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Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por Anica, 22 Nov 2008.

  1. Bilbo Bolseiro

    Bilbo Bolseiro Bread and butter

    "E no entanto, ele sofre em silêncio. Quanta ternura recalcada, quanto gesto de carícia e de complacência corre no gelo do silêncio e da imobilidade. Ele olha para todas as criaturas e para todas as coisas com uma profunda simpatia, mas com uma simpatia que jamais se transforma em gestos ou palavras. Às vezes tem uma vontade inenarrável de sorrir para toda a gente que o cerca, de revelar toda a sua cordialidade e toda a sua compreensão numa frase, num sorriso, num acto... Mas o espírito de análise intervém, destruidor, disseca todas as ideias, e mata o gesto... Fica ecoando no ar a pergunta que os lábios não fizeram, mas que a mente não cansa de formular: para quê? E depois, mais forte que tudo a sua timidez..."
    (Clarissa - Érico Veríssimo)

    Me identifiquei com esse trecho, parece que está me descrevendo. :(
     
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  2. Daniel Hume

    Daniel Hume Usuário

    "Eu sou é eu mesmo. Diverjo de todo o mundo... Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa."

    Estou relendo o nosso maior tesouro literário, Grande Sertão: Veredas, do Guima.
     
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  3. Clara

    Clara O.õ Usuário Premium

    "A jornalista Florence Amalou explica como a publicidade é utilizada como forma de pressão e até de repressão por anunciantes que querem influenciar uma linha editorial: represálias publicitárias (...) boicote de novos títulos que se afastem do "pensamento único" a serviço do empresariado, jornalistas demitidos ou afastados pelas agências de publicidade(...).
    Obviamente, essas práticas só são possíveis por parte dos grandes anunciantes e questionam profundamente a confiabilidade das informações sobre eles. E quanto mais a imprensa estiver em dificuldades financeiras, mas a publicidade comprará seu silêncio e sua complacência. E o cúmulo é que, quanto mais um anunciante compra, melhor o tratamento dado a ele pelas redações. (...)
    A dependência da maioria dos jornais em relação aos anunciantes aumenta na medida em que, hoje, são as marcas, e não os políticos, os juridicamente intocáveis. E as grandes empresas são as potências 'políticas' mais nocivas, já que são elas que 'transformam o mundo'. As decisões que modificam ou podem modificar profundamente nosso cotidiano (transgênicos, nanotecnologia, flexibilidades etc.) não são tomadas nos parlamentos, mas em conselhos administrativos e laboratórios tecnocientíficos - e as instâncias políticas tradicionais apenas se encarregam de nos fazer engolir a pílula."

    Sobre a Miséria Humana no Meio Publicitário - Grupo Marcuse
     
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  4. Morfindel Werwulf Rúnarmo

    Morfindel Werwulf Rúnarmo Geofísico entende de terremoto

    Não mais lendo, mas terminei hoje, À Sombra do Olmo (Anatole France)

    “Enquanto o Estado se contenta com os recursos que lhe fornecem os pobres, enquanto conta com subsídios bastantes que, com regularidade mecânica, lhe asseguram aqueles que trabalham com as próprias mãos, ele vive feliz, tranquilo, respeitado; os economistas e os financistas se aprazem em atestar-lhe a probidade; mas, do instante em que esse infeliz Estado, movido pela necessidade, faz menção de exigir dinheiro de quem o tem, e de tirar dos ricos alguma exígua contribuição, fazem-no sentir que ele comete um atentado odioso, que viola todos os direitos, que falta ao respeito com as coisas consagradas, que destrói o comércio e a indústria, que esmaga os pobres ao tocar nos opulentos. Não mais se dissimula seu descrédito. E ele fica entregue ao desprezo dos bons cidadãos. Entrementes, a ruína avança, lenta e infalivelmente. O Estado ameaçou as rendas. Está perdido. Os nossos ministros zombam de nós, falando do perigo clerical ou socialista. Não há senão um perigo, o perigo financeiro. A República começa a percebê-lo.” ​
     
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  5. Jacques Austerlitz

    Jacques Austerlitz (Rodrigo)

    Todos os dias
    um espectro sobe triste da tumba
    retornando do país da amargura, da terra mais distante
    e visita a cidade, as praças, os asilos
    derretido como chumbo.

    Árvore (trecho); Estação das árvores: Adonis [poemas], p. 112.
     
