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Clone 917433X

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por White Mask, 29 Ago 2009.

  1. White Mask

    White Mask Usuário

    Sinopse da História: No séc XXIV, ao contrário do que todos pensavam não se usam robots como armas, mas sim clones. Os clones recebem mutações genéticas que os tornam mais fortes, rápidos, velozes, do que os restantes humanos, para além disso recebem uma “lavagem cerebral” de modo que sejam leais ao seu único senhor, o governador. Muitos humanos não conhecem a verdadeira realidade, pensam que os clones não passam de polícias do novo séc., mas há os que sabem e tentam ao máximo destruir o governador, os resistentes. 917433X, ou X, é um clone novo, mais inteligente que pouco a pouco se apercebe da realidade, o governador não é tão bom como parece. Isto é a história da X e dos resistentes.


    Prológo:
    - Aqui está a tua encomenda, Erik, a nova clone 917433X. – Jake disse apontando para um compartimento de vidro.

    Dentro daquele compartimento estava uma rapariga com cerca de 22 anos, cabelo castanho claro, corpo magro e esbelto e os olhos fechados, tão imóvel como um corpo morto.

    - Jake, ela está pronta? – Perguntou enquanto observava a rapariga do outro lado do espesso vidro, inspeccionava cada centímetro do seu corpo ligeiramente moreno, vendo se apresentava falhas, mas como esperado não as encontrou.
    - Pronta e aperfeiçoada. Mais forte, rápida e esperta que os outros, com esta até és capaz de ter uma conversa digna de ser ouvida, ela não é tão “robot” como os anteriores. – Jake vangloriou-se, as suas feições cansadas mostravam sinais de orgulho e contentamento. – Talvez a melhor arma que podes arranjar neste século XXIV, sem dúvida a melhor que já vi em toda a minha vida.
    Erik franziu a sua morena testa, criando rugas de dúvida na sua pele ainda jovem. – Não sei Jake, ela parece muito frágil, de certeza que escolheste bem?
    - Parece frágil, mas a aparência não é tudo. – Ele parou na sua frase para pensar um pouco. – Nem a força.

    Erik entregou uma mala preta ao Jake, ainda com dúvidas se ela seria tão boa como ele dizia mas, até ao momento, raras eram as vezes que o Jake se enganava, e se ela fosse tão boa como ele dizia a resistência ia passar a cinzas nas mãos dela.
    Depois de abrir e confirmar se a mala tinha o dinheiro combinado, Jake carregou num botão vermelho e o espesso vidro deslizou com um suave barulho para a esquerda, agora 917433X estava sem nada entre ela e o seu novo dono a não ser duas finas camadas de tecido branco a tapar o seu bonito peito e as suas zonas íntimas.

    Erik olhou com ganância para ela, ela poderia servir para muito mais do que uma arma, afinal, o corpo era humano. Ele sorriu com o pensamento de possessão sobre ela, mas recompôs-se antes que o Jake pudesse ver a sua expressão.
    Jake aproximou-se da 917433X, retirou o tubo branco que ela tinha na boca e injectou-a com um líquido verde directamente no pescoço, ela fez uma grande e profunda inspiração, como se o ar se pressionasse contra os seus pulmões e ela não pudesse fazer nada mais do inspirar, pondo os seus pulmões parados operacionais. Lentamente as suas respirações normalizaram e ela abriu as suas pálpebras revelando dois olhos verde musgo, com o formato de gato.

    - 917433X, este é o teu senhor, ele manda em ti. Tu és dele e apenas dele. – Jake disse enquanto examinava os olhos dela e via se estava tudo bem com o seu batimento cardíaco. – 917433X, cumprimenta o senhor Last.
    - Senhor Last, o senhor manda em mim. – 917433X respondeu.
    - Muito bem, a partir de agora tu és X, apenas a mim obedeces. – Ele respondeu num tom de liderança.
    - Sim Sr. Last.
    Erik olhou para Jake e fez-lhe sinal que estava satisfeito. – Podes-lhe colocar o chip.

    Jake puxou a X para fora do seu compartimento, prendeu um dos pulsos dela com uma algema à mesa, retirou uma grande agulha e injectou o chip no pulso dela, sem pensar que aquilo poderia doer, afinal, ela não passava de uma arma.

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    Os capitulos podem ser editados se for necessário.
    Beijos A.Moura
    PS: Eu sei que é pequeno, mas isso apenas é o prológo
     
  2. White Mask

    White Mask Usuário

    Capítulo um


    Ryan voltou ao abrigo depois de uma trágica ronda, seu corpo estava totalmente coberto de sangue seco e poeira, seu cabelo preto todo despenteado e sujo, no seu corpo não se via nada mais que arranhões e sangue, muito sangue. Nas suas costas, por cima da roupa preta, levava a sua arma, nos seus braços o seu colega.

    Pela posição nos braços de Ryan e quantidade de sangue no corpo, Alexander já estava morto há muito. Assim como os outros resistentes que tinham ido nesta ronda, estava vestido de preto da cabeça aos pés, mas nele a roupa estava muito mais estragada e marcada com o sangue. O seu cabelo loiro continha uma cor também avermelhada, o seu sorriso não estava lá, mas ele parecia ter uma expressão calma, quase angelical.

    Cabeças baixaram-se num movimento de pesar enquanto eles passavam em silêncio pelas portas do abrigo, alguns tinham expressão de tristeza, outros de espanto.
    Nem uma única palavra foi proferida entre os sobreviventes, ninguém sabia o que dizer, apenas seguiam com mágoa o Ryan para um quarto, Ryan chegou-se ao pé da cama com lençóis brancos e deitou o colega nela, com tanto cuidado como se deita uma criança adormecida.

