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Carlos Drummond de Andrade

Tópico em 'Autores Nacionais' iniciado por Breno C., 17 Set 2008.

  1. Breno C.

    Breno C. Usuário

    Abrindo esse tópico para falar de um dos maiores escritores brasileiros, que com sua forma de escrever sobre a realidade do brasileiro, encantou muitos leitores. Eu mesmo tive um contato muito cedo com os contos do Drummod, porque minha mãe era assinante do jornal O Globo que durante uma época editou alguns contos do Drummond em um livro.

    Peguei esse trecho de um
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    (clica aqui, é um link) que tem a biografia completa dele, junto com uma linha do tempo sobre os assuntos relacionado ao Drummond.

    Então pessoal... Quem mais gosta do Drummond?
     
  2. Angélica

    Angélica Visitante

    Breno eu gosto e muiiiiitooooo. Eis uma das mais belas dele, em minha opinião:

    AS SEM-RAZÕES DO AMOR

    Eu te amo porque te amo.
    Não precisas ser amante,
    e nem sempre sabes sê-lo.
    Eu te amo porque te amo.
    Amor é estado de graça
    e com amor não se paga.
    Amor é dado de graça,
    é semeado no vento,
    na cachoeira, no eclipse.
    Amor foge a dicionários
    e a regulamentos vários.
    Eu te amo porque não amo
    bastante ou demais a mim.
    Porque amor não se troca,
    não se conjuga nem se ama.
    Porque amor é amor a nada,
    feliz e forte em si mesmo.
    Amor é primo da morte,
    e da morte vencedor,
    por mais que o matem (e matam)
    a cada instante de amor.


    Parabéns pela lembrança do Drummond, amei da :lily:
     
  3. Ronzi

    Ronzi Oh, Crap!

    Eu acho engraçado como relacionam a biografia do Drummond com seus escritos, com a realidade nacional, tentando chegar em um ponto comum que realmente defina o que ele estava sentindo. Enfim, deixando isso para lá, gosto muito dele, meu livro preferido dele hoje é "Sentimento do Mundo".
     
  4. Lethaargic

    Lethaargic Usuário

    Drummond é ótimo, sempre bom ter a oportunidade de ler algo dele.
    Esses dias fiquei sabendo que ele escreveu um livro com poemas eróticos,
    peguei para ler e estou achando meio estranho, quando você lê algo dele
    pensa em crítica social, poemas sobre os sentimentos do ser humano, e aí
    você vê o cara falando sobre bundas e afins, no mínimo diferente.. mas tem
    sido engraçado!
     
  5. Breno C.

    Breno C. Usuário

    Agora você me convenceu a ler isso...XD
     
  6. Lethaargic

    Lethaargic Usuário

    Bom, eu não vou dar a minha opinião sobre esta obra porque
    ainda não conclui a leitura, mas achei uma matéria interessante
    sobre ela na internet, vou colar aqui.

    ~

    Das infinitas faces que um poeta pode ter, Carlos Drummond de Andrade, de muito bom grado, dispôs-se a mostrar-nos ao menos sete. Sacramentadas. Esses lados, essas faces, não são simples traços de estilo, certamente nem convicções quanto às formas, são algo além disso: o homem Drummond, o corpo além do poeta e, como todos os demais corpos, susceptível às passagens, mudanças e afetos do tempo. Sua passagem nos recoloca, nos re-escreve e, no poeta mineiro, haveria de fazê-lo admitir uma derrota diante de suas consumições eróticas. Nos conflitos entre as dores, a morte e a vida, o sexo aparece como peça atraente, extrapolação da vida em direção ao fim sem que necessite ser, de fato, o fim. É dessa forma que melhor se compreende a conversão do comedido mineiro em militante póstumo da sacanagem.
    "O Amor Natural" não nasceu de um desvario momentâneo. O livro de poemas pornográficos, lançado em 1992, choque entre as mocinhas e senhores desavisado, expôs contornos radicais do poeta, mas o assunto já costumava aparecer em um ou outro poema, insinuadamente, fosse no embalo da união amorosa, fosse nos tons de poesia-piada, usuais no Modernismo (Era manhã de Setembro/ e/ ela me beijava o membro). Mas nesse há um desfile pelas páginas, uma galeria recheada de vulvas, línguas, falos, lambidas, pêlos.... O que mais houvesse para haver na cama entre homens e mulheres, está lá. Mas como? Aquele velhinho...?

