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Comparações Tolkenianas

Tópico em 'Comunicados, Tutoriais e Demais Valinorices' iniciado por Artigos Valinor, 25 Jun 2005.

  1. Artigos Valinor

    Artigos Valinor Usuário

    Os trabalhos de Tolkien são todos escritos em estilos bem diferentes – “O Hobbit” é escrito como um conto de fadas, “O Senhor dos Anéis” possui um tom mais sombrio e introduz moralidade e sacrifício, “O Silmarillion” traz conceitos complexos de endeusamento e religião. Este texto compara os trabalhos de Tolkien em matéria de tom, conteúdo e valores.

    A Demanda como Conto-de-Fadas: O Hobbit

    "Tematicamente, "O Hobbit" refere-se primariamente à maturidade crescente. À medida que Bilbo viaja com os anões, passando por aventuras com trolls, goblins e aranhas gigantes, ele muda; de um assustado, passivo, e inofensivo amante do conforto doméstico para um corajoso, realista e ativo planejador de eventos que está disposto a assumir responsabilidade por si próprio e pelos outros." (Crabbe 31-32)

    "Contos-de-fada são histórias que acontecem em um mundo – Um mundo em que a natureza está viva de uma forma quase humana, e as leis que governam o homem e a natureza não são iguais às do mundo que ocupamos. Dessa forma, no mundo dos contos-de-fada, animais podem falar, mágica pode acontecer, pessoas podem voltar à vida, ou viver por extraordinariamente longos períodos de tempo. Os heróis de contos-de-fadas tendem a ser os pequenos e os fracos – irmãos ou irmãs mais novos, por exemplo, ou pessoas que acreditava-se serem estúpidos. Mas eles possuem virtudes que os permitem superar os fortes e poderosos – boa índole, ou gentileza inerente, ou uma surpreendente esperteza de raciocínio. . . . Em contraste, o herói de mitos ou lendas tende a ser quase como um deus, se não for de fato um. Embora possamos admirar um herói deste tipo, e possamos desejar ser como ele, sabemos que não podemos, simplesmente porque ele está muito acima de nós." (Crabbe 33)

    "Podemos ver que Bilbo cresce constantemente em maturidade e responsabilidade ao longo da história. Não é apenas a mudança de caráter de Bilbo que parece correta nesta luta linear de situações. Tolkien também lutou para dar a Bilbo oponentes que se tornam consistentemente mais elementares, ou seja, menos humanos e mais próximos de serem forças da natureza. Ao fazer isso, ele utilizou o princípio da repetição, particularmente ao desenvolver três descidas até o submundo (A caverna de Gollum; Rei dos Elfos da Floresta; Tesouro de Smaug)." (Crabbe 37)

    Smaug perde a taça ~ O dragão de Beowulf perde a taça.

    "Embora Bilbo estivesse comprometido a salvar a si próprio e aqueles por quem tivesse afeição pessoal, no episódio de Smaug ele está agindo Segundo o que acredita ser o melhor interesse da humanidade. Ou seja, visto de forma paroquial, pode ser que ele tivesse traído Thorin e Cia., mas de forma mais ampla, ele está agindo com a crença de que está fazendo o melhor para todos os seres civilizados. Portanto, o desafio pelo fogo é maior do que o desafio pela escuridão ou pela água, e como tal vem como a resposta para um esforço maior e um objetivo mais heróico. " (Crabbe 39)

    "Lá pelos capítulos finais da história, o leitor já entendeu há muito que a capacidade de Bilbo para coragem física é maior do que ele pensava, portanto não ficamos surpresos quando, na Batalha dos Cinco Exércitos, ele desembainha sua espada para ficar ao lado do Rei-élfico. Mas o lado heróico de Bilbo é revelado quando ele entrega a Pedra Arken, ato de sacrifício que repudia o coração da montanha e o coração de Thorin, é um ato de união: atrai os homens a ela e os une. Bilbo desistindo da Pedra Arken, ou seja, essa expressão de comprometimento com o mundo mais amplo, que ele coloca na frente de seu comprometimento com Thorin e Cia., o une não apenas com Gandalf, mas também com o herói altamente mimético, Bard." (Crabbe 47)

