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Bonifácio

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Fernando Giacon, 11 Jul 2008.

  1. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    [size=xx-large]Bonifácio[/size]
    Aviso importante: Não postar nesse tópico.
    [size=medium]Abertura da novela. [/size]
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    Capítulos já postados:
    1ºFase
    [x-1º]-A volta de Bonifácio.
    [x-2º]-A proposta de Sandoval.
    [x-3º]-Bonifácio dá um tapa em Selena.
    [x-4º]-Uma antiga amiga chamada Berenice.
    [x-5º]-O novo emprego de Maria Neusa.
    [x-6º]-Neusa passa a desconfiar de Selena.
    [x-7º]-A festinha das revelações.
    [x-8º]-Selena vai embora do rancho.
    [x-9º]-Uma recompensa para Conde Bertola.
    [x-10º]-Uma manhã de preocupações.
    [x-11º]-Sandoval expulsa os Madureira e humilha Neusa.
    [x-12º]-Uma nova moradia.
    [x-13º]-Bonifácio ameaça Sandoval com um revólver.
    2ºFase
    [x-14º]-A nova moradora.
    [x-15º]-Neusa arma um escândalo na rua.
    [x-16º]-Bonifácio vai parar no hospital.
    [x-17º]-Sandoval dá sinais de insanidade.
    [x-18º]-Bonifácio enfrenta Sandoval.
    [x-19º]-Selena pede perdão ao pai.
    [x-20º]-Bonifácio é sequestrado.
    [21º]-
    [22º]-
    [23º]-
    [24º]-


    [size=medium][1º] - Capítulo: A volta de Bonifácio.[/size]
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    [size=xx-large]E[/size]ra de manhã quando a primeira gota de chuva tocou o solo do Sítio Madureira, e os lábios da terra agradeciam aos céus por tal graças, que castigavam as orquídeas de Bonifácio há quase um mês. As orquídeas por sua vez, agradeciam pela volta de Bonifácio, que estava fora do rancho há muito tempo; estava no Nordeste visitando seus parentes e tempo é esse que Maria Neusa não soube muito bem cuidar, afinal, a doce e atrapalhada matriarca da família Madureira passava-o procurando emprego em Guararema como empregada, mas nesse tempo todo não achou nada, aliás ela achou sim, as portas fechadas. Sozinha em seu quarto, vestia sua melhor roupa para ir até a estação da cidade, onde já estava atrasada para encontrar Bonifácio; amarrou os cabelos, colocou seu velho óculos e se dirigiu a cozinha para fazer um café amargo do jeitinho que gostava, quando na sala encontra Selena praticamente jogada no sofá, foi quando Neusa disse preocupada:
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    -Filha? Você está bem? Tá precisando de alguma coisa?
    -Mas é claro que eu estou precisando! Não vê só a minha situação mãe?! Diz a filha resmungando e reclamando como sempre.
    -Situação? Mas qual situação? Eu não vejo nada de errado!
    -Você nunca vê nada, aliás, vê se me esquece tá legal?
    -Deus do céu Selena! Mas não consegue levantar um dia se quer sem essa cara amarrada, coloque um sorriso nesse rosto minha filha! O seu pai não vai gostar nem um pouco de te ver aqui largada dentro de casa e sem emprego ainda, o que é pior! Fala Maria severamente com ela.
    -Ele volta hoje?! Fala assustada.
    -É claro que volta! É hoje que vamos fazer aquele almoço de...mas o que houve? Porque essa cara?!
    -O que houve é que ele me ameaçou da outra vez, dizendo que ia me colocar pra fora de casa, se eu não arranjasse um emprego! Mas que inferno! O que eu vou fazer agora?! Diz Selena preocupada e nervosa.
    -Não! O seu pai nunca disse uma coisa dessa, imagine! Desconversando.
    Maria na verdade sabia muito bem do que sua filha estava falando, e não quis remexer ainda mais nessa história tensa, afinal a relação entre ela e seu pai nunca fora boa, pois sempre houveram desafios maior do que a pobre Neusa pudera compreender. Enquanto na casa dos Madureira a ansiedade e a felicidade por parte de Maria, tomavam conta do ar, na residência de Sandoval Matos não se cultivava felicidades, muito menos alegrias, ali se cultivava ódio e raiva, afinal a notícia de que o vizinho estava de volta, havia que caído como uma pedra para o barão, que nunca teve uma boa relação com ele, isso pelo fato de que sente uma intensa inveja pelo sítio Madureira e de sua fertilidade incomparável, enquanto que em suas terras, as coisas não iam nada bem.
    Não contente com a notícia, e desconfiado, Sandoval se dirige ao sítio para averiguar se aquilo era realmente verdade, ou se era mais uma armação de seu vizinho, pois para ele Bonifácio não passava se um sem vergonha oportunista.
    Caminhando em passos firmes em direção a porta da casa de seu rival, o barão arquitetava um modo fazer aquela pergunta, sem deixar vestígios de seu súbito interesse, por isso vagarou nos passos para pensar e calcular tudo muito bem. Ao colocar os pés nas terras de Bonifácio se dirigiu a porta e bateu.
    Na sala, Selena ouvi as batidas, porém não se move...ela apenas grita do sofá:
    -Mãe!!! Tem alguém na porta.
    -Ai! Meu Deus! Será que é o Boni?!
    Ao destrancar a porta e abri-lá, Neusa fica desconcertada com a presença do Barão, que imediatamente disse:
    -Maria Neusa Madureira, nossa! A quanto tempo minha vizinha de ouro! Diz ele jogando um olhar sinico há ela.
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    A pobre senhora não conseguia dizer se quer uma palavra, estava espantada, perplexa com o que estava ali, diante da lente suja de seus óculos.
    -Você vai ficar me olhando, ou vai me convidar pra entrar?!
    -Olha...Sandoval...Sr. Sandoval, eu não entendo o que o senhor está fazendo aqui...o...Bonifácio não está! Diz ela desconcertada.
    -Era dele mesmo que eu queria falar, eu soube que ele está doente, que está internado e eu vim ver se eu não posso, digamos oferecer uma ajuda não é?
    -Internado?! Doente?! Ha! ah!ah mais quem te disse esse absurdo? Ri Maria Neusa.
    -Não...ninguém, são essas pessoas fofoqueiras que moram nessa cidade, você sabe né...
    -Pois devem estar loucos! O meu velho está viajando, e chega hoje na estação.
    Ao ouvir dos lábios daquela mulher, e sem pensar duas vezes, Sandoval da meia volta e diz um tchau de longe à ela, pois agora ele sabia da verdade, e era tudo o que ele precisa saber naquela hora.
    -Esquisito! Diz Maria a sua filha na sala.
    -O que é esquisito?
    -O Sr. Sandoval vir até aqui saber do Bonifácio, saber como ele estava...não é estranho filha?
    -Ai mãe! Você não percebe mesmo não é? Esse aí vive querendo acabar com a nossa vida, concerteza deve estar tramando alguma coisa.
    -Não...eu não acho isso! Ele deve estar mesmo preocupado com o meu velho, as pessoas mudam filha. Diz Neusa em tom de inocência e pensando...
    -Preocupado ele? Mãe você toma purgante?! Ás vezes que acho que a senhora não pensa nas coisas que fala.
    -Selena, por favor! Olha, é melhor...
    -É melhor pararmos com essa conversa!!! É demais pra minha cabeça! Eu vou sair e ver se eu acho alguma coisa pra fazer, antes que o meu pai me jogue pra fora de casa.
    -Porque você não vai até o sítio do Afonso filha? Ele me disse esses dias que estava precisando de uma pessoa pra cuidar da horta dele e como você...
    Maria mal termina a frase e Selena vêm com seu famoso discurso:
    -Cuidar de horta? É esse o sonho que você vê pra mim? Uma menina que trabalha debaixo de um sol quente, pra ganhar moedinhas sujas de terra no final do dia, de um velho ridículo que nem aquele, mas então é isso dona Neusa? Grita a filha.
    -Mas...Selena, o que tem de errado em trabalhar lá, é um trabalho digno, de gente honesta, e eu tenho certeza que seu pai iria ficar muito satisfei...
    -Alguém aqui tá passando fome mãe??? Precisando de esmola dos outros? Hein? Responde pra mim!!!
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    -Não estamos passando fome não!!! E nem precisando de esmolas, graças a seu pai! Pois se dependêssemos de você estaríamos passando muito mais do que fome, essa foi a forma dele de nos servir de amor, se não pelo menos um pouquinho de interesse. Esbraveja a mãe.
    Irritada com aquilo, a menina sai pisando duro e bate a porta da sala. Atrasada, Maria Neusa naquele instante corre pra cozinha e tenta colocar tudo no conformes usando suas melhores panelas de ferro, para servir um almoço especial à moda fazenda para Bonifácio, e alguns convidados que ela chamaria assim que fosse recebê-lo na estação de Guararema.
    Enquanto isso na fazenda de Sandoval, a única coisa que ele pensará era na frase que acabará de ouvir: “e chega hoje na estação”, onde ficava ecoando fundo em sua cabeça, foi quando ele virou os fundos de sua casa e pegou seu carro, estava possuído pelos seus próprios impulsos e desejos. Nisso tudo, o trem apitava e deixavam todos curiosos voltados para a estação ali no centro da cidade, era como se algo mágico tivesse chegado, e com ele pessoas que lotavam o local em busca de um parente, ou conhecido que tivesse abortado, eis que no meio da multidão surgi Bonifácio com seu semblante bondoso e prejudicado pelo tempo. Para ele, a volta pra casa era mais que um presente, era algo que jamais teria como pagar à vida, quando ele diz a si mesmo:
    -Finalmente! Que saudades da minha terra das orquídeas! Mas onde estará a velha?
    Procurando Maria Neusa naquela porção de gente, Bonifácio resolveu sair para o lado de fora da estação para ver se ela não estava na rua, de repente surgi Sandoval, que estava parado logo a frente, de braços cruzados como se estivesse caçando sua presa.
    Naquele momento ele ficou sem reação, e tentando desferir alguma palavra, foi quando o barão preencheu aquele vazio com palavras tranquilas e sérias:
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    -Nós precisamos ter uma conversa, Bonifácio...meu amigo!
     
    Última edição por um moderador: 6 Out 2013
  2. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    RE: [Novela] Bonifácio

    [size=medium][2º] - Capítulo: A proposta de Sandoval.[/size]
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    [size=xx-large]E[/size]le não estava acreditando naquilo, foi quando disse em voz baixa:
    -Sandoval? O que quê você está fazendo aqui?! Fala Bonifácio quase sussurrando.
    -Eu vim até aqui para termos uma conversa, uma conversa que irá mudar sua vida...sua e minha na verdade!
    -Eu não estou entendendo...sobre o que?
    -Você já vai saber...vamos até minha casa, assim poderemos conversar e fal...
    -Bonifácio!!! Grita Maria Neusa, que vinha correndo em direção à estação.
    -Minha velha! Responde ele.
    -Que saudades de ti meu ranzinza preferido Ah haha! Ri ela dando dando lhe um beijo carinhoso, bem ali na frente de todos.
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    Vendo aquela cena todo em sua frente, Sandoval não perde a oportunidade para falar do suposto e misterioso assunto:
    -Pois bem...vamos a minha casa e assim poderemos conversar à sós. Dispara um olhar tenso a Neusa.
    -Me desculpe sr. Barão, mas o que disser pra mim, tem que dizer pra minha mulher também!
    -Bom...eu estou fazendo um almoço...porque vocês não conversam lá em casa? Completa Maria
    -É uma boa idéia! Então vamos para lá.
    Entraram no carro de Sandoval e foram em direção à zona rural da cidade. No caminho Bonifácio e Maria tentavam pensar o que ele queria dessa vez, afinal, não era a primeira vez que ele tinha esse súbito interesse na família Madureira. O silêncio no carro era tão grande, que se escutam as pedras batendo na lataria do carro perfeitamente, até que:
    -E sua filha dona Neusa, como ela está? Diz o barão.
    -Ahh...a Selena? Está bem graças a Deus.
    -Não vejo a hora de vê –lá, depois de tanto tempo. Fala Bonifácio.
    Ao chegarem ao rancho, a primeira coisa que o velho fez, foi ir ver suas plantas, e seu jardim, para ele aquilo era como um segundo filho, um filho mimado que ele protegia a qualquer custo de qualquer pessoa.
    -Mas sente-se sr. Sandoval! A nossa casa é humilde, é simples, mas é de gente honesta e trabalhadora Há ha!
    -Obrigado, vou me sentar...mas quem é aquela lá na foto é a Selena? Pergunta ele.
    -Ahh é a...
    De repente entra a menina com a cara perturbada na sala e diz:
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    -Sou eu! Porque? Disparando um olhar há eles.
    -Porque é...é...
    O barão desceu o olhar nas pernas de Selena, e foi subindo... não acreditava que aquela garotinha havia se tornado e um mulherão daqueles.
    -Filha! Você já viu o seu pai...ele ta lá fora cuidando das orquídeas dele e...
    -O que esse homem está fazendo aqui na nossa casa mãe? Diz ela em tom firme e conciso.
    -Ele tem um assunto pra tratar com o seu pai, e vai almoçar aqui.
    -O que? Almoçar aqui? Você ficou louca mãe? Grita a filha.
    -Selena....por favor! O seu pai não vai...
    -Gostar? Já sei! Ele nunca gosta de nada mesmo!
    Eis que na sala entra Bonifácio e agarra a filha dando-lhe um abraço apertado, como de quem não via a filha a mais de anos. Embora a situação entre ela e seu pai fosse um pouco difícil, Selena ainda tinha um pouco de afeto para com ele, e não seria nessa hora que ela iria os abandonar.
    O almoço estava pronto! Pratos á mesa, sanduíches de carne prontos, que cheiravam como nenhum outro da região, essa era a maior habilidade de dona Neusa: a prática de cozinhar. Todos foram para a mesa se servir, e no meio daquelas abocanhadas surgi Bonifácio com uma pergunta ao Barão:
    -E seu filho Sandoval, ele está trabalhando?
    -Não...primeiro eu quero que ele se dedique aos estudos, depois ele vai arranjar um trabalho!
    -Ai! Mais o seu filho sempre foi assim né...esforçado, educado! Lança um olhar rude a Selena.
    Imediatamente Selena larga o lanche no prato e diz em um tom bem alto na mesa:
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    -Não precisa ser nenhum gênio pra saber...essa direta é pra mim claro! O que você acha que é falta de educação, é eu ter a minha opinião! E não me comportar como se eu estivesse em uma senzala!!!
    -Que isso filha...precisa levantar a voz? Diz Bonifácio.
    -Eu não levantei a minha voz, de maneira nenhuma, eu só disse o que eu penso, o que eu sinto! Só que me desculpem né... eu não posso fazer isso, sendo quem eu sou!
    -Eu só disse pra você ser educada, e agradecida com tudo o que seu pai faz pra você aqui dentro dessa casa! Comenta Neusa.
    -Mas meu Deus do céu! O que quê pra você é estar agradecida? Não...me diz...é andar de joelho? Rastejar? Lamber o chão? É isso? Grita e bate na mesa.
    O pai fica enfurecido com a cena e tenta se levantar da mesa, mas Neusa o acalma...Bonifácio não podia ficar nervoso, pois já havia sofrido um derrame, e qualquer cuidado era pouco naquela hora.
    -Mas que atrevimento Selena!!! Diz a mãe indignada com aquilo tudo.
    -Cansei de fingir! Cansei! Eu sou grata sim... por tudo o que vocês fizeram e fazem ainda hoje por mim, mas eu não posso deixar de dizer o que eu penso, isso de jeito nenhum! Mania que vocês tem de agradecer baixando a cabeça...escravos de senzala!
    -Eu...peço desculpas, Sandoval, pela...falta de educação da minha filha. Diz Maria Neusa envergonhada e de cabeça baixa.
    Ainda não satisfeita com as coisas que disse sobre si, Selena resolve provocar e atacar o Barão na mesa:
    -E você? Ficou amiguinho íntimo do meu pai agora? Almoçando na mesa, conversando aqui conosco, vendo o trabalho escravo de perto cora...
    -Cala essa sua boca Selena!!! Grita Bonifácio do outro lado da mesa.
    Calmamente a menina solta um suspiro, e diz bem lentamente:
    -Bom...vocês podem terminar... e esperar pela sobremesa, eu é que saiu!
    -Não...mas Selena, fiquei conosco menina! Pede Sandoval.
    -Eu não estou me sentindo muito bem, me desculpe.
    Nesse momento a cara dos Madureira estava de pura vergonha pela filha, porém ainda faltava alguém na mesa para colocar as idéias em jogo, e ele foi direto ao ponto:
    -Lamentável que a menina tenha saído da mesa, mas enfim...vamos ao assunto, Bonifácio eu a muito tempo quero ter em mãos um negócio, mas um negócio, que me faça olhar com orgulho mesmo, e ele está bem aqui!
    -Aqui? Aqui no meu sítio sr. Sandoval? Diz confuso Bonifácio.
    -Sim! Estou me referindo à ele, se eu pegar essas terras e ampliar as minhas, eu iria faturar mais, por isso... qual é a sua oferta?
    -Não...mas esse rancho não está à venda.
    -Cem mil lhe parece adequado? Abri sua bolsa no meio da mesa e mostra a dinheirama.
    -O sr. não entendeu, este local não está à venda, não tem dinheiro que pague isso aqui...
    -Vamos lá Bonifácio...deixe de conversa, quanto?
    Naquela cena todo surgi Selena e grita:
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    -Pegue esse dinheiro pai!
     