    Cada um dos sobreviventes saiu do pequeno e simples quarto, deixando Ryan no silêncio que precisava. Sozinho de joelhos ao pé do seu colega, nem um suspiro ouviu-se, mentalmente ele martirizava-se apenas como ele sabia fazer, mesmo sabendo que não podia ter feito nada, culpava-se da morte do seu colega e amigo.

    A porta atrás dele abriu suavemente, mas ele nem se deu ao trabalho de ver quem passava por ela, ele sabia quem era.

    - Ryan… – Catherine ajoelhou-se ao pé dele olhando para os seus profundos olhos pretos, com pena e carinho. Colocou a sua mão sobre o ombro do seu irmão e esperou que ele dissesse algo.
    Ryan levantou-se, um olhar insensível e frio nos seus olhos, deixando a irmã a olhar para ele perplexa. – Catherine, avisa os restantes que hoje é o funeral, todas as rondas da noite estão canceladas. – Ele parou e olhou para irmã com uma grande determinação nos olhos. - Está descansada a morte dele será vingada. – Ryan sentia-se culpado de não ter conseguido salvar o namorado da sua irmã, de não a ter protegido de tanto sofrimento.

    Catherine tentou dizer algo ao irmão mas não conseguiu, a sua cabeça estava parada desde que tinha visto o Ryan com o Alexander nos braços a passar pelas portas do abrigo. Ela viu o irmão sair lentamente do quarto, nesse momento, sozinha, ela chorou a morte do seu ex futuro marido.

    Por entre lágrimas e soluços, olhou para ele e arrependeu-se de não terem dito a todos que iam casar-se antes dele sair mas, Catherine, queria dizer depois dele vir da sua ronda, e agora era demasiado tarde.

    Catherine recompôs-se, deu um beijo nos lábios frios do Alexander e começou a limpá-lo para o funeral. Começou pela sua face, com uma pano branco e água perfumada, passando suavemente o pano húmido em carícias calmas e suaves, como ela fazia sempre que ele vinha de uma ronda, passou para o seu peito, tentou não estar a olhar muito para os buracos que ele tinha no peito, cada buraco no peito dele parecia que abria um no dela.

    Ela tentou limpar melhor possível o corpo dele, as suas amigas ofereceram-se para ajudar, mas aquilo era uma coisa que Catherine queria fazer sozinha, ela não queria ninguém ali, não enquanto ela chorava e limpava-o.

    Penteou os cabelos loiros lavados do Alexander, com carinho tentando fazer o que ele fazia a ela todas as manhãs, depois da beijar intensamente. Vestiu-o com o melhor smoking que ele tinha, Catherine parou e olhou para ele e ficou admirada como ele mesmo morto transmitia tanta beleza e confiança.

    - Amo-te. – Catherine sussurrou antes de outro beijo nos lábios frios e duros.

    Do bolso do seu vestido azul, retirou a aliança que eles iriam usar essa noite pela primeira vez do e colocou-a no dedo do Alexander, pegou na sua e colocou-a em cima do peito dele. Olhou uma última vez para ele, estava pronto para ser posto no caixão.

    Catherine começou a avisar todos que o funeral seria já essa noite, e todos a apoiavam e davam os pêsames, ela apenas respondia num sorriso pré-fabricado: “obrigada” ou “estou bem”.

    Ryan desceu para a zona comum, apenas uma grande sala de estar, com grandes sofás castanhos em volta e uma televisão plasma ao fundo, no meio havia uma mesa rectangular onde estava o caixão aberto, para as pessoas poderem-se despedir do Alexander, a iluminação era pouca: apenas velas nas mãos das pessoas, todas brancas menos a da Catherine que era negra, representando assim ser a companheira do Alexander.

    Fizeram uns minutos de silêncio, depois quatro homens, incluindo o Ryan pegaram no caixão de madeira, braço no caixão e no outro a sua vela, e levaram-no para fora, o caixão vermelho escuro foi colocado no meio de um roda de madeira e ramos secos, pronto para ser queimado. Um por um, começando pela Catherine e acabando no Ryan, começaram a deixar as suas velas acender os ramos secos, o fumo cinzento subiu no céu escuro e estrelado, Catherine começou a sentir as lágrimas nos olhos, e depois um soluço teimou em sair. Ela virou costas e começou a correr para o abrigo.

    - Vão ter com ela, ela precisa. – Ryan disse quando ouviu as passadas apressadas dela a no chão seco. Todos ficaram quietos a observar o seu líder. – Eu disse vão! Precisam de um desenho? – Ele disse sinceramente irritado, não com os outros, mas consigo mesmo.

    Todos dispersaram, uns indo ter com a Catherine que se fechara no seu quarto e outros simplesmente saíram sem rumo para dentro do abrigo.

    - Michael, fica aqui e prepara-te para o que der e vier, pareceu-me ter visto algo. – Ryan disse enquanto tirava uma pequena arma do seu bolso e andava até a um muro do abrigo.

    Michael retirou a sua arma também e começou com atenção a olhar em volta, a arma pronta a disparar e a adrenalina a percorrer cada veia do seu ser. O que aconteceria se fosse um caçador, ou mesmo apenas um clone normal? Eles iriam reportar o que tinham visto ao governador e o abrigo iria acabar.