    A Demanda como Lenda: O Senhor dos Anéis

    ". . . embora o tema de “O Senhor dos Anéis”, assim como em "O Hobbit", é a incessante luta do bem e do mal; em seu trabalho posterior, Tolkien conseguiu transformar essa luta dialética basica em algo complexo e interessante, simplesmente por ousar brincar com a idéia de que uma variação do que é bom assim como uma variação do que é mal, é possível no mundo. " (Crabbe 67)

    "A primeira diferença que uma pessoa nota ao passar de “O Hobbit” para "O Senhor dos Anéis" é o tom." (Crabbe 68)
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    "Estruturalmente, conforme destaca Randel Helms, "O Senhor dos Anéis" é "O Hobbit" de forma mais ampla, no sentido de que, nos dois trabalhos, participa-se da visão de toda a vida de um homem como sendo uma demanda. Esta demanda, no entanto, está marcada para todos os homens por dois grandes eventos: a chegada da idade adulta e a chegada da morte. Tomando emprestado o paradigma desenvolvido por Joseph Campbell, autor de O Herói das Mil Faces, Há uma vida heróica, e histórias referentes à demandas se diferenciam apenas pela forma com que eles usam diferentes partes dela. "O Hobbit" claramente faz uso apenas da primeira parte do ciclo, terminando com a passagem do herói para a maturidade. O tom da história é solar, até mesmo cômica, considerando que se trata da história do início de uma vida adulta plena e completa, cujas partes específicas somos deixados a imaginar sozinhos, e da história de um jovem hobbit com sua vida diante de si. O Senhor dos Anéis, no entanto, leva o herói num ciclo complete, até o ponto de sua morte essencialmente sacrificante. Seu tom sombrio é apropriado para a história de decadência e morte inevitáveis. De fato, o único momento em que “O Senhor dos Anéis” soa igual a “O Hobbit” ocorre quando Pippin e Merry, nos capítulos iniciais, permitem-se um pouco da tolice da juventude. Até mesmo Sam, que é geralmente visto como um veículo para o alívio cômico, é identificado como sério, desde os primórdios do Livro I, devido a sua reverência pelos elfos." (Crabbe 69)

    "Da mesma forma que a natureza do evento de transição para o qual o enredo se move difere na seriedade, o mesmo acontece com o status social dos personagens. Bilbo é um hobbit comum, confortável, mas certamente não aristocrático. Não é de forma alguma extraordinário. É a função dessa história demonstrar como o jovem hobbit mais comum pode “ter mais nele do que alguém pode suspeitar”. Os anões com os quais ele viaja também são identificados como um povo comum. O grupo viaja em mantos manchados pelo clima, enxerga a aventura como um empreendimento econômico e, incapazes de encontrar ou gastar com um herói, contenta-se com um gatuno. / O Senhor dos Anéis, no entanto, seleciona seu pessoal nas ordens sociais mais altas. Em razão da fortuna de Bilbo e seu status de amigo-dos-elfos, a posição social e moral de Frodo é mais alta do que a de Bilbo na abertura de “O Hobbit”. O “background” de Pippin e Merry está traçado no Prólogo de tal maneira que estabelece seu status como descendentes de algumas das primeiras famílias do Condado. /Similarmente, enquanto que os elfos de “O Hobbit” são tolos, cheios de caprichos, e dados a cantar rimas sem sentido, tais como “tra-la-la-lally”, COME BACK TO THE VALLEY, os elfos de “O Senhor dos Anéis" são gloriosos, responsáveis, e poéticos. Muito tem se dito das idéias desenvolvidas por Tolkien a respeito da natureza e dos elfos, e quando o primeiro grupo de viajantes élficos aparece em O Senhor dos Anéis, afugentando os Cavaleiros Negros com seu hino à Elbereth, fica claro que estamos lidando com uma raça na qual os atributos de divindade são numerosos. A aparição do Senhor élfico Glofindel, a quem Frodo vê por um momento do outro lado do vau; o status de Elrond como reconhecido líder dos povos livres da Terra-média; e as visões místicas de Galadriel em Lothlórien, todos são bem-sucedidos ao espelhar a seriedade do tom na análise dos elfos." (Crabbe 70)