    Última edição por um moderador: 6 Out 2013
  3. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    RE: [Novela] Bonifácio

    [size=medium][3º] - Capítulo: Bonifácio dá um tapa em Selena.[/size]
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    [size=xx-large]T[/size]odos ficam sem reação na mesa e parados diante da menina que reaparecerá do nada, até que Bonifácio resolver calar o silêncio:
    - O que você disse Selena?
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    - É isso mesmo o que você ouviu pai, pegue esse dinheiro que vai mudar a nossa vida de uma vez por todas, e vamos embora desse lugar que eu não agüento mais!
    -Não agüenta mais?É isso o que você me diz, para eu ceder as minhas terras para ele, e abandonar de uma vez por todas o nosso maior tesouro, é isso o que você quer?! Esbraveja ele se levantando da cadeira.
    -Se você pergunta; é isso o que eu quero sim! Responde ela em tom sinico.
    -Eu não estou acreditando...mas o que foi...
    -Calma meu velho, a Selena ela...ela, não está bem da cabeça, deve ser os remédios que ela não anda tomando, é isso. Se atrapalha Neusa.
    -Mas que remédio Maria! Essa menina nunca foi certa das idéias, sempre foi atrapalhada, uma menina sem causa e rebelde por natureza.
    -A única coisa pai que eu quero, é viver a minha vida! Só isso...
    -Pois então vá viver a sua vida em outra casa, com o seu dinheiro! Entendeu? Seu dinheiro...era só o que me faltava mesmo a ingratidão sua pra acabar com o meu dia.
    No meio daquele bate boca, Sandoval percebe que a única ali do rancho Madureira com quem ele pode contar é Selena, que é seduzida muito facilmente pelo dinheiro, e pensando nisso ele não perde a oportunidade de se colocar no meio da discussão:
    -Ela está certa seu Bonifácio, com esse dinheiro a vida de vocês vai mudar, pra melhor! Diz calmamente.
    -Não quero vender nada pro sr. seu Sandoval, me desculpe mas eu recuso a sua oferta, porque pra nós não falta nada! Reafirma ele.
    Naquele instante Selena não se controla e fala bem alto:
    -Mas é pobre e orgulhoso mesmo!
    -Pobre e descente minha filha! Completa a mãe.
    -E cala a boca que a conversa não é com você!Aponta o dedo na cara de Maria Neusa.
    -Não fale assim com sua mãe! Grita Bonifácio.
    -Bom...é melhor eu ir embora então. Fala o barão.
    -Não!!! Por favor...o meu pai, ele tá de cabeça quente, ele vai pensar na sua proposta assim que ele que voltar ao normal, eu não sei porque...
    -Sou eu que tenho que voltar ao normal? Você precisa de um choque de realidade Selena, se acha que eu preciso voltar ao normal, e eu já disse que não aceito dinheiro e nem oferta nenhuma! Fala ele olhando diretamente para a menina.
    Ouvindo aquilo o barão resolve sair da mesa, para tomar rumo a sua casa, mas Selena o segura pelo braço e insiste:
    -Por favor eu lhe imploro, o meu pai ele...
    -Não menina! O seu pai não quer, me desculpe. E sai pelo corredor lateral da casa com sua bolsa de dinheiro. Naquele instante Selena olha para o pai com um olhar de raiva e dispara:
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    -Tá vendo o que o senhor fez?
    -O que foi que eu fiz? Fala desafiando.
    -Acabou com o futuro da sua família, da sua filha! Meu Deus viver a vida condenada a morar num sitio horroroso no meio dessa lama, só pode ser um pesadelo, isto não está acontecendo! Exclama a menina.
    -O sitio “horroroso” como você diz, coloca alimento nessa sua barriga sua infeliz! Uma menina que não trabalha, preguiçosa...que vive jogada no sofá da sala esperando que a oportunidade venha bater na porta...pobre de mim se eu ficasse a mercê que nem você minha filha!
    -Já vai começar o sermão, não é pai? Vai dizer também da sua família que passa fome no Nordeste? Ou vai me dar uma lição de moral de como ser um sertanejo burro e pobre, que mora no meio caatinga seca e podre! Grita a menina.
    Naquele segundo Bonifácio movido pelo desejo de calar a boca de sua filha, dá um tapa em sua cara, e deixa Maria Neusa assustada, pois o silêncio tomou conta do local, até que:
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    -Eu não admito que você fale assim da minha gente...não admito!
    Com o coração carregado de sentimento, e com lágrimas caindo de tanta raiva, Bonifácio entra pela porta da cozinha e vai em direção ao quarto, quando tranca a porta e se isola do local. A mãe chorava sentada na cadeira, e suas lágrimas rolavam e molhavam seu sanduíche, já não estava mais com fome, até que:
    -Agora...você vai me perguntar...o porque eu não fiquei feliz com a volta dele?Não precisa responder! Diz Selena amargurada e triste com o que acabará de acontecer.
    O episódio que acabará de acontecer, deixará Neusa profundamente triste, pois sabia que as coisas não iriam melhorar, pelo contrário, agora sim a posição de cada um naquela família estava firmada. Enquanto seus devaneios tomavam conta de sua mente, o telefone tocava na sala sem parar, até que por impulso se levantou e foi até lá ver que estava ligando:
    -Alô?
    Ninguém respondia.
    -Alô? Quem está falando?
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    Uma voz surgi no meio dos chiados, e deixa Maria Neusa abismada:
    -É você? É você mesmo? Eu não acredito nisso!
     
    Última edição por um moderador: 6 Out 2013
  4. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    RE: [Novela] Bonifácio

    [size=medium][4º] - Capítulo: Uma antiga amiga chamada Berenice.[/size]
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    [size=xx-large]A[/size]o telefone estava a mais antiga amiga de Neusa, a inseparável Berenice Aldo que ligará depois de meses sumida. Estava morando no bairro da Belavista em São Paulo, fato que deixou Maria intrigada, pois as duas passaram por dificuldades iguais, porém sua amiga casou-se com um homem que tinha melhores bens e assim herdando tudo com sua morte em 1964, num acidente de carro na qual ela faz questão de lembrar todas as noites antes de colocar a cabeça junto ao travesseiro.
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    Falaram-se por quase uma hora, até que Berenice convida ela e Bonifácio para irem passar uma agradável tarde em sua casa, e assim lembrarem dos velhos tempos, coisa que eles faziam como o de costume há tempos átras, antes mesmo do inoportuno desaparecimento da sra. Aldo da vista de todos.
    Aquela ligação despertou algo inovador dentro de Neusa, estava feliz e já havia até se esquecido do acontecido daquele almoço, por isso não tardou em se arrumar para ir até São Paulo, porém esquecerá que Bonifácio estava trancado no quarto, foi quando bateu na porta e disse:
    -Bonifácio? Você está bem?
    Ninguém responderá.
    -Bonifácio? Abre essa porta meu velho, eu preciso pegar a carteira! Batendo na porta.
    Depois de um tempo ele abre a porta e diz olhando fixamente em Maria:
    -Ela... ela está do lado de Sandoval!
    -Que isso meu velho, imagine a Selena, ela não faria uma coisas dessas porque...
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    -Você viu como ela agiu lá fora? Parecia que era tudo um plano daquele barão! Ele só pode ter comprado a nossa filha Neusa, só pode!Afirma ele.
    -Não...eu não posso acreditar, a Selena ela é meia desajuizada mas não chega a tanto, olha fique tranqüilo meu querido, eu acho melhor você descansar da viagem...e ah! Adivinha quem estava comigo no telefone?
    -Quem? Com cara de confuso.
    -A Berenice! Ela ligou aqui pra nos convidar pra ir na casa dela lá em São Paulo!
    -Nossa! Mas quem diria...mas eu estou cansado da viagem...melhor eu descansar mesmo...estou meio atordoado da minha cabeça.
    -É melhor mesmo Boni, tente descansar que você está precisando!
    A pobre senhora pegou então um calmante natural e colocou no copo com água que ele havia pedido, e assim foi mais tranqüila rumo ao ponto de ônibus que a levaria ao seu destino, destino esse que ela contava os minutos e segundos para chegar.
    No caminho ela remoia todos os acontecimentos que tinham ocorrido naquela manhã, e orava para que as coisas melhorassem, por isso pegou seu terço na bolsa e começou a rezar o rosário, e quando se deu conta já havia chegado no bairro de Berenice, a luxuosa Belavista! Desceu do ônibus e foi em direção do número da casa da amiga, até que soltou palavras de espanto:
    -Minha santíssima trindade de Nazaré!
    Ela não acreditava que Berenice estava tão bem de vida, tocou a campainha e conferiu mais uma vez o número da casa, pra ver se não estava enganada, quando na porta aparece ela:
    -Neusa!!! Dando lhe um abraço apertado repleto de carinho e demora.
    -Ai...mas Berenice, quanto tempo, o que é isso? Essa casa, esse bairro, isso deve ter custado um dinheirão! Ri ela.
    -Isso tudo é graças ao meu falecido marido...mas entre, vamos entrando!
    Assim que ela entrou ficou com uma pulga atrás da orelha, pois a casa estava fazia, quase sem nenhum móvel foi quando disse:
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    -Mas Berenice, onde é que estão os móveis dessa casa?
    -Ah...os móveis, hahah...que coisa não é mesmo? Eu os vendi! Eles estavam velhos e rasgados, ai eu comprei outros, só que o pessoal ainda não entregou!
    Enquanto as duas conversavam sobre a vida, e seus derradeiros destinos, eis que surgi o assunto emprego na conversa:
    -E você tá trabalhando Neusa?
    -Não...faz meses que eu estou tentando achar um emprego como empregada, mas parece que ninguém em Guararema tem condições de me dar serviço!
    -Ei...porque você não vai na casa do Conde Bertola?
    -Quem? Quem é esse? Não sabendo de quem se tratava.
    -Ai Maria! Você não lê o jornal não, é? É um conde que chegou do Vale do Paraíba faz pouco tempo, e ele me parece que esta a procura de empregados pra cuidar de sua casa!
    -Nossa! Mas eu não sirvo pra essa gente, porque...
    -Deixe disso mulher, vamos lá agora, é aqui no final da rua a mansão dele.
    -Você está brincando não é? Meu deus, seja louvado minha virgem santa! Mas a gente não pode ir lá!
    -E porque? Você vai prestar seus serviços à ele, ora essa!
    Enquanto Berenice ia até a casa do tal ricaço arrastando Neusa junto consigo, em Guararema a preocupação de Selena tomava conta de sua cabeça de tal forma que a menina estava perturbada, foi quando foi em direção ao sitio de Sandoval, para tratar de um assunto, e dizer algo que ele jamais esperava. Assim que ele destrancou e abriu a porta, ela foi imediatamente dizendo:
    -Eu quero conversar com você Sandoval, eu vim até aqui a mando do meu pai!
    Em São Paulo os nervos estavam a postos, pois as duas haviam tocado a campainha da mansão do Conde, até que ele abriu a porta e foi de cara dizendo:
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    -Pois não?
     
    Última edição por um moderador: 6 Out 2013
  5. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    RE: [Novela] Bonifácio

    [size=medium][5º] - Capítulo: O novo emprego de Maria Neusa.[/size]
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    [size=xx-large]T[/size]er a presença de Conde Bertola era uma grande oportunidade, e poder falar com ele era algo melhor ainda, pois o homem tinha uma figura imponente, de classe e era tão culto quanto diziam; não demorou muito para que as pernas de Neusa começassem a tremer e a fala a gaguejar:
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    -É...eu vim, pra...hmm....
    -Ela disse que veio até aqui à serviço, sr. Conde! Toma a palavra Berenice.
    -Hmm pois bem...a serviço de cozinheira? Diz ele.
    -Não, ela veio...
    -Sim! De cozinheira! Também de empregada, porque eu passo, costuro, lavo, eu posso servir de babá de crianças; e o sr. tem que ver as coisas que eu faço com crochê, aí...é uma maravilha! Porque o meu marido ele...
    -É... ô Neusa! Diz Berenice repreendendo a mulher havia começado um discurso.
    -A senhora é bem prendada, não? Ri o Conde.
    -Aí...eu modéstia parte...sou sim! Fala ela colocando a mão no rosto de vergonha.
    -Vocês não querem entrar? Daqui a pouco vão servir o jantar, e nós poderíamos falar melhor sobre isso, o que acham da proposta?Aceitam?
    -Nossa! Ficaríamos honradas em jantar com o sr.! Não é Neusa?
    -Ah...sim! Claro!
    -Pois então vamos entrando, por favor!
    Aquilo tudo era melhor do Maria poderia imaginar, pois dessa vez as coisas pareciam que iriam dar certo pro seu lado, e só o fato do simpático e convidativo Conde ter feito a proposta pra ela, já era como ter ganho a semana.
    Com a noite caindo sob o céu, em Guararema já se escutavam as cigarras cantarolando pelo matagal adentro, e as luzes da sala de Sandoval estavam acesas, pois lá ele estava tendo uma conversa com Selena:
    -Eu entendi tudo muito bem, menina Selena! Diz ele.
    -Você vai me fazer isso então?
    -Claro, pode ficar tranqüila, você não está esquecendo parte do nosso trato, não é?
    -Eu não vou esquecer, não! Olha fundo nos olhos do barão e sai pela porta da frente da casa, animada e confiante daquilo que estava fazendo. Avançando em passos decididos, estava quase chegando no portão de casa, quando surgi o pai de pijama com uma cara não muito boa olhando pra ela e dizendo:
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    -Onde é que você estava menina?
    -Aí...mas o que quê é isso pai, quase me mata de susto! Diz ela colocando a mão no peito.
    -Não tente mudar de assunto, onde você estava? Aumentando a voz.
    -Tava aí, com umas amigas minhas, porque? Você vai me bater por causa disso também? Provocando.
    -Olha Selena, eu que não saiba que você foi até a casa daquele Barão, porque se eu souber de algo a respeito, eu boto você e esse seu cinismo aí, pra fora de casa, entendeu bem? Gritando.
    Não respondendo nem que sim, e nem que não, a menina corre pra dentro de casa e se tranca no quarto, deixando o pai ali a deriva de perguntas que ele gostaria muito de saber, afinal ele tinha em mente que ela estava se aliando a Sandoval, mas não tinha como provar isso. Apesar de não ter ninguém ali no local, ele falará pra si mesmo:
    -Aí, mas que fome meu deus, onde estará a minha Neusa?
    Sua mulher estava muito bem na casa do Conde, se deliciando com todos os pratos e com a conversa mais que agradável:
    -Você mora onde dona Neusa?
    -Eu moro em Guararema, é uma cidade aqui perto de São Paulo, eu e meu marido temos um sítio lá; e a gente vende flores, plantas. Diz ela sorrindo.
    -Estupendo dona Maria Neusa!
    -Sítio que eu preciso ir a muito tempo, afinal, nem lembro direito como é. Ri Berenice
    -Mas também você sumiu não é amiga, e não me disse até agora o que houve. Coloca um olhar sério na mesa.
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    Um silêncio se instala no ar, pois o Barão também esperava ouvir uma resposta mesmo que não soubesse nada sobre aquele assunto, até que ela fala:
    -Aí...mas Maria, eu não quero falar sobre isso, é algo muito ruim! Com a cabeça baixa.
    -Eu não entendo! Eu sou a sua amiga, você deveria me contar minha virgem santíssima!
    -É que eu não posso, é...vamos mudar de assunto! Ah...sr. Conde como está boa essa comida, hmmm....delícia mesmo essa sopa! Disfarçando.
    -Obrigado dona Berenice! Diz o homem que havia ficado com a pulga atrás da orelha, pois agora ele também gostaria de saber o que ela escondia.
    Algumas garfadas, bocadas e colheradas depois o conde finalmente anúncia na mesa:
    -Bom...pelo o que me parece você é uma boa senhora dona Maria Neusa, e por isso você está contratada para trabalhar aqui nesta casa!
    -Meu Deus do céu! Eu...só tenho a agradecer o senhor sr. Conde Bertola pela oportunidade que está me dando! Fica ofegante.
    A felicidade finalmente bateu na porta da pobre senhora, e depois de muito tempo ela voltou a sorrir novamente, agora tendo um bom motivo, pois era a coisa que ela mais queria naquele momento. Ao terminarem o jantar, Berenice e Neusa se despendem do Conde e o avisa que amanhã estará bem cedo na mansão para fazer uma bela de uma faxina. A caminho da casa da amiga, Jasper o filho de Berenice, vêm correndo afobado em direção a elas e diz quando se aproxima:
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    -Mãe...mãe, roubaram os móveis do meu quarto! Grita o menino.
    -Calma meu filho, não roubaram móvel nenhum. Diz ela seriamente.
    -Mas então, onde é que estão eles?
     
