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Complexo Eva - Capítulo 02

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por imported_Wilson, 23 Mar 2009.

  1. imported_Wilson

    imported_Wilson Please understand...

    Les Jours Tristes


    [align=justify]O escritório de advocacia Holden & Holden ficava no 71º andar da torre da Fundação, na Avenida Glassbury. Um enorme edifício de vidro, enrolado em uma estrutura de metal na forma de um filamento de DNA humano. Serpenteando através das janelas, animações holográficas percorriam a fachada do prédio, dando a ele, principalmente no inverno, uma estranha e fantasmagórica aparência se visto de longe em meio à neblina que cobria toda a Londres naquela época do ano.

    Na entrada do escritório, duas portas de vidro fosco traziam as formas secas e retas de dois H’s negros que se abriam para quem chegasse perto delas, entregando-lhes a uma modesta, mas confortavelmente decorada, sala de espera no melhor do padrão minimalista, cadeiras de espuma cinza com discretos terminais portáteis de entretenimento Sony acoplados a seus braços. Uma cafeteira eletrônica Pouissin’s e uma mesa de centro Yin/Yang. Outras duas portas menores, de vidro igualmente fosco, com a mesma marca registrada da firma estampada a laser, davam acesso a um conjunto radial de três corredores, com salas de reuniões equipadas com os mais modernos sistemas de gravação holográfica, pisos de cerâmica italiana, cadeiras em couro replicado, terminais Apple de última geração sentados em mesas vazias, em escritórios imensos, mobiliados e desolados, obras de arte valiosas e confusas esperando em paredes pelas quais ninguém passava. A luz morna de um outono que findava dando lugar à luz fria e impassível do inverno, esgueirando-se branca escritório adentro, sobre cada tampo de mesa, cortando ângulos secos nas paredes. Na extremidade sul do escritório, vidraças enormes mostravam Londres estender-se por um horizonte sem fim sob o sol frio da manhã, revelando uma cidade inteira que acordava logo abaixo de si. Mundos e pessoas diferentes, sonhos esperando para serem compartilhados e vividos, e o vidro frio os separando de Adriana, que observa do alto com a testa apoiada nele. Um escritório morto atrás dela.

    Não havia muito que fazer durante o dia. Na verdade, não havia nada para se fazer durante o dia. Só agora ela descobrira que fora contratada para servir de secretária em um escritório onde ninguém trabalhava e onde ninguém nunca aparecia. Holden & Holden, em que posso ajudar? Nunca teve uma chance para usar aquela frase. Em todo o tempo que esteve ali, o telefone nunca tocou. De inicio, ela apenas desconfiava, com o tempo, passou a ter certeza: o escritório era apenas uma fachada para algum outro tipo de negócio. Que tipo de negócio? Ela não sabia dizer e talvez preferisse não saber. O pagamento era bom, nunca atrasava, tinha um bom plano de saúde, e não tinha do que reclamar: ganhava bem para não fazer absolutamente nada.

    Depois que saia, pequenos bots de limpeza varriam a laser cada superfície que ela tocara, aspiravam o pó que ela deixara, e desinfetavam qualquer rastro humano que houvesse. Tudo era esterilizado, concreto, metal e vidro, como se ela nunca tivesse estado ali, como uma invasora em um ambiente que dispensava sua presença, que funcionava apesar dela. Imaginava as pequenas máquinas, em seu pequeno calabouço embutido na parede, falando mal por suas costas, em bipes e laseres e estalos, em silêncio.

    De todas as salas, apenas uma permanecia trancada o tempo inteiro. A pequena placa negra ao lado da fechadura magnética Yosaka trazia grafada em letras brancas garrafais: Cormac D. Holden, seu chefe, e, até onde ela sabia, a única outra pessoa daquela firma. Foi ele que a contratou, três meses atrás.

    - É um trabalho realmente simples - ele disse, enquanto apresentava o escritório. Precisamos de alguém que fique aqui para receber telefonemas, encomendas, clientes. Na maior parte do tempo estarei viajando então provavelmente você ficará sozinha.

    - Ninguém mais trabalha aqui?

    - Às vezes sim, às vezes não. Você não precisa se preocupar com isso.

    Cormac, para se colocar em uma só palavra, era intimidador. Alto, ombros largos, cara dura, expressão séria irremovível, cabelos grisalhos aparados junto ao couro branco de sua cabeça. Olhos azuis que miravam com desmedida frieza qualquer um à sua frente. Sempre em ternos perfeitamente alinhados ao corpo, carregando maletas e pastas lacradas. Sapatos negros e reluzentes de couro de crocodilo clonado. Uma esfinge, era como Adriana o descrevia mentalmente. Broches de ouro nas mangas de seus paletós e anéis pesados de titânio em seus dedos. Trazia na bochecha esquerda uma enorme e profunda cicatriz. O fato de que ele a carregasse como um troféu, sem escondê-la sob enxertos de pele artificial, tão fáceis de conseguir que eram comprados em feira, aumentava ainda mais a aura de mistério que o encobria. Ele a contratara no mesmo dia em que fizera a entrevista. Meramente simbólica, na opinião de Adriana, visto que ele parecia saber tudo que havia para saber sobre ela.

    - Por que desistiu de ser atriz? - foi uma das primeiras coisas que perguntou.

    Ela sabia que a pergunta iria surgir, uma hora ou outra. Tinha medo de que tomassem aquilo como um sinal de fraqueza, alguém que foi tolo o suficiente para seguir um sonho de estrelato, mas não bom o suficiente para alcançá-lo. Ela tinha a resposta na ponta da língua, sobre como descobrira que não era aquilo que ela realmente queria, que era hora de assumir responsabilidades, precisava do dinheiro para realizar seus planos. Mas não havia espaço para mentiras, não sob a mira daqueles olhos inquisidores e imóveis.

    - Eu acho... Eu acho que não tinha mais energia para continuar - foi o que respondeu, e esperou pela próxima pergunta. - Eu tive os meus quinze minutos de fama e foi isso - quando estava nervosa, ela torcia os dedos por dentro dos sapatos, um sobre o outro, e era isso que ela fazia naquele instante.

    - A fama é supervalorizada - foi o que ele disse, e continuou com outras perguntas sem importância.

    Depois disso, ela o viu apenas mais uma vez, algumas semanas depois, quando ele apareceu correndo no escritório, antes de pegar um avião para Pequim ou Seoul ou algo do tipo. Entrou em sua sala, ajustou a transparência das paredes de vidro para que nada se pudesse ver lá dentro, e saiu usando um terno idêntico ao anterior. E, desde então, nunca mais, ainda que lhe mandasse mensagens vez ou outra, perguntando sobre como as coisas andavam e para que ela soubesse que ainda estava vivo e não era um fantasma que depositava crédito em sua conta todo quinto dia útil.

    Três meses depois, o que ela tinha? Apenas um reflexo pálido sobre a cidade mais triste do mundo.[/align]
     
  2. Vail Martins

    Vail Martins Usuário

    Wilson... Boa história!
    Será ela continuação da sua ultima história?
    Gostei da ambientação, você foi bem convincente ao passar a ideia de futuro. Foi bem detalhista sem ser maçante.
    parabéns.
     
  3. imported_Wilson

    imported_Wilson Please understand...

    opa, mal a demora em responder.

    então, essa aí é a continuação dessa
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    , que iam ser parte de uma história maior, mas que tava começando a ficar meio chata então eu coloquei em recesso por tempo indefinido.
     

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