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Notícias Como um escritor catalão se transformou num símbolo da luta contra a Amazon

Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por Fúria da cidade, 23 Out 2019.

  1. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

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    Imagem: reprodução do Twitter.

    Em abril de 2017, o crítico literário e escritor catalão Jorge Carrión publicou "Contra Amazon.: Sete Razões/ Um Manifesto" na revista espanhola Jot Down. Aos poucos o texto se espalhou: primeiro por livrarias da Espanha, depois, em novembro, após ser traduzido para o inglês, entre livreiros, editores e apaixonados por livros de diversas partes do mundo. Em abril de 2018 o manifesto chegou ao Brasil. A tradução feita pelo também escritor Reginaldo Pujol Filho,
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    , viralizou nas redes – ou fez barulho na bolha formada por leitores, ao menos.

    Apresentando argumentos como repúdio à hipocrisia, não querer ser bisbilhotado enquanto lê e "não ser cúmplice da exploração simbólica" e do "neoimpério", Carrión acabou na linha de frente da luta das pequenas livrarias pela sobrevivência e contra a gigante estadunidense que tudo tenta devorar. Havia lastro para tal posição. Quando publicou o manifesto, Jorge já tinha uma respeitável carreira como crítico – até há pouco escrevia para a edição espanhola do New York Times – e era um escritor premiado por conta do ótimo "Livrarias", publicado originalmente em 2013. Neste livro, o catalão narra suas perambulações pelo mundo para conhecer as pequenas lojas de livros, aquelas que costumam evidenciar a alma de seus livreiros e funcionam como um refúgio intelectual para seus clientes – o título saiu no Brasil pela Bazar do Tempo,
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    Agora, o manifesto ganhou ainda mais corpo e foi transformado em um livro que acaba de ser lançado. "Contra Amazon" (Galáxia Gutenberg, ainda sem tradução para o português) reúne o famoso brado publicado por Carrión em 2017 e outros 16 textos selecionados pelo autor entre artigos, ensaios, entrevistas e crônicas que escreveu sobre o universo livreiro nos últimos anos – em muitos deles, para surpresa do próprio crítico, havia alguma menção à Amazon.

    "Parece impossível escrever sobre o protagonismo do mundo do livro no século 21, sobre as livrarias independentes e as bibliotecas mais instigantes ou inovadoras, sobre as constelações de leitores que seguem acreditando no papel, sem pensar na Amazon como nossa antagonista", registra no texto de apresentação da obra. É a "marca mais icônica e mais eloquente, a que alterou – e frequentemente violentou – com mais força as relações tradicionais entre leitores e os livros".

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    Em recente entrevista ao jornal "Diario 16", Carrión se mostrou otimista com o futuro das pequenas livrarias. Confia que as autoridades farão algo contra monopólios formados não só pela Amazon, mas também por gigantes como Facebook e Google, e que o livro impresso recuperará parte de sua importância. "As bibliotecas seguirão sendo, suponho, um contrapeso poderoso. Porque o ser humano é feito, atualmente, de carne e de pixel, de papel e de tela". Só que pondera: "É bom imaginar que mundo queremos que exista dentro de dez ou vinte anos. Se nele vislumbramos livrarias, temos que comprar livros nelas agora. Se não, deixam de existir […]. É importante entender a necessidade de apoiar economicamente projetos que queremos que sobrevivam".

    Por mais que Carrión tenha um lado e assuma sua posição na trincheira, mostra que também está atento aos problemas das livrarias independentes. Voltando à introdução de "Contra Amazon", ali revela que seu "Livrarias" não é vendido na Lello, da Cidade do Porto, em Portugal (famosa por ter inspirado J. K. Rowlling e frequentemente apontada como a livraria mais bela do mundo) porque, dentre outros motivos, a editora local se recusou a ilustrar a capa da edição portuguesa do livro com uma foto da própria Lello. O autor afirma que "Livrarias" também não é comercializado na Shakespeare and Company, ícone parisiense. A razão? "Conto a verdadeira história de George Whitman [primeiro proprietário da livraria e figura cuja história factual e mítica divergem um tanto] e menciono como fontes outros títulos que também não são vendidos nessa livraria".