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  6. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    RE: [Novela] Bonifácio

    [size=medium][6º] - Capítulo: Neusa passa a desconfiar de Selena.[/size]
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    [size=xx-large]N[/size]aquele instante, Berenice desconversa sobre aquele assunto, e inventa que carregadores haviam levado embora os móveis do menino, e que semana que vêm iriam trazer outros novinhos, porém Neusa não cai no papo da amiga e vai logo dizendo:
    -Mas Berenice, de onde é que você tira tanto dinheiro minha santíssima? Fala desconfiada.
    -Eu já disse Maria! Meu falecido marido nos deixou uma boa quantia no banco, quantia é essa que nos ajuda a cada dia. Diz ela com a voz tremula.
    Não convencendo à todos, aquele dia se termina e deixa questões pairando sobre a cabeça dela, e também de seu marido Bonifácio em Guararema, que não sabia se podia mais confiar na filha Selena, pois pare ele a menina havia sido comprada pelo tal Barão Sandoval.
    Alguns dias se passarão e Neusa estava mais do que feliz trabalhando na casa do Conde; colocava tudo na maior ordem e limpeza, deixava a mansão brilhando com muito custo e trabalho, afinal Bertola não parava em casa, e quando estava deveria estar tudo perfeito, para que ele pudesse desfrutar dos momentos ali.
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    Enquanto Maria dava duro na faxina, na moradia de Berenice só haviam preocupações acima de preocupações que a deixavam à beira de um ataque de nervos, e cada vez mais enrolada em toda aquela sua suposta situação, foi quando mexendo nas contas para pagar solta um grito:
    -Meu Deus!!! Onde é que nós vamos parar com todas essas contas!!! Diz sozinha.
    Não notando que o filho acabará de chegar ao local, ela continua falando:
    -Eu não sei mais o que eu faço!!!
    Vendo tudo aquilo calado, o menino resolve dizer:
    -O que você faz com o que mãe? Olhando pra ela.
    -Ai!!!! Mas que susto Jasper, nossa! Eu jurava que você tinha ido trabalhar, mas...o que é que você está fazendo aqui? Fala meia abalada.
    -Eu voltei pra buscar umas coisas que tinha esquecido, mas mãe...você está pálida, o que houve? Diz preocupado.
    -Nada...deve ser o velho problema de pressão, você sabe que a sua mãe...
    -E que contas são essas ai em cima da mesa?
    -Ai...mas Jasper quantas perguntas! São contas pra pagar meu filho, mas...é você não veio pra buscar o que tinha esquecido? Desconversando e disfarçando.
    -Mãe pare de esconder as coisas! Tá na cara que você está metida em alguma confusão, em algum problema, me diz! Eu preciso saber!
    A senhora respira um pouco e olha com um olhar decaído para o filho e diz:
    -Esconder coisas? Confusão? Você acha que eu sou uma contrabandista? Uma mulher que vive de escambo é isso? Dramatiza a situação.
    -Mãe eu não disse nada disso! O que eu disse...
    -Disse que eu sou uma bandida! Olha filho eu não sei porque essa desconfiança; eu não sei porque você está achando isso de mim se eu...
    -Eu não disse que você era uma bandida!!! Gritando.
    -Não disse, mas queria dizer isso...e se eu escondo algo de você Jasper, é para o seu bem, unicamente para isso! Diz ela concisa e séria.
    -Só queria uma vidinha normal mãe, nada mais que isso.
    -A sua por algum acaso não é? O que lhe falta filho? Me diga!
    -Normal onde? Mãe, os móveis dessa cara foram embora, contas e mais contas e aparecem cima dessa mesa, você cada dia mais nervosa como se tivesse sofrendo algum tipo de pressão por mando de alguém...tudo isso! E você ainda acha isso normal? Altera.
    Não agüentando as palavras de Jasper e desaba em prantos e mal conseguindo sustentar a frase:
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    -Eu...faço tudo com a melhor...das intenções...Colocando a mão no rosto e chorando.
    O menino não obteve respostas claras, porém agora ele sabia que havia realmente alguma coisa acontecendo com a mãe, porém ele a conhecia: ela não falaria tão facilmente, pois sempre resolveu seus problemas sozinha, usando de seu orgulho para ostentar sua palavra rígida perante a tudo e sofrendo calada.
    Após terminar o serviço na casa do Conde, Maria Neusa pega seu ônibus rumo a Guararema: estava cansada e acabada depois de tanto trabalho. Não é a toa que ela foi cochilando a viagem toda até sua casa e só se deparou quando estava chegando, quando o ônibus enfrentou as vias esburacadas de terra próximas ao sitio.
    Caminhando em direção ao rancho com a cabeça baixa e o semblante sério, não acreditou quando ergueu os olhos e viu sua filha conversando com Sandoval bem a frente do sítio, no mesmo instante ela foi logo correndo e gritando:
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    -Selena!!! Se-le-na!!! O que é isso? Diz apavorada.
    -O que é isso o quê? Fala ela cinicamente.
    -Não seja debochada comigo! Eu pergunto o que você faz aqui conversando com esse aí.
    -É melhor eu ir embora, já está meio tarde. Fala o Barão caindo fora.
    -Não, por favor Barão! Não ligue pra o que essa mulher fala.
    -Essa mulher aqui, é sua mãe! E eu quero saber o que está acontecendo aqui! Apontando o dedo na cara da filha.
    -Tá acontecendo, tá acontecendo...tá acontecendo que o sr. Barão veio até aqui pra ver se a gente não precisa de alguma coisa. Menti a filha descaradamente.
    -E desde quando ele se interessou por isso? Desconfia a mãe.
    Enrolada com as perguntas, Selena olha pro Barão em busca de respostas, e não conseguindo pensar em algo, Sandoval toma a palavra:
    -É que eu quero melhorar a nossa relação dona Neusa, pois somos vizinhos a tantos anos, e a senhora tem uma imagem muito ruim de mim, talvez porque...
    -Por que o senhor, sr. Barão, nunca engoliu o fato de meu marido ter conseguido domar esse sítio e conseguir sucesso com ele! Não é isso?
    -Que isso mãe? Tá possuída? Ficou corajosa de uma hora pra outra, dão o que na casa do Conde pra você beber? Conhaque? Satírizando.
    Assustada com o que acabará de ouvir da boca da filha, Neusa não demora pra rebater:
    -Hei...como é que você sabe onde estou trabalhando? Eu não te disse nada do meu emprego, quem foi que te disse isso Selena? Esbraveja ela.
    -O pai, foi ele que disse que...
    -Não!!! Ele não te disse nada não, porque ele falaria isso, ainda mais pra você?
    -Como porque, porque...porque eu perguntei pra ele!
    Não engolindo aquela história toda, a desconfiança da mãe aumentava cada vez mais, afinal, porque Selena mostraria interesse nisso? Eram perguntas que ela se fazia o tempo todo. A discussão lá fora terminará e Neusa agora tinha aquela mesma certeza de que Bonifácio tinha, de que a filha estava metida em alguma coisa com o Barão, e foi quando eles estavam assistindo televisão que a mulher resolve contar ao marido sobre tudo o que tinha acontecido lá fora:
    -E foi isso o que aconteceu meu velho!
    -Eu te disse mulher, ela está do lado daquele barão, daquele bandido! Esbraveja.
    -Mas o que será que eles estão tramando? Porque eu ainda não consigo acreditar!
    -Não sei...só sei que a Selena terá que me prestar explicações disso.
    Nesse momento a menina entra na sala e ouvi a última frase de Bonifácio e diz:
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    -Explicar? O que eu tenho que explicar pra vocês?
     
    Última edição por um moderador: 6 Out 2013
  7. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    RE: [Novela] Bonifácio

    [size=medium][7º] - Capítulo: A festinha das revelações.[/size]
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    [size=xx-large]A[/size] menina queria uma resposta:
    -Anda minha gente, que explicação que eu tenho que dar pra vocês? Batendo o pé no chão.
    -É...Selena, não é nada, é que seu pai tava falando de umas coisas...
    -Tava falando de mim! Mas deixa pai, eu não ligo mais pro que o senhor fale, você não acredita em mim mesmo, eu desisti de ti a muito tempo! Diz saindo da sala.
    Naquele instante Bonifácio ficou calado para não causar ainda mais transtorno na família, porém ficou com as palavras engasgadas na garganta...quase que pulando pra fora da boca.
    Os dias passaram tensos em Guararema, Sandoval não perdia a oportunidade de espionar os Madureira, as brigas de Selena e Neusa eram freqüentes, e Bonifácio estava mais calado e distraído que nunca, nem se lembrará que aquele dia, 16, era seu aniversário. Ele não recordava, mas seus amigos sim, e estavam preparando uma festinha surpresa para o velho nordestino, uma homenagem simples, modesta, mas de coração.
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    Preparativos à moda fazenda, doces, bolo, salgadinhos, tudo a prendada Neusa estava arrumando escondido para ele que não visse, foi quando teve a idéia de mandar ele comprar alguma coisa na cidade, para que assim ela arrumasse tudo no jardim e sem a presença dele:
    -Velho!!! Meu velho!!! Grita ela em direção a ele.
    -O que foi Maria? Deixando a inchada de lado.
    -É que acabou o café, veja só que barbaridade, e daqui a pouco a Berenice vêm ai e como é que a gente fica sem o cafezinho não é? Sorri a mulher mostrando o pote vazio.
    -Já sei você quer que eu vá lá na cidade comprar, é isso?
    -É...é isso sim! Ri a mulher.
    Estava tudo nos esquemas, como o planejado, assim que ele saiu Neusa correu pra cozinha e começou a correr com as coisas, afinal não tinha muito tempo. Ás três horas chega Berenice e Jasper com enfeites de festa e ainda mais doces, feitos com todo carinho e dedicação para aquele que ela não via a tempos; estavam animados para verem a cara dele quando visse a festinha particular que o esperava.
    Bexigas, chapeuzinhos à cabeça e uma musiquinha dos anos cinquenta pra animar o jardim do rancho, era tudo o que Neusa havia planejado, eis que caminhando em passos lentos se aproxima do portão e diz:
    -Neusa? Posso entrar pra essa festinha? Diz o Conde todo envergonhando.
    -Senhor Conde Bertola! Mas nossa, que surpresa! Eu achei que o senhor não viria, mas entre...vamos entrando! Diz a mulher toda sem jeito.
    -Imagine...eu quero conhecer o famoso Bonifácio, de que tanto a senhora fala! Onde é que está ele para eu cumprimentá-lo? Olha para os lados procurando.
    -Ah...ele foi comprar café, eu o mandei pra distrair-lo enquanto a gente aqui preparava isso tudo.
    -Entendo, entendo. Ri o Conde
    Todos estavam muito à vontade conversando, rindo, e se divertindo ali no local, que não via uma festa há anos, pois agora é que a situação estava um pouco melhor para eles, afinal Neusa estava trabalhando e ganhando muito bem como empregada. No meio daquilo tudo, aparece Sandoval, entrará no quintal sem dar satisfação, e já beliscando uma coxinha e anúnciando a todos:
    -Boa tarde amigos! Vim pra compartilhar com vocês, esse momento bonito! Na maior cara de pau e de boca cheia.
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    -O que que é isso sr. Sandoval? Fala Neusa abismada.
    -O que é o que Maria? Rebate.
    -Você entra aqui, belisca uma coxinha, e tudo sem ser convidado! Diz severamente.
    -Sem ser convidado não, ela me convidou. Aponta o dedo para Selena.
    Todos ficam calados e surpresos com isso, até que Neusa:
    -Você convidou esse senhor? Olha quase batendo nela.
    -Eu não convidei ninguém não! Se defendendo.
    -Ah... já se esqueceu Seleninha? Tá com a memória fraca hein! Jogando indireta.
    -Olha Sandoval você tá ficando louco, porque eu jamais convidaria o senhor...
    -Não foi isso o que eu ouvi esses dias atrás! Cinicamente.
    Maquinando na cabeça, Neusa compreende a situação e dispara:
    -Ahh...mas então é isso o que você estava falando com ele sua degenerada? Acusa a mãe.
    -Que isso mãe? Ficou louca também? Grita a filha.
    -Não...é que eu estou começando a ver a verdade, sabe.
    -Que verdade mãe, que verdade? A senhora tem que é que tomar um remédio pra essa sua cabeça, porque eu acho que não tá funcionando direito não!
    -Que vergonha...como você pôde, depois de tudo o que...
    -Ahh chega mãe! Eu vou ter uma conversa com senhor Sandoval. A menina o pega pelo braço e o leva para de trás de casa e vai imediatamente dizendo:
    -Ficou doido de vir aqui? Quer sujar ainda mais a minha imagem? Frasi a testa preocupada.
    -Cadê a escritura dessa casa que você me prometeu? Esqueceu do nosso trato? Muda de assunto.
    -Hei...calma ai, eu ainda não tive tempo de procurar! Confie em mim, eu vou achar, e quando achar você me dá o dinheiro, certo?
    Sugestivo o barão insinua:
    -E o porquê eu devo confiar em você?
    Não pensando em palavras para se expressar, Selena lasca lhe um beijo que o deixa totalmente excitado, afinal ele não esperava por isso.
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    De repente Bonifácio chega e o coro no jardim é geral:
    -Parabéns Bonifácio!!!
    Ouvindo isso, Sandoval resolve sair de fininho por de trás da casa antes que o próprio o visse ali, naquela cena, e aos amassos com sua filha.
    (Música tema da festa de Bonifácio)
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    A festinha começa ao som de Demônios da Garoa, levantando urros das pessoas, e o deixando ainda mais contente até que no meio de todas as abocanhadas, gritos, e danças descontroladas, surgi Jasper numa conversinha paralela com Selena e como numa novela, no momento em que lhe escapuliu algo, todos ficaram em silêncio:
    -É que lá em casa não tem móveis! Dando um tapa na boca em seguida.
    -Na sua casa não tem o que Jasper? Móveis? Diz Bonifácio querendo entender.
    -Não é bem isso sr...é que...
    -É que eles ainda não chegaram, eu mandei comprar móveis novos, é isso. Interrompe Berenice tentando explicar a situação.
    Neusa por sua vez já sabia que não era nada disso, e resolve dizer:
    -Pode nos falar a verdade dessa vez Berenice, a verdade! Pressiona Maria.
    A mulher fica branca e pálida com aquilo de repente Selena começa a dar seu showzinho no meio de todos com seu sarcasmo:
    -Ela mora numa casa de móveis imaginários, é isso gente? Aponta o garfo pra Berenice.
    -Selena!!! Olha o respeito com ela! Mas que absurdo! Repreende Bonifácio.
    -Se você tem uma coisa escondida pode falar pra gente “Nice”. Em tom de sarcasmo e pura irônia.
    Não suportando o teatrinho da filha, o pai por impulso joga o copo de refrigerante que estava em sua mão na cara dela, e diz em tom bem alto no meio de todos:
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    -Cale essa boca sua debochada! Isso é um assunto sério, não está vendo sua infeliz!
    A menina limpando o rosto não perde a oportunidade pra atacar:
    -O que é isso...o que você fez?! Tá ficando louco que nem aquela mulherzinha ali é? Aponta o dedo pra Neusa.
    -Você não tem jeito mais não, é mesmo uma abusada, sem solução!
    No meio de toda aquela cena dramatica, recomeça um falatório onde só se ouviam gritos, ofensas e tudo o que poderia de haver de mais escandaloso, até que chorando e não agüentando mais aquilo, Berenice se abre:
    -Eu vendo os móveis pra pagar a divida que o meu marido deixou! Chorando e de cabeça baixa.
    Todos ficam espantados e calados, até que:
    -Mas, porque você não disse isso pra gente Berenice? Diz Maria assustada e perplexa.
    Não deixando a mulher falar, eis que a endiabrada Selena cutuca novamente:
    -Você é uma falida que mora na Belavista, é isso?
    -“Mardita” menina que não cala essa boca! Fique aí caludinha, que pelo menos ela tem a coragem de nos dizer a verdade, diferente de você que fica aí com esse jeitinho escondendo as coisas da sua família. Apontando o dedo na cara.
    -Eu não escondo nada de ninguém! É você que é um velho rufento que fica imaginando coisas que não existem.
    Bonifácio parte pra cima da filha, quando o Conde intercepta e diz:
    -Meu Deus minha gente! Mas porque tantas brigas aqui? Não entendendo tudo aquilo.
    O atrevimento da menina prova outra vez que é de aço:
    -Realmente é uma vergonha sr. Conde! Essa gente pobrinha...você não deveria nem ter vindo pisar seus sapatos italianos nessa joça acabada.
    Tentando colocar um ponto final em tudo, hesita Maria:
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    -Já chega Selena, é a hora de seu pai saber!
     