    Afirmação prévia paralela para os homens de Gondor e Númenor

    "O Hobbit", com seu foco constante em Bilbo e seu desenvolvimento, é um bom exemplo singular de uma demanda que refere-se primariamente a assuntos pessoais ou individuais. Embora seja feita alguma menção sobre assuntos que envolvem grandes sociedades inteiras, especialmente no reconhecimento da obrigação de alguém perante a humanidade e a visão das responsabilidades de um líder perante seu povo, o tema central e preocupação estrutural está no crescimento e desenvolvimento de Bilbo e, por meio dele, no crescimento e desenvolvimento individual humano. O Senhor dos Anéis, no entanto, embora ainda referindo-se à luta individual, conforme detalhado em Frodo, é muito mais um trabalho social, refletindo idéias sobre assuntos amplos de papéis sociais, responsabilidades e atributos culturais." (Crabbe 73)

    Línguas são muito importantes por essa razão - "[Citação de Waclaw Lednicki] Cada língua representa séculos de esforços trágicos por parte dos seres humanos para encontrar uma expressão adequada para seus sentimentos e pensamentos sobre o universo. De fato, cada grande língua é um espelho único da paisagem, do ar, do céu – de todas as cercanias naturais nas quas se desenvolveu."

    Heróis Guerreiros
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    "Nos heróis dos homens em O Senhor dos Anéis, podemos ver toda uma hierarquia de possibilidades heróicas. Nosh omens de Rohan, vemos o homem como um herói puramente físico, guerreiro este que aparecia tão pouco em "O Hobbit". Os Rohirrim são belos de se olhar, e amam a guerra e a coragem como coisas boas em si próprios, tanto um esporte quanto um objetivo. O poder da idéia do herói guerreiro é tão grande que, embora seja uma noção impopular para o nosso tempo, de fato incentivou Tolkien a unir a imagem de equipamentos de guerra com a de criatividade: Na batalha dos Campos do Pelennor, os homens de Rohan explodiram em canção, e cantavam enquanto matavam, pois a alegria da batalha estava neles, e o som de sua canção que era bela e terrível chegou até mesmo na cidade." (Crabbe 75)

    ". . . as qualidades heróicas que Frodo possui, embora de menores proporções dramáticas do que aquelas dos heróis altamente miméticos, são suficientes para a tarefa que lhe foi dada. Apesar de seu medo, ele possui um comprometimento inabalável para com a demanda, uma vez que ele a aceitou. Ele é capaz de sentir pena até mesmo do atormentado Gollum e do decadente Saruman, e está disposto a cumprir por meio do sacrifício aquilo que ele não tem a esperança de cumprir pela força. E mais importante do que isso, ele é capaz de prosseguir quando não há esperança." (Crabbe 77)

    Força para prosseguir: "Na disposição de Frodo para se sacrificar pelo Condado; no comprometimento de Bilbo com suas “Traduções do Élfico”; no desejo de Faramir de estudar os arquivos de Gondor sob a tutela de Gandalf; nas histórias compiladas por Pippin e Merry; e no Livro Vermelho do Marco Ocidental, mantido por Sam e entregue por meio de Elanor." (Crabbe 77-78)

