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Axolotle atropelado (Helene Hegemann)

Tópico em 'Literatura Estrangeira' iniciado por Izze., 7 Jul 2011.

  1. Izze.

    Izze. What? o.O

    O axolotle é uma espécie de salamandra mexicana que nunca se desenvolve, e nesse animal Mifti vê um retrato seu. Ela é igualmente parada no seu desenvolvimento, sem perspectiva de que vá fazer algo além de ir em festas, se drogar e passar os dias dormindo sem ir à escola. E também não recebe ajuda ou incentivo algum da família ou dos amigos para que saia dessa rotina desregrada, por mais que demonstrem preocupação. Axolotle atropelado tem ritmo intenso, uma verborragia de sentimentos e diálogos de Mifti, muitos deles fragmentados como suas lembranças danificadas pelo constante estado de embriaguez ou delírio. E assim o leitor tem contato com a família, amigos ou estranhos com quem Mifti se encontra – e eventualmente transa – enquanto espera que algo dite o seu fim, seja uma overdose, suicídio ou a relação com aquela que a sodomiza e causa sua dependência e depressão, como a própria droga que consome.

    Helene Hegemann foi recebida como prodígio literário ao publicar Axolotle atropelado com apenas 17 anos de idade. O livro é o diário de Mifti, uma adolescente problemática de 16 anos envolvida com drogas e sexo na Berlim dos dias de hoje. Cercada pela riqueza dos artigos luxuosos da moda e amigos “intelectualóides”. Uma garota precoce como a autora do livro, que assume sua condição de ruína como uma criança em busca de atenção, mas com frases de impacto que soam muito inteligentes. Órfã de mãe, mora com os irmãos mais velhos super descolados enquanto seu pai negligente viaja pelo mundo. Mifti nunca recebeu muito afeto da família, principalmente da mãe esquizofrênica, e sua carência a leva para as mais absurdas relações sexuais, incluindo a obsessão por uma mulher um pouco mais velha, a quem se submete a atividades sádicas.

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  2. Gigio

    Gigio Usuário

  3. Zzeugma

    Zzeugma Usuário

    Me contaram que este livro provocou mesmo o maior barulho na Alemanha por conta deste lance. Indiferente à questão de autoria, o livro continuou vendendo. Fiquei sabendo de outras histórias... mas eu preferia ler este antes de comentar qualquer coisa.

    * * * * *
    Abaixo duas postagens do blog do escritor
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    que podem ou não ter a ver com a ideia de autoria:

    ****

    Existe algo mais difícil do que escrever: explicar o que se escreveu, o que terminou de se escrever há quase dois anos e que foi deixando para trás, e agora deve ser explicado de novo, sobrepondo-se ao abandono, assentindo às perguntas com uma cortesia de falsificador, de impostor, que se acentua ao ficar diante da câmera do fotógrafo. Se quem faz as perguntas leu o livro as explicações podem se converter numa boa conversa; se não leu, a pessoa escuta a si mesma reduzindo penosamente à caricatura e à reiterada trivialidade aquilo mesmo que tanto lhe importou. Mas parece que não há remédio: vivemos na época das explicações, dizia Saul Bellow. Há alguns anos me ocorreu um conto: chega a uma cidade espanhola de província o poeta Evtuchenko, que dá um recital num teatro, é festejado, entrevistado, fotografado, levado a seu pedido a um tablado flamenco, acompanhado ao hotel às tantas da madrugada em tropeços etílicos, saudado na despedida com grandes abraços por seus anfitriões exaustos. Um dia ou vários dias depois chega à cidade o poeta Evtuchenko: o que veio antes era um impostor especializado em substituí-lo.


    [ Antonio Muñoz Molina, em artigo no El País sobre ida recente à feira do livro de Buenos Aires, fala a verdade, nada mais do que a verdade; a propósito, leiam meu texto sobre tema correlato na última edição do suplemento literário Pernambuco ]


    ****

    (…) as séries de televisão me salvaram de meu superego literário. É meio que o grande relato contemporâneo: aqueles que as criam não têm nenhum problema em construir personagens e relações morais entre eles. O sentido da história está um pouco aí, não necessariamente na pergunta sobre o que fazer depois de Guyotat ou de Robbe-Grillet. Isto me permitiu escapar desse beco sem saída, e dizer a mim mesmo que não, não sou reacionário se tento construir personagens e, sobretudo, o que é muito importante pra mim, construí-los a partir de relações morais. Para mim, as séries de TV estão totalmente fundadas na empatia, o que revela uma moral. Há discussões sobre personagens de séries da TV, discussões morais, como se se tratassem de pessoas reais, como não há mais ao redor de romances.

    [ Trecho de entrevista do escritor francês Tristan Garcia à Les Inrockuptibles, tradução JRT ]
     

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