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  8. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    RE: [Novela] Bonifácio

    [size=medium][8º] - Capítulo: Selena vai embora do rancho. [/size]
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    [size=xx-large]A[/size]s coisas não estavam bem na festinha surpresa, agora que Neusa surgi com uma ameaça dessas no meio de todos, Bonifácio instantaneamente se enche de curiosidade e diz:
    -O que foi dessa vez? O que eu tenho que saber? Com as mãos tremulas.
    -Eu vou lhe contar meu velho, porque eu não acho certo esconder isso de você! Se dirigindo ao som para desligá-lo.
    Toma um fôlego e já embala nas palavras:
    -O caso é que o senhor Sandoval esteve aqui agorinha há pouco a convite dela, de sua filha! Olha torto para Selena.
    Olhando para o chão tentando achar gestos, ou modos, estava perdido, suando frio e muito sem jeito fala em direção a filha:
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    -Mais o quê? Porque você convidou aquele canalha pra vir aqui, me diz, porque que você tá fazendo isso com a gente, com a sua família? Indignado e nervoso.
    -Eu não convidei ninguém, foi ele que veio por conta própria, mas que...
    -Mentirosa! É isso o que você é, uma mentirosa! Acusa com todas as letras a mãe.
    -Mãe a senhora não está em juízo para me acusar desse jeito, onde é que...
    -Todo mundo viu e ouviu ele aqui na nossa frente, dizendo que foi você que o convidou, Selena! Não adianta ficar disfarçando mais minha filha!
    -É ele que está mentindo mãe, será que a senhora não compreende toda essa situação!!! Grita a filha.
    Refletindo e pensando um pouco, Bonifácio resolve deixar tudo em panos limpos, colocando em cena as dúvidas que ele tinha de sua filha com o coração amargurado e carregado:
    -Quem é você? Você não é minha filha...não pode ser, Deus meu, como foi possível tamanha desgraça, uma menina de sangue ruim...eu deveria lhe botar pra fora de casa sua perdição, sua infeliz! Mate o seu pai de desgosto, mate-me sua praga doentia!!! Gritando e chorando.
    -Bata na minha cara, anda, bata bem aqui e marque os dedos bem aqui ó! Fala ela dando tapinhas na cara e dramatizando.
    -Saia da minha casa...sua abusada, sua serpente!!! Fora da minha vida anjo caído!!! Aí meu coração...aí...eu estou passando mal...
    -Minha virgem santa! Olha o que você está fazendo com o seu pai Selena! Grita Maria direcionando-se a ele para ajudá-lo a se sentar.
    -Eu estou fazendo? A única culpada aqui é você por estragar sempre as coisas, destruindo tudo! Convicta.
    -Aí...tirem essa menina da minha frente, tirem ela. Diz Bonifácio sentando na cadeira passando mal e tomando um copo com água.
    Na confusão toda, o educado Conde Bertola conduz Selena para longe do local e a leva para a sala, para que ela se acalmasse e pudesse pensar um pouco, refletir sobre toda aquela situação, e enquanto ela sentava-se no sofá, foi até a cozinha buscar um copo com água para que ela pudesse ficar mais tranqüila.
    Não era a primeira vez que os Madureira enfrentavam uma briga daquelas, e também não era a primeira vez que Bonifácio apresentava problemas cardíacos, por passar tanto nervoso devido a sua filha, Selena. Foi pensando nisso que o Conde teve a formidável idéia de convidar a menina para passar um tempo em sua casa, até que as coisas por ali se acalmassem, pois para ele, Bonifácio precisava de descanso, de pleno sossego, e não podia mais ficar nervoso, muito menos se alterar, pois isso poderia prejudicar ainda mais a sua frágil saúde.
    Pós festa, e pós briga, Bertola vai até Neusa e lhe fala sobre aquilo, porém Maria não acha a proposta muito correta:
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    -Ficar uns tempos em sua casa? Mas senhor Conde, a minha filha ela é...
    -Eu penso muito na saúde de seu marido dona Maria Neusa, que não está nada bem, a senhora sabe, não é verdade?
    -Sim, eu sei...o Boni não vai ao médico, mas também, cabeça dura a daquele homem, eu vivo falando para ele se cuidar, mas a gente tem que ficar martelando! Completa.
    -Então, o que me diz? Diz sugestivo.
    -Bom...se não tem outro jeito...mas eu lhe aviso senhor Conde, essa menina aí pode lhe causar muita dor de cabeça. Fala preocupada
    -Ah haha dona Neusa, fique tranqüila, fique muito tranqüila. Ri ele.
    Esperando uma resposta do Conde, Selena estava aflita na sala aguardando, pois para ela seria uma chance de ouro de sair de uma vez por todas daquele sítio por um tempo. Nervosa e impaciente logo diz ao Bertola quando entra na sala:
    -E aí, o que ela disse? Roendo as unhas.
    Dando um sorrisinho meio cabisbaixo, o Conde logo conduz:
    -Ela disse...que sim!
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    -Meu Deus, mas que coisa boa!!! Dando um pulo no colo do homem.
    -Sim, sim, mas não se esqueça que é para a saúde de teu pai, entendido? Carregando a menina.
    -Claro, nossa, me desculpe senhor Conde pelo entusiasmo, eu não pude me conter. Dando um sorrisinho amarelo.
    Naquela tarde enquanto Selena arrumava suas malas para ir nessa “temporada de férias”, que era como ela chamava, na cozinha Berenice e Neusa lavavam a louça e conversavam sobre o suposto assunto:
    -E o meu marido, deixou essas dívidas por um bom nome minha amiga, não é triste? Diz secando um prato.
    -Sim Berenice, é bem triste, mas porque você não contou isso pra gente antes? Olhando atenta.
    -É que...
    Como que num passe de mágica, Selena abre a porta da cozinha, e de cabeça baixa fala bem seriamente:
    -Eu...já vou indo mãe.
    A mulher larga o que estava fazendo e se dirige a filha dizendo:
    -Eu espero de coração que você mude muito ainda, e o que eu tenho a dizer é que se comporte, faça jus a esse convite que senhor Conde está fazendo a você! Seriamente olhando para ela.
    -E o pai? Pergunta sem jeito.
    -Tá na cama descansando, não precisa ir lá se despedir dele não...vai ser melhor assim, do jeito que está sendo.
    Aguardando a menina na sala, o Conde olhava os retratos da família, e ficava pensando o quão bom seria ter uma família a seu lado, até que:
    -Vamos senhor Bertola? Diz Selena animada.
    Ele continuava olhando os retratos, até que:
    -Tá tudo bem? Pergunta ela.
    -Ah...me desculpe menina Selena, eu estava olhando aqui essas fotos e...
    Interrompendo ele, a criatura oportunista vêm com dúvidas:
    -Posso lhe fazer uma pergunta senhor?
    -Claro! Pode sim, o que é?
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    -Porque está fazendo tudo isso por mim?
     
    Última edição por um moderador: 6 Out 2013
  9. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    RE: [Novela] Bonifácio

    [size=medium][9º] - Capítulo: Uma recompensa para Conde Bertola.[/size]
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    [size=xx-large]A[/size] menina estava expressiva, e queria uma resposta, porém isso o pega de surpresa, e uma cena atrapalhada surgi na sala:
    -Bom...é que seu pai, digo, sua mãe...é, menina Selena porque me pergunta isso? Com uma cara sem jeito.
    -A gente acabou de se conhecer, é estranho que já esteja me levando pra sua casa como se eu fosse sua...é...como sei lá. Diz quase pronunciando as palavras que não queria.
    -Mulher? Completa.
    -É...mulher, porque isso tudo?
    -Já te disse, é para o bem da saúde de seu pai! Afirma.
    Tentando engolir tudo aquilo, os dois se dirigem para a porteira do sítio, pois o motorista do Conde já os esperava de portas abertas, porém como se não bastasse todos os problemas que Selena já havia conseguido naquela casa, surgi Sandoval de trás de uma arvore para apimentar ainda mais a situação:
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    -Quer dizer que a Seleninha está indo embora? Em tom cínico.
    Dando as malas para o motorista, a menina parte em direção ao homem e dispara:
    -Não está vendo? Responde com a mesma moeda.
    -É...eu estou vendo mesmo que você está tentando dar um golpe, bem esperta você hein. Ri ao final.
    -Olha aqui Sandoval, eu não estou dando golpe nenhum, e vê se larga do meu pé homem que eu não sou nada sua! Ofensiva.
    -Calma, calma, calminha aí boneca, você já se esqueceu de novo do nosso trato?
    -Não, eu não esqueci, eu apenas não quero mais saber disso, entendeu agora?
    -Quer saber sim, afinal a grana é alta e você adora dinheiro que eu sei, anda, larga de brincadeira, cadê a escritura? Severamente.
    -Deixa eu ver se tá aqui, ah, não tá, tchauzinho Sandoval. Fazendo um teatrinho.
    -Não me deixe perder a cabeça Selena!!! Altera a voz.
    -A sua cabeça não serve pra muita coisa mesmo né, não iria fazer menor falta. Ironiza.
    No meio daquela troca de ofensas, aparece o Conde que estava evitando entrar no meio, mas vendo que a situação estava tensa resolve dizer:
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    -É...vamos embora minha querida? Olhando pra ela meio tímido.
    -Sim...vamos, eu não tenho mais nada o que fazer aqui!
    -Aonde você vai? Não...eu não terminei meu bem, de falar. Se fazendo de íntimo.
    -Que meu bem, o que, se liga...
    Imediatamente Sandoval lança uma bomba:
    -Se eu fosse você não me daria as costas, sabe porque, porque pode ficar muito feia as coisas pra você por aqui, sabia?
    Engolindo a saliva e ficando nervosa, Selena manda o Conde dar licença, e assim que ele se afasta a menina retoma:
    -Já chega disso! Eu vou lhe dar a escritura, mas deixe o dinheiro no local combinado, tá certo?
    Os dois entraram num consenso, num momento parcial que iria mudar a vida dos Madureira, graças a teimosia dela, a situação estava findada, e sendo escrita sem ao menos o consentimento de Neusa e Bonifácio.
    Na cozinha a conversa dentro os pratos estava mais uma vez açucarada de defensivas por parte de Berenice:
    -Já disse Neusa, a vida é minha!
    -Mas Berenice, vocês não podem ficar vivendo a base de pão e laranja desse jeito!
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    -É verdade mãe, ouça a dona Neusa. Diz Jasper invadindo a cozinha e entrando na conversa.
    -Aí... filho por favor, isso é assunto...
    -Assunto muito meu também, afinal, eu não sou mais criança!
    -Ele tem toda a razão amiga, isso é um assunto muito dele.
    O assunto sobre as dividas de Berenice iriam tomar a noite toda no rancho, no entanto, o que restava lá, era revertido em admiração em São Paulo, pois depois de uma pequena viagem Conde Bertola e Selena chegam na bela mansão na Belavista, e no embalar dos movimentos, o entusiasmo toma conta da menina que grita:
    -Mas que casa é essa meu Deus!!! Diz sem ao menos ter entrado.
    -Gostou? Dando meio sorriso.
    -Adorei, amei, apaixonei geral e imagino como é dentro! Pulando de alegria.
    Vendo a felicidade dela, Bertola pega as chaves da casa no bolso, e entrega em suas mãos dizendo:
    -Tome isso, abra.
    -O que? Você quer que eu abra a porta da sua casa? Não acreditando.
    -Sim...anda menina, tô vendo seu entusiasmo.
    Ao invadir a casa aos pulos, olhares, e muita admiração, Selena não conseguia desgrudava o olho dos móveis, e de toda aquele mobília decorativa, começou a dar voltas pela imensa sala, a olhar aqueles quadros que ela via nos filmes, e todo aquele luxo e glamour que sempre sonhou em ter.
    Subiram para os aposentos, e quando foi ao quarto do Conde ficou abismada com tamanha beleza européia, até que:
    -Mas Conde, você vive sozinho nessa casa imensa? Indignada.
    -É...minha família mora na Itália, e os vejo pouco, não tenho filhos, mulher, parente nenhum por aqui, triste não é mesmo?
    Abrindo o zíper do vestido, Selena já estava tomando um plano para agradecer e recompensar ao Conde por tamanha generosidade:
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    -Você merece alguém do teu lado, senhor Bertola! Andando em direção a ele apenas de sutiã e calcinha.
    -É...menina Selena eu...
    -Xiii...fica quietinho, e relaxa.
    (Música tema de Selena e Conde Bertola)
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    Última edição por um moderador: 6 Out 2013
  10. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    RE: [Novela] Bonifácio

    [size=medium][10º] - Capítulo: Uma manhã de preocupações.[/size]
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    [size=xx-large]N[/size]o descansar do sol, o sono pode ser a única coisa que nos deixa ter a tão sonhada paz, e isso Berenice levava muito em conta, afinal, era só abrir os olhos para vivenciar aquele pesadelo sobre suas dívidas e outras situações a mais. No entanto Jasper não se intimidava com aquilo, e logo ao acordar pegou o primeiro jornal e foi logo na sessão de empregos; vendo o filho sentado naquele velho sofá, a mãe com um semblante ainda de sono resolve fazer uma pergunta:
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    -Filho, que é que está procurando tanto aí, no jornal? Desconfiada.
    -Ah... tô procurando um emprego! Diz sem olhar nela.
    -Não! Mas você não pode, não pode porque...
    -Porque, hein? Largando o jornal.
    -Porque você tá na idade de estudar, um menino tão prestimoso, tão...
    -Mãe, eu não posso estudar pensando que nessa casa há dívidas e contas pra pagar! O teu nome tá sujo, o meu, eu tenho que fazer alguma coisa pra ajudar! Fala firmemente.
    Calada, a pobre Berenice não tinha mais como ficar impedindo o filho de fazer suas escolhas, e dessa vez ele estava coberto de razão. Enquanto uns procuravam dar a volta por cima, outros comemoravam uma falsa vitória em cima de algo mentiroso e fingido. Lá estava Selena acordando na cama do Conde depois de uma noite de luxúria, e suspirando ao lado dele diz:
    -Bom dia meu querido! Dormiu bem? Com um sorriso largo.
    -Ain...que horas são? Meio sonolento.
    -Deve ser umas oito ainda, ou alguma coisa assim...
    -Não, não era pra ser assim menina...
    -Hei! Não me chame de menina! Me chame de Selena apenas!
    -Certo, certo! O caso é que não era pra ser assim, não era pra estarmos aqui. Diz preocupado.
    -Era sim bobinho, era pra estarmos aqui, era pra termos curtido ontem à noite, tudo isso era pra ser assim, do jeitinho que é! A não ser que você não tenha gostado. Diz em tom baixo e fazendo charme e abraçando-o.
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    -Não, não eu adorei, gostei muito! Há muito tempo que eu não...é, não. Sem jeito.
    -Transava?
    -Sim...
    -Pois sabe que eu nunca me deitei com um homem tão fogoso que nem você! Ri descaradamente.
    -Nossa, assim você me deixa sem jeito me...digo Selena. Diz ele olhando para a parede, com vergonha.
    Na casa dos Madureira, Neusa já começava o dia torrando café, porém como se bastasse todo o serviço, ela ainda teria que ficar de olho em Bonifácio, que não havia amanhecido muito bem. Foi então que num piscar de olhos, o homem se levantou da cama e foi até o quintal tentar ajudar Neusa com as tarefas no jardim:
    -Neusa, deixa isso, eu lhe ajudo! Correndo de pijama.
    -Ai minha nossa senhora de Fátima! O que está fazendo fora da cama? Diz assustada largando a inchada.
    -Eu vim lhe ajudar, porque...
    -Mais que teimosia homem! O médico já não lhe disse que é pra ficar de repouso? Indignada.
    -Sim, mas eu não estou me sentindo bem naquela cama, e eu vim ver se não está precisando de uma ajudinha aqui no jardim. Dando um riso.
    -Olha Boni, eu entendo que seja difícil pra você ficar naquela cama, um homem tão trabalhador, tão ativo, mas entenda que é para sua saúde, seu bem! Tentando explicar.
    Ouvindo aquelas palavras o velhote foi pisando duro em direção a casa e como num passo rápido de vento bem ali na frente de Neusa estava plantado o impiedoso Sandoval esperando pra alfinetar:
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    -Neusa!
    -Aí...mas o que é isso! Nossa! Que susto, o que você faz aqui? Levanto um susto e sendo direta.
    -Nada, eu apenas vim para deixar um recado de sua filha.
    -Que recado é esse? Desconfiada.
    -O caso é que eu não sei se conto agora...não sei mesmo. Enrolando a situação.
    -Sandoval, deixe de rodeio, e diga! Que recado veio dar? Ficando nervosa.
    -A sua filha, vendeu esse rancho!
    -Aí meu Deus, haha...senhor Sandoval, me desculpe mas o senhor não tem mais o que inventar não? Dando risada.
    -Eu falo sério Maria! Olhando fixo.
    -Tá, então vamos lá, minha filha vendeu esse sítio, pra quem? Não acreditando.
    -Pra mim! Seco e direto.
    -Que? Não...não, isso não é verdade, isso não é verdade, não é...
    -Tá se sentindo mal? Porquê? O melhor ainda nem chegou! Eu já vou indo Neusinha, se cuida hein. Dando meia volta e indo em direção a porteira.
    Passando mal, e se sentindo tonta, Maria sai correndo da horta e se tranca na sala de sua casa, lá ela estava começando a suar frio e como num passe de decisão, assume a diante e entra no quarto, onde estava Bonifácio, e logo anúncia:
    -A sua filha! Com um olhar assustado.
    -O que foi dessa vez meu São Jerônimo? Com um olhar disparado.
    Respirando fundo e olhando fixamente em Bonifácio, logo estente a sua mão sobre a dele e diz calmamente:
    -Ela acaba de vender esse rancho, nosso rancho Boninho.
    Olhando para os lençóis da cama, não estava acreditando, e como num disparar de um revólver diz:
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    -Não, ela não pode ter feito isso com a gente, não! Neusa procure ali na gaveta do móvel a escritura! Diz nervoso e trêmulo.
    Imediatamente Maria começou a revirar as gavetas da cômoda para procurar a escritura, jogou os papéis no chão, e a ver expressivamente cada folha ali guardada durante anos, porém não achou. Não achou a esperança, e já sabendo do ocorrido, Bonifácio diz contado as palavras:
    -Já não está mais aí, não é? Sabendo da resposta.
    -Não...não está. O que a gente vai fazer agora Boni? Ela nos apunhalou pelas costas! Diz liberando uma carga grande de tristeza.
     
