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Como Funciona a Ficção (James Wood)

Tópico em 'Literatura Estrangeira' iniciado por Diego-, 13 Mar 2011.

  1. Diego-

    Diego- Usuário

    Vi o Xerxenesky falar sobre a obra no twitter e acabei me interessando, foi lançada agora aqui no Brasil pela Cosac, com tradução da Denise Bottmann.
    Tem um projeto gráfico muito bacana, um preço até não tão salgado e uma tradução que dispensa apresentações. Tudo seria só amor se não fosse por um detalhe: Quando o autor usa trechos de outras obras para melhor explicar suas observações a Cosac optou por usar traduções antigas, que por diversas vezes perdem o sentido qual o autor faz referência. Bem, não vou me prolongar muito nessa questão porque a Denise já fez o serviço de falar detalhadamente sobre o ocorrido em um blog que ela mesma criou:
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    Caso alguém já tenha lido a obra no original, sinta-se a vontade para expor suas opiniões por aqui. (:

    Link do livro na
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    Não havia visto até antes de abrir o tópico, a Cosac respondeu as observações feitas pela Denise:
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    .
    Antes havia ficado um pouco preocupado e até cheguei a comprar a opinião da Denise, agora fiquei em cima do muro.
     
  2. Tataran

    Tataran Usuário

    Consigo ver razão nos dois lados.

    De fato, utilizar traduções pré-existentes permite que o livro do James Wood possa "conversar" com os livros a que faz referência. Por exemplo, quem tiver, além do livro do Wood, a edição da Penguin de Pelos Olhos de Maisie, pode querer conferir os trechos citados em um contexto mais amplo.

    Agora, é inegável que as sugestões de traduções da Denise guardam muito mais pertinência, pelo que pude ver, com a discussão de estilos no livro de Wood. Essa impressão é ainda mais acentuada com a resposta, sem muito sentido, da Cosac. É evidente que, nos trechos citados de Pelos Olhos de Maisie, a voz da pequena Maisie está bem mais fraca na tradução, digamos, "oficial; e, como isso parece ser o ponto destacado pelo James Wood, há um descompasso, sem sombra de dúvida.

    Na verdade, o que me chamou mais atenção nos post da Denise, não foi nem essa polêmica com a Cosac, mas o trecho traduzido de To The Lighthouse. Fiquei curioso por saber quem foi o tradutor que mutilou assim o texto da Virginia Woolf, para que eu possa passar o mais longe possível.
     
  3. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    sei ñ, sou do tipo q nunca vai considerar q alguém está 100% certo ou 100% errado. ou seja, a denise, apesar de ótima tradutora, tb pode errar, seja pelo excesso de zelo seja pela sua visão subjetiva das soluções.
     
  4. dbottmann

    dbottmann Usuário

    bom dia.

    I.
    "consigo ver razão nos dois lados": exatamente.
    e a pergunta que se coloca é: tataran, aqui tomado genericamente como "o leitor", ao ver razão nos dois lados, consegue ver até onde vão minhas razões e onde começam as razões do editor?

    e como diz tataran, "Fiquei curioso por saber quem foi o tradutor que mutilou assim o texto da Virginia Woolf".

    agora pergunto eu. se minha posição não tivesse vindo a público:

    1. o leitor, aqui exemplificado em tataran, saberia que aquele trecho estava mutilado?
    2. se ele soubesse de alguma maneira (por ter o original em casa ou por qualquer outra via) que o trecho foi mutilado, a quem ele atribuiria a responsabilidade pela mutilação que aparece em como funciona a ficção? à pessoa apresentada na página de rosto como responsável pela tradução ou a quem?
    3. ao ver uma pequena nota do editor, lá na p. 213, anunciando que nas citações foram utilizadas outras traduções (aliás, sem fornecer qualquer razão para isso), o leitor conseguiria dissociar até que ponto vai a responsabilidade profissional do tradutor que assina o livro e a responsabilidade profissional do editor que publica o livro?

    não se trata de avaliar se, por exemplo, "Roma tá construída" ou "Roma tá feita" ou qualquer outra variante é mais bonita ou mais feia, se faz lembrar trinidad ou não. trata-se de ver que a solução adotada - "mas teve que se fazer" – opera no plano da linguagem culta, que é o exato oposto do que wood está tentando mostrar no exemplo do inglês estropiado do personagem.

    em suma, não é uma questão “minha tradução” diante de “outras traduções”, e sim da “edição” perante a “tradução”.

