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Contos Maravilhosos (Lord Dunsany)

Tilion

Administrador
A editora Arte e Letra lançou hoje o livro Contos Maravilhosos, com tradução minha, do escritor anglo-irlandês Edward John Moreton Drax Plunkett, mais conhecido como Lord Dunsany (1878-1957). Dunsany foi uma das maiores referências da literatura fantástica na primeira metade do século XX, influenciando escritores como Tolkien, H. P. Lovecraft, Robert E. Howard, Jorge Luis Borges e Neil Gaiman, entre outros.

O volume traz as traduções de duas coletâneas de contos: O Livro das Maravilhas ("The Book of Wonder", de 1912) e O Último Livro das Maravilhas ("The Last Book of Wonder", de 1916), que contêm alguns dos contos mais famosos dele.



“Lord Dunsany” é mais do que o pseudônimo literário de Edward Plunkett (1878-1957), pois esse irlandês foi realmente o décimo oitavo Lorde Dunsany. Também teria influenciado Tolkien — e Howard, Lovecraft, A. Merritt (1884-1943) e outros autores da Weird Tales —, mesmo antes de ser recuperado por Lin Carter em 1970, com a publicação da coletânea At the Edge of the World.
Extremamente prolífico, Lord Dunsany publicou mais de oitenta títulos, sendo que um deles, Selection from the Writings of Lord Dunsany (1917), foi organizado pelo poeta irlandês W. B. Yeats (1865-1939), ganhador do Prêmio Nobel de Literatura (em 1923). Muito dos escritos de Dunsany eram peças de teatro, mas ele também escreveu, além de muitos livros de contos, romances de fantasia como The Chronicles of Rodriguez (1922) e The King of Elfland’s Daughter (1924). De vida aventurosa, o escritor caçou animais selvagens na África e serviu como oficial na Guerra dos Boers e na I Guerra Mundial, onde foi ferido. Ele ainda participaria da defesa da Irlanda e da Inglaterra, durante a II Guerra Mundial, vindo a falecer apenas em 1957, em Dublin, Irlanda.
Os dois títulos de Lord Dunsany que a Arte & Letra apresenta aos leitores brasileiros, O Livro das Maravilhas (1912) e O Último Livro das Maravilhas (1916), fazem parte da primeira e mais rica fase do escritor irlandês, aquela que provavelmente mais influenciou outros autores importantes da fantasia heroica e da alta fantasia em inglês no século XX. A sua publicação no Brasil é mais do que oportuna — o país vive uma onda de literatura de fantasia escrita por brasileiros, mas em sua maior parte tomada a partir do que os nossos escritores estão acostumados a ver no cinema, na televisão ou em role playing games. A leitura de textos fundamentais do passado nos permite rever os caminhos trilhados pelo gênero, e recompor nossa visão do que ele é ou pode vir a ser. O contato com a prosa elaborada de Dunsany e de outros nomes do passado nos ajuda, igualmente, a somar ferramentas estilísticas aos recursos disponíveis para a escrita de fantasia no Brasil.
O livro já está à venda no site da editora, assim como na Livraria Cultura, Livraria da Travessa e Saraiva.

Para os fãs de fantasia, eis uma boa oportunidade para conhecer um dos autores clássicos mais relevantes do gênero. =]
 

Anexos

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Ana Lovejoy

Administrador
nhai, queria ter pegado para resenhar, mas tive que ser menos fominha e oferecer para outra pessoa do meia palavra, aí o sortudo foi o pips. mas estou louca para conferir esse aí :yep:
 

Ilmarinen

Usuário
Fiz uma análise da influência deste livro sobre Tolkien em um post no fórum das influências.

Tolkien emprestou The Book of Wonder pro Clyde S. Kilby quando ele foi pra Inglaterra pra auxiliá-lo na composição do texto definitivo do Silmarillion.

From my personal point of view, as a student of the history of fantasy and Tolkien's role in the creation of fantasy as a modern literary genre, the most interesting point was Kilby's revealing that one of the books Tolkien loaned him to read as preparation for working on THE SILMARILLION was Lord Dunsany's THE BOOK OF WONDER [1912]. One discovery that was new to me, not having been mentioned in the lecture itself but jotted on one draft, was learning that Tolkien also recommended Sheila Kaye-Smith's THE CHALLENGE TO SIRIUS [1917] as "[the] best novel of the US Civil War". I don't know of any previous evidence that Tolkien knew Kaye-Smith's work; while largely forgotten today (aside from having been mocked by Stella Gibbons' COLD COMFORT FARM) she was famous in her own time both as one of Hardy's heirs and for a famous conversion to Catholicism in 1929 along with her husband (hitherto an Anglican priest).