    Última edição por um moderador: 6 Out 2013
  11. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    RE: [Novela] Bonifácio

    [size=medium][11º] - Capítulo: Sandoval expulsa os Madureira e humilha Neusa.[/size]
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    [size=xx-large]D[/size]aquele dia em diante Bonifácio sabia do que a filha era capaz, e também sabia o quão frágil estava sua saúde, não era à toa que naquela tarde o velho viria a passar mal, fazendo com que Neusa fosse correndo com ele para o hospital mais próximo, no centro da cidade de Guararema. Estava tão abalado com tal acontecimento que não podia desviar o pensamento para outra coisa, ou fingir que nada estava acontecendo.
    Se aquela manhã já havia sido conturbada, os Madureira não perdiam por esperar quando chegassem em casa, pois o ambicioso Sandoval havia invadido o rancho e estava retirando todos os móveis da casa com a ajuda de seus capatazes, deixando-os espalhados pelo jardim como uma forma de humilhação. Centrado e vingativo, estava pisando no solo que um dia almejou, e agora aquilo havia se tornado realidade, uma realidade que ele esperou por um tempo mais que precioso, então tudo teria que sair como nos conformes.
    Voltando ao sítio para buscar algumas peças de roupas para Bonifácio, pois ele teria que ficar em observação, Neusa estava se aproximando dos limites do rancho, até que começou a avistar ao longe algumas cadeiras, sua cama de casal, e levando um susto resolveu sair em disparada gritando:
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    Chegando ao local começa a ver freneticamente toda aquela mobília espalhada pelo quintal, e numa passada de olhos vê o Barão ordenando aos homens que colocassem o guarda-roupa mais pra perto da porteira, e nesse momento dona Neusa virá um verdadeiro bicho e quase dispara ofensas:
    -O que está fazendo seu....
    -Seu o que? Hã? Diz Sandoval cortando a mulher.
    -Você não tem esse direito! Tire suas mãos de minhas coisas, solte isso. Tentando impedir que levassem sua penteadeira.
    -Eu já não te disse que comprei esse sítio dona Mariazinha? Sendo sarcástico.
    -Não acredito em você! Mentiroso seja! Desafiando.
    -Olha... saia da minha frente, porque ainda temos um bocado de coisas pra retirar de lá de dentro.
    Tentando fazer com que isso não acontecesse, Neusa se atira bem a frente da porta da sala e diz:
    -Terá que passar por cima de mim, antes de tirar qualquer coisa de minha casa! Num ato desesperado.
    -Saia da minha frente sua velha infeliz! Anda! Saia! Empurrando a coitada.
    -Então tudo era um plano seu e dela, não é mesmo? Levando um assunto em questão.
    -É...era um plano apenas dela, não meu! Eu apenas tinha o interesse em comprar e ela me ofereceu.
    -Você não pode fazer isso com a gente! Implorando.
    -Não venha com lamentações minha senhora! Não pense que vai me comover...agora anda, saia daqui antes que eu chame meus capatazes para dar um jeitinho em você sua cigana miserável. Olhando seriamente nos olhos dela.
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    -Você me paga Sandoval! Ameaçando no meio de todos aqueles móveis.
    -Ah é? E a senhora vai fazer o que? Hm? Chamar aquele velho cretino pra me bater hahah...em falar nele, onde é que ele está hein Neuzinha? Sendo cômico.
    -Não é da sua conta! Rude.
    -É...realmente não é da minha conta...mas não esquece de avisar a ele que eu venci, e que agora sou o dono disso aqui daqui pra frente!
    Engolindo aquele atrevimento, Neusa dá as costas para o Barão e segue seu caminho rumo a estrada de terra e de repente o mesmo grita:
    -Hei...mas volta logo pra tirar essas coisas, não quer que elas vão para o lixão, não é? Hahahaha. Dando uma risada vingativa ao final.
    Revoltada, humilhada, assim estava a matriarca da família Madureira, que dessa vez se dirigia rumo a São Paulo para tirar satisfação com sua filha, e ter uma última conversa, uma conversa definitiva. Estava possuída por um sentimento ruim, amargo, que chegava até a embrulhar seu estômago.
    O que Selena não esperava naquela tão gloriosa manhã, era ter uma discussão, pois ela estava se divertindo na casa do Conde; os dois estavam tomando um precioso café da manhã com uma mesa repleta de guloseimas, e assim que a mesa foi posta a menina foi ao delírio:
    -Aí, nossa! Mas isso é o que os ricos comem? Impressionada.
    -Ahaha, sim Selena, sente-se.
    Não tirando os olhos dos vidros, doces, e bolos, a menina logo se questiona:
    -Mas como é que se come tudo isso? Olhando para mesa.
    -Não precisa comer tudo isso! Estão aqui apenas pra você escolher, anda, pega um pedaço de caçarola italiana. Oferecendo um pedaço.
    No meio daquela empolgação toda, a campainha toca e uma serviçal atende. Era Maria que estava carregada de ódio, onde foi logo entrando e caçando a filha.
    Eis que a mulher entra subitamente na sala de jantar e grita quando vê Selena junto a mesa tomando café:
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    -Sua maldita!
    Não entendendo nada, Bertola hesita:
    -O que foi dona Neusa? O que aconteceu? Assustado.
    -Não aconteceu nada senhor Conde, eu só vim aqui pra entregar isso.
    De repente a filha leva um tapa de mão virada bem no meio da cara e cai da cadeira, levando ao chão alguns potes de geléia e uns doces.
    -O que é isso? Você tá bêbada? Diz a menina do chão.
    Abismado com a cena, o Conde tenta mais uma vez entender:
    -Mas dona Neusa, o que houve? Com os olhos arregalados.
    Respirando fundo, a mulher embala nas palavras e vai logo dizendo:
    -Se tá vendo essa menininha aí senhor Bertola? Isso é um monstro! Que é capaz de vender o rancho dos próprios pais, pra obter dinheiro pra si! Diz acusando.
    Se levantando do chão, Selena também estava abismada, pois Sandoval prometeu a ela que ele mesmo se responsabilizaria caso a menina entregasse a escritura. No entanto ela foi apunhalada pelas costas também:
    -Isso é uma mentira! Eu não fiz nada! Se defendendo.
    -Cala essa boca se não eu te bato sua desgraçada. Tentando bater na filha.
    O homem estava ali diante de uma situação tensa: em qual das duas acreditar? Foi pensando nisso que ajudou a menina se levantar, e segurando bem firmemente suas mãos, disse olhando bem fundo em teus olhos:
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    -Você fez isso?
     
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  12. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    RE: [Novela] Bonifácio

    [size=medium][12º] - Capítulo: Uma nova moradia.[/size]
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    [size=xx-large]E[/size]ngolindo saliva e tentando não olhar muito nos olhos do Conde, Selena retoma a discussão:
    -Eu não fiz nada disso! Não percebe Conde que é mais uma mentira daquele Sandoval pra me colocar no meio dessa história toda! Afirma com todas as letras.
    A mãe se segurando pra não avançar nela, entra no meio da conversa alterada:
    -Mas como você é falsa Selena! Diz gritando.
    -Pare de me acusar! A senhora não tem provas contra mim, pra me...
    -Como é que a escritura foi parar nas mãos dele então? Lança uma questão.
    Tentando pensar num resposta convincente, logo se enrola nas palavras:
    -A escritura...é...ohh...
    -Nem mentir você sabe direito né filha? Balançando a cabeça como desaprovação.
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    -Ele roubou! É isso! Diz com apressada.
    -Ah...ele roubou, sei...como é que ele rouba algo sem arrombar porta nenhuma ou ninguém repará-lo? Você pode me explicar isso? Fala com uma cara de desafio.
    -Mãe...ele tem meios para isso! E a senhora sabe muito bem que...
    -Não quero mais ouvir sua voz, não quero! Diz interrompendo e sinalizando com as mãos.
    Vendo a situação ficar tensa, o Conde logo entra com uma gentileza:
    -É dona Neusa...acalmasse, quer um suco, ou alguma coisa?
    -Não...obrigado senhor Bertola! Eu já estou de saída...
    Sem antes ter se retirado da sala, a mulher lança uma apontada de dedo na filha e diz:
    -E você saiba Selena...que eu não confio mais em você! Disse caminhando em direção a porta da frente.
    Abismada e surpresa, a menina começa a se defender ali:
    -Você está vendo? Aquele Sandoval tramou tudo isso pra me culpar! Fala com uma suposta indignação.
    -Eu entendo...mas onde é que eles vão morar agora meu Deus? Vou ver se alcanço a dona Neusa para perguntar isso, porque eles não podem passar a noite ao relento.
    Enquanto o Barão ia correndo em busca da pobre mulher para sugerir algo, em Guararema Sandoval dava gargalhadas dentro da casa de Bonifácio e falava com as paredes sobre sua maravilhosa vitória:
    -Aí mas eu não acredito...onde será que aquele velho maluco foi...ele tinha que estar aqui ó...pra ver essa cena linda...hahaha!
    Andando em circulos em direção a sala, avistou alguns retratos na parede e começou a jogá-los no chão, até que foi atirar o de Selena, mas disso antes pra si:
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    -O seu eu não vou quebrar não...vou guardar pra mim, quero ter uma lembrança da menina que expandiu as minhas terras. Diz sorrindo e saindo do local com a foto em mãos.
    Em São Paulo, ao alcançar Neusa o Conde ofegante logo fala:
    -Dona Maria eu...
    -Não precisa vir defender aquela serpente, porque eu já disse...
    -Não! Não é nada disso...é que eu vim perguntar onde é que vocês vão passar a noite, porque agora que isso aconteceu, não é mesmo. Diz preocupado com tudo aquilo.
    -Bom...eu vou ver aqui com a minha amiga Berenice, ela mora aqui nessa casa. Apontando o dedo.
    -A senhora não quer vir passar a noite em minha casa, talvez...
    -Pelo amor de Deus! Eu quero distância daquela cobra venenosa...
    Como num disparar de um tiro, Neusa lembra de algo e logo se desespera:
    -Ai minha santíssima Trindade! Colocando as mãos na cabeça.
    -O que houve? Tá se sentindo mal? Arregalando os olhos.
    -Não...é que eu me esqueci que o Boni está em observação num posto de saúde lá em Guararema...aí meu pai eterno viu, o que eu faço?
    -Nossa! Mas ele está bem? O que aconteceu?
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    -Quase teve um enfarte por causa da notícia da escritura...imagine só se ele fica sabendo que o Sandoval tomou o sítio? Ele empacota de vez.
    Eis que na troca de palavras, o Conde surgi com uma idéia:
    -Porque você não vai urgente até lá, e eu falo com a senhora Berenice sobre isso? Aí caso dê certo eu mando uns empregados buscarem suas coisas até lá.
    -É uma ótima idéia...bom é melhor eu ir correndo então, muito obrigado senhor Bertola, por tamanha gentileza. Diz sorrindo e beijando as mãos dele.
    No decair da noite, as coisas começavam a se arrumar novamente, Berenice havia adorado a idéia de Neusa ir dormir em sua casa, mesmo não sendo uma ocasião para isso, e já que isso iria acontecer, o Conde tratou de mandar seus empregados irem buscar os móveis dos Madureira que estavam espalhados do lado de fora do rancho. Quando o último colchão e a última cama entraram a dentro da casa da amiga, logo Maria hesitou em agradecer a todos que estavam ali na sala:
    -Muito obrigado a todos vocês...por me ajudarem nessa hora tão difícil, eu tenho certeza de que o Boninho diria o mesmo, mas já que ele não está aqui, os meus mais sinceros agradecimentos. Limpando as lágrimas do rosto.
    -E ele vai ficar mesmo em observação dona Neusa? Diz o Conde apreenssivo.
    -É...vai sim, parece que dessa vez foi grave a situação, mas ele vai melhorar. Fala com muita tristeza carregada.
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    -Hei amiga...não fique assim, veja por um lado bom, é....hmmm.
    Se enrolando com o que iria dizer, logo completa Maria:
    -Não tem lado bom! O sítio foi vendido por aquela mesquinha, o Boni está com problemas de saúde, e agora eu não sei mais o que eu faço. Colocando a mão no rosto.
    -Amanhã mesmo dona Maria vou mandar meu advogado ir até lá pra...
    -Não por favor, já me ajudastes tanto, pode deixar que eu vejo o que eu faço senhor. Sem jeito.
    -Bem...mas se precisar não se esqueça. Eu já vou indo embora, tenho que tratar de uns assuntos, boa noite a todos vocês. Diz fechando a porta da sala
    Naquele instante Berenice resolve abrir sua boca santa novamente:
    -Bom...seja muito bem vinda amiga! E se você quer saber qual o lado bom disso tudo, é que vamos ficar unidos! E outra coisa...já reparou como agora essa casa tem móveis? De repente as duas caem na gargalhada no meio de todos aqueles artefatos.
     
    Última edição por um moderador: 6 Out 2013
  13. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    RE: [Novela] Bonifácio

    [size=medium][13º] - Capítulo: Bonifácio ameaça Sandoval com um revólver.[/size]
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    [size=xx-large]M[/size]ais um diazinho se estendia bem tranqüilo por aquela manhã, sereno, e Berenice e Neusa já tomavam um café bem amargo na cozinha e conversavam besteiras sobre suas infâncias sofridas, e o quanto elas eram levadas naquele tempo. No meio de tantas palavras de recordações, a enfadonha senhora Aldo não se permitiu ficar calada e já foi logo abrindo sua boca descontrolada:
    -Ai ai...quem será que a Selena puxou né? Tapando a boca logo em seguida.
    Largando a xícara em cima da pia, Maria resolve falar logo em seguida:
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    -Olha...Berenice, isso o que a Selena faz não é travessura de menina, muito menos traquinagem inocente, é monstruosidade mesmo! Arrumando os óculos na cara.
    -Me desculpe por ter tocado nesse assunto, eu sei que é muito difícil pra você falar disso amiga. Sendo compreensiva.
    -Não, não, tudo bem. O caso é que...
    Como num ato inesperado e surpreso, a campainha toca duas vezes seguidas, deixando as duas ali, curiosas e engasgadas com o café:
    -Você tá esperando alguém Neusa? Diz Berenice com cara de dúvida.
    -Eu não estou esperando ninguém não. Dando pequenos goles.
    Enquanto a senhora Aldo ia de encontro com a surpresa em sua porta, em Guararema algo sem cabimento estava acontecendo, era Bonifácio, que tinha fugido do hospital e estava indo a caminho de sua casa, e na falta de ter com quem falar, contentava-se de falar com as árvores da estrada de terra que ali estavam presentes por mais de décadas:
    (Música tema de Bonifácio)
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    -Eu é que não ia ficar naquele hospital haha, imaginem só...sou um homem saudável, não acha isso senhor eucalipto? Rindo e achando que iria fazer a maior surpresa para Neusa quando chegasse ao rancho.
    Na pequena estradinha já sonhava com o ensopado de batatas que sua mulher fazia, e lembrava do gosto de manteiga batida tradicionalmente no pilão de madeira, ou até mesmo do puro leite tirado de sua vaquinha Melindrosa, tudo isso ele esperava saborear quando chegasse ao rancho, e como se não bastasse os pensamentos, logo surgem as falas com as plantas de um canteiro:
    -Hmmm...dá até água na boca em pensar em tudo isso. Só espero que a minha Neusinha esteja em casa, porque eu estou morrendo de fome. Diz já entrando nos limites do sítio Madureira.
    Chegando bem a frente da porta, e apertou a campainha inúmeras vezes, esperava que alguém atendesse, mas não. Ninguém vinha. Aguardou alguns segundos a mais e bateu palmas, espiou pelos vidros sujos para ver se avistava alguém, mas não conseguia ver direito, até que o velhote resolveu dar meia volta e ir em direção aos fundos da casa, e para sua surpresa a porta estava aberta, foi nesse momento que ele se deparou com uma casa vazia, totalmente sem móveis. Não guardando palavras pra si, resolve disparar seus sentimentos:
    -Aquele desgraçado!!! Foi ele...mas o que ele fez com a minha Maria? Colocando a mão no rosto e entrando em desespero.
    Num disparate o senhor Madureira sai correndo do local e indo em direção ao sítio do amigo, estava com um plano na cabeça, que ninguém da terra poderia tirar. Um nordestino arretado que estava a ponto de explodir.
    Em São Paulo poderiam ter mil e um barulhos, mas nada interrompia o silêncio que havia se instalado na casa de Berenice depois que a campainha tocará. A mulher estava gélida, e tentando conter palavras pra explicar pra amiga:
    -É...ô Neusa. Entrando na cozinha de cabeça baixa e com um envelope em mãos.
    -Que isso? Meu Deus do céu! O que houve dessa vez? Se desesperando e largando a louça que estava lavando.
    -Isso aqui foi a empregada do senhor Conde que veio aqui entregar, ela disse que ele foi pra...pra...
    -Foi pra onde?! Exalta Maria.
    -Foi pra Europa resolver uns problemas com a família e...é que é um problema, não é. A mulher havia se enroscado nas palavras e não estava conseguindo mais dizer nada, até que Neusa entra em estado de histeria:
    -Berenice!!! O que foi que aconteceu? Balançando a amiga.
    -A Selena foi com ele. Pronto, já disse. Soltando um peso das costas.
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    -Foi com ele? Que isso agora?! Vocês também querem me matar do coração? É uma peça de vocês, é isso?! Não acreditando.
    -Não...não é amiga, e esse envelope...
    -O que tem nesse envelope? Me dá! eu quero ver. Diz arrancando das mãos da amiga.
    Sem antes conferir direito, Berenice já denuncia:
    -É dinheiro...foi o Conde que deixou pra você se virar com as despesas que você venha a ter.
    -Não...mas isso não é possível minha Santa Cássia! A Selena, ela é...
    Se sentindo mal, a mulher desaba na cadeira e começa a entrar em pânico. Bem longe dali o senhor Madureira estava a ponto de ficar louco da cabeça, e assim que pisou no sitio de Sandoval bateu em sua porta. Estava suando frio, nervoso, e muito centrado do que ia fazer ali no local, eis que o Barão abre a porta e leva um susto:
    -Nossa senhora! Olha quem tá aqui...se não é senhor Bonifácio Madureira! Sendo sarcástico.
    Assim que Sandoval desferiu seu humor maligno, o velhote invadiu a sala e cruzou os braços diante dele e disse:
    -Então você tomou meu sítio? Olhando fixamente nos olhos.
    -Hei! Palavra feia essa daí! Eu não tomei nada de ninguém. Sua filha, foi quem me vendeu. Tentando explicar a situação.
    -Pois você fique sabendo de uma coisa seu filho de rapariga, não pense que isso vai ficar assim não. Diz colocando em prática a raça de um nordestino.
    -Escuta aqui ô velho gaga, se você acha que eu tenho medo de suas ameaças, está muito enganado! Apontando o dedo na cara.
    Eis que num movimento rápido tira um revólver do bolso de trás de seu macacão e aponta fixamente no peito de Sandoval:
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    -Tu merece ser furado por uma bala seu filho de rameira!!! Fala já perdendo o o senso controle.
    Com uma respiração rápida, e com o coração acelerado, o barão até ia tentar dizer algumas palavras, mas a voz definitivamente não saia, e no lugar Bonifácio vêm com mais ameaças:
    -E a minha mulher, hein? Onde é que ela tá? O que você fez com ela? Fala logo!!!Tremendo as mãos.
    -Eu não...sei..., eu não sei pra onde ela foi. Gaguejando.
    -Não sabe uma ova! Se sabe o que tu é Sandoval? Um cabra safado que não sabe nem mentir direito!
    -Abaixa essa arma Bonifácio...anda, abaixa. Tentando convencê-lo.
    -Sabe o que eu queria ver? Sabe?
    O barão balança a cabeça dizendo que não.
    -Eu queria ver teu sangue manchar esse tapete aqui ô, que eu tô pisando agora, só assim me sentirei vingado de alma. Mas eu não vou fazer isso não. Fala já abaixando a arma.
    -Eu tenho pena de você Sandoval, olha aí, até mijou nas calças. Com isso...eu acredito que você não tenha feito nada com ela, pois é tão medroso, tão satrapo, agora acredito que você não passa de um cão miserável!
    O homem sai da sala e deixa o humilhado ali, em estado de pânico. Seguindo novamente a estradinha de terra, Bonifácio queria ir até o centro da cidade para refletir sobre tudo o que havia acontecido e ao chegar lá vê a linda estação de trem de Guararema, e como uma criança, os dentes logo se puseram a sorrir ao se sentar naquele velho de banco de madeira. Passou horas ali, chorando, pensando, e sonhando com tua Neusinha.
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    Até que adormeceu ao banco e dormiu ao relento.
     
