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Cadê a literatura policial brasileira?

Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por Bruce Torres, 10 Fev 2014.

  1. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    Cadê a literatura policial brasileira?
    Raphael Montes

    Semana passada, numa conversa, um amigo me veio com a pergunta: cadê a literatura policial brasileira? Ainda que eu já tivesse bebido alguns chopes, entendi o que ele quis dizer: cadê a tradição de romances policiais no Brasil? Cadê os escritores policiais? Cadê os prêmios, os eventos, os workshops, as palestras? Cadê os leitores? Cadê?

    O gênero policial é um dos mais populares no mundo. Com frequência, obras de mistério estão na lista de mais vendidos. Nos Estados Unidos e na Europa, há centenas de feiras voltadas para o gênero, há prêmios para romances publicados e para inéditos, além de associações de autores, clubes de leitura, revistas especializadas e grandes seções exclusivamente dedicadas a policiais. Por consequência, há escritores. O que acontece nas bandas de cá?

    A primeira narrativa policial brasileira foi publicada em capítulos pelo jornal A Folha em 1920. Chamava-se O mistério e foi escrita a oito mãos por Coelho Neto, Afrânio Peixoto, Medeiros e Albuquerque e Viriato Corrêa. A partir daí, vários autores se aventuraram no gênero; alguns com afinco, outros com certa vergonha. Lamentavelmente, ainda impera por aqui certa noção de que literatura policial é subliteratura, algo menor. Trata-se de um engano.

    Em países periféricos, é comum que o enredo das narrativas policiais seja pretexto para uma análise da sociedade, um instrumento de reflexão das relações de poder. Ao mesmo tempo, há autores que buscam tramas mais universais, com foco na arquitetura da trama, ainda sem perder de vista a identidade local. De um modo ou de outro, os prêmios e a crítica têm reconhecido a qualidade dessas histórias: é possível, sim, escrever uma narrativa de suspense, sem prejuízo da linguagem ou da densidade do texto e das personagens. Apesar disso, por muito tempo, a força das investidas não foi suficiente para emplacar uma “escola brasileira de policial”.

    Estudiosos defendem que a literatura de mistério dialoga diretamente com o romance urbano e, por isso, a frágil presença do gênero em nossa tradição literária se deve à tardia formação das grandes cidades. Há certa pertinência no argumento. Num país de dimensões continentais como o nosso, é uma pena que seja tão difícil encontrar uma narrativa detetivesca que não se situe no Rio ou em São Paulo.

    Ao mesmo tempo, a imagem desgastada da polícia brasileira e a descrença na eficiência de nossos sistemas penal e judiciário dificultam a criação de heróis tradicionais, com valores firmes de justiça e ordem social. Por isso, muitos autores optam por romances protagonizados por detetives particulares ou escrevem uma espécie de romance policial “sem polícia”. São raros os exemplos de romances policiais protagonizados por um oficial da lei (hoje, temos principalmente
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    , com seu delegado Espinosa, e
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    , com o investigador Venício).

    Apesar dos percalços, a situação está mudando. Além de Rubem Fonseca, um mestre do gênero desde os anos 70, diversos autores passaram a escrever literatura policial, como
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    Patrícia Melo, Flávio Carneiro, Alberto Mussa e Felipe Pena, entre outros. Nomes fortes como
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    ,
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    ,
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    , Mário Prata e Nelson Motta também investiram na criação de tramas policialescas. Nos anos 90, Luiz Afredo Garcia-Roza venceu os prêmios Nestlé e Jabuti com seu romance de estreia,
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    . E mais importante: manteve uma produção periódica com aventuras do delegado Espinosa. Nesse cenário, uma literatura policial brasileira começou efetivamente a se definir. E, como num ciclo natural, o maior número de autores deu repercussão ao gênero e fez crescer o interesse da imprensa, das feiras literárias e, mais importante, dos leitores.

    Ano passado, por exemplo, aconteceu o Pauliceia Literária, um evento literário paulistano em que um dos temas discutidos foi literatura policial, com autores como Patrícia Melo e Scott Turow. O gênero também foi capa do Caderno 2 do Estadão. Pessoalmente, tive a felicidade de ter Suicidas, meu romance policial de estreia, finalista de dois prêmios importantes ― o São Paulo de Literatura e o Machado de Assis da Biblioteca Nacional.

