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Chuva na flor da roseira.

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Urubu Rei, 6 Set 2009.

  1. Urubu Rei

    Urubu Rei Visitante

    Homem! Essa palavra soa orgulhosamente!
    Maxim Gorki



    Ele teve uma noite de sono agitado. Se é que podia chamar de sono aqueles pequenos cochilos, interrompidos pelos trovões e o barulho da chuva batendo na vidraça. Mas hoje era o grande dia e ele havia acordado várias vezes durante a noite. Estava bastante excitado. Resolvera falar-lhe sobre tudo o que sentia. Não ia esperar mais. Sempre fora tímido, mas não era um covarde.

    Tomou um café apressado. Na verdade engoliu o café, pegou suas coisas e saiu quase correndo. Ia abrindo o portão quando olhou a roseira e resolveu levar-lhe uma flor. As rosas ainda estavam cobertas pelas gotas da chuva da noite. Mas uma rosa era pouco. Colheu três rosas brancas.

    Ele a conheceu no dia em que foi até o mercado do bairro comprar algumas coisas para o jantar. Ela havia começado a trabalhar lá há pouco tempo. Tinha aquele sorriso franco que torna o rosto de qualquer mulher mais bonito. O mundo ainda não a endurecera. Cabelo loiro batendo nos ombros, olhos castanho-esverdeados e algumas sardas no rosto. Se ela era bonita eu não sei, mas para ele era a coisa mais linda do mundo. Parecia ter a idade de sua irmã, mais ou menos uns vinte ou vinte e um anos.

    Pegou tudo o que precisava com a maior pressa possível e foi para o caixa onde ela estava, apesar da fila do outro estar bem menor. Quando chegou perto dela era como se o seu coração fosse disparar. Já tinha admirado outras mulheres bonitas, mas nunca tinha sentido nada como o que sentiu naquele dia. Ficou observando enquanto ela registrava as suas compras. Quando ela terminou e perguntou se ele desejava mais alguma coisa ele gaguejou um “não” e um “obrigado”. Então pagou as compras, murmurou um “tchau” e foi embora. Naquela noite dormira muito pouco. Volta e meia acordava e a primeira coisa que vinha à sua mente era o seu rosto.

    Então as visitas ao mercado se tornaram uma rotina a partir daquele dia. Sempre encontrava algo para comprar ao final da tarde, quando estava voltando para casa. Um refrigerante, um suco, um chocolate ou qualquer outra coisa. E sempre fazia questão de pagar no caixa onde ela ficava, por mais vazio que o outro pudesse estar. Aos poucos ele foi perdendo aquele acanhamento que teve na primeira vez que a viu. Sempre que havia pouco movimento ele dava um jeito de estender a conversa. Já falava com ela como se fossem velhos amigos.

    Que ela também estava interessada ele já tinha percebido. Sempre puxava conversa com ele. Perguntava sobre como havia sido o seu dia, as coisas que havia feito. Às vezes o chamava de querido. Nessas horas o seu coração disparava. Um dia apertara a sua mão. Parecia que sua pele estava em brasa. Sonhou com ela nesse dia. O primeiro sonho de muitos.

    E o tempo foi passando e o que ele sentia só aumentava. Até que chegara o dia de hoje. Ele caminhava decidido até o mercado. Resolvera ir no horário da manhã por que o movimento era menor. Seria mais fácil de conversar com ela. E também por que não podia ir até sua casa. Nunca perguntou onde ela morava.

    Quando chegou lá ficou desapontado. Ela não estava. Será que tinha saído do emprego? Ou estava doente? Nisso ele nem queria pensar. A colega dela olhava de um jeito estranho para ele. Será que nunca vira um homem carregando flores, pensou aborrecido. Nunca gostara dessa colega. Ela ficava sempre se intrometendo na conversa dos dois. Com certeza tinha ciúmes. Apesar disso resolveu perguntar por que ela não viera. Ela disse então que hoje era seu dia de folga. Mas amanhã ela já estava de volta. Ele ficou um pouco mais tranqüilo, mas mesmo assim continuou aborrecido. Tinha planejado tanto aquele dia. O jeito era voltar amanhã.

    No caminho jogou as flores em uma lixeira. Amanhã colheria outras. Estava triste por não ter conseguido falar com ela. Também estava preocupado com duas outras coisas agora. A lição de casa que sua professora tinha passado estava atrasada e com certeza a sua mãe o deixaria de castigo por ter destruído a roseira. Mas não ter falado com ela era o pior de tudo. Se pelo menos já soubesse escrever direito poderia ter lhe deixado um bilhete.
     

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