    Última edição por um moderador: 6 Out 2013
  14. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    [size=medium][14º] - Capítulo: A nova moradora.[/size]
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    [size=xx-large]U[/size]m mês e meio se passou desde que Selena foi com Conde Bertola para a Europa, e enquanto a filha desfrutava de luxo e alguns momentos de riqueza ao lado dele, Bonifácio e Neusa estavam aos gritos na feira para tentarem vender algumas verduras:
    -Olha a alface minha senhora!!! Olha a alface mais verdinha da região!!! Diz enxugando o rosto com um lenço.
    Do outro lado estava Neusa:
    -Rabanetes, cenouras! Óh minha gente, tudo fresquinho!
    Aproveitando aquela gritaria toda, Bonifácio fala pra mulher ao lado:
    -Mas será que ninguém compra nada por aqui? Diz indignado.
    -É...parece que eles não tem fome de verduras como a gente lá no sítio. Eis que naquele momento surgi uma mulher bela que caminhava com passos apressados, uma mulher na qual ninguém jamais tinha visto por aí, se chamava Ester, e estava a procura de um estabelecimento na qual iria trabalhar:
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    -Pois não, senhor? Por favor.
    -Sim madame? O que vai querer? Rabanetes ou cenouras? Diz o velho mostrando.
    -Haha...não, não quero nada disso. Eu apenas queria uma informação, o senhor sabe onde fica a floricultura Gato Pingado?
    -Sim...é aquela logo ali. Diz apontando com o dedo.
    -Aí, muito obrigada, senhor?
    -Bonifácio!
    -Muito Prazer! Me chamo Ester. Eu vou trabalhar aqui, é por isso que...
    -Ah é? Seja bem vinda ao bairro então Ester! A minha mulher...
    -O quê que está acontecendo aqui Bonifácio? Fala a velhota.
    -Veja Neusa, ela vai trabalhar na floricultura aqui do lado. Diz entusiasmado.
    -Sim, sim estou vendo. Diz ela séria.
    A moçoila seguiu rumo ao local que estava há alguns passos dali, e já se aproveitando daquela oportunidade, Maria logo foi enfiando coisas na cabeça e falando:
    -Pois muito bonita ela não? Dando uma de sonsa pra cima de Bonifácio.
    -É sim...muito...demais! Falando com cara de bobo.
    -Olha Boni velho, digo, Bonifácio! A mim você não engana não! Porque eu sei muito bem...
    -Que isso Neusa? O que deu em você? Diz abismado.
    -Nada...vamos continuar trabalhando, que ainda temos muita coisa pra vender aqui.
    Os dois se dirigiram para a banca de verduras, e começaram de novo um teatro em função do ganho de cada dia, que aliás, não estava nem um pouco fácil. Enquanto a dureza tomava conta dos Madureira, Sandoval estava deitado num de seus sofás curtindo o prazer de uma vida ganha com o suor dos outros. Ali estava o barão desfrutando aquele instante de um descanso falso, quando foi perturbado por uma batida insistente na porta.
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    Não queria abrir. Não estava disposto a se levantar do sofá, pois estava tão bem acomodado. Pois mesmo assim foi colocando os pés no chão bem devagar, e caminhando até a porta para abri-la, porém ao colocar a cabeça pra fora, e olhar para os lados não viu ninguém. Logo em sua cabeça achou que fosse mais uma brincadeira de uma daquelas crianças mal criadas que viviam por aquele curral. A cena se repediu mais duas vezes, até que o deixou muito irritando, fazendo com que ele pegasse a sua espingarda e fosse até lá. Novamente não encontrou ninguém. Ou ele estava bêbado, ou alguém estava brincando com ele.
    Uns estavam ficando loucos, e outros estavam pegando firme no batente, não era por menos que Ester estava arrumando os vasos da floricultura que estavam bem acabados. Eram flores sem pétalas, orquídeas que estavam morrendo secas, ali ela observará um lugar decadente, por isso foi logo tratando de arrumar tudo aquilo. No meio daquele caos verde, surgi a presença de Neusa que estava querendo ter uma palavrinha com a novata:
    -Então...de onde você é? Diz pegando Ester de surpresa:
    -Nossa!!! Mas que susto minha senhora...aí, meu deus! Largando um ramo de flores.
    -Desculpe minha filha! Fala dando risadas.
    -O que foi que você disse mesmo? Se virando pra velhota, pois estava de costas.
    -Eu perguntei de onde você é.
    -Ah! Sim, claro...eu sou daqui mesmo da capital, e você? Mora aqui no bairro mesmo com seu marido?
    -Sim, sim! Na verdade viemos parar aqui por acaso, é uma longa história. Fala olhando pro chão.
    -Entendo...mas a senhora não quer tomar um café, uma água aqui? Diz sugerindo.
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    -Claro! Mas vamos tomar um cafezinho então! Se alegrando.
    As duas começaram um papo tarde à dentro sobre várias coisas, e assuntos. Parecia que as duas se conheciam a anos, pois enquanto Ester dava um jeito em seus vasos de xaxim, Neusa ia contando tudo, mas tudo mesmo, sem deixar escapar um grãozinho de história.
    As horas se passavam e a noite estava começando a cair na Belavista, e a feira indo embora. Bonifácio também. O pobre homem estava acabado. E muito triste também porque aquele dia não tinha rendido muito, apenas uns miseráveis trocados. Entrou na casa de Berenice para tomar aquele banho gelado, para ver se levantava um pouco seu astral. Estava transpirando de corpo e alma. Nessa mesma hora chega Jasper da rua, mais irritado do que nunca e encontra a mãe colocando a mesa para o simples jantar:
    -Mais que droga!!! Diz enfurecido.
    -O que foi meu filho? O que lhe aconteceu? Fala preocupada.
    -Essa cidade, não tem se quer um emprego, um emprego! Desabafando.
    -Aí Jasper, eu sei que é complicado, é difícil, mas você tem que entender...
    -Eu não tenho que entender nada! Tô cansado de ser tratado como um saco de batatas!!!
    -Mas fique calmo, eu acho que...
    No mesmo segundo entra Neusa no ambiente e já vendo tudo aquilo resolve perguntar:
    -O que aconteceu minha gente? O que foi menino Jasper? Diz preocupada.
    -Nada! Me deixa em paz você também! Diz já subindo as escadas e indo em direção a seu quarto.
    Muito entristecida, Berenice resolve falar:
    -Aí Neusa, eu não sei mais o que falar, o que rezar, pra que esse meu filho tenha sucesso na vida. Deixando os guardanapos de lado.
    -Oh Nice! Não fique assim não, é apenas uma fase ruim, não vê eu e...
    Como que por meio de mágica, novamente alguém estava entrando, ou tentando entrar na casa, pois a campainha tocará insistentemente. Neusa tratou de abrir antes que aquele ser dormisse com o dedo no botão. Era a requintada Ester que num passe de vento foi logo tratando de falar o que queria:
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    -Maria Neusa! Oi! Posso usar seu telefone? É que o da floricultura não está funcionando, não sei porque. Fala a mulher afobada e extremamente agitada.
    -Sim, entre...mas é que essa casa não é minha. Diz desconcertada.
    Ao ouvir isso logo admirou-se:
    -Não? Mas é de quem então?
    -É dela! Da minha amiga Berenice. Fala apontando com o dedo.
    Virando o rosto, Ester logo foi ao embalo de palavras:
    -Oi! Muito prazer Berenuce!
    -Não, não minha filha, é Berenice.
    -Ah...Berenice? Desculpe-me! É que chegaram umas pessoas na floricultura com um monte de pedidos, devem morar nessa mansão aqui no final da rua, sabe? Nossa eu tremi quando eles entraram na loja. Fala ela sobre o ocorrido.
    Assustada com o que acabará de escutar, Neusa retruca:
    -Você disse mansão no final da rua?
     
    Última edição por um moderador: 6 Out 2013
  15. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    [size=medium][15º] - Capítulo: Neusa arma um escândalo na rua.[/size]
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    [size=xx-large]S[/size]e fazendo de desentendida, Neusa coça os ouvidos e torna a perguntar:
    -Não...espera um pouco, você disse que chegou um carro no final da rua?
    -Sim! Um carrão pra falar a verdade, aí desceu uma moça sabe, e...
    Entrando num estado de plena loucura, Maria sai correndo em direção ao final da rua para saudar a filha com insultos, e dizer algumas verdades que estavam entaladas em sua garganta. Era aquele o momento certo de vomitar tudo:
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    -Então é você que chegou?! Fala ela parando na frente da filha.
    Surpresa de ver a mãe bem ali, Selena não sabia o que dizer, nem muito menos o que fazer. Aproveitando o silêncio da menina, a senhora continuava com seus disparos:
    -Estou vendo que você está arrumada, vestindo roupas caras, é tudo da Europa? Deixa eu ver. Diz Neusa tentando ver a etiqueta embalada num teatro cínico.
    -Para com isso! É sim, é tudo da Europa! Roupas que você jamais vai ter, porque...
    -Porque eu não roubo o que é de meu pai! Não era isso o que você ia falar?!
    -Eu já disse que não roubei nada...eu só fiz um favor pro pai, vendendo...
    -Vendendo o sonho dele! O fruto de uma vida inteira de trabalho! Fala ela batendo os pés na calçada.
    -Olha mãe, eu não vou ficar aqui discutindo com você, o dinheiro está lá dentro, depois eu passo eles pra você, está certo?
    Abismada e chocada com o que acabará de ouvir, Maria altera o tom e a cor de sua voz e parte pra ameaças e xingamentos ofensivos:
    -Ouça aqui sua degenerada! Se você pensa que vai pegar o dinheiro da venda do sítio e sumir, está muito enganada! Diz colocando a mão na cintura.
    -Que? Eu não acredito que eu estou ouvindo isso de você! A senhora acha mesmo que eu seria capaz de fazer uma coisa dessas?
    -Mais só acho! Completa ela.
    De repente o barão sai de dentro de sua casa para procurar Selena, e se depara com a cena das duas discutindo na calçada da Floricultura. Não perdendo tempo, o homem sai branco e entra no meio da confusão com um ar de assustado:
    -Meu Deus! Mas o que...Neusa?!
    -Conde Bertola! Pelo visto você está acobertando as vigarices de minha filha, não é mesmo?
    -Que vigarices? Franzi a testa.
    -Não se faça de bobo! Não...boba sou eu né, como é que eu não percebi antes que o senhor mexeu tão bem os seus pauzinhos, hein?!
    -Oh Maria Neusa, o quê que é isso?
    -Deixa ela pra lá meu amor, ela não está bem da cabeça!
    -Não peraí, agora eu quero saber o que está acontecendo. Diz o Conde que naquele momento estava sem eira nem beira.
    -O que está acontecendo é aquela história, ela roubou o sitio do pai, vendeu ele pra aquele maldito daquele Barão! E o dinheiro senhor Conde? Onde é que ela gastou?
    -Eu não gastei nada! Ele...
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    -Cale essa boca sua infeliz! Você é...é mentirosa, é cínica! Acusa a mãe.
    Os gritos das duas estavam sendo ouvidos lá da casa de Berenice, que também saiu correndo para o local para ver o que estava acontecendo, e ao chegar lá colocou as mãos no rosto e ficou pasma ao ver que Selena havia chegado, e havia chegado com toda a classe que a Europa poderia lhe oferecer.
    -Pare de me insultar na frente da minha casa! Grita a filha.
    -Sua casa? E desde quando essa casa é sua? Essa casa é do Conde, senhor é esse que você está aplicando um golpe! Esbraveja ela e acusa com todas as letras.
    A multidão estava se espalhando pela rua para ver o circo que havia se armado bem ali, na rua das goiabeiras, um verdadeiro espetáculo produzido pela fúria humana, ou melhor, uma mãe revoltada.
    -Come se atreve a falar que eu estou aplicando um golpe? Eu não estou fazendo nada...eu amo ele, amo ele!!! Berra a filha.
    -Ama coisa nenhuma! Você ama o dinheiro dele Selena, é o dinheiro que te atrai.
    Achando aquilo um verdadeiro absurdo, o Conde interpõe:
    -Chega gente! Chega de discussão! Por favor!
    -Não! Eu não saiu daqui enquanto ela não devolver o dinheiro do meu marido! Bate os pés e retruca com raiva.
    -Pois eu vou lá dentro pegar então! Agora...eu espero que o pai não faça a mesma besteira de comprar aquela porcaria lamacenta.
    Não segurando o ódio de ter ouvido tamanha grosseria, Maria perde o controle e gruda nos cabelos da filha no meio da calçada e grita:
    -Precisa apanhar pra aprender!!! Tome isso sua bicho ordinário!!!
    No meio do escândalo as pessoas gritavam e davam urros de quero mais, enquanto outros olhavam atentos e assustados para a cena das duas se pegando. No meio disso tudo, surgi o Conde que frustradamente tentava separar mas não conseguia, foi quando gritou:
    -Me ajudem aqui gente, me ajudem! Parem com isso as duas, meu Deus, parem!
    Separadas, as duas trocam ofensas, ambas seguradas por Berenice e Conde:
    -Precisava apanhar mais, mais!!! Esguelando.
    -Você é mesmo um monstro Maria Neusa! Um monstro sujo e caipira! Insulta a mãe.
    Pós toda a briga e confusão, as duas se recolhem em suas casas, que por sinal estavam pertíssimas uma da outra. Era finalmente a hora do jantar em ambas as residências, e como sempre na casa do Conde havia toda uma cerimônia para isso, com uma mesa farta e grande, que servia de tudo um bocado. Indignado com a cena chocante daquela tarde, Bertola lança sua opinião sobre tudo:
    -Que cena horrível essa de hoje hein? Entrando no assunto.
    -Eu não tive culpa meu amor, aquela mulher...
    -Aquela mulher é sua mãe! E tem todos os direitos pra ficar daquele jeito! Selena, você vendeu o sitio do seu pai! Nossa...eu não sei porque eu fico ainda do seu lado!
    Levantando a cabeça, a menina logo dispara com um jeito tímido:
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    -Porque você me ama! Independente das coisas que eu faça! Abre um sorriso meio amarelo.
    -Ai menina Selena...só você mesmo! Pois bem, amanhã mesmo você vai pegar esse dinheiro da venda, e vai entregar à ela, entendido?
    Balançando a cabeça ela concordava, ou pelo menos fingia. Enquanto isso na casa de Berenice, a sopa estava rala, porém havia sido feita com muito amor e carinho, e servida num dos melhores pratos da casa. Como que por impulso, Berenice resolver falar também sobre o ocorrido:
    -Amiga, mas como você pode avançar e bater na sua própria filha?! Diz Nice indignada.
    -Você me conhece, eu não tenho sangue de barata! E além do mais você viu? Viu como ela estava vestida?!
    -Vi sim! Nossa, mas aquele Conde deu um banho de loja naquela menina, nem parece mais a mesma! Fala a pobre.
    -Ai meu Deus! Mas que barbaridade, porque, porque isso está acontecendo comigo! Se questiona Maria, colocando as duas mãos no rosto.
    -Calma amiga, tudo vai ficar bem...ainda bem que Bonifácio não estava aqui na hora da briga.
    -Em falar no meu marido, onde ele está? Diz olhando aos arredores.
    -Não sei...ele não tinha chegado pra ir tomar banho?
    As duas começam a ficar assustadas na cozinha, e naquele instante Berenice dispará seus berros em busca do filho:
    -Jasper!!! Jasper!!!
    O menino escuta e retruca lá de cima:
    -Fala...
    -Onde está o Bonifácio meu filho? Você viu ele?
    -Tá no banho mãe!
    As duas se entre olham na mesa, e Neusa enlouquece mais uma vez:
    -Nice, mas como ele está tomando banho desde aquela hora? Larga o talher no prato.
    Como num tiro de revólver, Maria sai correndo em disparada rumo ao banheiro, subindo as escadas numa rapidez que ela nem imaginava ainda ter. Chega ao lado da porta e começa a bater gritar:
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    -Bonifácio?! Tá tudo bem meu velho?
    Ninguém respondia. Só se ouvia o barulho da água caindo e batendo contra os velhos ajulejos.
     