    Ryan andou devagar, desligou os sensores que estava no muro e subiu para cima dele, ele sabia que em cima dele era alvo fácil, mas era a melhor maneira de ver quem tinha estado ali. No seu horizonte viu um clone caçador nas suas rondas normais nas periferias da cidade, mas ele nem estava a olhar para ali, não podia ter sido ele. Continuou a olhar em volta, apenas via terrenos abandonados e no horizonte a cidade. De repente algo saltou para trás dele, ele virou-se rapidamente com o barulho nas suas costas, apenas viu um gato negro com olhos azuis que soltou um grande miado. Ryan saltou novamente para o chão, quase rindo de se ter assustado com um gato, pegou nele ao colo e voltou para ao pé do Michael.

    - Olha só quem é que estava a passar o nosso perímetro de segurança. – Ryan sorriu enquanto fazia festas no gato preto.

    Michael não se conteve e começou a rir, colocou a mão no ombro do amigo e assim os três entraram: o Michael, o Ryan e o gato. Com uma tristeza no coração mas confiança na face, era o que o Alexender iria querer.

    917433X, ou X como agora a chamavam, saiu do seu esconderijo, ela sabia que tinha tentado a sua sorte ao entrar no que ela já há muito sabia ser o abrigo da resistência, ainda bem que um gato estava a passear por ali, porque se não ela podia ter sido vista. Ela colocou o seu capuz preto enquanto observava o resto do fogo apagar-se, porque eles faziam aquilo? E porque é que ela sentia a necessidade de saber? Mas ainda mais grave e preocupante, porque é que ela ainda não tinha dito ao seu senhor que sabia a localização precisa do abrigo dos resistentes? X abanou a cabeça e começou a andar de volta ao seu senhor.

    Chegou ao escritório do seu senhor, no edifício mais alto da cidade, e encontrou-o detrás da sua mesa, como sempre. O escritório gritava riqueza o seu computador e as suas mais de doze televisões portáteis, tão finas como papel e igualmente maleáveis eram da melhor tecnologia, todos os seus móveis eram de madeira o material mais caro e raro do mundo, ele até tinha uma orquídea branca no escritório, comprar plantas era extremamente caro devido à sua raridade. Ao Sr. Last não bastava o bom, apenas o melhor e mais único.

    Sr. Last era jovem cerca de 26 anos, moreno, uns grandes olhos castanhos-claros e um cabelo castanho sempre perfeitamente curto e penteado. Andava sempre de smokings finos e embora tivesse empregados para tudo, parecia estar sempre ocupado dentro do seu escritório.

    - X, chegaste. – Senhor Last cumprimentou. – Demoraste muito hoje… – Ele disse e X notou uma ligeira mudança no tom de voz dele, mas não a conseguia compreender.

    Ela baixou o seu capuz preto, mostrando assim o seu liso cabelo castanho claro, a sua pele ligeiramente morena e os seus olhos de gata, verdes. Ela sabia que tinha de escolher as palavras com cuidado ao pé do seu senhor, ela não queria que ele descobrisse por onde andava, não antes de perceber os tão estranhos mas tão interessantes resistentes.

    - Apenas demorei um pouco mais na ronda. – Ela respondeu com total indiferença.
    - Aproxima-te X, anda ver uma coisa no computador. – Sr. Last disse com uma voz calma.

    X aproximou-se do computador onde se via toda a cidade, os carros flutuadores, algumas pessoas no jardim com as árvores falsas, ela via nesse mapa várias luzes a mexerem-se com uns números em baixo, X ficou confusa com o que ele estava a mostrar e apenas não disse nada.

    - Sabes X, – Ele falou num tom calmo, mas frio – vocês todos têm um localizador no seu corpo. Apenas por protecção. – X olhou para ele, tentando saber onde iria chegar. – Assim se algo acontecer sei sempre onde estão. Tenho notado que tens…

    As portas de madeira duplas abriram-se rapidamente, passaram por elas dois homens vestidos de preto a segurarem uma rapariga de cabelo castanho, olhos escuros e estatura frágil pelos braços, numa posição que era tudo menos cómoda. Eles ajoelharam-na no chão segurando-lhe os braços. A rapariga debatia-se contra eles tentando-se soltar, mas o aperto deles era muito mais forte do que ela. Na sua cara não havia tristeza, apenas uma expressão que X reconheceu ser raiva.

    - O que aconteceu? – Sr. Last disse enquanto se aproximava dela, um sorriso óbvio na sua cara.
    - Uma resistente. – Um dos guardas respondeu numa voz normal.
    X observava tudo de trás ao pé da grande janela, a rapariga era a mesma que saíra a chorar quando os resistentes pegaram fogo àquele caixão, era a rapariga que levava a vela preta.
    - Uma resistente? – Sr. Last disse numa voz de gozo.
    - Tu és nojento Erik! Desculpa enganei-me, agora é governador não é? – Ela cuspiu-lhe para a cara, a raiva pulsava em cada veia.

    Erik puxou o braço atrás e deu um soco em cheio na cara dela, rebentando-lhe o lábio, a rapariga apenas olhou com os mesmos olhos de raiva para ele enquanto sentia o sangue quente na boca e aquele sabor metalizado.

    - X, leva-a para os quartos, ela vai cantar como um pássaro quando a altura chegar. – Ele disse enquanto limpava a cara com um lenço branco, puxou os cabelos dela para que ela o olhasse bem nos olhos. – Pena não te poder fazer em clone já, as informações que tens são muito valiosas para mim.

    X ficou curiosa com essa frase, o que era um clone? E porque parecia que esta rapariga odiava tanto o Sr. Last? X deixou isso para pensar depois e cumpriu a ordem, pegou nela pelos braços e levou-a para baixo, para os quartos.


