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Bolsista no exterior põe estudo em 2º piano e adere ao Turismo sem Fronteiras

Tópico em 'Atualidades e Generalidades' iniciado por Morfindel Werwulf Rúnarmo, 3 Jul 2014.

  1. Morfindel Werwulf Rúnarmo

    Morfindel Werwulf Rúnarmo Geofísico entende de terremoto

    Um número cada vez maior de universitários aproveita o valor da verba bancada pelo Governo Federal, que chega a R$ 60 mil, cursa apenas duas disciplinas no semestre e usa boa parte do intercâmbio acadêmico para viajar pela Europa e EUA

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    Bolsistas chegam a dizer que o CsF poderia ser chamado de ´Cerveja sem Fronteiras´​

    "É muito engraçada a fama que o estudante brasileiro tem aqui nos Estados Unidos. Todo mundo pensa que somos ricos: porque todos os bolsistas do Ciência sem Fronteiras [CsF] têm um Apple [notebook que pode custar até R$ 4,2 mil], um iPhone 5 [celular que vale R$ 3 mil], roupa de marca que compramos aqui e porque viajamos quase toda a semana para uma cidade diferente", diz um universitário que estuda nos EUA pelo programa do Governo Federal.

    O jovem, que preferiu não se identificar, cita os benefícios gerados pela verba que o programa oferece ao candidato selecionado para estudar por até um ano e meio lá fora. O programa, que tem uma meta ousada de enviar 101 mil estudantes ao exterior até 2015 - em sua maioria alunos de graduação -, já mandou mais de 50 mil desde 2011. Cerca de 80% deles são universitários que ainda não finalizaram o curso superior. O custo total do programa é de mais de R$ 3 bilhões.

    Somando todos os auxílios, cada bolsista do programa custa, aproximadamente, R$ 60 mil por ano. Isso sem considerar o valor repassado diretamente à instituição de ensino pelo governo, o que isenta o estudante de qualquer despesa acadêmica. Pelo CsF, o aluno recebe verbas específicas para a viagem, acomodação, alimentação, compra de material didático e também recursos para aquisição de equipamentos eletrônicos, como computadores portáteis.

    Confira, em detalhes, o extrato ao qual o iG Educação teve acesso com o valor discriminado de todos os benefícios. Os valores podem variar a depender da localidade de cada bolsista, da época da viagem e do período de permanência:

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    Extrato com valor dos auxílios do programa repassado do bolsista mostra dimensão dos benefícios​

    "Retirando essas despesas de manutenção, ainda temos uma espécie de ´salário´ no valor de mais de R$ 20 mil. Essa é a quantia que utilizamos para o dia dia e para manter a vida social", enumera Breno Barcellos, 21 anos, estudante da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), que voltou do intercâmbio no Reino Unido em janeiro deste ano.

    Tais benefícios, contudo, têm sido desvirtuados por um número cada vez maior de estudantes - não foi o caso de Barcellos. Esses alunos, ao perceberem a pouca supervisão de suas universidades no Brasil (
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    ), matriculam-se em apenas duas disciplinas no semestre e se aventuram no "Turismo sem Fronteiras" - expressão que vem sendo utilizada pelos próprios estudantes.

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    Barcellos, durante apresentação de produtos típicos brasileiros no Reino Unido. Ele critica o ´Turismo sem Fronteiras´: "É vergonhoso"​

    "Os bolsistas dos primeiros editais tinham um perfil mais responsável; agora, tem muita gente querendo fazer só farra. É vergonhoso. É o ´Turismo sem Fronteiras´ junto com o ´Cerveja sem Fronteiras´", conta Barcellos. Durante sua estadia no Reino Unido, o jovem trabalhou em um seção que auxiliava estudantes brasileiros enviados pelo programa e teve contato com vários bolsistas do País.

    "A única coisa que todos sabiam era a proibição de viajar para o Brasil durante a vigência da bolsa. De resto, as pessoas viajavam pelo país onde estavam e pela Europa. Não se avisava a ninguém. O CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico; uma das agências federais responsáveis pela coordenação do programa] não fazia nenhuma fiscalização", diz Barcellos.

    Mochilão na Europa

    Foi esse panorama que estimulou as aventuras de um jovem estudante bolsista do programa na Europa, que prefere não dar detalhes de identificação. Se as experiências na faculdade foram limitadas, o que viveu fora dela foi bem diferente. Administrando as duas disciplinas que cursava, o estudante conseguiu a cada semana viajar para várias cidades e países diferentes.