    II.
    quanto às responsabilidades envolvidas nesses dois papéis muito diferentes entre si, é muito simples de entender, se compararmos a outras atividades profissionais: se um engenheiro faz uma planta com suas especificações, e se a construtora ergue o edifício adotando outras especificações desconsiderando as advertências do engenheiro – por qualquer razão que seja: reduzir custos, aproveitar outras plantas, etc. –, é evidente que a responsabilidade por essa decisão é da construtora, não do engenheiro, e eventuais defeitos no edifício resultante não poderão ser tributados à responsabilidade do engenheiro. se um advogado emite um parecer profissional com determinadas instruções jurídicas a seu cliente, avisando que outras alternativas acarretariam tal ou qual problema, e mesmo assim seu cliente prefere não as seguir, a quem será tributada a responsabilidade pelo desfecho do caso? se um médico prescreve uma receita e a farmácia fornece outra, de quem é a responsabilidade por um agravamento da doença? e assim sucessivamente.

    talvez o paciente não se importe, talvez a terceira parte não se importe, talvez os moradores do edifício não se importem, talvez os leitores brasileiros de wood não se importem: mas o médico se importará, o advogado se importará, o engenheiro se importará e o tradutor também se importará.

    não espero que os leitores de modo geral tenham familiaridade com o mundo editorial profissional, mas espero que entendam que não é um oceano de subjetividades: é um mundo regido por normas e responsabilidades muito objetivas, com minuciosos contratos firmados entre as partes que devem ser cumpridos por ambos os lados.


    III.
    a matéria de daniel piza no caderno sabático do estadão menciona também como foi penoso para mim, como profissional, tomar essa difícil decisão.
    http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110312/not_imp690822,0.php

    resta ver o que significa a posição da editora cosac naify no final de seus argumentos no prosa online:
    "o mais importante para nós [...] é que o leitor encontre em 'Como funciona a ficção' tudo aquilo que tem para nos dizer o autor, James Wood."
     
    • Ótimo Ótimo x 1
  5. Tataran

    Tataran Usuário

    Denise, não posso fingir que conheço as regras vigentes no universo da edição de livros traduzidos, porque a verdade é que desconheço por completo. Não obstante, sou o primeiro a defender o seu direito de expressar a discordância com os rumos tomados com uma edição em que seu nome figura como tradutora. Imagino, ainda, que isso possa trazer consequências para sua vida profissional, razão pela qual a decisão de expressar abertamente sua insatisfação não deve ter sido fácil.

    Em resumo, sem entrar nos critérios de tradução em si, levar a questão a público foi uma atitude corajosa e reveladora de um caráter independente.
     
  6. Izze.

    Izze. What? o.O

    O leitor de ficção pode pouco saber sobre a sua estrutura, que pontos técnicos um texto contém que fazem dele uma boa história, mas sabe reconhecer quando vê esse bom livro na sua frente. Quando é belamente escrito e traz uma história cativante, o leitor se sente preso ao livro, vive os momentos narrados, confronta novos dilemas e simpatiza, ou não, com personagens. Por trás dessa imersão total à ficção, há detalhes estilísticos, técnicas de escrita que, por mais que se diferem entre um autor e outro, são uma convenção da literatura. É sobre isso que o crítico inglês James Wood fala no livro Como Funciona a Ficção, lançado no Brasil pela Cosac Naify com tradução de Denise Bottmann, um “guia” com os principais pontos de uma ficção de qualidade. Falando de personagens, foco narrativo, verossimilhança e linguagem, Wood traz um livro de extremo interesse para escritores, críticos e, claro, leitores.

    Em verbetes em que detalha cada aspecto importante da ficção, Wood apresenta de forma clara a técnica por trás da escrita. Ele utiliza trechos de romancistas reconhecidos, como Vladimir Nabokov, Henry James e Virginia Woolf, para ilustrar como funciona a narração indireta livre, como o detalhe pode ser o diferencial em uma narrativa, como a ficção causa empatia ao leitor. Ele cria seus próprios exemplos ou altera as citações para provar que, diferentemente escritas, mudam a percepção do romance e perdem seu brilho. Por ser escrito nesse formato de verbetes numerados, Como Funciona a Ficção é um livro para ser constantemente consultado.

