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Barragem em Barão de Cocais (MG) pode se romper a partir de domingo, diz MP

Tópico em 'Atualidades e Generalidades' iniciado por Fúria da cidade, 16 Mai 2019.

  1. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

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    Vista geral do entorno da barragem Sul Superior da mina de Gongo Soco, em Minas Gerais Imagem: Ramon Bitencourt/O Tempo/Estadão Conteúdo
    A barragem da mina do Gongo Soco, em Barão de Cocais (MG), pode se romper a partir de domingo (19). É o que aponta documento da Vale a que o Ministério Público do estado teve acesso. A estrutura fica a 100 km de Belo Horizonte e a 144 km de Brumadinho, onde o rompimento de uma barragem da Vale em janeiro deixou 240 mortos e 30 desaparecidos.

    Em recomendação emitida hoje, o MP deu prazo de seis horas para a mineradora informar ao órgão como fará para alertar dos riscos a população que pode ser atingida e o apoio que prestará no caso de o rompimento se concretizar.

    Segundo o MP, a mineradora verificou que há uma deformação no talude norte da cava de Gongo Soco, na mina de Gongo Soco, e que, se esse talude se romper, provocará vibrações que poderão comprometer a barragem Sul Superior e levar ao seu rompimento. Ainda segundo o MP, a Vale estima que, na velocidade em que está a movimentação do talude, a ruptura poderá ocorrer entre domingo (19) e o dia 25 de maio.
    "De acordo com os dados atuais de monitoramento pelo radar instalado na cava, existe a possibilidade de deslizamento do talude norte da Cava de Gongo Soco. As trincas no talude estão evoluindo e os dados de monitoramento demonstram que a movimentação no talude norte da cava está aumentando", diz o MP.

    A própria Vale informou nesta semana que uma
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    Talude é a estrutura semelhante a uma escadaria, em grandes proporções, que se forma ao redor da cava, que é de onde se retira o minério de ferro. A barragem Sul Superior, local de depósito do rejeito da produção da mina, fica 1,5 quilômetro à frente da cava.
    Alerta constante

    A população de Barão de Cocais está em alerta desde 8 de fevereiro, quando 433 pessoas foram retiradas de suas casas durante a madrugada depois que uma empresa de consultoria negou declaração de estabilidade à estrutura da Vale.
    Pouco mais de um mês depois, em 22 de março, a sirene do sistema de segurança da barragem da mina da Gongo Soco foi acionada durante a noite. Na ocasião, o município afirmou que "por orientação da Agência Nacional de Mineração (ANM)", o nível de alerta da barragem havia passado para 3, que é o grau máximo.
    Apoio à população

    Na recomendação de hoje, o MP pede que a Vale adote imediatamente uma série de medidas para deixar claro à população local os riscos a que ela está sujeita, informando a comunidade por meio de carros de som, jornais e rádios sobre possíveis riscos, potenciais danos e impactos de um eventual rompimento.

    Além disso, a pede que a empresa forneça às pessoas eventualmente atingidas apoio logístico, psicológico, médico, bem como insumos, alimentação, medicação, transporte e tudo que for necessário, mantendo posto de atendimento 24 horas nas proximidades dos centros das cidades de Barão de Cocais, Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo.

    Contatada pela reportagem do UOL, a Vale ainda não se manifestou a respeito das recomendações do MP.
    3ª tragédia? Após Brumadinho, não há garantias sobre segurança de barragens

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    Mais uma bomba-relógio prestes a explodir.. e ainda tem outras em potencial...
    Até quando hein?
     
  2. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

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    Máquinas trabalhando em área de mata perto do povoado de André do Mato Dentro (MG) Imagem: Programa Polos de Cidadania/UFMG

    Moradores de duas comunidades rurais de Santa Bárbara (MG) que não estavam na rota da lama estão apreensivos desde que a Vale começou a fazer obras em suas terras para desviar o rejeito da barragem Sul Superior, da vizinha Barão de Cocais. A estrutura corre risco de se romper sozinha ou em consequência da queda do talude, terreno inclinado que dá sustentação à barragem e continua se movimentando.

    Há cerca de 20 dias, máquinas pesadas da mineradora estão trabalhando em André do Mato Dentro e Cruz dos Peixotos, povoados distantes 14 km da mina de Gongo Soco por estrada de terra. Seus moradores e sitiantes reclamam que até agora não foram informados do que realmente está sendo feito, nem sobre consequências e possíveis riscos. Parte da lama que seguiria para Barão de Cocais, no lado oposto, agora deverá vir nessa direção.

    Para piorar a situação, ao menos três famílias já tiveram que deixar suas terras, por determinação da Justiça, para que as obras sejam realizadas. Outras tantas temem receber a qualquer momento uma ordem de retirada, sob pena de ter de pagar de R$ 100 mil a R$ 1 milhão por dia caso se recusem a sair de casa.

    "Vieram medir [a propriedade] aqui do lado, então a gente fica preocupado de ser o próximo, porque a gente não sabe a ideia deles, e eles não explicam nada", diz o funcionário público José Mendes de Carvalho, conhecido por Chico, que mora com a mulher e um filho em um sítio em Cruz dos Peixotos, onde cria gado e planta café. "Já falei com meu contador, e ele me disse: 'Se vierem te procurar, não assina nada'."