    Última edição por um moderador: 6 Out 2013
  16. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    [size=medium][16º] - Capítulo: Bonifácio vai parar no hospital.[/size]
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    [size=xx-large]U[/size]m clima de horror havia se instalado no piso superior da casa de Berenice, pois Bonifácio não respondia aos gritos de Neusa, foi quando o jovem Jasper chegou voraz, e com um golpe pós a porta abaixo. A imagem não poderia ser pior, o velho estava deitado ao chão ainda vestido, porém desacordado e meio pálido. Todos estavam em desespero, principalmente Maria que não parava de berrar:
    -Meu Deus!!! Bonifácio, meu amor, acorde!!! Dando tapinhas em seu rosto.
    Como se não bastasse toda aquela cena, Berenice chega na porta do banheiro e inflama com sua dramatização:
    -Minha Santa Virgem!!! Mas o que aconteceu? Arregala os olhos.
    -Não sei....ele tava caído, chame uma ambulância Berenice, faça algo!
    -Eu vou chamar! Diz a velhota que descia correndo as escadas que nem uma doida.
    A vida dos Madureira continuava sendo o mesmo circo de sempre, pois quando a ambulância estacionou na rua, novamente pessoas se entre olharam curiosas, e no meio daquela grande confusão surgi a maca de Bonifácio com Neusa gritando e chorando ao lado, quase que como uma tragédia grega. E pra colocar a cereja nesse bolo, surgi Selena no meio da multidão apavorada dizendo e gesticulando:
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    -O que está acontecendo? Tentando abrir um espaço.
    Ao ver seu pai sendo colocado na unidade móvel, a menina se altera:
    -Paizinho!!! Paizinho, o que aconteceu, minha nossa, o que...
    -Tudo por sua culpa sua miserável! Acusa Maria na frente de todos.
    -Que isso mãe? Sai, sai da minha frente, eu quero ir com ele!
    -Mas vejam só, ainda mais essa! Você é a única culpada por seu pai ter ficado doente do coração, porque você só trás desgosto pra essa família!
    -Você não pode falar assim comigo!
    -Eu não vou discutir com você!
    Com pressa, Neusa fecha a porta de trás do carro, e segue rumo ao hospital o mais rápido possível, deixando todos ali preocupados. A menina por sua vez faz o caminho de volta pra mansão do Conde, e ao abrir a porta encontra o marido de pijamas tentando ver da janela alguma coisa:
    -Mas o que está acontecendo lá fora? O que era aquilo tudo?
    -Meu pai Bertola...ele, foi levado na ambulância. Fala entristecida.
    -Nossa! Mas o que aconteceu com ele?
    -A minha mãe nem quis me dizer...aí, me dá um abraço?
    -Claro...venha aqui minha menina! Diz o Conde abrindo os braços.
    Nem tudo era uma desgraça na família dos Madureira, pois parece que aquela cena toda havia feito Selena cair na real, sobre as coisas horríveis que havia feito nos últimos meses com todos eles. Enquanto isso no hospital, o clima era de escândalo na sala de espera por parte de Neusa, que orquestrava ao lado de Berenice um verdadeiro pampeiro:
    -Será que ele está bem amiga? Falava apreensiva e descontrolada.
    -Calma! Ele deve estar sim.
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    -Como assim “deve”? Ele tem que estar Berenice! É o meu marido meu Deus do céu. Falava andando pra lá e pra cá.
    A voz de uma enfermeira do postinho, chega e amansa a situação, dizendo que Bonifácio estava sedado, e que ele tinha tido uma vertigem, mas que estava tudo bem, tudo controlado com os remédios. Assim que aquelas palavras amigas foram pronunciadas, Maria pôde entrar no quarto do marido para ficar com ele, ali, do lado uma poltrona para acompanhantes. Conversou. Falou. Olhou a janela. Sentou-se na cadeira, e adormeceu naquele cantinho frio. Seria uma madrugada longa aquela.
    De repente Bonifácio começava a acordar, e a sair dos efeitos de seus remédios:
    -Neusa...
    A mulher acorda num susto e grita:
    -Bonifácio!!!
    Vendo o que tinha feito, ela diz em seguida:
    -Nossa! Perdão, não pode gritar aqui.
    -Segure minha mão Neusa...
    -Claro meu velho! Claro.
    -Eu estou morrendo?
    -Aí Boni, não fala uma coisa dessas, claro que não!
    Ele olha ao redor, e vê toda aquela sala branca e escura e pergunta:
    -Onde estou? O que é isso?
    -Você passou mal, estava caído no banheiro da casa da Berenice meu bem. Diz acariciando suas mãos.
    Fecha os olhos, pensa um pouquinho e logo retoma:
    -Não me lembro...
    -Procure descansar, apenas isso.
    O relógio insistia em não passar para ela, já havia pegado todas as revistas da recepção e lido tudo. Não conseguia dormir, muito menos desgrudar os olhos dele, que parecia estar num sono profundo com a ajuda de alguns tranqüilizantes. Pela manhã, enquanto o sol tomava aquele quarto compartilhado, Berenice aparece na porta, e com uma batida tímida e uma voz serena, chamava Neusa:
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    -Maria?!
    A mulher não acordava.
    -Amiga, pode ir descansar em casa, eu fico aqui com ele! Diz balançando ela.
    -Ai...nossa, o que? Bonifácio? Diz despertando assustada.
    -Calma haha....sou eu!
    -Nossa, Berenice do céu! Levei um susto, achei que tinha acontecido alguma coisa.
    -E como ele está?
    -Ah...está bem! Dormiu como uma pedra também sabe, com a ajuda desses trecos aí.
    -Se quiser ir pra casa, pode ir! Eu fico aqui com ele.
    Olha pro Boni, olha pra janela, e diz:
    -É...eu acho que eu vou descansar mesmo, mas ó Bere do céu, não desgrude os olhos dele, tá? Falava com palavras firmes.
    No caminho de volta pra casa, que parecia mais distante que nunca, Neusa refletia sobre tudo o que havia acontecido, e mesmo quase caindo de sono, ainda não parava de pensar em seu velho e na saúde dele, que parecia estar bem frágil e se agravará depois que sítio fora vendido. Caminhando em passos lentos, mas precisos, ela já começava a avistar a casa, porém também avistava um senhor parado em frente. Arrumou melhor seus óculos, e pode ver que era o Conde Bertola. Chegando de levinho, disse:
    -Senhor Conde?! Inclinando a cabeça.
    -Neusa! Mas, eu achei que tinha alguém aqui. Apontando o dedo para a casa.
    -Não, a Berenice foi pro hospital, e o Jasper está trabalhando! E bem...eu estou voltando de lá agora.
    -E como está seu marido?
    -Está bem! Dormiu a noite toda, e também...
    -Quero deixar aqui uma quantia para que assim vocês...
    -Nada disso! Diz recusando a grana.
    -Ora, mas porque?
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    -Porque não ué! Não precisamos de seu dinheiro senhor Conde! E olha, deixa eu entrar, porque eu preciso dormir e...
    -Esse dinheiro na verdade é da venda do sítio minha senhora! É seu dinheiro.
    Virando a cabeça novamente para ele, a mulher colocava as peças no lugar e seguia nas palavras:
    -Quer dizer que esse dinheiro é do sítio? Foi ela quem mandou você vir aqui entregar isso aqui pra mim?
     
    Última edição por um moderador: 6 Out 2013
  17. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    [size=medium][17º] - Capítulo: Sandoval dá sinais de insanidade.[/size]
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    [size=xx-large]J[/size]á faziam três meses que o barão havia tomado posse das terras de Bonifácio, e mesmo depois de tudo o que aprontará, não estava feliz. Pelo contrário, ainda praguejava tudo a sua volta. Estava revoltado, frustrado, afinal, era o sonho dele ser dono do rancho Madureira, então, ele deveria estar explodindo de felicidade, e não de raiva. Sua cabeça não entendia, seus pensamentos estavam confusos meio a tudo ali:
    -Mas essa terra não serve nem pra mandiocas? Inferno! Reclamava enquanto olhava suas plantações.
    Deu mais alguns passinhos, e colocou as mãos sob a cabeça. Havia se deparado com cana de açúcar, que ainda estava pouco desenvolvida:
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    -Droga, droga, e droga! Qual era o segredo daquele velho cretino afinal? Diz esbravejando.
    Olhou outras mudinhas, e num ato insano, pisou nas plantinhas e as xingou ao mesmo tempo:
    -Não servem pra nada! Pra nada, essa podridão!
    As coisas não estavam se saindo como Sandoval planejará, pois estava faltando algo para que os legumes se desenvolvessem, e ele não sabia. Não fazia idéia. Enquanto uns queriam ver algo verde brotar do chão, outros estavam entrando num paraíso das belezas. Era Selena que acabará de entrar apressada na Floricultura Gato Pingado, cuidada por Ester, que a deixava cada dia mais bonita. Olhando uns vasos, e umas folhagens, a menina logo clama por ajuda:
    -Hei, mocinha! Por favor. Gesticulando com as mãos.
    -Sim, pois não?
    -É...eu estou meia com pressa sabe, eu estava querendo que você me fizesse um buquê, teria como?!
    -Bom, eu estou fazendo aquele ali pra uma moça, mas eu logo que...
    -Gostei daquele! Quanto custa? Diz abrindo a bolsa.
    -Não, mas aquele está reservado pra uma...
    -Deixe de conversa menina! Anda, qual é o valor dele? Insistindo com um olhar.
    -A senhora não entendeu que aquele está reservado, e que não está à venda?
    Calmamente Selena fecha a bolsa, engoli um bocado de saliva e joga palavras diante da florista:
    -Você sabe quem sou eu?
    -Sei sim, mas...
    -Shhh...chega! Ou você me vende aquele arranjo de flores, ou eu mando fechar essa pocilda, entendes agora?
    Como se não bastasse a confusão na loja, surgir Neusa que também estava apressada e muito agitada. Ela entrará afobada e já dizendo:
    -Ester! Ester! Onde está o vaso que...
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    Se depara com a filha, e se cala. Sobra então para Ester quebrar aquele clima chato que havia se instalado na loja:
    -Oi Neusa! Como está? Seu buquê está aqui, estava terminando de ajeitar o laço dele.
    -Nossa, mas ficou lindo! Tenho certeza de que o Boninho irá gostar! Dando um sorrisinho leve e sem graça.
    Antes que a mulher pegasse a encomenda e saísse, Selena dirigi a palavra à ela:
    -Eu vou lá ver ele também mãe!
    Não acreditando no que estava ouvindo, a velhota dá meia volta e entorta a cabeça para o lado esquerdo, e fala:
    -Pra que? Pra deixa ele mais nervoso ainda? Não! Não precisamos de sua presença por lá. Diz deixando o local, com passadas ligeiras.
    O patriarca da família Madureira finalmente iria sair do hospital, depois de uma completa bateria de exames, e muitas outras coisas, que dariam a chance de Bonifácio dizer: “Eu não tenho nada! Sou saudável!”, era o que ele mais queria. Sair o quanto antes, para que assim pudesse cuidar de sua família, ou o que havia sobrado dela.
    No rancho as coisas continuavam malucas e insanas ao extremo, Sandoval estava falando sozinho, e pior, estava enfurecido porque as batatas não cresciam:
    -O quê? Como assim vocês não tiveram tempo de crescer? Diz arregalando os olhos para os brotos.
    -Cresçam já! Eu mandei vocês crescerem!
    Olha rapidamente pra todas as coisas ao redor, e lança ao ar:
    -A culpa disso tudo é daquele velho moscado! Aquele velho lambuzento!
    Decidido a achar Bonifácio, o barão larga todas as coisas ali, pega sua velha caminhonete e sai pela vizinhança em busca de pistas sobre seu paradeiro. E depois de bater em quatro casas, consegue informação suficiente para encontrá-lo. Não sabia ao certo o que dizer, ou reclamar, só tinha em mente que deveria falar com o velho, em busca de respostas para aquelas terras, que não produziam nada.
    No hospital, Neusa esperava pelo veredicto de que seu marido estava liberado, e fazia isso roendo as unhas, numa animação misturada com nervosismo. Meia hora depois, a aflição havia passado, e lá estava Bonifácio andando firme e forte indo pra casa junto com a esposa. No caminho não contendo sua imensa felicidade, disparava frases aliviadas:
    -Como é bom ver a cidade minha velha! Abrindo um sorriso.
    Seria uma peça do destino que Sandoval e o casal se encontrassem na frente da casa de Berenice? Tudo indicava que sim. Porém antes de Neusa levá-lo direto pra casa, a mulher passou com ele numa antiga padaria que fazia pães e rosquinhas especiais, no centro de São Paulo. O infortúnio deu a chance do Barão se aproximar da rua das Goiabeiras. Estava olhando fixamente nos números, tentando achar o tal sobradinho verde mar. Sim, agora ele já avistará:
    -Bingo Sandoval! Dizia encostando o carro.
    Com botas sujas de terra, o homem desceu e foi logo com a mão estendida, para apertar de uma vez por todas aquela campainha. Lá de dentro, Berenice enxugava as mãos e ia em direção da porta atender, nem esperava que fosse ele.
    Nervoso e apressado, o barão foi vomitando palavras num tom forte:
    -Onde está o Bonifácio minha senhora?
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    -Mas quem é você?! Diz tentando se lembrar daquela expressão séria.
    -Não importa quem sou! Eu quero falar com aquela múmia! Anda, onde você o escondeu?
    -Sandoval! É esse seu nome, não é? Aquele vizinho que...
    -Saia da minha frente! Diz empurrando a pobre senhora.
    -Hei, você não pode ir entrando assim! Alerta ela.
    O homem estava descontrolado, procurando atrás dos quadros, do sofá, e por fim atrás das cortinas:
    -Onde você o escondeu?! Debaixo do gabinete da cozinha?!
    Assustada, Berenice não sabia o que fazer, pois ele aparentava estar possuído. Revirando todas as coisas, não o conseguia encontrar, foi quando Nice começou a conversar calmamente, num exercício de tentar por fim acalmá-lo:
    -Mas...porquê você quer encontrar ele?
    O homem imediatamente parou de vasculhar, e vira o rosto pra ela dizendo:
    -Meus rabanetes não crescem! Eu paguei por aquele sítio, e quero que as coisas funcionem!
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    Há três quadras dali, o casal Madureira se aproximava num ritmo de conversa branda e serena. Não estavam preocupados com horários. Eis que Bonifácio ao olhar ao longe, avista aquele carro parado em frente ao sobrado, e num ato de dúvida, pergunta a Neusa:
    -É...o velha, aquele carro não lhe é familiar?
    Ela olha e maquína na cabeça:
    -Sandoval! É dele. Diz assustada.
     
    Última edição por um moderador: 6 Out 2013
  18. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    [size=medium][18º] - Capítulo: Bonifácio enfrenta Sandoval.[/size]
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    [size=xx-large]N[/size]a cabeça de Neusa, naquele momento, apenas passavam soluções e jeitos para se esconder, ou dar meia volta, para que assim Sandoval não os vissem ali. Porém, como cada cabeça é uma sentença, Bonifácio por um outro lado, queria encarar o barão de frente e dizer umas verdades muito bem ditas:
    -Nós vamos até lá! Diz ele com todas as letras.
    -É o que?! Ir até lá?! Mas você perdeu o juízo velho?! Fala abismada a pobre mulherzinha.
    -Não...e nunca estive tão bem ajuizado desse jeito!
    Partindo em direção a casa, Neusa se interpõe na frente e o segura:
    -Pare! Você tá ficando louco? Mas minha Santa Rita de Cássia, parece que o hospital te deixou avoado da cabeça, só pode ser.
    -Ora deixe de drama velha! Nunca tive medo dele, e não é agora que eu vou ter.
    Tentando convencer o marido a não fazer uma sandice dessas, Maria nos últimos trechos da caminhada até a casa, vomitava tudo o que poderia acontecer se ele insistisse naquela loucura. Mas ele não ouvia uma palavra se quer. Ele sempre fora um nordestino muito tinhoso, ia até o fim quando colocava alguma coisa na cabeça. Na casa de Berenice, Sandoval estava ficando pirado revirando as coisas. Eis que uma cena tensa sobrevoa aquele ambiente, quando Bonifácio abre a porta, e entra voraz:
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    -Sandoval! Diz empurrando a porta.
    Todos ficam espantados, perplexos.
    -Estava me procurando? Em tom de desafio.
    O barão larga os papéis da gaveta, virando o rosto com uma expressão mesclada de ódio e surpresa. Não estava acreditando em quem estava ali, bem na sua frente. Como ninguém falava nada, o velho continua a ditar as regras do combate:
    -Mas como você está acabado hein? Envelheceu anos nesses últimos meses Sandoval, até acho que...
    -Minha batatas!
    Ninguém entenderá nada.
    -Suas o que?
    -Minhas batatas, meus repolhos, e as minhas cenouras! Você é o culpado! Acusa o barão.
    -Continuo não entendendo.
    -Você fez algum tipo de magia negra naquelas terras, não é seu velho feitiçeiro? Se nada por lá cresce, só pode ter o seu dedo podre no meio disso!!!
    -Olha, Sandoval, eu não estou entendendo...
    -Tá entendendo sim, que você não é burro!!! Tu é muito do esperto Bonifácio, só não é mais esperto que eu! Ou achou que eu ia cair em sua armadilha mais uma vez?!
    -Que armadilha homem?! Estás ficando louco?! Altera o tom de voz.
    -Mas é mesmo um velho muito cínico!
    As coisas não estavam ficando nada bem por ali, e numa tentativa frustrada de tentar acalmar o Barão, Berenice oferece um café:
    -É...Sandoval, você não quer que eu te sirva de uma xícara de...
    -Não!!! Suma da minha frente!!! O meu assunto é com esse nordestino pago! Diz apontando o dedo na cara dele.
    O velhote naquele instante, começa a mostrar o seu total desprezo:
    -Você é mesmo muito decadente, não é? É acabado, é destruído...uma alma covarde! Sempre tentando arranjar desculpas, ou crucificar as pessoas por seus atos infelizes! Não é isso barão...ou melhor, ex- barão Sandoval?! Fala num tom aguado.
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    -Como é que pode um velho que...
    -E ainda por cima sempre teve inveja de mim, e do meu rancho! Confessa! Fala aqui na minha cara! Desafia Bonifácio.
    O barão toma fôlego e embala num teatro insano com palavras rudes:
    -Inveja?! Inveja de que hein seu velho humilhado?! Hã?! Fala...dessa sua mulher vagabunda? Daquele...
    -Mais respeito com ela seu cabra safado!!! Grita e estremece a voz.
    -Respeito...que respeito pode...
    -Chega Sandoval!!! A custo de que tu veio aqui?! Não pode ser só pra ofender a mim, e a minha família.
    O homem dá voltinhas na sala antes de responder, e começa a fazer um discurso sem pé nem cabeça:
    -Meus tomates não crescem, as plantas pararam de se desenvolver, e já que eles não me obedecem, eu quero que você vá até lá conversar com eles! E diga...diga que eu mandei eles crescerem, porque eu paguei pelo sítio! Portanto, quero resultados.
    O ambiente se encheu de expressões de pessoas chocadas. Neusa, havia até saído do lado de fora da casa para rir. Berenice tinha se perdido toda quando ele pronunciará a palavra “conversar”. Ninguém estava entendendo nada. Exceto Bonifácio, que procurava entender mais aquilo tudo:
    -Como é que é?! Ter uma conversa com os tomates?! Com os repolhos?!
    -Sim! É isso mesmo! Não precisa ser uma conversa longa, só algumas palavras, sabe. Diz ele num tom inocente e precário.
    Faltando algumas fichas para cair, não demorou muito até que Bonifácio começasse a rir descontroladamente na frente dele. Um riso como não dava a muito tempo. E como que por mágica, até Berenice estava rindo.
    Vendo toda aquela cena se armando na sua frente, o barão perde a calma e questiona:
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    -Do que estão rindo todos vocês? Hein?! Ficaram loucos?! Olhando freneticamente pra todos os lados.
    -A gente?! Hahaha...eu acho que quem ficou louco foi você, oh Sandoval! Ai....mas tu é mesmo uma peça hein?! Veio até aqui fazer piadas com a cara da gente! Mas é mesmo...
    -Que piada seu imundo?! Que piada?!
    -Olha...saia daqui! Como se não bastasse todas as coisas que você fez pra mim e pra minha família, ainda vêm aqui fazer gracinhas! É o cúmulo da falta de respeito!
    Incompreendido, o barão sairá pela porta da sala enfurecido. Não entendia o porque de todas aquelas risadas e caras de espanto. Não entendia. Assim como chegou depressa, estava partindo na mesma velocidade. Precisava agir, agir por seus legumes.
    Naquele mesmo minuto, na casa do Conde, Selena estava pensativa num cantinho do quarto. Tua cabeça processava todas as coisas que havia feito para com a sua família. Era um sentimento de arrependimento, misturadas com uma boa dose de vergonha. Não estava se sentindo bem consigo mesma. Foi quando catou sua bolsa e saiu em direção a Floricultura para comprar o que ela chamava de “prova de reconciliação”. Estava firmemente decida do que iria fazer, e não podia esperar nem mais um instante, tinha que ser aquele, já.
    A menina estava indo encontrar o pai, para tentar talvez ter uma conversa, se não pelo menos alguma troca de palavras rápidas. E lá estava ela, já com a mão na campainha. Não estava acreditando que estava fazendo aquilo. Dentro da casa os ânimos e as risadas continuavam:
    -Ai...haha, não agüento mais rir! Diz Bonifácio abrindo a porta.
    O homem havia ficado branco, gelado. Selena resolve então ser franca:
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    -Pai...podemos ter uma conversa? Diz ela com as pernas trêmulas.
     