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  7. Zzeugma

    Zzeugma Usuário

    Aqui, uma entrevista com James Woods:
    http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2011/03/12/james-wood-literatura-vida-na-pagina-368221.asp

    A crítica de Flora Sussekind (Globo) contra o livro:
    http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2011/03/12/flora-sussekind-resenha-como-funciona-ficcao-de-james-wood-368230.asp

    E a ponderação de Braulio Tavares a respeito do livro e da crítica:
    http://mundofantasmo.blogspot.com/2011/03/2513-como-funciona-ficcao-2532011.html

    *

    Para mim, particularmente, foi bom pra "organizar" uma série de questões que andavam poluindo minha cabeça a respeito da escrita. Mas não levaria suas ideias a "ferro-e-fogo", como aliás com qualquer "livro" do estilo.
     
  8. Eu tenho esse livro aqui em algum lugar, li quando foi lançado. Eu gosto bastante do James Wood, no sentido de que é legal discordar dele. Podem comprar qualquer coisa com o nome dele na capa que é bom, mesmo que errado ;)
     
  9. Dindii

    Dindii Usuário

    Li hoje a resenha da Izze e fiquei curiosa pra ler o livro agr. Vai pra minha wishlist
     
  10. Zzeugma

    Zzeugma Usuário

    (Por Vinicius Jatobá - faço minhas suas palavras)

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    Mais chiste que sistema, mais descrição prática que empulhação teórica, James Wood lê o cânone realista de forma tão consistente em Como funciona a ficção, estabelece um solo-comum tão coerente e convincente, que o leitor desavidado pode confundir seu ensaio irregular com um tratado. O livro de Wood, no entanto, é um achado: após estabelecer um arco demasiado ambicioso – com críticas rarefeitas à Barthes –, as limitações de Wood o colocam em um trajeto pedestre que torna seu livro incontornável.

    Ele não responde as questões que propõem sobre a relação entre literatura e realidade; nem sequer ilumina como, afinal, funciona a ficção. O que ele oferece, contudo, e pela forma fragmentária com que escreve: dezenas de achados que são um antidoto à maneira como livros são lidos hoje em dia pela crítica literária profissional: Wood se resolve dentro do próprio texto, pinçando detalhes textuais, descrevendo, maravilhado, pequenas soluções que os escritores que admira – principalmente, Flaubert, James e Bellow – encontram para tornar a realidade sobre o qual se debruçaram mais imagináveis aos leitores.

    Wood também se revela um crítico cuja escolha – o cânone realista – torna-o cego para certos autores mais contemporâneos – e até a sensibilidade contemporânea. Wood reza pelo senso de detalhe em um mundo cuja prosa tornou-se rarefeita; por personagens fortes num contexto de personalidades enfraquecidas; pelo gosto da região em um momento que as estórias dos livros sequer trazem descrições dos lugares onde ocorrem.

    Pior: advoga narradores deicidas e autoritários, que manipulam os sentimentos das personagens (e dos leitores), em um mundo juvenil que briga ingenuamente contra qualquer autoridade. Some-se à isso seu fascínio pela prosa simples, em um contexto que inflaciona de dificuldade qualquer coisa, e valoriza e super-estima essa inflação, e temos um crítico tão anacrônico que chega ao caricato.

    Contudo, seu livro é incontornável: como uma carta jogada ao mar décadas no passado que retorna à costa, é uma declaração de amor a uma forma de ler a literatura cujo tempo já passou. Ela valoriza aspectos caros aos próprios escritores, sem nunca negligenciar certo distanciamento necessário para tornar a leitura e análise mais exata e particular do texto literário.
     
  11. Meia Palavra

    Meia Palavra Usuário

    Com muita empolgação e um pouco de barulho, o livro do crítico inglês James Wood, Como funciona a ficção, se acomodou bem nas estantes das livrarias brasileiras. Crítico titular da muito prestigiada revista The New Yorker, Wood se firmou como uma importante referência. Na edição brasileira, a orelha e a quarta capa do livro dão a medida do entusiasmo: Milton Hatoun, Martin Amis e Gonçalo M. Tavares exaltam o autor e seu livro.

    A despeito da polêmica relativa à sua tradução, a recepção da obra foi muito boa. O exemplo máximo de reverência talvez seja o da revista Língua portuguesa (n. 67, maio de 2011), que traz em página dupla um pequeno texto elogioso e escusa-se de resenhar ou criticar o livro, limitando-se a publicar excertos para que o leitor possa ter uma ideia do que seja “um texto chamado James Wood”. A única voz dissonante foi a de Flora Süssekind, cuja resenha publicada no jornal O Globo (12/mar./2011) ataca o pragmatismo crítico e o potencial limitado da obra.

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