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Capitu traiu ou não traiu?

Tópico em 'Literatura Brasileira' iniciado por Jorge Leberg, 7 Mai 2008.

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  1. Jorge Leberg

    Jorge Leberg Palavras valem por mil imagens

    Já postei esse tópico em outro fórum.

    Valendo-me do Centenário de Morte de Machado de Assis que ocorre este ano, que tal voltarmos a uma discussão literária aparentemente “batida”: Capitu traiu ou não traiu?

    Pode parecer que não há mais o que debater sobre esse tema, mas a verdade é que há. Quase sempre que relemos um livro ou reavivamos uma discussão acerca de alguma obra, nos apercebemos de itens e detalhes antes desconhecidos, adquirimos novas ou outras impressões, notamos coisas sob um olhar mais maduro, surgem cogitações inéditas, etc. Sob esse ângulo, é óbvio que ainda persiste o dilema da traição de Capitu, assim como persiste a dúvida sobre a loucura de Hamlet – realmente simulada ou real? – dentre outras do universo artístico-literário. São dilemas praticamente eternos.

    Confesso que li Dom Casmurro uma única vez – mesmo o Machadinho sendo um de meus escritores diletos –, como é de praxe em relação às minhas “atividades” literárias. Não costumo reler livros pela imensidão do universo literário. O tempo que eu gastarei relendo um livro é o tempo que eu gastarei lendo outro. Portanto, raramente fiz releituras no meu itinerário livresco.

    A impressão que tive foi a de que Bentinho transmutou-se gradativamente em um ciumento paranóico. Qualquer olhar ou ação mínima era ensejo para suspeitas, desconfianças da parte dele. É mais provável que Capitu fosse uma injustiçada, vítima de um ciúme doentio, que uma traidora. Mas também não podemos negar a personalidade enigmática e sinuosa de Capitu, o que a tornava não tão digna de confiança. Bentinho a retratava como uma “cigana de olhos oblíquos e dissimulados”, além de também descrever seus olhos como “de ressaca”, uma metáfora a seu olhar duvidoso, incerto quanto aos sentimentos demonstrados – já repararam no quanto é inescrutável o olhar de um indivíduo em estado de ressaca, após uma bebedeira daquelas? Entretanto, é bom frisar que o narrador da trama é Bentinho e, pois, a história ocorre sob a sua ótica.

    Há uma tese intrigante acerca de Dom Casmurro, formulada pela estudiosa machadiana Helen Caldwell, a respeito do nome de Bento Santiago, o protagonista-narrador do romance. Bento, claro, significa “batizado” e deve-se a uma promessa da mãe do personagem. Santiago é uma combinação dos nomes “Santo” + “Iago”. Lembremos que Iago era o antagonista de Otelo, que imputava-lhe ciúmes através da força de coincidências e elucubrações sugestivas, a fim de destruir o amor de Otelo por Desdêmona, incitando-o a cometer um ato insano. Então, Bentinho seria o Iago de si mesmo, que à custa de coincidências impingia à sua própria consciência suspeitas de traição. Essa teoria explanatória faz muito sentido, se não olvidarmos o fato de que Machado de Assis era vidrado em Shakespeare. Todavia, essa combinação nominal, que muito provavelmente confirmaria a certeza da ciumeira obsessiva e imaginária de Bentinho, cai por terra se levarmos em consideração o fato de que pode ser uma pista falsa do próprio Machadinho. Ele não era bobo, e gostava de instigar e desnortear os leitores – principalmente através das digressões. E voltamos à estaca zero!

    Agora, aos comentários!
     
  2. Fringway

    Fringway Andarilho do Norte (187)

    Eu li esse livro há uns... bom... vamos ver... 4 ou 5 anos atrás. Eu era bastante novo. Então minha visão já deve ter mudado, além do que eu não me lembro muito bem de tudo da história.
    Vou falar por minha experiência (minha experiência é de dois amigos que a) MUITO provavelmente tomou um chifre b) tomou um chifre com certeza. Os dois acreditam no "não-chifre", embora tenham suas desconfianças, seus ciúmes, etc.
    Então, por influência de experiência, infelizmente, tendo a crer que ele foi sim traído:(
     
  3. Ana Lovejoy

    Ana Lovejoy Administrador

    Jorge, o fórum já tem mais de seis anos, é natural que certos assuntos já tenham sido debatidos. Por isso, quando for criar um tópico não deixa de usar o "Procurar", para ver se não tem algo já criado. No caso específico desse assunto levantado por você, já tem ó ->
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  4. São Rasputin

    São Rasputin Existo. Logo, penso!!!

    Já li e, também tinha um resumo dramatizado do título.
    Acho fascinante a forma de Machado de Assis escrever, a forma dele segurar a atenção do leitor, a maneira de dialogar com os temas.
    Na minha opinião o importante da trama não é a certeza, mas sim a fantástica e eterna dúvida.
     
  5. Gabriel Souza

    Gabriel Souza Usuário

    Bom, apesar do post interessantíssimo do Jorge, achei melhor postar no tópico mais antigo, já que há mais opinões lá.
     
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