    De todo modo, ainda é pouco. Existe um ambiente propício para a consolidação de uma literatura policial brasileira, mas tudo é muito disperso e frágil. É preciso haver mais eventos, mais prêmios, mais palestras, mais intercâmbio e mais autores dedicados ao gênero. Minha primeira participação neste blog é um convite a todos para tomarem parte neste ótimo momento da literatura policial. E é também um apelo. Escritores policiais, cadê vocês?

    * * * * *
    Raphael Montes nasceu em 1990, no Rio de Janeiro. Advogado e escritor, publicou contos em diversas antologias de mistério, inclusive na revista americana Ellery Queen Mystery Magazine. Suicidas (ed. Saraiva), romance de estreia do autor, foi finalista do Prêmio Benvirá de Literatura 2010, do Prêmio Machado de Assis 2012 da Biblioteca Nacional e do Prêmio São Paulo de Literatura 2013. Dias perfeitos, seu próximo suspense, será publicado em março de 2014 pela Companhia das Letras. Atualmente, o autor realiza trabalhos editoriais, ministra palestras sobre processo criativo e escreve o projeto de uma série policial para TV.

    Fonte:
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    Obs.: Lembro que em um tópico aqui mesmo teve uma discussão sobre o apelo regionalista brasileiro e aí criticaram a falta de personagens à la James Bond, Hercule Poirot, Miss Marple, etc. em nosso país. Pessoalmente falando, não vejo sentido nessa crítica quando leio alguns autores policiais brasileiros - Garcia-Roza (apesar de não gostar muito dele) ou Rubem Fonseca. Mas confesso que ando desatualizado sobre o tema, a quantas anda o romance policial brasileiro. Alguém anda acompanhando o gênero? Tem indicações ou recomendações, sejam elas contemporâneas ou passadas? Acha que a crítica tem sentido?
     
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  2. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    ué, comassim? mandrake (fonseca) e bellini (belloto) n contam?

    em policial eu sempre sempre recomendo os 2 acima como atuais. também a não editora lançou alguns ficção d polpa na área, especialmente a edição crime.

    estou com o livro do montes aqui p ler, mas como é um tto robusto ainda estou procrastinando, mas acho q esse ano sai.
     
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  3. Calib

    Calib Visitante

    Bah sei lá. Depois dum Rubem Fonseca o cara tem que se puxar muito pra fazer literatura policial decente no Brasil. A menos que a gente se satisfaça com enlatados à la Hollywood altamente inverossímeis.
     
  4. Jacques Austerlitz

    Jacques Austerlitz (Rodrigo)

    Tinha lido essa coluna também e pesquisei sobre o livro do Raphael Montes. Quase comprei, mas uma descrição dele como um "Manoel Carlos com sangue" me fez deixar pra depois.

    Ainda não li o Fonseca e, pra falar a verdade, dos poucos livros brasileiros que li, acho que nenhum era romance policial, então não sei bem se o que se tem por aqui vale a pena. Tenho O seminarista em casa, talvez dê uma lida em breve.

    Alguém conhece algum bom romance policial que se passe no RS?
     
  5. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

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    Se bem que é Sejong, o Buckaroo Banzai, né? :lol:

    Contudo, já ouvi outras pessoas reclamando sobre esse mesmo ponto.

    Se bem que diziam o mesmo de romances históricos, mas vide Tabajara Ruas, Letícia Aquele-Nome-Esquisito, e o Samir Machado de Machado.
     
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  6. Calib

    Calib Visitante

    É diferente. Me refiro principalmente à falta de know-how do procedimento policial. Eu, por exemplo, se eu que sou um zé-ninguém quisesse escrever um romance policial, eu acabaria copiando o modelo do cinema americano ou de outros romances. Ia ficar uma bosta, com certeza. Hehe.

    O mesmo já não digo de romances históricos.
     
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  7. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

    Existe uma certa escassez de bons romances policiais no Brasil sim e logicamente é algo que nem deveria já que nosso país na teoria tá longe de ser um lugar monótono pra inspirar uma boa estória ou a ponto de precisar se inspirar num modelo de sucesso como Agatha Christie.

    mas eu achei interessante esse trecho abaixo desse texto que o Bruce Torres postou, talvez esse seja um dos motivos...

     
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  8. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    Será o mesmo motivo pra seriados policiais brasileiros não fazerem sucesso aqui?
     
