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CONTO:O MAIS NOBRE DOS SENTIMENTOS

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por imported_Raphael, 7 Out 2008.

  1. imported_Raphael

    imported_Raphael Usuário

    É verdade que todos têm metas na vida. Metas? Eu tinha pensando em escrever sonhos, mas essa palavra não encaixaria muito bem. Pois bem, a coisa é que eu também já tive os meus sonhos, só não consigo mais lembrar deles, acho que não sobreviveram a minha infância. Quanto aos propósitos, não há muito que dizer, vale a ilusão que melhor se encaixar para você.

    Não almejava nada muito especial: sucesso, reconhecimento, amor, esses desejos tão triviais e ao mesmo tempo tão distantes. Na mais tenra idade, eram tudo o que eu esperava, tudo que eu cobiçava. A questão é que... essas coisas são tão aborrecidas. Tão comuns. Da mesma forma prematura que os desejei também menosprezei cada nova conquista. E esse, caro leitor, é um dos maiores dramas que qualquer um poderá encontrar durante sua existência: a falta da ilusão de propósitos.

    Vejam, não é que meus sentimentos não se aguçassem quando incitados por uma bela garota, por uma taça de vinho ou por algum bom livro, a questão é que tudo isso ficava cada vez mais insípido. Esse dualismo interno entre prazer a apatia não é das coisas mais saudáveis...

    Minha esposa já notara há algum tempo, só não percebi isso tão cedo. Ah, minha esposa. Aquela com quem tanto sonhei durante minha adolescência, aquela que tanto idealizei, com quem tanto planejei... aquela que tornou-se tão maçante ao ponto de eu não poder suportar sua companhia. A vida é mesmo uma comédia insana, não é?

    Enfim, por ser a vida uma tragédia macabra e satírica da própria natureza humana, eis que o adultério faz despertar em mim todo um novo calor: o ciúme. Não, não fui eu o adultero dessa vez. De certa forma, ela me ajudou. Eu havia encontrado o pretexto ideal para a fuga há tanto planejada. Foi durante o jantar, tudo estava perfeito. Acendi velas e espalhei rosas como não vazia...acho que não lembro quanto tempo. Confrontei-a sobre a traição no auge da noite, logo após um beijo apaixonado. Ela chorou, soluçava em prantos. Deixei claro o nojo que sentia por ela. Ela estava tão envergonhada e... tudo aquilo me dava tanto prazer.

    Evidente que o único culpado era eu. Era eu quem a havia abandonado. Mas a chance foi perfeita, ela me amava, eu podia ver em seus olhos arregalados e suplicantes. Foi nesse instante que atirei em meu crânio. O sangue a cobriu por inteira. Ou ao menos é assim que planejo, espero botar tudo em prática quando ela chegar hoje à noite...
     

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