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    Espero que gostem e comentem :D
     
  3. Clara

    Clara Que bosta... Usuário Premium

    Gostei muito A.!
    Adorei os detalhes como o de plantas e madeiras serem coisas raras e caras.
    Vai ter continuação né?
     
  4. White Mask

    White Mask Usuário

    Claro que vai ter continuação, espero que continues a comentar e a gostar =D
     
  5. Clara

    Clara Que bosta... Usuário Premium

    Pode apostar que vou ler, comentar e, se continuar como esses dois capítulos, gostar! :sim:
     
  6. White Mask

    White Mask Usuário

    Capítulo 2

    Os quartos eram 22 andares abaixo do escritório de Sr. Last. X estava um pouco ausente a pensar no que seriam os clones enquanto o elevador descia, mas irritava-se cada vez que a rapariga se mexia para fugir, X sabia que bastava cruzar os braços dela nas suas costas e ela não se mexeria a não ser que quisesse partir os braços, mas X não sabia porquê, não a queria magoar.
    - Como te chamas? – Perguntou X numa voz calma, ela queria saber o máximo sobre aquela rapariga que lhe causava tanta curiosidade.
    - Estúpido clone. – Respondeu Catherine, com fúria e raiva na voz e expressão enquanto se tentava soltar.
    X apenas encolheu os ombros, o elevador parou e com um barulho abriu as suas portas de metal. Catherine arrepiou-se ao deparar-se com o lugar escuro e gelado para onde a levavam: as paredes eram feitas de metal e apenas umas luzes muito fracas no tecto. X rodou o rosto na direcção da mais pequena, os seus olhos escuros observavam tudo à sua volta, o seu cabelo castanho caía sobre o seu fino rosto branco. Teria o quê? 18, 19 anos?
    X passou a sua pulseira negra no ar, onde aparentemente não havia nada, apenas uma grande entrada para um dos quartos.
    O quarto tinha duas janelas feitas de mivre, um metal muito resistente e transparente. Tinha uma cama de solteiro com um aspecto descuidado e aparência de ser um local onde se faziam longas e dolorosas torturas. O quarto, também de metal, tinha uma das paredes com restos de sangue secos.
    Num dos cantos, Catherine viu uma tira branca com uma mancha vermelha - as faixas que a resistência usava. Alguns nos braços, outros na cabeça, outros nas pernas, mas todos os membros tinham uma faixa daquelas consigo. Ao ver aquele pedaço de tecido, lembrou-se de Alexander e de Ryan, os seus rostos passaram à frente dos seus olhos e nesse momento ela encheu-se de uma coragem e determinação que nunca pensara possuir. Ela não iria morrer, tinha fugir, ainda não sabia como, mas tinha.
    X escutou o barulho do elevador a abrir-se, eles iam na torturar – tortura lenta e diária era o que eles faziam naqueles quartos até levarem o preso à exaustão física e metal, de modo a que este fizesse ou dissesse tudo o que eles queriam e necessitavam. A clone começou a pensar nas actividades diárias nestes locais, nunca tinha visto uma tortura, mas tinha ouvido os barulhos provenientes delas e eram totalmente aterradores: sons de gritos, choques eléctricos e pancadas. X olhou para o rosto fino da jovem ao seu lado e para a sua estatura frágil – nem dois dias iria aguentar.
    - Fica aí! – Disse enquanto voltava a passar a pulseira na entrada do quarto e se dirigia aos torturadores.
    Fico aqui? Nem mais um segundo. Pensou Catherine e começou a correr para a saída do quarto, quando estava apenas a três passos da X, sentiu algo a passar no seu corpo, uma descarga eléctrica. Sacudiu-se violentamente durante uns segundos no chão, sentia fortes dores em todos os músculos que se contraíam involuntariamente enquanto gemia de dores no chão frio.
    X olhou para dentro do quarto vendo a origem de tais gemidos. Deparou a rapariga deitada no chão, não com um olhar de medo, mas com um olhar cada vez mais determinado, passou novamente a pulseira sobre a barreira e abaixou-se até à rapariga.
    - Eu disse para ficares onde estavas. – Disse X calmamente.
    Catherine apenas virou a cara e pôs-se em pé. – Porque te importas? - Cuspiu as palavras.
    Boa pergunta, porque me importo?, X pensou para si própria, mas nada disse. Os torturadores chegaram ao quarto; cada centímetro do seu corpo de dois metros era uma carga gigante de intimidadora massa muscular que se salientava na roupa rasgada e suja. Os braços deles tinham o dobro do perímetro dos de X, a sua expressão era digna de um monstro de Halloween, com pequenos olhos pretos encovados e grandes maxilares quadrados, e dentes amarelados numa expressão sedenta de sangue e mortes. As suas grandes mãos acartavam coisas desconhecidas aos olhos da X.
    X começou lentamente a afastar-se, não queria ouvir aquela tortura.