As implicações de tal gesto não foram esmiuçadas até hoje mas, presume-se que a mitopéia do autor irlandês foi um dos impulsos iniciais de Tolkien na criação do seu próprio Legendarium. Alguns personagens do primeiro livro do autor como o deus da água Slid parecem ter sido referências não tão sutis assim em cima de criações de Tolkien como o vala Ulmo. O próprio Destino dos Perpétuos, criação não de Gaiman mas do escritor dos Novos Titãs, Marv Wolfman, parece ter sido criado em cima de um deus muito similar do Gods of Pegana, com direito a livro com o destino do cosmo e tudo.

Sem dúvida o saramento de uma pusta lacuna na publicação de literatura fantástica em português. Podemos esperar que The Worm Ouroboros vá receber o mesmo tratamento junto com Voyage to Arthurus e King of Elfland's Daughter tb do Dunsany ( a provável fonte pra espada de ferro meteórico do Túrin Turambar)?

Faz lobby pra isso acontecer Tilion. Meus parabéns pela publicação do trabalho. :cheers:

Aí embaixo o deus Mung de Gods of Pegana, talvez o germen pro vulto encapuzado da forma de Mandos quando ele foi proferir a sentença dos Noldor?



Comparem com essa ilustração clássica promocional de Sandman destacando a primeira aparição da Morte.Reparem na inversão de posições em relação à picture do livro do Dunsany refletindo o comentário do Morpheus pra irmã: "sou muito mais assustador do que você"



 
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Tilion

Administrador
Sem dúvida o saramento de uma pusta lacuna na publicação de literatura fantástica em português. Podemos esperar que The Worm Ouroboros vá receber o mesmo tratamento junto com Voyage to Arthurus e King of Elfland's Daughter tb do Dunsany ( a provável fonte pra espada de ferro meteórico do Túrin Turambar)?

Vontade não falta e há sempre uma possibilidade de acontecer, ainda mais agora com a porta aberta pelo Dunsany. No momento estou trabalhando com outros autores de fantasia e gêneros relacionados, mas é só darem o sinal verde que encaro os romances citados.
 
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Clara

Perplecta
Usuário Premium
Terminei ontem a leitura e fiquei com vontade de ler mais histórias como essas. =(

Sem dúvida o saramento de uma pusta lacuna na publicação de literatura fantástica em português.

"Como essas histórias ainda não tinham sido publicadas no Brasil?"
Foi o pensamento que me veio à mente várias vezes durante a leitura dos contos.

Os contos são "maravilhosos" mesmo, em todos os sentidos.

Alguns são assustadores: "Como Nuth teria praticado sua arte contra os Gnoles" (não sei por que o final desse conto me deu calafrio!) e "O Saque de Loma";

Outros são tristíssimos, de dar nó na garganta: "A coroação do sr. Thomas Shap", "A janela maravilhosa";

Tem alguns poéticos: "Um conto do Equador", "Como alguém chegou, como fora previsto, à Cidade do Nunca";

Todos têm um aroma de ironia, às vezes sutil: "O pássaro do olho indócil" "A torre de vigia"; às vezes forte e descaradamente: "Um conto de Londres" e "Como Ali chegou à Terra Negra".

Sem esquecer dos engraçados: "As preces imprudentes de Pombo, o idólatra" e "Chu-bu e Sheemish", este último imaginei o tempo todo como um curta metragem em desenho animado. =]

As referências são várias, das que me lembro agora:

"A janela maravilhosa" remete a "A Música de Erich Zann" de Lovecraft;
assim como "A cidade na Charneca de Mallington" => um pouco de a "A sombra sobre Innsmouth" e bastante de "A busca onírica por Kadath", mas esta história traz várias outras referências a Dunsany, segundo o próprio Lovecraft declarou.

E não tem como não lembrar de "Deuses Americanos" do Gaiman, ao ler "O clube dos exilados".
Tenho certeza de que, quem não leu e não sabe nada sobre "Deuses Americanos" vai achar o final desse conto surpreendente, mas quem conhece a história, logo no começo já vai ficar: "Será? :think: " .
 

Tilion

Administrador
Não duvido que possa ser uma influência no Gaiman, mesmo que inconsciente. Ele gosta de Dunsany e creio que é um dos escritores que o influenciou sobre toda a questão do fantástico. A edição atual pela Del Rey de The King of Elfland's Daughter, o romance mais famoso do Dunsany, traz inclusive uma introdução do próprio Gaiman.
 

Ilmarinen

Usuário
Dunsany é uma influência bastante reconhecida pelo Gaiman, com certeza, PELO MENOS pro Stardust.

I started writing Stardust in 1994, but mentally timeslipped about 70 years to do it. The mid-1920s seemed like a time when people enjoyed writing those sorts of things, before there were fantasy shelves in the bookshops, before trilogies and books "in the great tradition of The Lord of the Rings". This, on the other hand, would be in the tradition of Lud-in-the-Mist and The King of Elfland's Daughter. All I was certain of was that nobody had written books on computers back in the 1920s, so I bought a large book of unlined pages, the first fountain pen I had owned since my schooldays and a copy of Katharine Briggs' Dictionary of Fairies. I filled the pen and began.
 

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