    Sacrifício

    "[Frodos] concordando em levar o anel até Mordor e sua provável destruição é um triunfo da vontade de servir sobre a vontade de viver . . . apesar do continuo desejo subconsciente de ceder ao poder do Anel, simbolizado pela busca contínua de sua mão na direção dele, Frodo jamais desiste de sua decisão consciente de oferecer a si próprio em sacrifício até que ele esteja sobre as Fendas da Perdição.” (Crabbe 78)

    "Quando, no momento em que a vontade subconsciente de viver e de conquistar o poder rompe o desejo consciente de sacrificar a si mesmo para destruir o poder, o resultado é, simbolicamente, a requerida morte em sacrifício, embora o corpo sacrificado é o do alter-ego de Frodo, Gollum . . ." (Crabbe 78)

    Neste momento, Frodo realmente morre, e permanece como um “herói inativo” e vive apenas até completar o Livro Vermelho.

    "Para Aragorn, o sacrifício é apropriadamente tal que apenas um governante pode fazer. – manter seus direitos à felicidade e bem-estar na espera até que possa prover seus objetos. O sacrifício dele é, portanto, sua longa e solitária vida como um Guardião exilado e seu amor duradouro por Arwen Estrela Vespertina. Gandalf, como Frodo, é chamado para um sacrifício em um contexto mais circunscrito. Como Frodo, Gandalf precisa oferecer sua vida e, como Frodo, está disposto a fazê-lo. Embora o apoteótico Gandalf retorne de sua queda até os abismos sem fim de Moria, a oferta de si próprio em sacrifício para salvar seus amigos do Balrog é não menos heróica. O mesmo vale para a defesa que Boromir faz de Merry e Pippin contra os Orcs. Não é menos heróica pelo fato de ter falhado, culminando com a captura dos hobbits e sua morte." (Crabbe 79)

    Coragem

    ". . . como Frodo, aqueles homens são heróis que sentem o medo, assumem esse fato, e então fazem o que devem fazer apesar desse medo." (Crabbe 79)

    "na separação dos caminhos que marca o rompimento da Sociedade, Frodo diz para Boromir, “Eu sei o que devo fazer, mas tenho medo de fazê-lo, Boromir, tenho medo." (Crabbe 79)

    ". . . embora Aragorn lamente que, sem Gandalf, a sociedade não tem esperança de ser bem-sucedida em sua missão, ele também diz: “Temos que prosseguir sem esperança”." (Crabbe 80)

    ". . . Sam, montando guarda para Frodo, que dormia nas planícies de Gorgoroth, de repente se dá conta de que, se eles alcançarem a Montanha da Perdição, eles não têm chance de retornar: Mas mesmo quando a esperança morria em Sam, ou parecia morrer, tornava-se uma nova força.’ " (Crabbe 80)
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    Piedade

    "Similar ao tratamento que Frodo dis pensava a Gollum [ex: Frodo sente compaixão por Gollum] é o tratamento que Gandalf dispensa ao decadente Saruman, quando ele oferece a Saruman a liberdade para deixar Orthanc, assim como quando Barbárvore liberta Saruman depois da derrota de Sauron. A piedade de Aragorn fica ilustrada no tratamento que dá ao exército que lidera até o Portão Negro"

    Amor Altruísta

    Sam (indo com Frodo) Frodo (amor pelo Condado e amor pela humanidade) Frodo (parte nas Quedas de Rauros para impedir a Companhia de passar por mais perigos): "Sam, como servidor de Frodo e como um ser de livre arbítrio, demonstra um altruísmo que contém perseverança que não pode ser alcançada por nenhum dos abjetos escravos de Sauron e dessa forma, ilustra a superioridade do amor dado livremente em relação à força, não importando o tamanho dessa força." (Crabbe 83)

    Graus de bondade (não tão importantes)-> Mal (Gandalf, Aragorn, Boromir, Hobbits, Sacola-Bolseiros, Bill Samambaia, Gollum, Orcs, Laracna, Balrog, Sauron)