    Nesse sentido, o autor faz um apelo: "A censura está em todas as partes. A Amazon e as grandes plataformas digitais não são nossos únicos antagonistas. Temos que seguir lendo e viajando. E permanecer atentos".

    Ironicamente, "Contra Amazon" está à venda na Amazon espanhola por 10,44 euros e na Amazon dos Estados Unidos por 29,46 dólares.

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  2. Béla van Tesma

    Béla van Tesma Paladino de Asmodeus

    Enquanto eu lia, eu me perguntava justamente isso: se estaria à venda lá.
    E é claro que está, porque a Amazon quer é vender e ganhar dinheiro.

    Acho que um primeiro passo para a "solução" (entre aspas, porque para muitos não há sequer um problema a ser solucionado), para diminuir o poderio da Amazon frente às livrarias pequenas, seria aquilo que já fazem em alguns países da Europa (creio já ter lido sobre isso aqui na Valinor): impedir, por lei, que durante X anos os lançamentos sejam vendidos abaixo do preço tabelado. Isso tira das gigantes a possibilidade de fazer o nefasto dumping (que já é proibido, mas na prática não punem ninguém), e faz com que o leitor não tenha nenhuma boa razão para comprar o livro na Amazon em vez de numa livraria física do shopping ou do seu bairro. Mas a longo prazo, para os livros que tiverem passado desse prazo fixado, creio que a Amazon dominaria o mercado de qualquer modo. Há que se pensar em alternativas.

    Isso que ele diz é verdade: "É importante entender a necessidade de apoiar economicamente projetos que queremos que sobrevivam". Mas é complicado na prática que alguém, por mais que adore livrarias e condene os gigantes capetalistas etc., decida de bom grado pagar 30, 50 reais a mais num único livro só por amor a uma causa. Especialmente se esse alguém consumir muitos livros por mês: a diferença pode ser brutal. :lol:

    Eu penso que, ainda mais importante que a cultura das livrarias pequenas (que devem continuar apesar de tudo), seja adquirir no Brasil o quanto antes a cultura das bibliotecas públicas. Uma em cada bairro de cidade grande.
     
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  3. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

    O que esse escritor faz é nadar contra uma grande correnteza que é forte e que não vai perder essa força tão cedo.

    Eu ainda acho que livrarias pequenas é algo que não acabará totalmente, mas que ficará a um plano bem mais reduzido, porque penso que sempre haverá um público que irá prestigia-las, se as mesmas oferecerem um bom atendimento, preços competitivos e serviços diferenciados que uma Mega loja virtual do porte da Amazon nunca poderá oferecer.
     
  4. Loveless

    Loveless Usuário

    A questão são os "preços competitivos". A Amazon opera com uma escala gigante, que barateia muito os custos e que é impossível de aplicar em uma pequena livraria.
     
  5. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

    Existe alguns casos de parcerias fechadas entre livrarias com algumas editoras segmentadas (Ex: Editora Érica com a Saraiva) que permite obter livros com descontos e custos promocionais. É claro que esse caso representa apenas uma minoria, é verdade, mas é um caminho que deve sobrar pra algumas delas tentar sobreviver.
     
