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Buda e o ladrão

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por JLM, 9 Jan 2009.

  1. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    [size=x-large]BUDA E O LADRÃO[/size]
    de Jefferson Luiz Maleski


    Buda e alguns discípulos descansavam sob a sombra de uma figueira a beira de uma estrada, quando alguns moradores de uma vila próxima se aproximaram em alvoroço. O grupo seguia aos brados dois homens com vestes oficiais, que traziam um terceiro entre eles. Ao se aproximarem do mestre, jogaram o homem aos seus pés. Um dos oficiais, talvez o de hierarquia maior, falou:

    - Ó Sâmana, este homem é um ladrão e estas são as suas vítimas. Eu, como soldado, tenho a obrigação de puni-lo conforme as leis do país. Mas o ladrão insiste em declarar que é pobre e rouba para alimentar a sua família. Estando tu, grande mestre, em nossa região e sendo o sábio dos sábios, gostaria de ouvir que sentença daria a tal homem. Eu pretendo fazer conforme o que tu disseres.

    Buda levantou calmamente os olhos para o ladrão, depois para os oficiais e por fim mirou a multidão. O seu semblante era tão sereno que seria impossível saber se ele se incomodava ou apreciava aquela situação. Com uma voz educada mas firme, respondeu:

    - Eu lhe darei o julgamento se tu responderes a duas perguntas: a primeira, o que deves ser considerado superior, o homem ou a lei? Se disseres o homem, então porque ele deve se curvar e obedecer à lei? Mas se disseres a lei, então porque ela não existiria sem o homem?

    O oficial ficou calado. O ladrão permanecia encolhido. A multidão nada disse, nem um simples cochicho. Até os pássaros pararam de cantar para aprenderem um pouco daquele momento. Cada um, além da respiração e das batidas de seu próprio coração, ouvia apenas o roçar suave do vento nas folhas das árvores. Depois de certo tempo, Buda, como que falando diretamente para toda a natureza, concluiu:

    - No silêncio da tua resposta resides a minha sentença. Aprenda a escutá-la e saberás o que deves fazer.
     
  2. Sorel

    Sorel Usuário

    Gostei bastante do texto. Principalmente por causa do caráter "canônico" que você conseguiu atribuir a ele. O vocabulário foi muito bem escolhido, a forma de tratamento pessoal, o narrador em terceira pessoa completamente impessoal. Além da adequação do tema e da coerência. Passaria facilmente por uma parábola budista legítima.

    Esse parágrafo, em especial, me agradou muito
    O jeito como você passa para o leitor, através da reação das personagens, o impacto causado pela fala do Buda, ajudou demais a caracterizar o próprio Buda.

    Fiquei em dúvida somente quanto a algumas palavras. Acredito que são meros erros de digitação.
    Aí não tem crase?
    Não seria: o que deve ser considerado superior?
    Pela regência verbal (de aquele...), acredito que o verbo é apreender, certo?

    E quanto ao estilo, nada a declarar. Muito bom mesmo. O tom do texto é completamente condizente com a história contada. A escolha do vocabulário, do tempo verbal, do tipo da narração, do tratamento pessoal, tudo influi para deixar o texto muito bom.

    Parabéns =) Fiquei com vontade de ler mais coisas suas!

    p.s.: aprendi uma coisa: nunca tinha ouvido "sâmane" como tratamento para o buda!
     
  3. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    obrigado, Sorel.

    escrevi este conto ano passado depois de ler o Dhammaphada e o Atthaka, altamente estimulantes. a intenção era q parecesse uma parábola budisma mesmo, só como exercício de escrita. sâmana foi retirado dos livros e é definido melhor
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    qto aos apontamentos gramaticais, vou analisar um por um com carinho para ver se vc tem razão. se tiver, com certeza vou acatar as suas sugestões.
     
  4. Sorel

    Sorel Usuário

    legal! vc eh budista, por acaso?
    ou leu por curiosidade, somente?
    de todo modo, vc eh corajoso em ler o cânon páli =PP
     
  5. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    não sou budista, mas me identifico mto com os ensinamentos de Buda, assim como os védicos.

    estudo filosofia profundamente faz 4 anos, e isso me leva por caminhos não convencionais. um deles é Buda. tb já me arrisquei no Baghavad Gita, e tb escrevi
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    inspirado na leitura dele.
     

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