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  19. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    [size=medium][19º] - Capítulo: Selena pede perdão ao pai.[/size]
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    [size=xx-large]C[/size]om uma expressão de espanto, bordada com um pouquinho de desprezo, Bonifácio permite que a filha entre, e assim que isso aconteceu, Neusa avançou como um bicho pra cima dela:
    -O que essa menina desgraçada está fazendo aqui?!
    -Calma mulher... Ela, ela veio ter uma conversa comigo.
    Inclinou a cabeça, e insistiu numa idéia contrária:
    -Uma conversa?! Com você?! Só pode ser mais um golpe dessa...
    -Eu não vim aqui dar golpes em ninguém mãe! Entenda isso de uma vez por todas!
    -Claro..como se eu acreditasse muito em suas palavras, não é mesmo sua cobra?! Pois você...
    Não suportando aquele principio de discussão, Bonifácio coloca a mão no peito e diz:
    -É... Gente, não vamos recomeçar, por favor.
    -Sim, Bonifácio tem toda razão, se acalmem! Fala Berenice apaziguando.
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    -Pai... Podemos conversar a sós?
    Os dois imediatamente sobem e vão para os aposentos superiores. Selena estava suando frio, e o velho quase tendo um ataque, afinal, não esperava tal atitude da filha. Quarto trancado. Rola-se a conversa decisiva:
    -Vamos lá minha filha... Desenrole esse novelo! Diz olhando firme nela.
    A menina olha pro chão, pras paredes, e começa num discurso suave:
    -Eu... Vim até aqui pra, tentar arrumar algumas coisas em nossa família, pai.
    -A custo de que isso tudo?!
    -Não estou me sentindo bem... Estou me sentindo suja, morta por dentro.
    O velho coça a cabeça, esfrega a mão nos olhos e pronuncia:
    -A coisa que você fez a mim, e a sua mãe nesses últimos meses, tem provado que você não levou muito a sério a educação que te demos, Selena.
    Ela ainda se permanecia calada e de cabeça baixa.
    -Ter vendido o sítio, ter ficado ao lado de pessoas como aquelas, apenas por satisfazer uma necessidade sua?! Depois eu é que sou...
    -Eu precisava fazer aquilo!
    -Precisava por quê?!
    -Porque não queria ver o senhor sofrer, queria que tivesse uma vida mais digna, e mais justa.
    -E quando foi que você me viu reclamar daquilo tudo, hein?!
    Nada foi dito.
    -Ai Selena... Nem todos têm sonhos como o teu... De ter uma mansão, dinheiro! Há pessoas que tem outras aspirações de vida e...
    -Mesmo tendo que trabalhar embaixo daquele sol quente?
    -Claro! Aquela é a minha vida... e não mudaria isso jamais, por grana nenhuma! Sou um sertanejo pobre, um nordestino, e digo isso com muito orgulho!
    Um silêncio havia se instalado sob aquelas quatro paredes, a menina não sabia onde olhar. Bonifácio por sua vez havia visto uma face diferente na filha, na qual nunca virá antes. Eis que mais coisas são atiradas:
    -Eu... Peço perdão pro senhor! Perdão meu paizinho... Perdão! Diz ela se ajoelhando e chorando com as mãos no rosto.
    Vendo aquela cena toda, o homem firme mostra ainda mais postura:
    -Levante-se desse chão! Anda! Agora já foi... Acabou! O que você tem a fazer como prova do perdão, é desfazer tudo aquilo o que você causou.
    Ela limpa as lágrimas, e pede à ele:
    -Posso te dar um abraço meu paizinho?! Por favor!
    -Venha minha filha... Venha para seu velho pai. Diz abrindo os abraços.
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    (Música tema de Bonifácio)
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    Os dois se abraçam e não se contém perante a tanta emoção, parecia que as coisas estavam voltando a ser como eram. Neusa não perdia o costume de ouvir por de trás da porta, e num sinal claro de emoção, a mulher invade o quarto:
    -Eu não pude de deixar de ouvir... É que...
    Uma choradeira mais que especial tomava conta do local, até Berenice estava com um lenço do lado de fora do corredor:
    -Gente... Mas que, que coisa mais bonita é o perdão, não é mesmo? Aí, vamos parar de chorar, que tal um café pra animar? Diz ela assuando o nariz.
    De cenas bonitas e tristes, é disso que é feita a vida da gente. Bonitas pra quem sabe aproveitar. Tristes pra quem não sabe perdoar e dar oportunidades. Tudo parecia estar muito bem. Sim, parecia. Porque Sandoval não estava bem, estava perturbado e solitário. Passava a maior parte do tempo olhando para a janela, numa tentativa de ver se algo estava crescendo, e também pra ver se Bonifácio não viria para ter uma conversa com seus legumes:
    -Onde está aquele velho?! Já deveria ter vindo ter umas palavras com minhas cenouras! Batia a mão no peito.
    Numa atitude desgovernada, o barão abre a porta da sala e segue pro rancho do vizinho com pressa. Chegando lá, o homem começa a gritar com os repolhos e a pisar neles:
    -Malditos!!! Malditos!!! Vocês só crescem quando aquela múmia paralítica está aqui, não é mesmo?! Não é?! Falem comigo seus desgraçados!!!
    Só conseguia sentir o silêncio. E do silêncio conseguiu respostas:
    -Ah... Isso é um truque de vocês, não é isso?! Só vão falar se ele estiver presente, não é mesmo?! Pois bem... Amanha de manhã eu vou trazer o senhor Madureira até aqui.
    Caminhando novamente até sua casa, eis que ele se virá e reforça seu estado de loucura:
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    -Agora... Se ele relutar e não vir, aí é bom ele se preparar para o pior! Ninguém vai me dar as costas, nem vocês seus legumes infelizes!
    Café, bolinhos, e uma torta que enchiam os olhos das pessoas na mesa. Era um chá da tarde de confraternização, recheado com muitas lembranças. Berenice era a primeira a comentar:
    -Neusa... Lembra quando você fazia aqueles curais lá no sítio?!
    -Sim! Lembro sim! Eu fazia com as espigas que o Boninho plantava, eram tão boas! Comenta ela.
    Ele a filha não abriam a boca. Estavam apenas apreciando todas aquelas coisas. Como sempre, Nice queria que todos se sentissem muito confortáveis dentro de sua humilde casa:
    -É... Selena, você não quer que eu te sirva de um pouco de bolo? Fui eu quem fiz, com ajuda de sua mãe, claro, ela é ótima na cozinha!
    -Sim... Ela sempre foi! Diz olhando pra ela meia sem jeito.
    Barulhos de xícaras, pratos, e lá estava Bonifácio mais uma vez sendo o mais atrapalhado. Como sempre, Maria chamava atenção:
    -Olha aí velho, mas manchou toda a calça!
    -Que barbaridade! É que escorreu da minha mão! Ria do ato feito.
    -Bom... Vocês me desculpem, mas eu tenho que ir! Dizia Selena.
    -Oras, mas por quê? Pergunta Nice.
    -Tenho que resolver umas coisas...
    A menina sai apressada em direção a casa do Conde. E deixa todos ali meio preocupados:
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    -Mas o que deu nela Maria?
    -Não sei Berenice... Acho que deve ter ido falar com o Bertola, só pode!
    Anoitecia calmamente.
     
    Última edição por um moderador: 6 Out 2013
  20. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    [size=medium][20º] - Capítulo: Bonifácio é sequestrado.[/size]
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    [size=xx-large]A[/size] noite havia passada ligeira, e a manhã havia despertado voraz nos limites do sítio de Sandoval. Apreensivo, não tinha pregado os olhos, ficará girando na cama, pensando nos próximos passos dessa batalha, que segundo ele, era mais que honroso vencer. Mandou seus capatazes irem até São Paulo, e surpreender Bonifácio com uma visitinha nada agradável. Possessivo, e em um estado de pura doença, o barão já conseguia imaginar toda a cena: o velho conversando com suas plantas, elas crescendo, e tudo terminaria bem. Sim, era desse modo que ele imaginava em sua cabeça perturbada.
    A quilômetros dali, o senhor Madureira levantava-se da cama, vestia-se, e se aprontava apressadamente em frente ao espelho. Era sagrado todo sábado um pãozinho de padaria sob a mesa, e ele não media esforços para acordar cedo, e ser um dos primeiro a chegar, e pega-los ainda quentinhos.
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    Destrancou a porta, chaveou e começou sua breve caminhada, mal sabia ele que por de trás de alguns arbustos e bancos, estavam os capatazes de Sandoval, prontos para pega-lo numa encruzilhada. Vacilou ao virar a esquina. Foi surpreendido com um forte golpe nas costas. Caiu beirando a sarjeta suja.
    Uma, duas, três, quatro horas se passaram desde que ele havia saído de casa. Não havia deixando nenhum sinal de fosse demorar, nenhuma anotação, nenhum misero recado. Neusa já se colocava preocupada:
    -Aconteceu alguma coisa gente! – dizia ela colocando as mãos na cabeça. – Precisamos fazer algo!
    -Aí, mas calma Neusinha! Vai ser ele foi jogar um baralho, é isso.
    -Que mané jogar baralho Berenice! – enrugava o rosto. –Eu vou sair pra procurá-lo!
    -Mas procurar onde, na padaria?
    -Claro que não, o que ele estaria fazendo na padaria esse tempo todo? – pensando e se convencendo. –Se bem que, não custa ir lá também.
    Pegou sua bolsa, ajeitou seus óculos e saiu pra rua para tentar encontrá-lo. Estava nervosa, tensa, e muito preocupada. Enquanto isso, na casa do Conde, Selena tirava suas coisas do guarda-roupa, e colocava dobradas sob a cama. Estava arrumando-as para ir embora daquela casa definitivamente. Roupas não faltavam, e no meio daquela montanha toda pensou sozinha:
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    -Peraí, mas essas coisas eu não devo levar, não, não devo!
    O pensamento alto da garota acorda Bertola, que abria os olhos vagarosamente:
    -Selena... Mas, o que é isso? – diz esfregando as mãos no rosto. – O que são essas peças de roupas?
    -Eu vou embora Bertola! Falava a menina num tom decidido e conciso.
    -Vai o que? Embora? Mas o que aconteceu?!
    -Não aconteceu nada. Apenas cai na real sobre tudo.
    Levantando-se da cama, o barão seguiu em direção a menina, e olhou firme nela:
    -Me conte! O que houve? O que eu te fiz pra você tomar uma decisão dessas?
    -Você? Mas você não me fez nada... eu só estou vendo o tamanho da mentira de vida que eu levo aqui a seu lado. Desabafava ela.
    -Selena, tu não...
    -Esqueça Bertola, eu enganei você! Eu não passo de uma farsa, apenas isso.
    -Mas como enganou?! E que mentira?!
    A menina não respondia.
    -Eu te fiz uma pergunta, e quero uma resposta.
    Ela continuava guardando suas coisas apressadamente, já nem dobrava direito, queria sair do local para respirar, quando o Conde perde a paciência e a pega pelo braço e grita:
    -Fala pra mim!!! Olhe nos meus olhos!!!
    Não conseguia encarar. Sua cabeça estava baixa, e o homem ainda a segurava firme:
    -Eu queria seu dinheiro! – lança ela com todas as letras. – Vida fácil, é isso!
    Uma pedra acabava de ser atirava no peito daquele senhor, estava zonzo, sem reação, provida de uma expressão pálida e desconcertada. Indo ao combate emocional o ser ali golpeia:
    -Como teve coragem de fazer isso comigo sua maldita!!! – balançava a menina enfurecido. – Você não pode ser gente, só pode ser um bicho!
    -Me bate, anda... Bate na minha cara! Pedia ela descontroladamente.
    -Não... isso não pode ser verdade, o que aconteceu com você? Porque está fazendo isso comigo?!
    -Eu só disse a verdade, a verdade que...
    -Não!!! Isso não pode ser verdade, não pode! O que foi que te fizeram? O que foi que te disseram?
    Um tempo se é dado para que ela responda, foi naquele instante que a menina começou a se explicar melhor:
    -Sabe Conde, eu sempre sonhei em morar num casa dessas, dormir em camas como essa aqui, eu precisava saber como seria...
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    -O amor que você sente por mim também é mentira?
    Ela baixará a cabeça. Não dizia nada.
    -Responde pra mim! – insistia ele.
    Lágrimas sinceras desciam de sua face, eram os votos de uma verdade que o senhor Bertola gostaria de saber.
    -Porque você está fazendo isso? Porque?
    -Eu fui uma pessoa má... egoísta, que maltratou os próprios pais pra viver isso aqui... essa vida sem sentido.
    -Não, mas não é sem sentido! Eu sempre lhe disse que...
    A conversa iria durar a manhã toda naquela casa, era um acerto de contas entre a verdade e os falsos sentimentos. Era o que parecia. Voltando ao sumiço de Bonifácio, onde estaria o velho? Os capatazes de Sandoval o levaram para seu sítio, e lá o trancaram num porão frio e sujo. Estava desacordado ainda com o golpe, porém à medida com que voltava a lucidez e abria os olhos, ia se dando conta de que não estava num lugar muito familiar. Parecia um pesadelo, onde as dores eram realmente sentidas no corpo, assim achava ele. Como numa cena de terror, o barão desce as escadas com suas botas elegantemente sujas, e resolve encarar o homem ali, de frente:
    -Ora, ora... que honra tê-lo aqui, velho Bonifácio! – aplaudindo.
    Cambaleando, e olhando para o chão, o senhor Madureira logo resolve perguntar:
    -O que é isso? Onde é que eu estou?! – se segurando na parede.
    -Em meu sítio! Você veio até aqui para conversar com a minha plantação, não se lembra?!
    -Seu cabra safado! Eu não vim aqui coisa nenhuma! Você é que mandou aqueles capatazes pra me...
    -Chega seu velho morto de fome!!! Acabou!!! – diz batendo na mesa. -Agora vamos, que tipo de feitiço você fazia para que seu sítio fosse pra frente?
    -Você é mesmo bem maluco, não é?
    -Acho melhor você não bancar o engraçadinho pra cima de mim, sua múmia paralítica, pois corre o risco de nunca mais sair daqui, e também...
    -Ah... você está me ameaçando? – hesita ele.
    -Estou sim! – diz ele de peito aperto. –Vai fazer o que? Bater em mim? Me dar um tiro? Acorda seu velho pamonheiro, nem arma tu tem mais!
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    Não estava armado, estava puramente indefeso. Foi quando o barão ordenou que amarrassem ele numa cadeira, e não o deixassem sair enquanto não falasse o tal segredo sobre as plantações. Ali permanecia, no escuro, com apenas uma luz na casa.
     
    Última edição por um moderador: 6 Out 2013

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