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    Mais livres das responsabilidades acadêmicas, alunos se aventuram em mochilões na Europa​

    Na França, foram mais de 16 cidades visitadas, do extremo norte ao extremo sul. Ele ainda visitou três cidades britânicas, a Holanda, três cidades espanholas, quatro italianas, além de outras localidades no norte do continente africano. As viagens eram tantas que não faltavam comentários bem humorados nas redes sociais de familiares e amigos no Brasil: "Aproveita bastante as viagens, mas também vai estudar rapaz".

    Como há casos em que professores das universidades do exterior que recebem os brasileiros não fazem controle de presença, os alunos ficam atentos apenas à entrega de trabalhos e às avaliações no meio e no final do semestre.

    Tais cicurstâncias contribuem com a "popularização" do termo "Turismo sem Fronteiras". Os comentários - cada vez mais presentes na internet - feitos por colegas, conhecidos dos bolsistas e até usuários sem vínculo com o estudante do CsF são simples indicativos dessa "popularização". No microblog Twitter, por exemplo, não faltam críticas e chacotas ao "Turismo sem Fronteiras":


    Críticas

    A situação é criticada por especialistas consultados pelo iG Educação. "As experiências mostram que, para os alunos de graduação, o programa se torna um ´Intercâmbio sem Fronteiras´. O que as famílias de classe média faziam, agora é o governo quem paga", compara o cientista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Stevens Rehen.

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    Para Rehen, experiências culturais propiciadas pelo CsF não bastam; é preciso mais que isso​

    Rehen afirma que o governo poderia até alegar que o importante é o aluno brasileiro se expor a um ambiente internacional, ter a oportunidade de sair do País e aprender uma nova língua. A questão, diz ele, é o preço disso. "Se a gente for computar os valores, essa experiência sai muito caro", diz.

    Já o pesquisador brasileiro Marcus Smolka, que atua na Universidade de Cornell - uma das melhores dos EUA -, observa que o real aproveitamento acadêmico dos alunos não é uma preocupação para a instituição estrangeira. "Ela está sendo paga para receber bem esse aluno. Então, o foco de sua preocupação é garantir que o brasileiro esteja bem alojado e socializado. Se está fazendo pesquisa ou não, não interessa".

    O interesse de instituições estrangeiras pelo aluno brasileiro - e pela verba do programa - precisa ser visto com cautela, afirma o ex-embaixador Rubens Barbosa, presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

    "Recebi vários reitores americanos e ingleses. Existe um movimento grande de universidades estrangeiras buscando atrair o aluno brasileiro. Algumas são sérias, outras mais precárias. O fato é que levar brasileiros para lá é um ótimo negócio para elas". Atualmente, países como a Espanha enfrentam uma crise financeira que impacta diretamente o número de estudantes matriculados nas instituições de ensino daquele país.

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    MEC diz que "não procede" a informação de que o estudante faz poucas disciplinas​

    Outro lado

    Consultado, o Ministério da Educação (MEC), que centraliza o posicionamento do Governo Federal sobre o Ciência sem Fronteiras, diz que "não procede" a informação de que o estudante faz poucas disciplinas.

    "O programa controla as atividades realizadas pelo bolsista no exterior por meio de relatórios submetidos às agências de fomento. O controle também é realizado pelos parceiros internacionais do CsF que verificam a assiduidade do bolsista, seu desempenho, auxiliam na obtenção de vagas de estágio e atuam, ainda, na resolução de problemas de ordem acadêmica e administrativa em relação às instituições de destino".

    Em relação ao "Turismo sem Fronteiras", o MEC afirma que "durante o período de vigência da bolsa, o Manual do Bolsista [documento com regras e orientações ao estudante] recomenda que todo o período de concessão seja destinado às atividades previstas na universidade. Caso haja necessidade de afastamento do local de estudos o bolsista deverá solicitar autorização à sua instituição de ensino no Brasil e comunicar a Capes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, uma das agências federais que administra o programa] com a devida antecedência".

