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Contos de Enganar a Morte

Tópico em 'Literatura Brasileira' iniciado por Márcio Bicalho, 21 Abr 2008.

  1. Márcio Bicalho

    Márcio Bicalho Usuário

    [attachment=105]Um livro interessante é Contos de Enganar a Morte, de Ricardo Azevedo, da editora Ática. As ilustrações do próprio autor são em preto e branco, em traço firme e grosso, lembrando muito xilogravuras de literatura de cordel.

    O livro traz quatro saborosas narrativas populares brasileiras de pessoas que não queriam morrer e inventam truques e ardis para escapar da morte. Mas ela sempre vence no final, é claro. Minha filha lê sempre e adora, mas faz questão de me ver por perto.

    “O homem que enxergava a morte” traz a história de um homem que convida a Morte para madrinha seu filho e em troca ela lhe concede o dom de adivinhar se um doente irá morrer ou viver. Com isso ele se torna um médico rico e famoso, mas é claro que quando chega a hora dele mesmo bater as botas a história é outra.

    “O último dia na vida do ferreiro” narra a história de um ferreiro que não se seduz com falsas propostas de riqueza feitas pela Morte. Depois de ajudar uma velha necessitada, tem seus desejos atendidos e assim engana a Morte por duas vezes. Mas como sempre no final seu destino é esticar as canelas, como todo mundo.

    “O moço que não queria morrer” é a história de um jovem que conhece a Morte por acaso e resolve procurar um lugar onde ninguém morria. Ele acaba achando, mas a imortalidade tem uma condição. E um dia a Morte o engana e ele acaba abotoando o paletó de madeira.

    “A quase morte de Zé Malandro” conta a história de um jovem folgado que um dia ganha o dom de ser invencível no baralho, uma figueira que quem sobe nela só desce com seu consentimento, e um banco e um saco de pano que quem se sentar ou entrar nele só sai também com seu consentimento. E com isso engana a Morte e o próprio Diabo. Mas quando chega a hora de entregar a rapadura as coisas não saem do jeito que ele planejou.

    Um trecho da última história:

    “Certa noite, bateram na sua porta. Era um homem estranho, de cara feia, chapéu e paletó escuro.

    - Zé, se prapare – disse o homem. – Sua hora chegou.

    - Quem é você? – quis saber Zé Malandro.

    - Sou o Diabo – respondeu o outro, tirando o chapéu e mostrando dois tristes chifres. – A Morte não quis vir de jeito nenhum, mas me mandou no lugar dela para buscar você.

    - Mas como! – disse o Zé espantado. – Já? Deve haver algum engano!

    O Diabo caiu na gargalhada.

    - Não venha com essa conversa mole. Já estou avisado sobre você. Vamos embora agorinha mesmo. Ou vai me pedir pra subir na figueira? Nessa eu não caio!

    Zé Malandro baixou a cabeça.

    - Posso fazer um último pedido? – perguntou ele com lágrimas nos olhos. – É muito importante. É o último deseja de um pobre velho miserável raqítico esclerosado caindo aos pedaços. Queria tomar um traguinho de cachaça antes de abotoar o paletó. Você me acompanha?

    O Diabo lambeu os beiços.

    - Até que não é má idéia!

    - Sente-se aí enquanto eu pego os copos e a pinga – disse Zé Malandro, puxando o banquinho.

    Dito e feito. O Diabo sentou-se lá e não saiu mais.

    - Me tira daqui! – gritou ele, assustado.

    Zé Malandro deu risada, despediu-se e foi jogar baralho.

    Com o Diabo preso no banquinho, acabaram-se os crimes na cidade. As cadeias ficaram vazias e os guardas, delegados, advogados e juízes preocupados em perder seus empregos. Além disso, como as pessoas agora só falavam a verdade, começou a haver muita confusão porque as verdades são muitas. Mas o pior não foi isso. Acontece que o Diabo passava o dia inteiro sentado no banquinho gritando, guinchando e falando os piores palavrões.”
     
  2. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    Cara q legal!=D Editora Áticaa, certo, certo...
    gostei das situações..sabe o q me lembra?
    as situações do Auto da Barca do Inferno, nao sei pq,
    deve ser pq lah tb tinha pessoas caracteristicas, como esse
    livro de contos...!
     

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