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Cinco Livros Favoritos com Mercúcio [2.0]

Mercúcio

Usuário
Gabriela, Cravo e Canela é uma belíssima ode ao amor livre.

Eu acho que é uma leitura possível, sim, mas pra mim, particularmente, ressalta mais a disparidade dos códigos sociais no que se refere aos homens e às mulheres, especificamente com relação à questão da liberdade/sujeição da mulher, numa Ilhéus em que se verifica um descompasso entre o rápido progresso econômico da região cacaueira e a lenta mudança dos costumes - "costumes feudais", na designação do personagem Tonico Bastos.

Nesse sentido, na minha leitura, acho que Gabriela - espírito livre, que Nacib intenta domar - é mais o elemento desestabilizador. E de certa forma, vejo uma outra personagem que, por caminhos diferentes, fez o mesmo: Malvina, filha do Coronel Melk Tavares, que afrontou o pátrio poder, negando ao pai a prerrogativa de decidir sobre o seu destino.

Cara, eu quero muito ler mais coisas do Jorge Amado. Dele eu só li "A morte e a morte de Quincas Berro d'Água" e "Gabriela", que eu adorei! Se quiserem me recomendar mais coisas dele, eu vou adorar! :cerva:
 

Béla van Tesma

I’m hoping to do some good in the world!
Cara, eu quero muito ler mais coisas do Jorge Amado. Dele eu só li "A morte e a morte de Quincas Berro d'Água" e "Gabriela", que eu adorei! Se quiserem me recomendar mais coisas dele, eu vou adorar! :cerva:
"Capitães de Areia" foi só o que li, por sugestão/cobrança de um professor da Letras. Gostei. Também quero ler mais dele. Mas acho que o mais comumente recomendado é o "Terras do Sem-Fim". Então, se for por aí, tem mais chance de sucesso na leitura. ^^
 

Finarfin

Usuário
Eu acho que é uma leitura possível, sim, mas pra mim, particularmente, ressalta mais a disparidade dos códigos sociais no que se refere aos homens e às mulheres, especificamente com relação à questão da liberdade/sujeição da mulher, numa Ilhéus em que se verifica um descompasso entre o rápido progresso econômico da região cacaueira e a lenta mudança dos costumes - "costumes feudais", na designação do personagem Tonico Bastos.

Nesse sentido, na minha leitura, acho que Gabriela - espírito livre, que Nacib intenta domar - é mais o elemento desestabilizador. E de certa forma, vejo uma outra personagem que, por caminhos diferentes, fez o mesmo: Malvina, filha do Coronel Melk Tavares, que afrontou o pátrio poder, negando ao pai a prerrogativa de decidir sobre o seu destino.

Cara, eu quero muito ler mais coisas do Jorge Amado. Dele eu só li "A morte e a morte de Quincas Berro d'Água" e "Gabriela", que eu adorei! Se quiserem me recomendar mais coisas dele, eu vou adorar! :cerva:
Qualquer coisa do Jorge Amado vale a a pena. Não li nada ainda que não tenha gostado muito.
O ultimo foi Tieta, recomendo, como todos os outros. Outro que gostei muito e não foi citado aqui ainda foi Mar Morto. O próximo da minha lista vai ser Jubiabá.

Sobre o amor livre, isso que você ressalta da disparidade também é um aspecto do amor livre. E eu vejo que não é algo presente apenas na personagem principal, mas em todas as subtramas do romance, que tem um grito sufocado de amor reprimido em um ou mais aspectos, e um anseio por se libertar. Ele não fala diretamente do amor livre na maioria das vezes, mas aponta todas as consequências do amor não livre. Tudo ali é uma crítica à posse, ao apego, ao ciúme, às convenções sociais tacanhas, à objetificação, que tudo junto descamba no abuso, no crime, na dor e na infelicidade. É quase um tratado budista sobre o desapego. E claro, se hoje a pior é das mulheres, naquela época nem se fala. Mas é algo que também se faz presente nos personagens masculinos, apesar da menor escala.
 

Eriadan

Usuário
Usuário Premium
Cara, eu quero muito ler mais coisas do Jorge Amado. Dele eu só li "A morte e a morte de Quincas Berro d'Água" e "Gabriela", que eu adorei! Se quiserem me recomendar mais coisas dele, eu vou adorar! :cerva:
Cara, eu gosto muito de Jubiabá, mas sou apaixonado por Terras do Sem Fim (que assim como Gabriela, se passa na região cacaueira). Nem sei explicar: aquelas leituras que te arrebatam. Capitães de Areia é um dos mais falados, e foi bom lembrarem, porque faz tempo que eu pretendo ler. Entrando na lista agora mesmo.
 

Mercúcio

Usuário
Muito obrigado pelas recomendações, @Béla van Tesma , @Finarfin e @Eriadan !
Capitães na Areia estava no meu radar também, mas fora disso eu não sabia muito bem o que ir atrás pra ler, do autor. Só aí já acrescentei na lista: Terras do Sem Fim, Jubiabá, Mar Morto e Tieta. :cerva:

Finarfin, não discordo de nada do que você ponderou. Acho que a questão do amor livre é uma leitura possível mesmo, mas pra mim é mais uma questão de acento, que na minha leitura ficou mesmo mais forte na questão da liberdade/sujeição da mulher. :think:

O romance inicia com o assassinato de uma mulher e seu amante, praticado por um Coronel da região. Aos olhos da sociedade local, o marido traído estava plenamente justificado: lavou a sua honra com sangue. É um código moral que ficava até mesmo acima das leis de então. E o homem? É só ver que praticamente todos os coronéis têm lá as suas amantes oficiais, para quem montam casa e tudo - e isso é visto como algo muito natural. E aí, nesse caso, eu acho que o contraste apontaria mais para uma certa hipocrisia naturalizada por um código moral machista.

É só lembrar aqui a situação do Coronel Coriolano e da Glória. Veja: ela era amante dele, ele bancava tudo pra ela. Mas ele pode fazer isso! Ai da esposa dele se pretendesse ter os mesmos direitos. Aliás... ai da Glória se ela pretendesse ter outros amantes. Ela não tinha o direito sequer de conversar com outro homem na ausência do Coronel. Ou seja, aqui... mesmo numa situação de adultério, a mulher que está na condição de amante vive praticamente um regime de cárcere privado, devendo se sujeitar ao arbítrio do homem que a sustenta. O livro até faz uma separação entre a situação da esposa adúltera, que mereceria a morte, para a "rapariga" que se arrogasse o direito de ter outros homens, que no máximo mereceria uma surra. Mas permanece a questão. Nesse ponto, acho que o contraste entre as liberdades permitidas ao homem e as liberdades permitidas às mulheres, em situações análogas, aponta mais para a hipocrisia de uma sociedade machista do que para a questão do amor livre. Aos homens, tudo é lícito. Mesmo ao homem que, na condição de amante, pode eventualmente ser morto pelo marido traído. Desde que não se deixe ser pego ou... sendo pego, não se deixe matar.

Sobre essa questão da liberdade/sujeição da mulher, citei o caso da Malvina acima. Mas lembrei de um outro exemplo: veja só qual é a situação da mãe dela, que vive sob um regime de medo, completamente apavorada com a truculência do marido, o Coronel Melk Tavares.

Enfim... o livro suscita excelentes discussões, né? :g:
 

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