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"Como Melian pôde ter Filhos se os Valar não podiam?"

Tópico em 'Artigos Valinor' iniciado por ALF, 26 Fev 2016.

  1. ALF

    ALF The Proudest Monkey!!

    Texto original por Michael Martinez.

    Um leitor me fez "a pergunta Melian" recentemente e eu fiquei pensando sobre como responder. Não tenho certeza se uma lista de citações faria mais do que perpetuar a confusão que muitos leitores sentem. A questão foi feita sa seguinte forma (uma dentre muitas):

    "Em alguns dos primeiros escritos de Tolkien, que eventualmente se tornariam 'O Silmarillion' (Os Contos Perdidos), Ainur e Maiar tinham filhos, e uma boa quantidade deles receberam nomes. Eventualmente ele abandonou essa ideia e os transformou, mais ou menos, em seres que não podiam gerar descendentes (não sabemos ao certo se eram celibatários ou não). Entretanto, Melian, que era uma Maia, teve filhos com Thingol, um Elfo. Isso de certa forma não contradiz o que Tolkien descartou de seus primeiros escritos?"
    Em outras palavras: "se os Valar não podem ter filhos, como Melian pôde?" Eu vi essa pergunta várias vezes.

    No final das contas, Tolkient nunca decidiu que os Valar não poderiam gerar descendentes; ao invés disso ele decidiu que eles (os maiores dos Ainur que entraram em Ëa) não tiveram filhos. Seus motivos nunca foram explicados com qualquer detalhamento. Christopher Tolkien apenas cita a mudança em um único comentário publicado em 'Morgoth’s Ring' enquanto ele fala sobre as revisões experimentais de seu pai para vários textos pré-Senhor dos Anéis que seriam usados para compor um novo 'O Silmarillion' (começando ao final da década de 40 e se extendendo até o final da década de 50).

    Eu não chamo esse trabalho de experimental, Christopher sim; mas ao usar a palavra "experimental" não creio que ele tenha a intenção de fazer com que o leitor pense que seu pai não havia se decidido em algumas dessas mudanças. Me parece claro que, a partir do comentário de Christopher, a ideia dos Valarindi ("os filhos dos Valar") foi abandonada por seu pai, mesmo que ele tenha deixado algumas referências a eles nas revisões (provavelmente preliminares, mas que talvez tivesse intenção de revisar mais tarde).

    Isso posto, essa mudança não priva, de forma alguma, aos Ainur a habilidade de procriar. Em um de seus ensaios datados do mesmo período (também publicado em 'Morgoth’s Ring'), J.R.R. Tolkien também escreveu:

    "E sobre as feras e pássaros falantes dotados de raciocínio e fala? Esses foram levemente adotados de mitologias 'menos' sérias, mas que têm uma participação que não pode ser excluída. Certamente são 'exceções' e não muito utilizados, mas o suficiente para mostrar que são uma parte reconhecida do mundo. Todas as outras criaturas os aceitam como naturais, se não comuns.
    Porém verdadeiras criaturas 'racionais', 'povos falantes', possuem todos formas humanas/'humanóides'. Apenas os Valar e Maiar são inteligências que podem assumir as formas de Arda como quiserem. Huan e Sorontar poderiam ser Maiar - emissários de Manwë. Mas infelizmente em 'O Senhor dos Anéis', Gwaehir e Landroval são ditos como sendo descendentes de Sorontar.

    Em todo caso, é provável que mesmo os menores dos Maiar se tornariam Orcs? Sim: mesmo dentro ou fora de Arda, antes da queda de Utumno. Melkor havia corrompido muitos espíritos - alguns grandes, como Sauron, ou menores, como os Balrogs. Balrogs poderiam ser os primitivos (e muito mais perigosos) Orcs; mas ao practicar a procriação carnal (como Melian) eles se tornariam mais ligados à teerra, incapazes de retornar ao estado de espírito (mesmo na forma demoníaca), até que libertados pela morte (serem mortos), e diminuiriam em força. Quando libertados eles seriam, é claro, assim como Sauron, 'amaldiçoados': i.e. reduzidos em importância, infinitamente recessivos: ainda odiando, mas cada vez mais incapazes de se traduzir o ódio de forma fisica (ou não seria um muito diminuto espírito-Orc [morto] um poltergeist?).

    Mas, novamente - Eru providenciaria 'fëar' para tais criaturas? Para as Águias e etc, talvez. Mas não para os Orcs.
    "​

    Esse segmento de texto é parte de uma maior discussão "interna" que Tolkien teve consigo mesmo quanto ao que se refere à natureza dos Orcs. Aparentemente ele não resolveu a questão final de forma definitiva, e ainda assim, por volta de 1963, a 'carta Munby' mostra que Tolkien claramente entendia que os Orcs não possuiam sexo, como Christopher as vezes indica em 'The History of Middle-earth' que seu pai geralmente se sentia preso ao que quer que fosse que já tivesse sido impresso (o que não o impediu de mudar coisas a cada edição, mas a questão sobre a procriação dos Orcs aparentemente nunca foi retomada).

