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Como Nascem os Monstros

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por markbrunkow, 28 Fev 2010.

  1. markbrunkow

    markbrunkow Usuário

    Há muitos e muitos anos atrás, havia um reino muito bonito com belos campos flori-dos, árvores repletas de frutas deliciosas, rios com águas transparentes com muitos peixes. A terra era fértil onde se plantando tudo dava. Ao norte deste reino uma mag-nífica floresta encantada onde moravam criaturas mágicas boas, como fadas, duendes, unicórnios e más, como dragões ferozes, ogros e outros seres mágicos. E bem no centro, no alto da montanha mais alta, ficava o castelo do rei de onde se via todo o magnífico reino. Um verdadeiro paraíso na terra, não fosse um pequeno detalhe.
    As pessoas desse reino eram muito tristes devido aos caprichos de seu rei, que nunca estava feliz e por isso não queria que ninguém fosse feliz também. Cobrava impostos altíssimos, decretava leis esquisitíssimas, como por exemplo, é proibido tomar sorvete entre outras. Seu nome era Bugento, ou como era mais conhecido, o Rei Bugento.
    No vilarejo, morava o artesão real com seus dois filhos gêmeos idênticos, Abner e A-bimael. Como sua esposa morreu quando deu a luz aos meninos o artesão criava seus filhos sozinho e por isso trabalhava muito para sustentá-los. Apesar de seus esforços para agradar o rei, esculpindo obras magníficas, nunca conseguia. E por trabalhar muito não dava muita atenção para os meninos que cresciam sozinhos.
    Abner e Abimael eram garotos muito bonitos. A semelhança entre eles era espantosa, mas seus temperamentos muito diferentes. Abner era calmo e tranqüilo enquanto Abimael irrequieto e orgulhoso. Sempre estavam juntos e eram muito queridos por todos no vilarejo.
    Seu pai apesar de não poder dar muita atenção a eles os cobria de presentes, pagava os melhores professores, as melhores roupas achando assim compensar a falta de ca-rinho com os meninos.
    Adoravam jogar bola próximo a floresta encantada apesar dos avisos de perigo.
    Certo dia enquanto jogavam, Abner dá um chute muito forte que passa raspando a cabeça de Abimael e vai para dentro da floresta encantada. Os garotos ficam parados olhando para dentro da floresta sem saber o que fazer.
    - Viu Abner! Eu falei para você não chutar muito forte!
    - Você que é um “franguero” Abimael. E agora o que vamos fazer?
    - Vamos ter que entrar e pegar a bola, ora!
    - Você está louco Abimael! Aí é a floresta encantada! Esta cheia de criaturas mágicas!
    - Nós jogamos bola aqui todos os dias e nunca vimos nada. Deixa de ser covarde e va-mos lá. Nós pegamos a bola e saímos correndo.
    Falando isso Abimael agarra o braço do irmão e juntos entram na floresta.
    Enquanto caminham floresta adentro a luz do dia começa a diminuir devido as enor-mes árvores. Caminham olhando para os lados e a cada passo ouvem barulhos cada vez mais estranhos. De repente param e ficam olhando para uma moita de onde vem um barulho esquisito. Ela começa a se mexer cada vez mais forte. Com os olhos fixos na moita abraçados prontos para correr, vêem sair um pequenino esquilo que passa por eles sem dar muita atenção. Suspiram aliviados e continuam a procurar a bola.
    Após algum tempo finalmente encontram a bola. Ela esta presa entre alguns galhos caídos.
    - Até que enfim Abimael achamos a bola! Vamos pega-lá e sair logo daqui. Esse lugar me dá arrepios.
    - Deixa de ser medroso Abner. Afinal não vimos nenhuma criatura mágica até agora.
    Ao falar isso começam a sentir um cheiro ruim muito forte e ouvem um chamado.
    - Pssssio! Psssio!
    Olham para os lados, mas não vêem nada. Então ouvem o chamado novamente.
    - Psssio. Aqui! Aqui em cima!
    Olham para o alto e suspensa em um fio de teia, uma aranha enorme do tamanho da mão de um adulto aberta. Ela tinha um bumbum enorme peludo azul cheio de boli-nhas vermelhas, longas pernas peludas, rosto humano e dela saía um cheiro muito forte.
    Abner da um grito de susto. Abimael pega um pedaço de pau que esta no chão e fala.
    - Vá embora ou eu te bato. – com o pedaço de pau no ar ameaçadoramente.
    - Calma amiguinhos. Sou do bem. - com um olhar matreiro. – E no mais dois rapazes grandes e fortes como vocês não vão ter medo de uma aranhinha como eu.
    Neste instante do alto de uma árvore pousada em um galho uma coruja branca com grandes olhos azuis que observava tudo fala.