    Mario de Andrade costumava dizer que a culpa era toda da timidez. Faz todo sentido. Mas é igualmente coerente acreditar que as mudanças de comportamento que viu observar - naqueles anos de 1950, os comerciais já expunham muito mais pedaços de pele que na época dos bondes, nos anos 20, quando um tornozelo de fora era o auge do erotismo público - somadas ao avanço da idade, tenham feito nosso poeta alargar as brechas para o erotismo que já cultivava desde sempre. Mas, apesar disso, fato é que Drummond preferiu-se, num pedido compreendido e atendido, morto à época da publicação do livro. Morto quando admitisse que a pornografia venceu. Melhor assim que deixar-se entrever à frente de todos seus acessos delirantes por contornos passantes em bondes, camas ou moitas, de coxas, pernas e peitos femininos, sempre femininos. Sobre dores do ser, sobre a política e sobre as palavras, estaria a glória de um convulsivo orgasmo.

    É assim que no livro, escrito em meado dos anos setenta, Drummond rende-se a produção de poemas que vão do erótico ao pornográfico, passando pelo completo despudor; versos milvalentes onde ato sexual não eleva nem rebaixa, mas sim, aceita exultante a condição simples, o exposto cru, bastante cru, de ser humano. Animal sem meias palavras: ato, suor, lugar, sémen, gemido, mamilos, modo. Uma pequena amostra dessas poéticas paixões carnais estão aqui nesta pequena seleção de cinco poemas de puro gozo retirados d´O Amor Natural.


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  7. Breno C.

    Breno C. Usuário

    Cara, matéria muito legal!
    Pessoal está acrescentando muito ao fórum! Fico me perguntando quantas vezes já não fomos material de pesquisa para alguns alunos que estão tendo problemas com literatura. Um dia ainda vamos estar na primeira página do Google.
     
  8. Lethaargic

    Lethaargic Usuário

    O Amor Natural é bacana sim, não é o melhor livro dele e está longe disso, mas a forma como ele trata o erotismo é diferente. Leiam se tiverem a oportunidade (:
     
  9. Artanis Léralondë

    Artanis Léralondë Ano de vestibular dA

    [size=medium]Cortar o tempo[/size]

    Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
    a que se deu o nome de ano,
    foi um indivíduo genial.
    Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
    Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
    Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente

    Carlos Drummond de Andrade

    Tão lindo isso :lily:
     
  10. Cantona

    Cantona Tudo é História

    E Drummond, sensível a tudo que nos diz respeito, também escreveu muito sobre futebol. Não apenas no que ocorre dentro das quatro linhas, mas também sobre a relação do torcedor com o jogo, dos ídolos, do uso político do esporte (principalmente na Copa de 70) e da contribuição do futebol na construção da identidade nacional. Mesmo não sendo um cronista esportivo, as linhas de Drummond sobre o futebol só ficam atrás, na minha opinião, de Nelson Rodrigues e sua dimensão épica aplicada aos jogos.

    Futebol se joga no estádio?
    Futebol se joga na praia,
    futebol se joga na rua,
    futebol se joga na alma.


    (Futebol, Drummond)

    - Tenho um remorso antigo - confidenciou-me à mesa do bar. - Quando eu era garoto, adorava futebol de botão. Um dia, acabei com os botões do quarto de costura de mamãe, e não havia outros em casa. Fui ao guarda-roupa de vovô e saqueei-o. Coitado, o velhinho vivia na cadeira de rodas, e praticamente só usava pijama. No dia em que ele morreu, a família ficou atrapalhada para vestir-lhe um terno escuro: estava tudo sem botão.

    (Saque, Drummond)

    de Quando é dia de futebol, Drummond
     
  11. raqtoledo

    raqtoledo Usuário

    Poesia

    Gastei uma hora pensando em um verso
    que a pena não quer escrever.
    No entanto ele está cá dentro
    inquieto, vivo.
    Ele está cá dentro
    e não quer sair.
    Mas a poesia deste momento
    inunda minha vida inteira.

    Drummond, genial. Como pouquíssimos.
     
  12. Haleth

    Haleth Call me Bolga #CdLXI

    Haha, encontrei esse livro perdido ente os arquivos do meu computador. É esquisito mesmo. Até pensei que era desses livros à la Jabor, Millor e Lispector, que escrevem primeiro e põem o nomes dos pobres autores depois. Mas, pelo visto é de verdade, hahaha.
     

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