    "Da forma como é refletido em Sauron, o mal está intimamente aliado à busca por poder. Aqui a noção de poder ultrapassa a mera conquista de "O Hobbit", para incluir o total controle – controle sobre o ser. O poder de Sauron, ou o poder que ele busca, é um poder que parodia o poder do criador. Em vez de criar, Sauron vai destruir; em vez de libertar, ele vai escravizar; em vez de curar, ele vai ferir. O desejo de Sauron de tornar tudo na Terra-média inferior ao que é capaz de ser é nítido em suas repetidas ameaças de “destruir” prisioneiros, nas terras arruinadas e desoladas que outrora foram fértis e produtivas, e nos orcs e trolls, suas imitações de homens e anões." (Crabbe 86)

    Vitória Impossível

    "O título de Sauron, "O Senhor dos Anéis" também sugere a duradora qualidade do mal, qualidade esta que torna impossível uma vitória final. Embora Sauron tenha sido “vencido quando Isildur, o patriarca da linhagem de Aragorn, cortou o Anel de seu dedo, e embora Sauron tenha sido pego pela destruição de Númenor, perdendo a forma corpórea na qual ele andara por muito tempo, o mal não pode ser totalmente destruído. Pode ser temporariamente derrotado; pode ser afastado; na visão de O Senhor dos Anéis, não pode ser removido definitivamente do mundo." (Crabbe 86)

    O Anel é o mal; o mal é representado como um equilíbrio; todos são de um tom de cinza específico, em vez de totalmente brancos ou pretos; o perigo não é perder a batalha contra o mal, mas sim ‘ser incorporado a ele.

    O mal é totalmente inábil para criar; deve apenas perverter.

    The Wanderer (O Caminhante) e Beowulf foram situados em um tempo passando a "era dourada"; da mesma forma que O Senhor dos Anéis.

    A Demanda como Mito: O Silmarillion

    "Da mesma forma que a qualidade narrative de O Silmarillion lembra a de Beowulf, o mesmo acontece com a estratégia Do Poeta. . . " (Crabbe 129)

    "A visão escatológica pagã ou pré-Cristã, conforme Tolkien explicou em seu ensaio sobre Beowulf, é baseado na “credo da rendição”. Nas mitologias nórdicas, pelo menos, a suposição heróica era que a destruição do homem e suas criações era inevitável. O credo da rendição, portanto, afirma que o caos vai, eventualmente, triunfar e que, por essa razão, a vida humana pode ser transformada em algo significativo apenas se se opuser o caos com toda a força e vontade até que a morte inevitavelmente venha. A vida heróica pode terminar, mas a vontade heróica é indomável." (Crabbe 130)

    "Dentre os elfos, os maiores protagonistas são Fëanor, criador das Silmarils, e Turgon, Senhor de Gondolin. No entanto, a tragédia dos elfos ocorre porque, graças ao juramento de Fëanor e o conseqüente destino dos Noldor, eles apenas têm heróis cujas ações trazem resultados catastróficos. Seguir o código da vontade não pode trazer vitória; pode só trazer, na melhor das hipóteses, derrota gloriosa." (Crabbe 134)
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    Fëanor traz a derrota ao se recusar a sacrificar suas Silmarils para os Valar. "Além disso, devido ao fato do ato de desobediência de Fëanor colocá-lo numa situação de pecado, o destino dos Noldor deve ser analisado como sendo uma observação daquilo que naturalmente acontece com aqueles que se entregam a suas próprias vontades, mais do que uma maldição originada pelos Valar." (Crabbe 135)

    Turgon constrói uma cidade escondida [Gondolin] "cuja fama e glória são as mais poderosas nas canções dentre todas as moradas dos elfos nas HITHER LANDS". No entanto,". . . do momento em que Turgon deixa de repudiar o juramento e sua própria vontade, e deixa de se submeter à vontade dos Valar,a queda de Gondolin é predita." (Crabbe 136).