    - Não dêem ouvidos a essa aranha fedegosa. Nada do que sai da boca dela é bom. Pe-guem sua bola e saiam logo daqui. Esta floresta não é lugar para dois garotinhos sozi-nhos.
    A aranha vendo a coruja solta um grunhido e fazendo uma cara de raiva fala.
    - E vocês vão dar ouvidos a uma coruja velha? O que uma aranha pequena como eu pode fazer de mal para dois rapazes fortes como vocês. A não ser é claro que vocês sejam medrosos covardes. – olhando zombeteiramente para Abimael.
    Abimael sendo orgulhoso vendo o deboche da aranha olha para a coruja e fala de ma-neira grosseira.
    - Não precisamos da ajuda de ninguém. Não somos “garotinhos”. Já somos grandes e sabemos nos cuidar.
    Abner conhecendo o temperamento do irmão fala.
    - Vamos embora Abimael. Você sabe que não devemos falar com estranhos. Vamos!
    A aranha percebendo o temperamento orgulhoso de Abimael prossegue.
    - Eu logo percebi que você é o mais corajoso dos dois. Mas seu irmão tem razão. Que falta de educação a minha. Meu nome é Arabel. Agora não somos mais estanhos. – sorrindo maliciosamente.
    A coruja fala novamente.
    - Não dêem ouvidos para ela. Vão embora! É isso que ela faz, atiça seu orgulho, tenta sua vontade e depois os leva para o mal caminho. Um caminho sem volta!
    A aranha rindo zombeteiramente virasse pra a coruja e joga uma bola de teia que pas-sa perto de sua cabeça.
    - Nos deixe em paz coruja velha. Eles já são bem crescidinhos para tomarem suas pró-prias decisões. Apenas quero fazer novas amizades, afinal sou tão sozinha. – com voz de choro olhando de canto de olho para Abimael.
    Abner pega no braço do irmão e puxa em direção a saída da floresta.
    - Vamos Abimael! Vamos embora desse lugar! – olhando para a aranha.
    - Deixe de ser covarde Abner! Eu não tenho medo destes bichos. – olhando orgulhoso para aranha.
    A Aranha sorri satisfeita vendo a empáfia do garoto.
    Mas Abner insiste e Abimael acaba cedendo e caminham em direção a saída da flores-ta. Próximos a saída a aranha aparece diante deles com uma fruta.
    - Esperem tenho um presente para vocês. Esta é a melhor fruta de todo o reino. Ape-nas nós as criaturas mágicas podemos comê-la. Quem come desta fruta fica poderoso, “esperto”. Mas como vocês são rapazes especiais, tão corajosos, eu quero presenteá-los com uma. Provem, eu sei que vocês adorarão. – olhando maliciosamente para os garotos.
    Abimael estende o braço para apanhar a fruta, mas Abner fala.
    - Não Abimael! Você sabe que não devemos aceitar nada de estranhos!
    A aranha rapidamente.
    - O que é isso Abner. Já nos apresentamos, não é mesmo? Não sou mais uma estranha. Você não é covarde não é mesmo Abimael? Vamos prove! – aproximando ainda mais a fruta do rapaz.
    Com o orgulho falando mais alto por ter sido chamado de covarde, Abimael pega a fruta e come.
    Os olhos da aranha brilham de tanta felicidade ao ver Abimael comendo a fruta.
    - E então Abimael não é a melhor coisa que você já provou? – sorrindo.
    - É deliciosa. Você tem mais? – com os olhos arregalados.
    - Volte amanhã e lhe darei quantas frutas puder comer. Tenho certeza que este é o início de uma longa amizade. – rindo maliciosamente.
    No dia seguinte Abner ao acordar procura por Abimael para irem para escola, mas não encontra. Ele sabia que o irmão tinha ido ver a aranha fedegosa e que isso não era boa coisa. Corre para falar com o pai em seu ateliê.
    - Papai precisamos conversar sobre o Abimael.
    - Agora não tenho tempo Abner. Tenho que terminar esta escultura para o Rei Bungento ainda hoje. Vá brincar com seu irmão.
    Após algumas tentativas sem sucesso de falar com o pai Abner desiste e vai procurar Abimael na floresta.
    Ao chegar à floresta encontra Abimael deitado em baixo de uma árvore negra assusta-dora com galhos tortos de onde vinha a fruta. Em seu ombro, deitada, a aranha fede-gosa sussurra algo em seu ouvido.
    - Abimael o que você faz aqui? Temos que ir para escola! Vamos!
    Abimael olha para o irmão e fala.
    - A escola é para os bobões Abner. Arabel esta certa. Veja ela, nunca estudou e vive muito bem. Não tem que ficar obedecendo a ordens de ninguém nem tem que ficar fazendo lição ou cumprindo horários. E além disso pode comer esta delícia de fruta quando quiser. Prove! – estendendo um pedaço para o irmão.
