlântida, cada um com um paramento compatível ao templo que protegia, eram mais jovens do que os triari, mas não menos experientes, e sua armadura é feita pelos melhores ferreiros da ilha, quase impenetrável, mesmo que fosse mais pesada do que a dos soldados normais.
    Os guardiões tinham um posto fixo, e esse peso não seria um empecilho, já que não precisariam marchar.
    Aliontes e Clídios deixaram suas armas na entrada do templo como lheis foi demandado e foram admitidos no templo. Dentro, um homem vestindo uma toga completamente vermelha pediu que se sentassem um um dos divãs ali disponíceis, todos eles ricamente decorados em amarelo e vermelho, que ficavam colados Às paredes de Granito esculpido em formas suaves e sem pontas, iluminados por um poço no centro da sala que ardia em chamas desde que este fora esculpido na rocha bruta da montanha. Esse poço também deixava o ar aquecido e servia como sinalizador em caso de necessidade.
    O homem de vermelho se identificou como o sacerdote de helios e disse saber o motivo da vinda dos oficiais, pois recebera um sinal minutos antes.
    Tanto Clídios como Aliontes se entediavam com a dita onisciência dos sacerdotes, soltaaram um "hmpf" após a declaração do sacerdote.
    Esse a ignorou e imediatamente pediu que lhe entregassem o livro. A esse ponto os oficiais atlantes tomaram um susto e desejaram não ter duvidado das palavras do homem de vermelho. Era novo para um sacerdote, não se via um único cabelo branco em sua cabeça e poucas rugas eram vistas em torno de seus olhos, parecia que a juventude nunca o abandonaria.
    O sacerdote se identificou como Piro DCLXXVIII, e rapidamente explicou que todos os sacerdotes de Helios mudavam seu nome para Igneus, Helios ou Piro, sendo esse último o mais comum.
    Não quis falar muito das outras tradições, algo que era muito raro entre os teólogos, que simplesmente não paravam de falar delas, aliontes supôs que aquele sacerdote era rápido como fogo, e riu baixinho com o trocadilho.
    Clídios pegou o livro e entregou-o ao sacerdote que rapidamente puxou um pingente curioso de rocha preta de dentro de sua Toga , encaixando-o na fissura do fecho do livro e imediatamente o destrancando.
    Os oficiais se aproximaram para ver o conteúdo e ficaram pasmos quando viram que todas as páginas estavam em branco.
    Piro arrancou as páginas da capa e jogou as folhas no poço.
    Aliontes e clídios ficaram brancos, seus olhos estavam arregaladados, "ele jogou o livro no fogo" gaguejavam os dois um para o outro.
    Piro se virou, seus cabelos negros pareciam ter mudado de cor para um vermelho intenso, e também parecia ter aumentado de tamanho. Poucos minutos depois perceberam que já não era piro quem estava ali, mas um heliomante, um feiticeiro do fogo, os braços-direitos de Helios.
    O imponente heliomante assomava com sua armadura de basalto e seus olhos de um vermelho incandescente, sua longa cabeleira vermelha se desenrolava sobre suas costas, os fios se agitando como labaredas.
    O ser do fogo se dirigiu aos atlantes numa voz calma mas extremamente poderosa:
    -As forças do mundo se desligam e os deuses não têm mais o mesmo poder, logo, o mundo entrará numa era de Caos, sua missão é resguardar os tomos de Silúria, proteja esse livro dos caucasianos a qualquer custo!
    -O que tem esse manuscrito de tão importante? Perguntou o subitamente diminuído Clídios.
    -coisas além da compreensão mortal, precisarão dele para sua próxima missão.
    -outra missão - indagou aliontes surpreso - quer dizer que só proteger o tomo não basta?
    -Estão a beira de uma guerra de proporções inimagináveis jovem humano, devem se preparar, pois se falharem a própria terra sairá de seus eixos.
    Agora devo ir, pois eu e meus irmãos também temos muito trabalho pela frente. assim o heliomante se jogou no poço e deixou os atlantes parados de pé perplexos com a aparição do ser, também perceberam que o sacerdote não retornaria ao templo.
     
  9. Calimbadil Thálion

    Calimbadil Thálion We eat the wounded ones

    >.< não consigo pensar em nada, que estresse ¬¬
     

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