    Ryan entrou no abrigo com o gato nas mãos, ele sabia a dona perfeita para ele: Catherine.
    Subiu as escadas de metal devagar enquanto afagava a cabeça preta do gato, um toque vagaroso e suave. Bateu na porta do quarto. – Cath… – Chamou Ryan no seu tom carinhoso, mas não recebeu resposta. Voltou a chamar, mas continuava sem ouvir a irmã.
    Segurou o gato apenas com um braço e com o outro tentou deslizar a porta para a abrir, mas esta estava trancada.
    Estranho… Ryan começou a preocupar-se, não era hábito da irmã trancar a porta.
    - Catherine, estás bem? – Ryan repetiu com preocupação evidente na voz. – Catherine! – Ele bateu mais fortemente.
    Atirou o gato preto para o chão, e retirou o seu cartão.
    Passou o seu cartão pela porta de metal pintada de violeta e esta deslizou suavemente para a esquerda.
    O quarto era todo nos tons entre o rosa e o roxo, a cama estava coberta por uma colcha eléctrica que ia mudando entre as mesmas cores das paredes, as suas cortinas cor de lavanda esvoaçavam lentamente pela janela aberta com a brisa suave da noite.
    Ryan olhou preocupado para o quarto todo, onde ela estava? Sentou-se na cama com as suas mãos nas têmporas, e olhou para o seu reflexo preocupado e assustado. Levantou-se e aproximou-se do espelho, pegou no seu cartão e passou-o pelo espelho accionando assim o computador. Todos os espelhos do abrigo eram grandes computadores que apenas eram accionados pelos portadores dos cartões mestres.
    Ryan começou a rodar a mão no sentido contrário dos ponteiros dos relógios e o espelho começou a mostrar todos os passos de Ryan, mas de trás para a frente. Começou a rodar a mão mais depressa e as imagens começaram a passar tão rapidamente que já nem dava para perceber bem, quando viu Catherine na imagem, parou e começou a ver o que se tinha passado o quarto.
    Ele viu a sua irmã a andar de um lado para o outro no quarto, as marcas das recentes lágrimas viam-se bem no seu rosto fino e branco, os seus olhos escuros estavam vermelhos de tanto chorar, ela olhou para a sua janela fechada – o seu rosto começava a ficar indeciso. Ryan não estava a gostar do que via.
    Catherine aproximou-se do seu móvel e retirou de lá algo que Ryan não conseguiu ver. Ela aproximou-se da janela, olhou novamente para dentro do quarto, agora com determinação no olhar e saltou. No salto Ryan conseguiu reconhecer o que ela levava nas mãos – uma arma. Tudo ficou claro para ele, ela tinha ido procurar vingança.
    Ryan deixou-se cair no chão como um boneco, agora que não tocava no ecrã este voltou a um simples espelho. O que é que ele ia fazer? Onde Catherine estava? Ela estaria viva? Tinha de estar, Ryan nem se deixava pensar nessa ideia.
    - Ryan, o que se passa? – Perguntou Michael quando viu o amigo sentado no chão em estado de choque, olhou em volta. – Onde está Catherine?
    Ryan voltou a tocar no espelho mostrando o que tinha visto ao seu amigo, sem dizer uma única palavra ou fazer contacto visual.
    - Ela está doida? – Michael disse os seus pensamentos em voz alta, arrependendo-se imediatamente do que tinha feito.
    - Doidice é nas horas mais movimentadas decidir ir com a nossa equipa a um assalto à cidade, doidice é assustar-se com um gato manso. – Ryan olhou para o Michael, um olhar preocupado e assustado. - O que ela fez é suicídio, é falta de amor à vida.
    - Temos de avisar os outros, temos de encontrar Catherine.
    - Isso se ela não estiver já morta.
    Michael aproximou-se do amigo e deu-lhe um soco. – Nunca mais digas isso, a Catherine, embora seja nova, sai a ti, é uma sobrevivente. – Michael estendeu a mão ao amigo para o levantar, a sua expressão era de confiança.

    X saiu do edifício da organização, sem avisar o seu senhor. Havia uma parte dela que sentia o dever, a necessidade, de ir dizer ao seu senhor o que ia fazer e para onde ia, mas havia outra parte dela que ansiava por algo, algo muito importante – liberdade. Andou por várias ruas rodeadas de prédios de mais de vinte metros, vários C.V.s (carros voadores) sobrevoaram a sua cabeça e outros tantos C.T.s (carros terrestres) apitaram para ela sair do meio da rua.
    Sentou-se num dos jardins da cidade. X sentia um certo nojo daqueles jardins, árvores sintéticas que davam frutos extremamente perfeitos, cada maçã era igual a todas as outras, cada folha era verde viva e nunca tinha defeitos ou manchas, as folhas purificavam tanto o ar que até metia impressão, a madeira por ter sido levada à perfeição extrema tinha-se tornado feia, não tinha o aspecto natural da madeira que o Sr. Last usava no seu escritório, aquela madeira brilhante, pura e com riscos naturais, a madeira das árvores da nova era eram tão perfeitas, tão iguais que, como tudo da nova era, tinham-se tornado feias. Até a relva era toda igual e uniforme parecendo um tapete verde completamente monótono.
    X observou umas crianças a brincar no jardim, junto delas as suas mães falavam calmamente. As crianças riam e brincavam no escorrega, X olhava para elas, sentindo pena de não se lembrar da sua infância…


    - Sr. Last… – Eu disse antes de sair do seu escritório.
    - Sim X? – Sr. Last disse sem olhar para mim, sempre ocupado.
    - Eu não sei bem como dizer. – Na verdade sabia, mas tinha medo.
    - X diz de uma vez, eu estou ocupado.
    - Sr. Last porque é que não me lembro de quando era mais nova? Para dizer a verdade parece que apenas existo há umas semanas… – Eu disse de uma vez.
    O Sr. Last olhou para mim, várias expressões passaram pela sua cara, mas eu não consegui perceber quais eram, ele olhou novamente para o seu computador, fechou a tampa e fez-me sinal para me sentar.
    - X, se não fosses tão boa no teu serviço eu nem me iria dar ao trabalho de te explicar, a verdade é que foste vítima de um acidente de C.Vs no qual entraste em coma. Estiveste 7 meses no hospital ligada a um coração e pulmões artificiais. Um dia acordaste, tinhas perdido a memória, os teus familiares tinham morrido, então eu acolhi-te. A princípio parecias mesmo uma criança, não tinhas noção de nada, tivemos de te explicar tudo. Pouco a pouco melhoraste e eu ofereci-te este emprego. Bem, a partir daí tu é que sabes a tua evolução. – Sr. Last abriu o seu computador novamente. – Agora tenho de ir trabalhar.


