1. Caro Visitante, por que não gastar alguns segundos e criar uma Conta no Fórum Valinor? Desta forma, além de não ver este aviso novamente, poderá participar de nossa comunidade, inserir suas opiniões e sugestões, fazendo parte deste que é um maiores Fóruns de Discussão do Brasil! Aproveite e cadastre-se já!

Dismiss Notice
Visitante, junte-se ao Grupo de Discussão da Valinor no Telegram! Basta clicar AQUI. No WhatsApp é AQUI. Estes grupos tem como objetivo principal discutir, conversar e tirar dúvidas sobre as obras de J. R. R. Tolkien (sejam os livros ou obras derivadas como os filmes)

Criança: A alma do negócio

Tópico em 'Atualidades e Generalidades' iniciado por Cantona, 20 Mar 2014.

  1. Cantona

    Cantona Tudo é História

    Aproveitando o Dia Internacional dos Direitos do Consumidor, comemorado em 15 de março, um debate acerca da propaganda dirigida ao público infantil.

    Diversos setores da sociedade civil pressionam para que o projeto de lei que regulamenta esse tipo de propaganda, há treze anos na gaveta da Câmara, seja aprovado. Curiosamente, entre os que advogam a favor da aprovação, encontra-se a Associação dos Publicitários - ou alguma coisa do tipo. Alegam preocupação com a infância (preocupação engraçada, já que segue produzindo o que se pretende discutir, mesmo reconhecendo exageros). Chegaram a distribuir cartilhas para deputados e senadores, com a colaboração do Maurício de Sousa, explicando a relação criança x publicidade e comentando os radicalismos de quem força a aprovação da medida.

    No Youtube tem esse documentário, de 2012. E muitas reportagens sobre o assunto. Selecionei esta coluna por ser a mais recente.

    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)


    Sobre crianças e mentes colonizadas

    " (...) Já no Brasil, o Código de Defesa do Consumidor, um dos mais completos e ousados do mundo, entrou em vigência em 1990, dois anos após a promulgação da atual Constituição Federal, e pode ser visto como resposta do poder público aos anseios da sociedade civil em relação aos avanços desgovernados da sociedade de consumo.

    Curiosamente, é também dos anos 90 que muitos autores datam a crise conceitual da infância, pois foi quando as crianças, historicamente vistas e tratadas como um vir a ser que precisavam ser preparadas para o mundo adulto, foram elevadas pelo mercado ao status de consumidoras – antes mesmo de poderem exercer plenamente sua cidadania. (...)

    Foi nesse contexto que a publicidade dirigida às crianças entrou em cena com grande força. Passou a endereçar ao público infantil mensagens de apelo ao consumo, que se aproveitam da vulnerabilidade infantil para vender. Tornou-se, segundo pesquisa da Intersciense, de 2003, a principal influência de compras dos produtos infantis com embalagens e personagens famosos. Hoje, contudo, a publicidade não endereça às crianças somente mensagens de produtos infantis, mas também de objetos adultos. Isso deve-se ao fato deste público estar sendo encarado pelo mercado como porta de entrada para a influência nos hábitos de consumo de toda a família.

    (...)

    As crianças são convidadas pela publicidade – que lhes é ilegalmente dirigida – a ingressar cada vez mais cedo no complexo mundo adulto do consumo. A lógica do consumo domina as relações infantis e acaba restringindo a criatividade e as trocas afetivas das crianças, além de queimar etapas importantíssimas do seu desenvolvimento.

    A criança será, em função do tempo em que vivemos, uma consumidora no futuro. Logo, além de protegê-la legalmente da comunicação mercadológica, como já fizeram 28 países do mundo, incluindo os dez com melhor qualidade de vida –,precisamos prepará-la para que seja uma cidadã e consumidora consciente e responsável. Isso é feito com Educação, principal ferramenta no processo de transformação social. Lembre-se: educar, assim como consumir, é um ato político.

    (...)

    O principal direito das crianças é o direito à infância. Pensemos no direito de escolha e de proteção de nossas crianças frente ao bombardeio publicitário que as convida a tornar-se adultas antes do tempo. Elas são o prefácio para um mundo mais ético e sustentável, e têm nas mãos o poder de reinventar as relações de consumo. Tudo depende de vontade política e atuação conjunta em duas frentes: regulação e educação."

    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)

     
    Última edição: 21 Mar 2014
    • Ótimo Ótimo x 2
    • Gostei! Gostei! x 1
  2. Morfindel Werwulf Rúnarmo

    Morfindel Werwulf Rúnarmo Geofísico entende de terremoto

    Eu assisti esse documentário inúmeras vezes na TV Senado. Muito bom. Mas o CONAR sempre barra qualquer tentativa de regulamentar a propaganda direcionada ao publico infantil.
     
    • Gostei! Gostei! x 1
  3. Morfindel Werwulf Rúnarmo

    Morfindel Werwulf Rúnarmo Geofísico entende de terremoto

    • Gostei! Gostei! x 1
  4. Fëanor

    Fëanor Fnord Usuário Premium

    O problema mais básico que eu vejo com esse tipo de medida é que ele considera os pais das crianças como ineptos, incapazes de educar os filhos, e joga a responsabilidade pelo que a criança pode ou não ver para o Estado.

    Reproduzo aqui um trecho da
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
    (ele fala mais especificamente sobre a questão das propagandas alimentícias e obesidade infantil):

    But whatever the reason, the fact that two articles about the problem of childhood obesity in the NEJM could fail even to mention individual parental responsibility is indicative of what one can only call a totalitarian mindset. According to this mindset, it is for the government to solve every problem, either by prescribing behaviour, or forbidding it, or of course both. It is not that I think that the proposal that the government should ban the advertising of noxious products to small children is wrong; what bothers me is the failure to recognise that there is any other dimension to the problem, a dimension that is in fact much more serious.

    No doubt the NEJM does not want to court unpopularity, or even notoriety, by suggesting that millions of American parents are, at least in this respect, failing their own children (I suspect that they are failing them in other respects too). It is always safer, from the point of view of gaining the esteem of the intelligentsia and of avoiding their censure, to blame those in authority or large corporations rather than ‘ordinary’ people, who are by definition blameless victims. But to absolve ordinary people of all blame for the obesity of their own children, by simply omitting to mention it altogether, is to deny them agency as full human beings. Far from being generous towards, or respectful of, ordinary people, it is extremely condescending towards them. Poor things, they are but putty in the hands of television companies and the food industry.

    If the only publicly admissible or mentionable locus of responsibility for the diet of children is the government, we have accepted the premise of totalitarianism. The authors of the articles in the NEJM might answer in their own defence that their articles considered only those measures the government could take to affect the situation; nevertheless, the fact that they did not mention even in passing that parents had some active role to play in their children’s diet suggests to me that the thought did not even occur them. Here truly is the dog that did not bark in the night-time.

    Edit: e vamos lembrar que já existe no Brasil regulamentação publicitária que aborda a publicidade infantil. Vide capítulo II, seção 11 (Crianças e Jovens) do
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
     

Compartilhar