    "A queda da cidade é provocada pela mesma falha heróica que leva Fëanor a sua morte: O orgulho superior do criador e de sua própria criação. Tendo construído sua Linda cidade, Turgon não consegue deixá-la, embora recorde-se do aviso do Vala Ulmo: Não ames demais o trabalho de tuas mãos e os desígnios de teu coração; e lembra-te de que a verdadeira esperança dos Noldor reside no Oeste. Este é um claro aviso contra o orgulho, e um estímulo para seguir os Valar; a falha em dar atenção a este pedido leva ao ataque à cidade, à morte de Turgon, e os fim dos Noldor como cultura. Faltando-lhe o estado de graça e a disposição de curvar sua vontade à de alguém naturalmente superior, tal como os Valar, mesmo um líder tão forte, sábio e criativo quanto Turgon não pode sobreviver aos ataques incessantes do mal." (Crabbe 136)

    "Dentre a raça dos homens, heróis sofrem menos por transgredir as regras de obediência e responsabilidade do que sofrem por serem vítimas de um mundo que não consegue recompensar ação com justiça. Para os homens, o mundo visita o mal para os justos e injustos da mesma forma. E como os homens são mais frágeis, de vida menor, e mais limitados na compreensão do que os elfos, estão mais suscetíveis ao mal do mundo e menos hábeis a acreditar que um poder maior que os elfos os ama e protege." (Crabbe 136)

    Exceções (Beren): "[Frase do O Silmarillion] Dentre as histórias de sofrimento e ruína que vêm a nós da escuridão daqueles dias, ainda há algumas em que há alegria no meio do pranto, e há luz que permanece sob a sombra da morte.”]

    "Quando um homem é salvo de alguma dor física ou isolamento spiritual, jamais é por sua própria habilidade ou inteligência. Seres como estes são inteiramente impotentes contra a natureza destrutiva de um Morgoth ou de um Sauron. Embora elfos e homens sejam corajosos e habilidosos, eles somente podem ser salvos por meio de bravura (como Lúthien fez por Beren, ou Eärendil pelas duas raças) ou por misericórdia (dos Valar para as duas raças)." (Crabbe 138)

    Eärendil é como Frodo, um personagem que se sacrifica;Eärendil se sacrifice para benefício dos elfos e homens.

    "Nas heróicas figuras de O Silmarillion, dois modos de conduta são consistentemente refletidos – o criativo e o sacrificante. O criativo, em Morgoth e Fëanor em particular, apresenta-se como necessidade associada com força da vida, com a expansão da existência do herói. Porém, dentre os sutis e habilidosos criadores, o júbilo da criação é substituído pelo júbilo do controle. A mente que enxerga criações como posses em vez de criaturas com vontade e corpos próprios é uma mente que tenta conseguir com poder aquilo que só pode ser dado livremente. Há, portanto, uma falta de respeito com o princípio hierárquico da lealdade dada por vontade própria ao melhor de alguns.”(Crabbe 139-140)

    IMPORTÂNCIA DA LINGUAGEM: "Ao atribuir o desenvolvimento do alfabeto Fëanoriano ao filho rebelde de Finwë, Tolkien sugere que o desenvolvimento da língua, um passo Prometheano, pode tanto ser uma bênção quanto uma maldição. Ao perceber o mundo que o cerca, o usuário da linguagem também responde a sua própria criação e, ao responder a ela, ele define a si mesmo como separado de outras partes da criação. Somente quando o conceito da separação passa a existir é que pode-se exercitar o livre-arbítrio, porque até que exista um senso de separação, não há nada do que se libertar. A linguagem é uma bênção porque permite ao homem definir e então criar seu mundo, e é uma maldição porque traz a ele a consciência de que ele é distinto, talvez até mesmo isolado do resto de seu mundo." (Crabbe 142)
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    "[Benjamin Worf] . . . cada linguagem é um vasto sistema padrão no qual são culturalmente ordenadas as formas e categorias por meio das quais a personalidade não apenas nega tipos de relacionamentos e fenômenos, canaliza seu raciocínio, e constrói o lar de sua conscientização." (Crabbe 142)

