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BEBENDO O MAR DA INSANIDADE

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por jessebarbosadeoliveira, 6 Set 2010.

  1. Um gesto coíbe a lágrima:
    A glória e a angústia se amalgamam,
    Se entrelaçam, se abraçam, se procuram, se misturam,
    Se mastigam, se adaptam, se compactam, se fecundam,
    Se masturbam e se adicionam hirsutos
    Ao sabor dos pensamentos mitômanos, confusos,
    Gerando uma insólita & desvairada
    Alegria atormentada em relação
    Ás aquarelas assenzaladas quais sequestram,
    Flagelam ou sepultam
    O oceano fluente pelo cérebro á beira
    Do abismo profundo.


    Ah, pensar também
    Que integro o elenco
    De reféns desta maré maligna:


    Ora como um espectador impotente
    Por não poder ser reativo
    Quando a peçonha da violência,
    Da cobiça e da autocracia
    Preda a candura ---- até então,
    Mantida incólume ainda, quanto
    Á sua alma, á sua lírica arquitetura ---
    Pois a consciência sente a dolência
    De viver em infinita clausura;

    Ora sentindo o amargor
    De fruta cítrica
    Da amorosa sensaboria
    Fazendo malsãs investidas,
    Cheias de sedução e aleivosia
    Contra a aurora da fantasia
    Quando a arte da conquista
    Vira planeta em sangria;


    Ora completamente imerso
    Na piscina labiríntica
    Do meu mundo-ego,
    Hades onde
    Os demônios --- apátridas
    Da indulgência e da fidalguia ---
    Castram-me o combustível qual alimenta,
    De maneira apaixonadamente feroz e fidedigna,
    A fogueira ativista contra o império da hidra,
    Além de devorar --- tal se fosse
    Um cardume celerado
    De famintas piranhas assassinas ---
    O lume do farol que mantém viva e fortifica
    A energia do Corcel da tranquilidade assertiva,
    Da solar lira!


    Ah, não desejo mais
    Que o nosso destino
    Caiba --- de modo conciso ---
    Na palma da mão
    Do vácuo empedernido:


    Ao contrário,
    Espero incansável
    Que a manhã-mor
    Do equinócio auspicioso ecloda,
    Portando consigo o sol do denodo,
    Do arco-íris onde mora o regozijo do sonho,
    Da flora, da fauna, da via Láctea do ouro,
    Da Poesia que liberta a Mente do Povo!


    Mas o império da pedra
    Mostra o verdadeiro timoneiro
    Do navio da realidade:


    Ele ostenta a face
    De canções quais assassinam a jocosa tarde
    E levam ao templo do abate
    O carcereiro da catástrofe.


    Então minha rijeza
    Vira mármore:
    A poesia cuja centelha
    Irrompe do Rio São Francisco
    Dos meus versos
    É catarse trôpega, lôbrega, estéril:
    A realeza maior dos tétricos cemitérios!

    JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
     
  2. Rodovalho

    Rodovalho Usuário

    Bebo três terços do mar

    para assim não sobrar gota, gole ou soluço
    nessa boca sedenta de sal e apocalipse.
    De tanto tomar cemancol ou chá de sumiço
    se esse bom senso do ridículo sumisse...
    De tanto rimar fevereiro e travesseiro

    rumo bocejando por todos meses do ano
    e tomo comprimidos nas horas certas do dia.

    Pois navegar é preciso, de navegar impreciso,
    quando tsunamis devastam todos portos seguros
    e não há mais lar pra onde voltar nesse mundo.

    Então alucinação se mescla a realidade
    e dá às cores um sabor especial.
    Dá à mentira a medida da verdade
    liga estrela à estrela, lenda à lenda, desenha deuses no céu.

    Esquece... já é tarde.
    Desligo o despertador. Tenho meu trabalho oito horas da manhã. Coço o saco, espreguiço, calço os chinelos, lavo o rosto, faço a barba, mijo fora do vaso, escovo os dentes, ponho as meias, amarro os cadarços, afivelo o cinto, apoupo os bolsos, sinto as chaves e visto minha camisa de força.

    Some o sol uiva a lua chama a chama
    queima um desejo piromaníaco
    mingua um pensamento lunático
    pois existe um amigo imaginário
    confessando que eu sou doido de pedra.
     

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