    - Senhora, porque é que os seus olhos são iguais aos do meu gato Xavier? – Uma das crianças veio falar com X tirando-a das suas memórias.
    Era pequena devendo ter uns seis anos, vestia um vestido pequeno que mudava de cor conforme o seu humor – um tecido muito usado no séc XXIV – estava roxo cor da curiosidade e da meditação com rendas brancas nas pontas das mangas e no fundo do vestido, o seu cabelo ruivo estava preso com um grande laço do mesmo tecido. O seu sorriso inocente fazia covinhas nas bochechas e os seus olhos cor de mel tinham uma expressão calma e olhavam com curiosidade para os olhos da X.
    - Sheila, não incomodes a senhora polícia. – Uma senhora de cabelo ruivo disse enquanto pegava na criança ao colo e o vestido desta passava a laranja cor da alegria. – Desculpe tê-la incomodado.
    - Não faz mal. – X sorriu.
    X viu-as afastarem-se sorrindo uma para a outra. Já se tinha perguntado algumas vezes porque é que os olhos de praticamente todos na organização eram diferentes, alguma coisa não estava certa, X sentia isso. Queria respostas, respostas que o Sr. Last não lhe dava, respostas a que ele fugia com cuidado e destreza.
    X sentiu o seu pulso a tremer, olhou para a sua pulseira de metal e viu que estava a receber uma chamada, retirou-a do pulso, prendeu uma ponta abaixo da sua orelha, passou o restante por trás desta, prendeu a outra ponta dentro do ouvido e atendeu chamada.
    - Daqui X.
    “- X vai à zona 342 leste. Apareceram movimentos de resistentes por lá, Sr Last mandou-te ir lá.”
    X tocou num botão do seu 4phone e ele desenrolou-se da sua orelha e esticou-se para a frente do seu olho esquerdo abrindo um pequeno monitor à frente deste.
    - TJ manda-me agora os dados. – X disse.
    No seu monitor começou a aparecer filmagens do local, vários resistentes andavam à procura de algo, X reconheceu alguns do funeral, mas não disse nada, apenas assistiu à procura dos resistentes de algo num prédio condenado.
    - Quais são as ordens?
    “- Exterminar todos e capturar o de cabelo preto e olhos verdes.” – X começou a ver a imagem a aproximar-se de um homem, tinha uma expressão de preocupação, um corpo muito definido, ombros largos e braços com a quantidade exacta de músculos para o tornar forte, mas não um monstro como os torturadores dos quartos. Quando a imagem mostrou a sua cara, X reconheceu-o como sendo o resistente que quase a tinha apanhado quando ela estava no abrigo.
    - Está bem, vou desligar a chamada.
    X puxou o monitor, esticando-o para lhe tapar os dois olhos. No canto superior do monitor apareceu um GPS com as indicações da forma mais rápida para chegar à zona 342 leste, X piscou os olhos numa combinação e o seu monitor passou a mostrar os corpos das pessoas em visão térmica e todo o resto normal, também ligou o sensor de armas.
    Bateu com a mão no peito e sentiu a sua armadura a expandir-se pelo seu corpo por baixo das suas roupas, sentia o metal frio contornar cada curva da sua pele quente, agora sim ela estava pronta para uma caçada que não tinha a certeza se iria concluir.
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    Aqui está o segundo capitulo
    Espero arranjar mais comentários, porque sao eles que me fazem querer continuar.
    Beijos, e já sabem quer gostem quer nao comentem :D
     