  9. Jacques Austerlitz

    Jacques Austerlitz (Rodrigo)

    Mas aí entra uma questão ignorada por boa parte dos nossos escritores: pesquisa de campo e imersão. Se alguém quer escrever sobre procedimentos policiais, precisa conseguir no mínimo uma boa fonte de informações na polícia, além de visitar delegacias, conversar com policiais, ler os relatórios policiais divulgados, assistir a julgamentos, participar de júris e ler muitas colunas policiais. Na Parte dos crimes do 2666, o Bolaño apresenta os procedimentos policiais no México de forma totalmente crível, por exemplo, sem hollywoodismos e cheios de problemas e contradições, e duvido que a situação do acesso a esse tipo de informações seja muito mais fácil no México do que é aqui. Por exemplo, se alguém quisesse escrever um romance baseado no caso Eliza Samudio, podia começar lendo o
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    , e lendo as centenas de matérias que saíram a respeito. Dá uma boa ideia, sim, de como as coisas funcionam. Mas, assim como fazia o Bolaño, talvez as nossas histórias policiais fossem histórias de fracassos, e não aquele padrão de resolução de mistério.
     
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  10. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    Tipo alguns contos e romances do Rubem Fonseca, né? :lol:
     
  11. Calib

    Calib Visitante

    Sei que é possível, Jacques. Por isso mesmo eu disse que o sujeito teria que se puxar muito.
    É algo que eu não teria saco de fazer porque o gênero não me empolga muito, não. :no:
     
  12. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

    Pode até ser..

    Sei lá acho que os candidatos a novos escritores desse gênero deviam fazer pelo menos um "estágio" com o mestre do jornalismo policial Gil Gomes.

    E sério e sem nenhuma brincadeira.,, esse cara não sendo escritor foi o que mais narrou histórias policiais no rádio brasileiro, além de ter participado e acompanhado de perto várias investigações, diligências policiais tem conhecimento e experiência de sobra pra passar material farto pra muita gente e que inclusive até hoje ele ainda está na ativa e eu ouço no rádio todo dia.
     
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  13. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    só pra quem n conhece a bio do rubem fonseca:
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  14. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    Vai ver que é mais fácil fazer autoficção - Daniel Galera e Ricardo Lísias que o digam. :lol:

    Agora falando sério, foi uma coisa que eu vi o José Louzeiro - outro que escreveu crônicas policiais - dizer: a literatura contemporânea brasileira perdeu o interesse pela vida alheia, não quer ir atrás da história do Outro. E eu concordo, penso que nos tornamos "coxinhas" com isso.
     
  15. Clara

    Clara O^O Usuário Premium

    Não conheço nada de literatura policial brasileira mas me lembrei de
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    .
    Ele tem vários romances (com o detetive Espinosa) publicados pela Companhia das Letras, naquela série de romances policiais que publica vários títulos da P.D.James e do Dennis Lehane.

    Booktrailer de "Fantasma":

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    Entrevista com o autor falando, entre outras coisas, da influência de Edgar Alan Poe (O Homem da Multidão) no livro que escreveu:

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    E um programa do Itaú Cultural, que achei por acaso, justamente sobre Literatura Policial brasileira (o link da continuação do debate aparece no final do vídeo), é com o Luiz Alfredo Garcia Roza e outro escritor, Joaquim Nogueira, alguém já ouviu falar dele? =/

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    Última edição: 15 Fev 2014
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  16. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    Pois é, Clara, o Garcia-Roza é um dos exemplos citados pelo Montes no texto. Já li dois dele e, no meu caso, não desceu, mas mais porque o apelo do autor é psicológico, não necessariamente o procedimento policial em si - nada contra, mas é que quando li eu me senti enganado, rs.
     
  17. Clara

    Clara O^O Usuário Premium

    É verdade, fala do Garcia Roza e do Joaquim Nogueira também..
    E eu entendi quando diz que se sentiu "enganado", já que procura mais do procedimento policial, nas histórias desse Joaquim Nogueira talvez tenha mais disso, já que ele (o autor) foi delegado.
    Será que as histórias dele são bacanas? Não pareceu, pelo trecho que ele leu no debate.
    Mas é claro que posso estar enganada, um trecho só não diz muita coisa sobre um livro. :think:.
     
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  18. Ana Lovejoy

    Ana Lovejoy Administrador

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  19. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    Achei interessante esse trecho:

    Penso que isso ocorre mais no Brasil que em qualquer outro lugar - acho que tirando o Harlan Coben com "Não Conte a Ninguém", Jean-Christophe Grangé com "Rios Vermelhos" e os romances noir de James Elroy, da safra contemporânea mundial eu não vejo muito essa mescla.
     

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