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COMEDORES DE SOBRAS

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por jessebarbosa182727, 17 Ago 2009.

  1. No penúltimo halo da antemanhã,
    Pessoas saem de seu humilde viveiro
    Para buscar o combustível do corpo
    Em um quase longínquo desterro.


    E, ao chegar a seu destino,
    A feira,
    Esperam pacientemente
    O ocaso da efervescência
    Da harmonia desarmônica
    Dos sóis de quem vende e de quem compra.



    Então, quando advém a hora ansiada,
    Afluem sôfregas ao encontro do tapete
    De frutas, legumes e verduras
    Que cobre o chão
    Onde, sob os afagos rudes do dia-a-dia,
    Rodas, sapatos, pés desnudos ou de sandálias
    Apressada e inescrupulosamente pisam.


    Ah, e como a fome delas
    É canina e ao mesmo tempo conformista:
    Um ancião desempregado
    Amaina o vácuo em sua barriga
    Com uma suculenta manga dormida.
    Ah, quando alguém se depara
    Com a horrenda fronte da fome
    ------ Sentada no trono de sua opulência ferina ------
    Deslinda que o nojo é luxo;
    Não uma alameda a ser seguida.



    Algumas, ao regressar a seu ninho,
    Comutam refugo em lucro:
    O que na feira era lixo;
    Na carente vila de casebres
    É auspicioso fruto rentável, celeste, divino.




    No entanto, para a hoste de grisalhas
    Barbas engravatadas e garbosas,
    Este paraíso da lídima e visceral miséria
    É nada mais que um moribundo resquício
    De seu passado sem rosas e azaléias.


    Não, mas estas pessoas:
    Estas pessoas sabem
    Que a miséria cintila até o ponto
    Em que assoma a dor nas vistas;
    Que ela é viva, concreta, fenece, fere,
    Queima e alucina.
    E ela o faz de inúmeras maneiras:
    Maneiras que a mais poderosa verve
    Nunca sequer imagina.


    Sim, todavia alheias aos mais atrozes sofismas,
    Elas prosseguem crentes na vida:
    Sempre a segurar a ponta do rabo
    Daquilo que crêem ser a esperança,
    Apesar do crepúsculo, das mazelas,
    Das chagas em abundância,
    Da dor, da amargura e da desabonança!
    Enfim, elas prosseguem,
    Mesmo com o mar infinito de desamor,
    De inclemência, da ausência de ternura
    E do culto da sentimental distância.
    Sim, estas belas pessoas continuam a hastear,
    Embora não saibam,
    O estandarte do vislumbre de uma vindoura era magnânima.

    JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
     

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