    PRINCÍPIO BASE: "O Silmarillion, portanto, é a história de um mundo que é perigoso e imperdoável demais para ser cômico; é também a história de um mundo que é caprichoso demais, muito capaz de recompensar até mesmo as coisas boas com cinzas, e ser realmente trágico. Em vez disso, Tolkien representa aqui um mundo que é irônico: o perigo está em todo lugar, vilões podem ser banidos mas não vencidos, a maçã tão desejada é podre até a alma. Os habitantes desse mundo vivem vidas em que as noções convencionais das relações entre ações e recompensas são aniquiladas. Eles vivem vidas em que as chances do bem vencer o mal são quase que absurdamente nulas. Todavia, capturados nessa armadilha entre poucas chances e más apostas, os heróis de Tolkien fazem a coisa mais heróica que os heróis irônicos podem fazer: eles resistem." (Crabbe 144)

    A Demanda Realizada: Mundos Secundários

    "[Charles Nicol] Palavras significavam algo diferente para [Tolkien] do que para o resto de nós: elas eram objetos com muitas camadas por meio das quais ele conseguia detector o sentimento de um mundo anterior, e o brilhantismo de sua erudição residia em sua habilidade de reconstruir o meio de um romance Médio Inglês através de uma sutil análise de seu vocabulário." (Crabbe 145)

    MESTRE GILES OF HAM: "Como Bilbo e Frodo, Giles não deseja ser um herói, e essa falta de vontade dura através da história. Mas ele é pragmático também. Ele não quer lutar com um gigante, mas propriedade é propriedade. . . . Até mesmo Chrysophylax [o dragão, oponente de Giles] comenta a respeito das limitações de Giles como um herói, dizendo, Costumava, senhor, ser hábito dos cavaleiros fazer um desafio em casos como este, após uma apropriada troca de títulos e credenciais." (Crabbe 148)

    Giles é um herói comum dos contos-de-fada; tem três testes, viveu feliz para sempre e ele, como Bilbo, tem as virtudes dos impotentes, tais como prudência, discrição, a reverência pelo passado, sorte e uma afiada presença de espírito.

    LEAF BY NIGGLE: "A grande jornada de Niggle de sua casa e seu ateliê para a oficina ganha um paralelo com a implícita jornada no fim, quando Niggle parte para as montanhas. O compromisso com bons trabalhos e service para os outros que Niggle deveria ter realizado em casa, a aplicação na tarefa e a disciplina que lhe faltam, tudo isso é aprendido na oficina. Ele também aprende, por meio de lembranças, a apreciar seu vizinho, Parish. Dessa forma, a jornada de Niggle, assim como a de Bilbo em "O Hobbit", o leva à maturidade, embora no caso de Niggle a maturidade seja espiritual em vez de física." (Crabbe 159)
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    A Demanda Continua

    "O sistema de valores que age em O Quenta parece ser um que valorize um código heróico baseado em resistência, coragem, e dever público. Por exemplo, quando Finweg (chamado Finweg o Valente) resolve resgatar Maidros da face de Thangorodrim, ele não o faz por ter alguma estima especial por Maidros, mas sim pore star determinado a encerrar a disputa resultante da traição de Fëanor ao abandonar os outros ao GRINDING ICE. Note-se também o imprudente desafio de Fingolfin no rompimento do sítio a Angband. Fingolfin entende que está indo para sua morte, porém sua raiva e angústia perante a derrota de seu povo é tal que ele desafia Morgoth de qualquer maneira." (Crabbe 205)

    Referências Bibliográficas

    Crabbe, Katharyn W. J.R.R. Tolkien. The Continuum Publishing Company. New York 1988 Este livro foi encontrado na Biblioteca Pública Elmhurst
     

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