    - Você não vê que esta fruta esta lhe fazendo mal! Não escute mais esta aranha fede-gosa. A coruja estava certa. Vamos embora, por favor! – suplicante.
    Abimael olha furioso para o irmão.
    - Arabel me avisou que você vinha tentar me tirar daqui. Você é um bobo! A fruta me deixa “esperto” com ela eu consigo fazer coisas que você nunca sonhou. Vá embora e me deixe aqui. Volte para aquela escola boboca com suas regras e horários.
    Abner tentou argumentar durante mais algum tempo, mas foi inútil então foi embora.
    Com o passar do tempo cada dia Abimael ficava mais e mais tempo junto da aranha fedegosa. Mas agora para poder comer da fruta tinha que pedir para ela buscar nos galhos mais altos e para isso a aranha exigia favores de Abimael.
    - Se você quiser que eu pegue mais frutas, vá até o vilarejo e pegue um pedaço de queijo para mim. – disse a aranha.
    - Mas eu não tenho dinheiro. – com as mãos no bolso.
    - Que pena então não tem mais fruta! - olhando para Abimael. - Olhe aquela lá no alto tão suculenta. – matreiramente apontando para uma fruta.
    Abimael olha para a fruta com a boca cheia de água.
    - Esta bem eu vou.
    Então Abimael começa a roubar para poder comer sua fruta. Com o passar do tempo não ia mais para escola, não brincava mais com Abner, não fazia mais exercícios, não tomava mais banho, não escovava os dentes. Só queria ficar com a aranha fedegosa que lhe dava maus conselhos e comer a fruta.
    Abner se desesperava com a situação do irmão, mas não conseguia ajuda de ninguém. Como Abimael passou a roubar no vilarejo ninguém mais queira falar com ele. A escola dizia que não valia a pena se preocupar com quem não quer aprender. Os professores diziam que ele era um garoto problema e que era melhor Abimael ficar longe da escola onde poderia influenciar os outros.
    Abner tentou novamente falar com o pai, mas o que ouviu era que ele trabalhava feito um burro de carga para poder dar do bom e do melhor para eles para ter que se inco-modar com a rebeldia de um garoto bobo.
    Os anos passaram e os caminhos de Abner e Abimael cada vez ficavam mais distantes. Nas ruas do vilarejo era comum ouvir as pessoas comentarem.
    - Como pode duas pessoas tão iguais, que tiveram a mesma educação, o mesmo pa-drão de vida, serem tão diferentes. Abner é tão educado sempre bem vestido já Abi-mael é grosseiro, sempre sujo. Realmente as escolhas que fazemos decidem nossos caminhos.
    Quando ouvia isso a aranha fedegosa sempre dizia.
    - Abner escolheu o caminho dos “bobões” todo certinho sempre aprendendo, sempre seguindo as regras, sendo educado, trabalhando feito um tonto - com cara de nojo. Já você Abimael escolheu o caminho dos “espertos” e vive como quer sem cumprir or-dens nem horários. Deixe esses bobões para lá. Não precisamos de ninguém, pois te-mos um ao outro.
    Nos anos que se seguiram Abner e Abimael já não se falavam mais. Abimael vivia caído pelos cantos do vilarejo onde ninguém mais dava atenção a ele. Abner ao contrário se casou, formou família continuou estudando e trabalhando até se tornar governador do vilarejo.
    Abimael com raiva do irmão, pois achava que ele era bobo por seguir aquela vida se exilou na floresta encantada. Com o passar dos anos na companhia da aranha fedego-sa passou a ser maligno e egoísta. Não gostava de estudar, comer verduras nem vege-tais, odiava frutas, era mal educado e grosseiro com todos. Como não tomava banho seu corpo ficou todo coberto de pelos longos e azuis muito sujos. Como não dormia cedo seus olhos eram vermelhos e grandes como brasas. Seu nariz ficou enorme com uma verruga cabeluda bem na ponta. Como comia de boca aberta, falava palavrões e nunca escovava os dentes sua boca ficou enorme com dentes pretos grandes afiados e cariados. De tanto comer porcarias, sua barriga era enorme toda cabeluda e vivia sol-tando pum. Como não queria brincar nem fazer exercícios suas pernas eram tortas e atarracadas. Seus pés eram enormes com varias verrugas cabeludas em cima, com as unhas enormes e pretas de tanta sujeira e com um chulé tão forte que até uma “fuma-cinha” amarela saía deles.
    Devido à floresta ser encantada passou a ser imortal e com o passar dos anos e a raiva e desprezo de todos esqueceu que um dia foi um garoto bonito e educado com um futuro promissor pela frente, assim como seu irmão, para se transformar em um monstro. O Monstro do Chulé Amarelo.
     

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