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Café da Manhã dos Campeões - Kurt Vonnegut

Tópico em 'Literatura Estrangeira' iniciado por Rodovalho, 24 Set 2012.

  1. Rodovalho

    Rodovalho Usuário

    Histórias dentro de histórias. O próprio autor dentro de um livro de ficção. Vonnegut achava que sofria esquizofrenia. É estranho pensar num louco consciente de sua própria condição, mais estranho (ou não) ainda é um louco que discute a própria loucura no livro que escreve. Ok, é bem normal autores usarem alter egos em suas obras, mas autor e alter ego baterem um papo entre si? Os livros e todas suas personagens são baseadas na experiência pessoal do autor, sendo apenas o autor livre pra criar.

    Café da Manhã dos Campeões conta a história de Kilgore Trout, o alter ego de Vonnegut, e de Dwayne Hoover. Kilgore Trout é um escritor fracassado de ficção científica e Dwayne Hoover é um vendedor de carros bem sucedido, que enlouquece de vez depois de ler ficção científica. A imaginação de Kilgore Trout rende vários sinopses de histórias dentro do próprio livro, cada história mais bizarra que a outra tentando explicar os absurdos que vivemos no nosso dia a dia a partir de um ponto de vista mais absurdo ainda. Rir pra não chorar. Dwayne passava por uma crise de meia idade e estava suscetível à loucura. A gota d'água foi um romance de Trout sobre o único ser com livre arbítrio no mundo inteiro, rodeado por máquinas que só foram construídas pelo Criador para estimular esse ser livre a dar respostas imprevisíveis para entreter esse Criador. Cúmulo do egocentrismo.

    No final das contas, Dwayne é mesmo uma criatura feita para entreter o autor e o leitor. Uma criatura sem livre arbítrio, como nós do lado de cá das páginas sabemos e muitas vezes tentamos esquecer quando lemos qualquer ficção.

    Vonnegut usou de uma crítica ácida para descrever o país onde vivia e seus costumes. Já estamos cansados de saber dessas coisas óbvias. Uma dos trechos que mais me chamaram a atenção foi uma crítica à própria literatura, dizendo que somos condicionados pela ficção a acreditar que existem personagens secundários, que o leitor é levado a pensar que ele mesmo é um protagonista. E o que os autores fazem com personagens secundários? Se livram deles pra desenrolar a trama, muitas vezes os sacrificando. Nada mais que normal. Um avião cai e aparece um número insensível contando os mortos. Até que ponto somos antipáticos aos outros? Por outro lado, até que ponto a empatia é saudável?

    Bom, essa é a história de um homem que enlouquece por levar a sério a ficção. Não seria sensato levar a sério um livro como esse.
     
  2. Rodovalho

    Rodovalho Usuário

    Um pequeno trecho do livro que eu tive preguiça de traduzir:

     
  3. Pips

    Pips Old School.

    Está na minha lista de próximas leituras, depois de Matadouro 5 fiquei bem, bem (BEM), interessado na obra do Vonnegut.
     
  4. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    Já leu "Mother Night"? Muito bom, também.
     
  5. Pips

    Pips Old School.

    Só conheço o Matadouro 5 mesmo, Bruce. Mas valeu pela dica! Vou atrás!
     

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