  7. White Mask

    White Mask Usuário

    Capitulo 3​


    Já era o quarto prédio condenado que os resistentes revistavam à procura de pistas sobre o paradeiro da Catherine. Todos eles estavam preocupados com ela, mas nenhum pensava na hipótese dela estar morta, nem queriam.
    - Ryan, eu vou até à cave pode ser que ela tenha ido para lá. – Disse Michael, aproximando-se do Ryan.
    - Está bem, depois já vou ter contigo. – respondeu numa voz desanimada, pois cada vez perdia mais esperanças de encontrar a irmã.
    - Ryan olha em volta. – Michael disse com autoridade. – Todos estão confiantes que a vão encontrar, que pessimismo é esse? Nem pareces o nosso líder.
    - Michael já pensaste nas probabilidades dela estar viva? São quase nulas.
    - Disseste bem … quase. Enquanto esse quase existir, tenho esperança… – virou costas e acrescentou – E tu também devias ter.
    Michael desceu para a cave sozinho, não valia a pena levar alguém com ele, a cave era pequena e não demonstrava sinais de perigo.
    Atirou uma lightball ao ar que ficou flutuar sobre a sua cabeça, como um candeeiro que o seguia por todo o lado.
    A cave estava como todos os outros andares do edifício: deserta, suja, triste, vazia. As paredes ainda eram do século XXI, feitas com cimento e blocos cinzentos, materiais de construção vistos agora em livros ou em aldeias muito pobres.
    À medida que Michael andava, sentia fragmentos de pedras sobre os seus sapatos – algo que apenas se podia sentir naqueles locais.
    Passou a mão pela parede. Era uma sensação áspera e não tão fria como a que ele estava habituado.
    Debaixo daquele frágil tecto de pedra Michael sentia-se inseguro, a sensação que a pedra era muito instável preenchia a sua mente.
    Ele ouviu uma pequena explosão sobre a cabeça, e de repente tudo estava escuro. Pedaços de metal, os restos mortais da sua lightball, começaram a cair como chuva miúda.
    Michael colocou a sua arma apostos, mas apenas a sentiu a ser empurrada para baixo e retirada com uma força inumana, ele sabia que estava com um clone. Quando se preparou para gritar retirada aos restantes resistentes uma mão coberta por uma luva tapou-lhe a boca.
    - Shiu, não te vou fazer nada. – Uma voz feminina disse.
    Ele continuou-se a debater sobre as mãos que o empurravam contra uma parede, retirou uma das suas facas, – especialmente desenhadas para quebrar a armadura dos clones – espetou-a com força na zona onde pensou ser o braço da clone e carregou no botão dela fazendo com que a lâmina explodisse dentro do corpo desta. Sentiu o sangue quente nas suas mãos, mas não ouviu um único grito, apenas a contracção do braço que lhe segurava a mão que antes tinha a arma.
    - Realmente eu não queria fazer isto, mas tu conseguiste-me irritar.
    X tirou a mão da boca do resistente, colocou a mão ao bolso e retirou uma pequena arma verde.
    Afastou-se do seu alvo, tomando partido da escuridão que não a incomodava, fez pontaria à cabeça de Michael e um raio verde atingiu-o entre os olhos.
    Ele esperou sentir dor, pânico, medo, sentir a morte, mas apenas sentiu os seus músculos a pararem de responder aos seus comandos, ele sentia-se incapaz de fazer um único movimento. Então é assim que a morte vem? Pensou.
    Uma pequena, mas poderosa lightball foi atirada ao ar. Michael viu a clone aproximar-se sem armas, lentamente deslizou o capuz preto e mostrou o seu rosto moreno.
    O seu cabelo era muito liso e com um sensual castanho claro, o seu corpo era magro e esguio tapado por uma capa negra com as letras E.L. bordadas no peito esquerdo.
    A sua expressão não era confiante ou segura, parecia indecisa – algo que Michael nunca tinha visto na face de um clone.
    - Não estás a morrer, se é isso que pensas. – Ela falou num tom calmo tentando acalmar-se também.
    X passou a mão no ombro magoado, não sentia dor – tinha-se injectado com um produto que impedia o sentimento de dor, antes de entrar no edifício – apesar de se sentir desconfortável, esta seria uma ferida que se iria preocupar depois agora havia algo mais importante a tratar.
    - Essa sensação de incapacidade já vai terminar, não te bloqueei os neurónios por muito tempo, apenas preciso de saber que me vais ouvir e me vais responder também. – Ela retirou o monitor da frente dos olhos, e se Michael não tivesse visto os seus verdes olhos de felina por um momento ter-se-ia questionado se estava mesmo à frente de um clone.
    Lentamente começou a sentir o seu corpo.
    - O que queres? – Ele perguntou cauteloso, ela não parecia estar muito convencida do que estava a fazer.
    - Apenas respostas. Vocês estão à procura de uma rapariga, aquela do funeral no vosso abrigo não é?
    - Onde ela está?!
    - Aqui quem faz as perguntas sou eu! – X exaltou-se e apertou o pescoço dele contra a parede. – Quem é ela?
    - Catherine, irmã do nosso líder. – Ele respondeu sufocando.
    X olhou para os olhos dele e viu a aflição neles. – Desculpa… – Ela disse soltando-o. Virou-se e deu um tiro rapidamente em algo que Michael depois reconheceu como sendo uma câmara da organização.
    Ela voltou a sua cabeça para o observar, os olhos azuis dele inspeccionavam-na com curiosidade, o seu cabelo loiro era ondulado e estava um pouco sujo das poeiras dos prédios condenados.
    - Porque é que vocês são contra a organização? Ela que mantém a ordem e ajuda todos sem descriminação? – Não era essa pergunta que ela queria dizer; ela estava tão confusa, parecia que tinha de lutar para poder pronunciar as palavras.
    - Humph! Mantém a ordem? Todos sem descriminação? – Ele olhou para ela com raiva, inspirou fundo e falou – Já olhaste bem para ti?
    - Desenvolve! – Ela começou a sentir-se irritada novamente.
    - Estás a sentir oscilações no teu humor não é? Noto na tua voz. – Esperou por resposta. – Quem cala consente. Isso que sentes dentro de ti é culpa da organização. Por amor de Deus eu nem acredito que estou a ter esta conversa com um clone.
    - Clone?! – X perguntou, já era a segunda vez que era chamada de clone.
    - Sim clone! Vocês são todos clones, criados pela organização para destruir todos os que se impuserem contra o senhor Governador Last. – Pronunciou as últimas três palavras com ironia.
    - Eu não sou uma criação…
    - Aí não? – Ele arqueou uma sobrancelha
    - Não... – Quer dizer eu acho que não… pensou – Afinal o que são clones?
    Michael não teve tempo para responder, apenas viu Ryan fazer pontaria à cabeça da clone. – Ryan… – Michael gritou, apenas para dizer para cessar-fogo, esta clone era diferente, parecia ser diferente.
    X virou-se agarrou a arma e num movimento já instintivo apontou a arma para a zona das escadas de pedra e disparou sobre o homem que estava lá com uma arma mais lenta que a dela.
    Ryan caiu no chão ouvindo as balas caírem com um ligeiro barulho atrás dele e outras a passar zunindo por cima da sua cabeça. Ele sentiu os seus batimentos cardíacos dispararem tentando repor o sangue que perdia, ele via o tecto ondular, a sua respiração ficou mais acelerada, o seu corpo começou-se a encher de suor e pouco a pouco a ânsia de vomitar passou a uma necessidade de dormir. Os passos de alguém a correr e a voz de Michael desvanecendo-se lentamente foi tudo o que Ryan ouviu até que tudo se apagou: a luz, o som, a dor…