    Meu ponto é que os Ainur (Valar e Maiar) aparentemente possuiam mais do que apenas a habilidade de assumir formas físicas como quisessem. Poderiam também, ao que parece, procriar através daquelas formas como quisesses. Isso talvez explique como Yavanna pôde criar tantas criaturas vivas (embora Tolkien as visse como desprovidas de alma). Criaturas de uma elevada ordem tais quais os Ents e as Grandes Águias se tornaram espíritos que Yavanna convocou de longe. Então mesmo que eles sejam espíritos da mesma ordem (Ainur) como ela, eles não eram seus filhos.

    Essa distinção entre aqueles-que-tiveram-filhos e aqueles-que-não-tiveram talvez tenha sido necessária para Tolkien para criar a auto-diminuição de Melkor e seus seguidores como uma consequência racional de suas escolhas; em outras palavras, ele deve ter concluído que, se Melkor se tornou mais fraco ao fazer certas coisas, então os outros Valar também se tornariam. E se os Maiar se tornaram mais fracos pela procriação então os Valar também se tornariam. Essa progressão lógica colocaria em questão a possibilidade de que os Valar se manteriam tão poderosos como fizeram através do tempo. Provavelmente há uma outra ligação com as ruminações filosóficas publicadas em 'Morgoth’s Ring', tais como porque os Valar tomaram ações menos interventivas na Terra-média após a Primeira Era.

    Aparentemente Tolkien não descobriu soluções completas para todas essas questões. E eu acho que é importante que distinguamos entre essas profundas conversações que o autor teve consigo mesmo e as histórias que ele (tentou) publicou(car). Ele pode ter resolvido todas as questões filosóficas para a sua própria satisfação, mas não parece que ele tenha sequer contemplado remover a procriação de Melian das histórias. Os Filhos de Lúthien sempre teriam uma herança especial, indiferente de quais convicções ele tivesse sobre as escolhas dos Ainur e das consequências dessas escolhas.

    Dessa forma, Melian pôde ter uma filha simplesmente porque foi permitido por Ilúvatar; e os outros Maiar que tiveram filhos apenas conseguiram porque foi permitido por Ilúvatar. Alguém pode especular que Ilúvatar talvez tenha proibido os Valar de procriar, mas Tolkien nunca disse se esse era o caso; e nem eu acho necessário introduzir tal proibição em suas narrativas (pois seria injusto). Os Valar escolheram não ter filhos e assim permaneceram como eram quando entraram em Ëa, exceto talvez, que tenham sido diminuídos por razão de suas tarefas. Christopher indica que seu pai tentou recriar muitos dos antigos mitos, mas aparentemente nunca conseguiu refazer o mito das Duas Árvores. Seria Yavanna ainda capaz de recriá-las, e ela teria sido capaz de fazê-las novamente (como na tradição preservada, onde ela precisava das Silmarils para trazê-las de volta à vida)?

    Não há maneira de responder a 'Questão Melian' sem incorrer nessa parte da narrativa refentete aos Ainur que permaneceram inalterados; pois Tolkien talvez tenha antecipado a questão, mas removê-la [Melian] dos Ainur ou privá-la da habilidade de ter uma filha teria colocado em risco uma das mais importantes histórias em seu extenso legendarium. Não temos qualquer razão para supor que ele intencionasse fazer isso.

    Dessa forma, a habilidade dos Ainur de procriar deve permanecer um dos poucos axiomas invioláveis do mundo de Tolkien. Na narrativa revisada os Valar poderiam ter filhos mas eles simplesmente não tiveram. A nota crítica que Christopher Tolkien cita em 'Morgoth’s Ring', como explicação para a mudança na narrativa Ainuriana, é a seguinte:

    "Notem que 'cônjuge', significava apenas uma 'associação'. Os Valar não possuiam corpos, mas podiam assumir formas. Após a chegada dos Eldar eles frequentemente usaram formas 'humanas', embora mais altas (não gigantescas) e mais magnificentes."​

    Christopher diz sobre essa nota:

    "Ao mesmo tempo a passagem referente aos Valarindi, os Filhos dos Valar, ao final do parágrafo 4 foi riscado (assim como estava na cópia acima), uma vez que essa nota é mais uma afirmação definitiva de que tal concepção estava fora de questão."​

    Tornando a concepção dos filhos "fora de questão" não significa que eles não podiam ter filhos; apenas significa que Tolkien removem o conceito dos Valarindi da narravita, enquanto mantendo o conceito de Melha dando à luz a Lúthien, que apenas podem ser reconciliados um com o outro se a procriação dos Ainur fosse uma questão de ecolha. Algumas pessoas podem ser relutantes em aceitar essa conclusão, mas o próprio Tolkien não oferece suporte algum à ideia de que os Valar eram incapazes ou proibidos de praticar a procriação.

    Fonte:
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  2. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    Bem, eu gosto de pensar que a porta aberta para o nascimento deixada por Tolkien esteja naquelas ocasiões de virada do destino onde se cruza o abismo da impossibilidade como o casamento entre elfos e homens.

    Uma vez que quem cria as almas seja Eru, então o ato de conceder está sempre nas mãos do Único seja para permitir para o ainur seja para eruhini reservando-se aos filhos apenas dispensarem suas próprias forças e formas para o descendente.

    Além disso vejo os vestígios deixados por Tolkien como nem sempre sendo não intencionais e parte foi feita para se manter em mistério.
     
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