  6. SONIA R G STUMPF

    SONIA R G STUMPF Usuário

    Olha, acho bem complicada esta situação. Falo por experiência própria. Uma das coisas que mais gosto é de entrar em uma livraria, e sentir o cheiro dos livros. Respiro bem fundo, pra me encharcar neste cheiro que amo. Adoro ir lá, olhar as capas, ler as sinopses, ver a diversidade de livros expostos, como que pedindo silenciosamente "me leva". Quase uma tortura escolher um entre tantos. Lembro do garoto na biblioteca dos livros esquecidos, do Zafón. Como queria ir lá. Mas, a comodidade, e o preço das livrarias virtuais, Amazon, Saraiva, Cultura...., é incontestável. Como compro livros todos os meses, dois, três, na livraria local, seria apenas um. Na virtual, compro dois ou três. Faz diferença no bolso. Penso que as livrarias locais, particulares, deveria se unir na compra dos exemplares, para conseguirem melhores preços e prazos. Quem sabe, um caminho. Compro na livraria também, especialmente quando tem promoção. Mas a maior parte na virtual.
     
  7. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

    Como se fosse uma cooperativa entre elas?
     
  8. Versedperegrine

    Versedperegrine Usuário

    Sinceramente, este autor chegou ao cúmulo da mentalidade anticapitalista. Das tantas coisas que se pode criticar nas grandes empresas e pedir a intervenção estatal para resolver os problemas gerados por elas, esse "gênio" decide criticá-las por oferecer serviços baratos e de qualidade para a população ! Pqp, se está insatisfeito com o serviço ofertado por uma empresa, é só não comprar. Problema resolvido.
     
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  9. SONIA R G STUMPF

    SONIA R G STUMPF Usuário

    Sim, como uma cooperativa. Compras maiores, preços melhores. Certamente não é a única alternativa, mas pode ser um começo.
     
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  10. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

    Esse seria um bom caminho que dependendo do bairro ou cidade pode ser bem viável.
     
  11. Moisés Isaias

    Moisés Isaias Usuário

    Sinceramente, os preços da Amazon são os melhores, inclusive sua política de pagamento das editoras também são as melhores. Eu como leitor, prefiro que a Amazon continue assim, e que acabem as pequenas lojas com seus altos preços.
    --- Mensagem Dupla Unificada, 10 Nov 2019 às 20:09, Data da Mensagem Original: 10 Nov 2019 às 20:05 ---
    Concordo com seu raciocínio. Não entendo porque "alguns" se revoltam frente a um sistema de negociação de livros (principalmente) em que tanto o autor quanto a editora saem ganhando. Pois a Amazon no Brasil é a única que compra os livros e paga as editoras para depois anunciá-los em seu site, ao passo que Saraiva, Cultura e demais ofertam o livro, vendem, recebem e por último pagam o autor..
    --- Mensagem Dupla Unificada, 10 Nov 2019 às 20:15 ---
    Mas no final das contas, o peso no bolso é o que importa. De nada adianta ir à livraria local ouvir um sonoro "BOM DIA" do seu Zé, bater um papo, tomar um café, sentar em um pufe, folhear alguns exemplares e de quebra levar uma facada no fígado para sair com um livro, sendo que na Amazon o livro está pela metade do preço, você compra na comodidade da sua casa e ainda tem frete grátis... E ainda tem 7 dias após a entrega do livro para devolvê-lo caso não vá com a sua cara... Sinceramente, só vou a livrarias físicas para consultas, pois comprar mesmo só nas lojas virtuais!!
    --- Mensagem Dupla Unificada, 10 Nov 2019 às 20:24 ---
    Como assim impedir que os lançamentos sejam ofertados abaixo de um preço tabelado????? Jamais!!! Que ninguém te ouça!!! Isso fere o princípio fundamental do livre comércio; eu por exemplo já consegui um lançamento por R$ 0,01 em uma promoção em uma loja virtual. Se um marketplace gigante tem preços imbatíveis o problema não é dele, mas sim daqueles que não conseguem competir. Essas ideias só iriam prejudicar o leitor. O que poderia ser feito é impedir esses conglomerados que monopolizam alguns segmentos como a fusão Casas Bahia/Extra/Ponto Frio ou Submarino/Americanas/Shop Time, e mesmo assim todos esses juntos jamais poderão competir com as políticas de preços da Amazon. E sinceramente, eu estou andando pra essas lojas e suas políticas arcaicas de vendas.
     

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