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    Como prometido está aqui um terceiro capitulo mais pequenim
    Bem apartir de hoje vao ter de esperar mais pelos cap.
    Beijos
     
  8. White Mask

    White Mask Usuário

    Capitulo 4

    X só parou de correr quando chegou ao seu quarto, as memórias do sangue e das balas continuavam presas na sua cabeça, a queda do corpo no chão, os olhos a fecharem-se, eram memórias que ela para além de não se querer lembrar, queria esquecer.
    Bateu palmas e as paredes do seu quarto ficaram brilhantes onde apareceu uma cara verde.
    - Boa noite X. – A cara disse numa voz metalizada.
    - Boa noite PO2, pesquisa a palavra clone. – Ela disse enquanto se deitava na cama.
    - Clone. Sistema de clonagem. Seres geneticamente modificados.
    - Apenas clone PO2, e põe a aparecer no ecrã do tecto.
    - Clone: A palavra clone (do grego klon, significa “broto”) é utilizada para designar um conjunto de indivíduos que deram origem a outros por reprodução assexuada. No processo de clonagem artificial existem várias técnicas de clonagem, uma delas permite clonar um animal a partir de óvulos não fecundados, sendo este processo conhecido desde o século XIX. Alexander Hurish é o criador da primeira pessoa clonada em 2031.
    - PO2 de quando é essa fonte?
    - 2032.
    - Arranja uma fonte mais recente sobre clones.
    - Dados inválidos.
    - Obrigada PO2, voltar a estado noite.
    Fechou os olhos, era estranho não existir mais dados sobre clones, algo que os resistentes teimavam em chamá-la. O último documento escrito sobre esse tema tinha mais de trezentos anos…
    Sempre que pensava nos resistentes uma imagem do último resistente que tinha matado vinha-lhe à cabeça: sangue derramado no chão escuro, os buracos no seu peito e os seus olhos a olharem para o amigo antes de se apagarem.

    - Foge! – A minha voz grita desesperada para que ele fuja, sem me virar para o ver.
    - Não! Eu não te vou deixar. – Ele diz detrás de mim, preocupado como sempre.
    - Foge! Eu fico bem! – Eu começo a ver mais a virem. – Fico sempre…
    - Eu depois volto. Tem cuidado. – Ele ainda teima em ficar.
    - Tenho sempre. Eles estão quase aqui, vai avisar os outros. Mudem de abrigo. – Eu preparo a minha arma. – Amo-te.
    - Também eu.
    Atrás de mim ouço as passadas dele a correr, como gostava que eu o pudesse ver mais uma vez, mas não havia tempo para isso. Agora eu tinha de os abrandar, tentar dar-lhes tempo para fugir, mesmo que implicasse a minha morte.


    Mas que porra foi esta? Pensou X, Memórias? Mas de quê? Com quem? Que altura? Sentiu um aperto no peito como se uma bala estivesse a atravessar o seu coração. Uma das balas que estilhaça em contacto com o bater do coração, colocou a cabeça entre as mãos tentando manter os pensamentos quietos um minuto para tentar perceber algo.
    - X o que aconteceu, onde estão os resistentes?
    - Sr. Last, matei um deles. – Sentia o seu coração vir à boca. – E os restantes vieram, só consegui fugir.
    - Uma das câmaras foi destruída…
    - Culpa minha, senti algo e disparei sem pensar. – X virou-se para ver o Sr. Last a olhá-la com um ar desconfiado.
    - Está bem. – E ele saiu.

    ***

    - Acorda! Catherine, não temos muito tempo, vamos para casa.
    - Mmmm? Quem…
    Cada centímetro do corpo de Catherine estava marcado de roxo e preto, vários golpes marcavam a sua face branca de vermelho e sangue seco, os seus olhos, lábios e praticamente todo o corpo estava inchado.
    - Catherine mexe-te!
    Ela abriu lentamente os olhos para ver X tentando levantá-la. Como um choque levantou-se rapidamente afastando-se da clone.
    - Afasta-te de mim!
    - Não queres sair daqui? – X arqueou uma sobrancelha.
    - Como sei que posso confiar em ti?
    - Não sabes… Mas tens apenas um minuto para decidir Catherine.
    - Como sabes o meu nome?
    - Queres confiar em mim ou não?
    Catherine abanou a cabeça afastando o cabelo castanho dos seus olhos pretos. – Como vamos sair?
    - Estás muito magoada?
    - Estou bem… – Catherine mentiu.
    X inclinou a cabeça e deu um toque preciso no ombro da Catherine que a fez cair no chão com dores.
    - Tu estás muito longe de bem, dá-me o teu braço. – X retirou uma seringa do seu cinto. – Isto vai-te fazer não sentir dores por uns tempos.
    - Como sei que não me vais drogar? – Catherine sentia ao mesmo tempo insegurança e confiança na clone que se encontrava à sua frente.
    - Não sabes, mas se quiseres vir comigo vais ter de deixar de fazer perguntas. – X olhou para o seu relógio. – Temos todos os segundos contados.
     
  9. Clara

    Clara Que bosta... Usuário Premium

    Continuo achando ótimo, mesmo!
    E estou cada vez mais ansiosa pra saber o que a X fará. :pipoca:
    (E essa Catherine é uma inútil hein? Ô menina pentelha! )
     

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