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Chuva, suor e açaí

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Haleth, 12 Mar 2011.

  1. Haleth

    Haleth There's no such a thing as a mere mortal

    Chuva de verão é aquela que pega muita gente de surpresa, principalmente quem odeia guarda-chuva. Pois, nossa personagem se enquadra nos dois casos.

    Ela estava na saída do metrô, a chuva custava a passar e a paciência dela escorria em cântaros. Até que entornou-se o balde e ela foi andando, assim, como se nada estivesse acontecendo. Não correu, não protegeu a cabeça, não abaixou o rosto, apenas fluiu calçada afora.

    Chegando perto de casa lembrou-se que na geladeira só havia gelo e molho de tomate, por isso passou direto, para espanto do porteiro. A essa altura ela já estava tão molhada quanto a calçada que pisava, só que bem mais limpa. Foi andando até a lanchonete natureba da esquina, sentou-se e pediu um suco de morango com sanduíche.

    Reparou na cara de espanto das pessoas que olhavam para ela. No fundo, achava até engraçado, ela sempre gostou dessas pequenas perversões cotidianas que só de quando em vez se lembrava de cometer. Viu quando um rapaz entrou na lanchonete. Ele tinha olhos pretos, barba por fazer e cabelo enroladinho - que pingava chuva como os dela.

    Quando seus olhares se encontraram, uma identificação imediata jorrou. Entretanto, sejamos sinceros, identificação é pra seres do mesmo gênero, com eles dois foi atração mesmo. Apurou os ouvidos: ele pediu açaí com morango à moça que trazia o pedido dela. Notou que ele observara seu lanche, e sentiu-se culpada pelo seu X-salada diante de um naturalíssimo açaí, mas o suco salvaria sua reputação, ainda mais por ser de morango.

    Lancharam em silêncio, com a chuva rareando em suas vistas e descendo por suas roupas. Observavam-se a cada dez mastigadas, com aquele olhar típico de "finjo-que não-sei-que-você-está-me-olhando". Até tentavam comer no mesmo ritmo, para terminarem juntos. Assim, quem sabe, trocariam saudações no caixa. Mas o açaí era grande e o suco pequeno. Ela, tensa, pediu então um Guaravita - não pra fazer charme naturalista, mas porque gostava mesmo de Guaravita. Abriu e bebeu com toda a paciência do mundo, como quem degusta vinho. Recebeu de volta um olhar agradecido.

    Sabe-se lá quanto tempo as pessoas podem gastar comendo um X-salada, um açaí ou bebendo vinho. Mas finalmente tudo isso chegou ao fim e os dois se levantaram para ir ao caixa. Qual não foi a surpresa de ambos ao erguerem os olhos um para o outro: estavam secos.

    Secamente se cumprimentaram e saíram sem olhar pra trás.
     
  2. Hahaha, esses momentos acontecem toda hora, com todo mundo...

    E colocar o cotidiano no papel só parece ser a coisa mais fácil do mundo, mas é a mais complicada.

    Gostei!
     
  3. aces4r

    aces4r Usuário

    Esta é a arte do flerte. Muito bom.
     
  4. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    lanchonete natureba faz x-salada?
     
  5. Jacques Austerlitz

    Jacques Austerlitz (Rodrigo)

    Gosto da ambiguidade da última frase.

    O parágrafo inicial me pareceu meio... estranho. A segunda frase, eu digo. Achei as metáforas que remetem à fluidez da água abundantes demais, mas isso sou eu, que não gosto muito de floreios. Acho que um desenvolvimento mais sóbrio ficaria melhor. Acho também que a informação de que os dois estavam secos poderia ser mais sugerida do que simplesmente exposta, porque a penúltima frase também tira um pouco o impacto da última.

    (Engraçado que eu não perceberia essas coisas em um texto meu.)
     
  6. Vinnie

    Vinnie Usuário

    Ponto alto para o narrador generoso; a coisa participativa ficou legal e poderia ser mas explorada.

    Gozado que alguém tomando açaí receberia minha chuva de preconceitos imediatamente!! Ohhh!

    Me amarrei, as usual. :)
     
  7. Haleth

    Haleth There's no such a thing as a mere mortal

    Desculpem pela demora =S

    Natureba não é só vegan, né? Além disso, tem uns x-salada com hamúrguer de soja, que nunca comi mas assim mesmo prefiro o de carne, dá mais sustança e dispensa a enxurrada de tempero pra fazer ter sabor de alguma coisa. =q

    É, o início tá meio desconjuntado mesmo, vou tentar reescrevê-lo pra dar mais clareza.

    Bom, esse foi o estilo que optei dar ao texto, mas obrigada pela observação. Essa "metaforização abundante" é um tipo de coisa que faço com frequência, vou ficar de olho pra não fazer disso um cansaço pra quem lê. ;)

    Fiquei pensando em como faria isso. Eu, que não consigo me distanciar dos meus textos, pensei que essa penúltima frase corta todo o floreamento que o texto vai construindo com essa abundância aquática, e expor que os dois estavam secos seria uma forma "seca" de matar o clímax. Na minha concepção inicial, a penúltima frase é que era a mais importante, a última era só um "qualquer coisa", assim como os dois viraram qq coisa um pro outro assim, do nada. Mas achei interessante vc ressaltar a ambiguidade da última frase. Foi mais intuitiva do que proposital, hehe.
    Rodrigo, obrigadíssima pelo seu comentário. Eu nunca consigo analisar meus próprios textos, por isso gosto muito quando me criticam ;)

    Obrigada, Vinnie! Põe generosidade na narração, acho que o narrador queria é fazer parte da história... =P
     
  8. carlo jorge

    carlo jorge Usuário

    olá amigo!
    Gostei sim do texto, acho interessante quando aparenta na escrita do autor que ele vê a cena, entra no conto sem aparecer, o floreio, é de cada um , enobrece. É claro que demais, cansa, porem no caso do texto, não foi não, minha opinião.
    Interessante o título, causa curiosidade de saber o que esse aí tem a escrever?
    abraços!

    BOA VIDA!
    http://odiariodeobservador.blogspot.com
     
  9. carlo jorge

    carlo jorge Usuário

    olá amigo!
    Gostei sim do texto, acho interessante quando aparenta na escrita do autor que ele vê a cena, entra no conto sem aparecer, o floreio, é de cada um , enobrece. É claro que demais, cansa, porem no caso do texto, não foi não, minha opinião.
    Interessante o título, causa curiosidade de saber o que esse aí tem a escrever?
    abraços!

    BOA VIDA!
    http://odiariodeobservador.blogspot.com
     

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