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  6. Bilbo Bolseiro

    Bilbo Bolseiro Bread and butter

    "Clarissa está de cabeça baixa. As lágrimas pingam no prato de doce e se misturam com a calda da compota.
    - Eu sei que papai queria que eu fosse homem...
    - Deixa disso...
    - Eu sei. Ele disse que a família vai acabar, que o Vasco é uma peste e que eu devia era ter nascido homem ...
    - Que ideia, menina!
    - Mas eu... eu não tenho culpa de ter nascido mulher..."
    (Música Ao Longe - Érico Veríssimo)

    :cry:
     
  7. Bilbo Bolseiro

    Bilbo Bolseiro Bread and butter

    "— Veja bem, uma vez Arthur me contou um feito dele — observou Henry Wellesley. — E não é um feito do qual ele emerge com muito crédito. — O embaixador soltou uma nuvem de fumaça na direção do lustre de cristal. Sir Thomas e lorde Pumphrey estavam sentados imóveis, como se soubessem que algo acontecia na sala, enquanto Sharpe, sentindo a atmosfera tensa, deixava as patas de caranguejo em paz. — Ele perdeu o cavalo em Assay e — continuou o embaixador. — Acho que era esse o nome do lugar. De qualquer modo, ele foi jogado nas fileiras inimigas, todos os outros continuaram galopando e Arthur me contou que tinha certeza de que ia morrer. Foi cercado pelo inimigo, todos ferozes como ladrões. E então, vindo de lugar nenhum, aparece um sargento inglês. De lugar nenhum, disse ele! — Henry Wellesley balançou o charuto como se fosse um mágico que o tivesse feito surgir de repente. — E o que aconteceu em seguida, segundo Arthur, foi a melhor demonstração de qualidade militar que jamais
    testemunhou. Ele diz que aquele sargento matou cinco homens. Pelo menos cinco homens, disse ele. O sujeito os trucidou sozinho!
    — Cinco homens! — disse lorde Pumphrey com admiração sincera.
    — Pelo menos cinco — repetiu o embaixador.
    — As lembranças das batalhas podem ser muito confusas — comentou Moon.
    — Ah! Você acha que Arthur enfeitou a história? — perguntou Henry Wellesley com educação exagerada.
    — Um homem contra cinco? — sugeriu Moon. — Eu ficaria muito surpreso, Excelência.
    — Então vamos perguntar ao sargento que lutou contra eles — disse Henry Wellesley, jogando sua armadilha. — De quantos homens você lembra, Sharpe?
    Moon pareceu picado por uma vespa enquanto Sharpe, de novo sem graça, apenas deu de ombros.
    — E então, Sharpe? — instigou Sir Thomas Graham.
    — Havia alguns, senhor — respondeu Sharpe, desconfortável. — Mas, claro, o general estava lutando comigo, senhor.
    — Arthur me contou que estava atordoado — contrapôs Henry Wellesley. — Disse que estava incapaz de se defender.
    — Ele estava lutando para se libertar, senhor — disse Sharpe. Na verdade, Sharpe havia empurrado o tonto Sir Arthur Wellesley por baixo de um dos canhões indianos e o havia abrigado ali. Haviam sido mesmo cinco homens? Não conseguia lembrar. — E a ajuda veio bem depressa, senhor — continuou rapidamente. — Muito depressa.(...)
    (...)— Eram mesmo cinco homens, Richard? Seja sincero. Cinco?
    — Sete — respondeu Sharpe, mas não conseguia lembrar. E não importava. Ele era ladrão, era assassino e era soldado, e agora precisava cuidar de um chantagista."
    (As Aventuras de Sharpe Vol. 11 : A Fúria de Sharpe - Bernard Cornwell)

    8-)
     
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  8. Molly Bloom

    Molly Bloom Usuário

    "- Estou fazendo isso - disse - porque prefiro carregá-lo vivo em vez de ter de carregar seu peso morto pelo resto da minha vida." :grinlove:

    Cem Anos de Solidão
    , GGM.
     
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  9. Bilbo Bolseiro

    Bilbo Bolseiro Bread and butter

    "Roberto não era alto nem atlético, mas tinha belos olhos e uma boca bem desenhada. Seus cabelos encaracolados estavam um pouco crescidos — o que lhe dava um aspecto algo romântico. — Mas as orelhas! Oh!... Nora mirava-as num fascínio. Eram largas e de pontas afastadas do crânio. Pareciam orelhas de elefante — refletia ela. No entanto, não prejudicavam o conjunto, acrescentavam antes uma graça toda especial à cabeça. Nas raras vezes em que Roberto sorria, apareciam-lhe os dentes claros, sãos e regulares, a cara ganhava luz e as orelhas como que se afastavam ainda mais."
    (O resto é silêncio - Érico Veríssimo)

    :lol:
     
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  10. Bilbo Bolseiro

    Bilbo Bolseiro Bread and butter

    "— Vosmecê já pensou no que lhe pode acontecer depois da morte?
    — Não.
    — Não tem medo de ir para o inferno?
    Rodrigo cruzou as pernas, atirou o busto para trás e recostou-se contra a porta da capela.
    — Padre, ouvi dizer que no céu não tem jogo nem bebida nem carreiras nem baile nem mulher. Se é assim, prefiro ir pro inferno. Além disso, as tais pessoas que todo mundo diz que vão pro céu por serem direitas e sem pecado são a gente mais aborrecida que tenho encontrado em toda a minha vida. Tenho conhecido muito patife simpático, muito pecador bom companheiro. Se eles vão para o inferno, é para lá mesmo que eu quero ir."
    (O Tempo E O Vento Parte 1: O Continente - Érico Veríssimo)

    :lol:
     
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