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Cinco Livros Favoritos com Mavericco

Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por Bel, 5 Nov 2012.

  1. Bel

    Bel Moderador Usuário Premium

    Jurava que ia colocar Martha Medeiros... :hihihi:


     

    Arquivos Anexados:

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  2. Éomer

    Éomer Well-Known Member

    Uma lista puro-sangue hein. Babei.

    A não ser por Ulysses, que como todos sabem, dissecado não rende um tuíte.
     
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  3. Excluído045

    Excluído045 Banned

    Como de costume, as análises do Mavericco são impecáveis.

    Falando de Ulysses já meu deu uma confirmação daquilo que há tempos leio sobre a obra: um épico magistral de leitura e releituras múltiplas do mundo e das várias facetas e significações da existência. E mais poderia ser dito. E menos. O valor maior dessa análise está não no que ela expõe, revela, mas no que esconde, na intuição de que a profundidade e o alcance da obra só se deixam perscrutar pela experimentação pessoal. Serviu pra mim, que estou fugindo de análises muito 'reveladoras' da obra, pela iminência que estou de lê-la.

    Sobre a Divina Comédia, pouco a dizer. Ainda não a li, e desconfio que terei sérios problemas filosófico-teológicos em digerir cânones tão claros de uma religiosidade e cosmovisão que reneguei há tempos. Mas talvez seja bom esse olhar distanciado, vamos ver.

    Macbeth e Proust ainda não li nada, o que é imperdoável. Vou me purgar desses pecados em breve, espero.

    Aí temos Fernando Pessoa. Aí complica pra mim. :lol: O único heterônimo que gosto mesmo é Alberto Caeiro e, por mais que o pobre seja desprezado, posso dizer que nenhum me fala mais à minha alma. Ler suas poesias completas foi uma epifania, ou melhor, uma sucessão de epifanias, uma visão mística. E isso talvez seja bem conveniente. Antes de Caeiro a poesia me era coisa estranha ou um exercício pueril de vaidades, quando muito um campo onde eu me arriscava a treinar a sensibilidade. Foi Nietzsche que me abriu essa sensibilidade a um nível maior e essa mesma sensibilidade alcançou níveis de significação mística com Caeiro.

    Alberto Caeiro foi um entorpecente, um soco no otimismo, a assunção de uma filosofia que não é pensar nem sentir, não é analisar nem sistematizar, é um pensamento sem forma, emoções limpas de sentimentalismo. A poesia dele, em sua forma, me arrastou o espírito a outros degraus, a instâncias maiores. E em sua essência, a poesia desse heterônimo foi um rasgar de certezas metafísicas, um empurrão na debilidade do valor dos sentimentos e dos conceitos, foi a apresentação de uma filosofia verdadeiramente mitológica, isto é, total, integral, que assume todo o ser, e antes do ser, transcendental a todo ser.

    Caeiro aconteceu.
     
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  4. Bel

    Bel Moderador Usuário Premium

    Tenho vontade de ler A Divina Comédia. Ulysses já está na estante me esperando. Macbeth eu vi, no teatro, recentemente. Os outros não conhecia.
     
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  5. Anderson N.

    Anderson N. Órfão Meia Palavra In Memoriam

    É uma lista e tanto mesmo. Maverrico, quando eu crescer quero ser igual a você.

    Macbeth eu ainda não li. Li Hamlet e absorvi uns 50 % (talvez tenha algo com o fato de eu ter lido numa sentada só).

    Proust eu li retalhos e é isso tudo que você disse mesmo. E um pouco mais.

    Pra ser sincero, não tenho muita intimidade com poesia. Mas sempre leio pelo menos uma por dia.

    E Ulisses ein...porque eu sou apaixonado por esse livro mesmo sem tê-lo lido?
     
    Última edição: 6 Nov 2012
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  6. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Você fala no sentido gnóstico da poesia de Dante? Li pouco sobre a religiosidade na Divina Comédia, mas acho que dá pra ler a Comédia sob uma ótica distanciada sem muitos problemas, visto que sua base é principalmente alegórica.

    Gostei da sua definição da poesia dele! :mrgreen:

    Vejo o Caeiro mais como o próprio Pessoa o definiu: um Mestre de Heterônimos ou, talvez mais corretamente, um mestre da poesia de modo geral. Pois se, conforme diz Massaud Moisés, o objetivo final do Fernando Pessoa era o de repensar e em verdade recriar o universo em toda sua amplitude, era necessário que ele tivesse peças "estrategicamente posicionadas" (essa conotação ao xadrez é por minha conta e risco). Assim, se ele coloca o Ricardo Reis na poesia clássica, o Álvaro na vanguarda e o ortônimo nesse lapso (trovadorismo, classicismo, simbolismo etc), o Caeiro como que ocuparia a posição do poeta numa poesia antes da poesia ou uma poesia no exato momento de surgimento dela ou no surgimento da linguagem. Uma árvore significa uma árvore e a tarefa da linguagem é, quando muito, uma forma de se referir e se comunicar aquela árvore ela mesma.

    Pô, mas ler um poema por dia já é uma boa média =D
    E ah... O Ulysses é apaixonante mesmo :grinlove:
     
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  7. Excluído045

    Excluído045 Banned

    Mais cosmológica mesmo, por motivos de críticas ortodoxas à teologia ocidental.
     
  8. Cantona

    Cantona Tudo é História

    Eu tenho uma inveja sadia de vocês.
     
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  9. -Jorge-

    -Jorge- mississippi queen

    Bonito!

    Para mim a Divina Comédia iria em primeiro. O título e o motivo por trás dele (uma visão específica da Criação) são dos mais bonitos que já vi. O caráter enciclopédico do poema também é impressionante. É impressionante que Dante tenha feito isso com os recursos que tinha em 1300.

    E não sei se o Ulysses tá no meu top 5. Por incrível que pareça, acho que ficou faltando alguma coisa lá... E o livro é triste em geral, apesar de fazer você rir (mais no começo). Mas não deixa de ser um livro fundamental e que relerei.

    E esse Pessoa seu sempre mudando, hein, Mavericco?
     
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  10. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Na verdade eu não coloquei em ordem de importância... Foi mais uma ordem cronológica, onde eu coloquei os livros que me foram mais marcantes em determinadas épocas da vida. Não conseguiria fazer uma lista com os melhores livros, pois aí eu precisaria de no mínimo um espaço de 5 livros para cada categoria: teatro, poesia e prosa.

    E sim, o Ulysses vai ficando mais triste à medida que acaba, e esse é inclusive um contraponto à Odisseia, onde ocorre exatamente o contrário. Talvez seja porque os motivos são distintos: se na Odisseia o Ulisses está em exílio forçado, no Ulysses o Leopold Bloom está em exílio voluntário de sua casa, pois não queria encarar a cena de ver sua mulher o traindo. É algo parecido com a vida do próprio Joyce, que se exilou voluntariamente de Dublin.

    E talvez seja exatamente isso que tenha faltado no Ulysses: coragem. A coragem de Stephen de não encarar o espectro da mãe (se não me engano, ele também não voltará à torre), a coragem de Leopold Bloom de encarar a traição de sua esposa. Devem existir outras covardias nos outros personagens... As piadas jocosas do chefe do Stephen na escola ou do Buck Mulligan talvez sejam exemplos; mas já faz um tempinho que li o livro, então já viu.
     
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