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    A região onde estão localizados os povoados de Cruz dos Peixotos e André do Mato Dentro fica na porção oeste de Santa Bárbara, a cerca de 40 km do centro histórico, que, conforme já informado pelo UOL,
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    . Barão de Cocais, onde está localizada a mina e barragem, fica ao norte de Santa Bárbara.

    Autorização para entrar dada num plantão

    Em 18 de maio, cinco dias após informar as autoridades de que parte do talude se romperia e poderia afetar a barragem, a Vale ajuizou uma medida de urgência pedindo autorização para entrar em imóveis de terceiros localizados nas proximidades da mina. A intenção era construir um canal de escoamento e uma bacia de contenção.

    A mineradora alegou se tratar de uma "situação de calamidade pública", por haver "risco iminente de rompimento" da barragem, e que as obras eram necessárias para minorar as consequências ambientais e sociais de um possível desastre. Disse ainda na chamada "ação de tutela antecipada" que vai indenizar os prejuízos materiais, mas que, "neste momento, a incolumidade pública deve prevalecer sobre os direitos individuais de propriedade".

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    Canteiro de obras da Vale na região do povoado de André do Mato Dentro, em Minas Gerais Imagem: Programa Polos de Cidadania/UFMG

    A mineradora não disse no documento quais áreas seriam desapropriadas, citando apenas as coordenadas geográficas em que suas equipes iriam trabalhar, e chegou a pedir multa de R$ 10 milhões por dia para quem não deixasse sua propriedade e permitisse seu acesso.

    O juiz de plantão Carlos Pereira Gomes Junior, às 23h40 do mesmo dia, um sábado, concedeu a liminar permitindo que a Vale fizesse as obras que julgasse necessárias, porém reduzindo a punição para no máximo R$ 1 milhão por dia.

    A Vale confirmou ao UOL que entrou com a medida na Justiça e que o objetivo é realizar "obras em caráter emergencial e preventivo para assegurar a segurança da população na eventualidade do rompimento da barragem Sul Superior, na mina de Gongo Soco".

    Disse ainda que os imóveis necessários às obras "não possuem moradores permanentes e são utilizados para lazer", que "vai pôr em prática todos os recursos possíveis para evitar ou minorar as consequências à população" e que os proprietários serão indenizados.

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    Área de mata próxima ao povoado de André do Mato Dentro (MG), aberta pela Vale para obras para contenção do rejeito da barragem Sul Superior Imagem: Programa Polos de Cidadania/UFMG

    "Não tenho mais esperança de voltar", diz sitiante

    A funcionária pública Maria Izabel dos Santos, 59, que mora no município de Caeté e tem um sítio de 12 hectares em Cruz dos Peixotos, foi a primeira a ser notificada.

    "No sábado, dia 18, me ligaram da Vale dizendo que precisavam passar com equipamentos pesados [dentro do sítio], mas não me deram muita informação. Eu falei que tudo bem. Na segunda-feira, me ligaram de novo, e um funcionário foi no meu trabalho e me deu um papel para assinar. Fiquei muito nervosa e chamei um advogado", conta Maria Isabel.

    "O funcionário de novo não explicou muita coisa, mas disse que eram obras de urgência e que havia multa, e eu assinei. Entendia a necessidade, mas não sabia o que iria acontecer exatamente com o terreno. Quando fui lá no dia seguinte, na terça, já tinham arrancado cerca, minhas plantas, aberto o terreno, escavado. Fiquei sem chão", disse a sitiante.

    Maria Isabel afirma que, apesar de o sítio ser apenas para o lazer de sua família, a terra tem valor afetivo, porque foi seu pai quem a comprou com o dinheiro do trabalho de toda uma vida. "Nesta semana a Vale me disse que vai usar toda a área, terá de demolir a casa, ou seja, eu não tenho mais esperança de voltar um dia", lamenta.

    "De repente a gente viu um rasgo na mata"

    Agricultor familiar em André do Mato Dentro, Pedro Marques diz que notou quando começaram a circular retroescavadoas pelo local, mas achou que pudessem ser máquinas em uso na construção do muro de contenção, a 6 km da barragem que a Vale havia anunciado semanas antes. "Mas, de repente, a gente viu que estavam abrindo um rasgo na mata, parecia uma praça, bem perto do rio", diz.

    Foi então que ele, que também é ativista ambiental, acionou um grupo de professores e pesquisadores da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), que compõem o programa Polos de Cidadania e desenvolve trabalhos em áreas afetadas por ações de mineração, incluindo Mariana e Brumadinho. "Eles já estavam por aqui perto, em Barão de Cocais, conversando com os moradores, foram atrás e descobriram a decisão do juiz. Só assim que a gente ficou sabendo o que era", conta Marques.

    O grupo visitou o "canteiro de obras" da Vale nos dias 28 e 29 e fez um relatório, que foi apresentado a secretários da Prefeitura de Santa Bárbara e ao Ministério Público Federal, em reuniões realizadas na segunda-feira e ontem, respectivamente. "Na Prefeitura de Santa Bárbara, ninguém estava sabendo", diz o coordenador do programa, André Luiz Freitas Dias, para quem o problema maior foi a mineradora não comunicar os moradores e proprietários de terra dos povoados de uma ação que vai gerar tantos impactos.

    "A Vale nem sequer informou os moradores da região sobre a intervenção que seria feita. As pessoas, famílias e comunidades desconhecem o projeto, os mapas que foram construídos, o cronograma da ações realizadas e já estão sofrendo na pele os danos", diz o professor. Para ele, trata-se de "um terror similar ao que foi gerado em Barão de Cocais".
     

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