    Por fim, o MEC acrescenta que, no termo de compromisso assinado pelo bolsista, "a Capes [outra agência que coordena o programa] também se reserva ao direito de suspender ou cancelar a bolsa a qualquer momento, em função do desempenho acadêmico insuficiente ou decorrente de qualquer situação considerada desabonadora, podendo, inclusive, ser exigida a devolução parcial ou total do investimento realizado".

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    Os tweets não estão aparecendo, pra ver tem que ir na página original.
     
  2. Lew Morias

    Lew Morias Luck is highly overrated

    Só pra constar: os valores naquela imagem com o quanto o bolsista recebe estão equivocados. Na parte de seguro-saúde a gente recebe uma parcela com aquele valor, não 12. Além disso, o montante recebido em reais depende da moeda do país em questão. Esse extrato aí deve ser de alguém do Reino Unido (e, é bom lembrar, uma libra vale quase 4 reais - ou ao menos valia, quando eu fui selecionado). Ou seja, esse valor de 60 mil tá muito superestimado - pegaram um sujeito que foi pro país com a moeda mais valorizada e não fizeram menção nenhuma a esse erro grotesco que eleva o valor da bolsa em mais de 20 mil reais e que, pelo menos entre a galera do meu edital, todo mundo sabe da existência (e ninguém nunca entendeu porque o CNPq não conserta isso).

    E, falando da minha experiência agora, todos os 15 (número irrisório frente ao total de bolsistas, eu sei) da minha universidade pegaram 5 ou 6 disciplinas pra fazer e, mesmo entre a galera de outras instituições/países não conheço ninguém que tenha tido a cara de pau de pegar duas disciplinas - apesar de, infelizmente, reconhecer que uma galera deve ter feito isso sim.
     
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  3. ExtraTerrestre

    ExtraTerrestre Usuário

    O que eu mais conheço é gente fazendo duas, três matérias e caindo no 'Turismo sem Fronteiras'.

    Por mais triste que seja isso da parte dos alunos, é a tendência do ser humano. A culpa maior é do modo como o programa foi implementado.

    Em primeiro lugar, não existem 80-90 mil alunos de graduação de excelência no Brasil - ou pelo menos essa quantidade de alunos preocupadas com uma formação acadêmico-científica mais sólida. Aqueles que por acaso não forem com essa mentalidade - e neste caso caem muitos - não enxergarão a possibilidade que têm para aprimoramento acadêmico e profissional. E cairão na farra mesmo.

    Outro grande problems a meu ver é a megalomania do programa, de querer começar já grande demais, concedendo por ano dezenas de milhares de bolsas. Não deu tempo para os órgãos reguladores implementarem medidas que viessem a racionalizar o programaa.

    Ele não passar de fato pelas universidades em que os graduandos estudam no Brasil é outro fato que gera enorme desperdício de dinheiro e de recursos de todo tipo. Sem ser assessorado pelo colegiado de seu curso, o aluno acaba não tendo orientação nenhuma sobre qual disciplina cursar - a centralização do programa faz com que o aproveitamento das matérias cursadas no exterior para integralização do currículo seja risível.

    Um bom programa CsF passa necessariamente por uma alteração completa de seu modelo. Ao invés de ser uma concessão do governo federal diretamente aos estudantes, ele devia passar para algo parecido com as verbas do CNPq para pesquisa. O governo disporia verbas para universidades (ou grupos de universidades), públicas ou privadas, que quisessem fomentar programas de mobilidade acadêmica internacional. Aquelas que firmassem convênios com instituições de alta qualidade, com um programa de graduação verdadeiramente sanduíche (currículo misto entre a uni local e a do exterior) e tivessem critérios bem claros de seleção dos melhores candidatos seriam agraciadas com o auxílio-intercâmbio e os estudantes, tal como hoje, seriam inteiramente agraciados com custos para estadia, translado, saúde e material didático, tal como hoje.
     
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  4. Morfindel Werwulf Rúnarmo

    Morfindel Werwulf Rúnarmo Geofísico entende de terremoto

    Eu não vou cair naquilo de "eu conheço alguém logo é assim pra todo mundo", mas... Na minha TL de vez em quando aparece fulano tá na República Tcheca, eu na Hungria, eu na Espanha. Só vejo viajando. Mas ao contrário de quem quer que o Bolsa Família seja cancelado porque conhece alguém que usa errado eu não quero que esse programa seja cancelado, mas vai pelo que o ET disse. Precisa de orientação.
     

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