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Atacar primeiro - Perguntar depois

Tópico em 'Comunicados, Tutoriais e Demais Valinorices' iniciado por Artigos Valinor, 25 Jun 2005.

  1. Artigos Valinor

    Artigos Valinor Usuário

    Autor: Teófilo Augusto
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    "Com velocidade e habilidade assombrosas, eles pararam seus cavalos, viraram e voltaram. Logo os três companheiros se viram num círculo de cavaleiros movimentando-se numa roda que não parava, subindo a encosta da colina atrás deles, e descendo, dando várias voltas ao redor deles, fechando o cerco cada vez mais. Aragorn permanecia quieto, e os outros dois ficaram sentados sem se mexer, pensando no rumo que as coisas tomariam.

    Sem qualquer palavra ou chamado, de repente, os Cavaleiros pararam. Uma floresta de lanças apontava para os estranhos, e alguns dos cavaleiros tinham nas mãos arcos, com as flechas já ajustadas às cordas. Então um deles avançou, um homem alto, mais alto que os demais; de seu elmo, como uma crista pendia uma cauda branca de cavalo. Aproximou-se até que a ponta de sua lança ficasse a uns trinta centímetros do peito de Aragorn, que não se mexeu.

    - Quem são vocês, e o que fazem nesta terra? – perguntou o Cavaleiro, usando a Língua Geral do Oeste, numa maneira e tom semelhantes aos de Boromir, homem de Gondor.
    - Chamam-me Passolargo – respondeu Aragorn. – Venho do norte. Estou caçando orcs.
    - Oras, não podemos perder mais tempo. - Gritou Gimli avançando para cima do Cavaleiro.

    Mal deu duas passadas e seu corpo tombava, trespassado por flechas e lanças. Legolas ainda conseguiu derrubar dois, mas logo as lanças também encontraram seu corpo. Aragorn observou sem saber o que fazer, fica parado enquanto lhe amarravam e imobilizavam, jogando-o finalmente por cima de um cavalo. Fizeram duas covas e enterraram os dois companheiros de luta, mortos. Por cima nasceu uma bela relva verde, e flores enfeitavam o local, foi assim até que a Sombra alcançou aquele local.
    "

    Bem, professor Tolkien que me perdoe, mas fiz esta pequena alteração para ilustrar uma atitude muito freqüente nas mesas de interpretação de Rpgs de fantasia. Atacar primeiro, perguntar depois é em 90% das vezes uma atitude que não condiz com o heroísmo clássico. É óbvio que quando ao interpretar um personagem cujo grupo se vê frente a um exército Orc você não terá dúvidas do que fazer, mas na situação anteriormente citada, seria imbecil atacar os cavaleiros que, além de fortemente armados, estavam em uma situação taticamente favorável.

    Atitudes como de atacar e pilhar, que conseqüentemente classificariam seus executores como mercenários ou criminosos, figuras que estão longe de serem heróis, não têm espaço no mundo do SDA. Em Arda, o bem e o mal são muito bem definidos, as chances de alguém que seja "meio-termo" se sobressair é mínima, e mesmo assim é muito provável que seu final fosse trágico, uma vez que a Magia da Terra-Média tomaria providências para que este indivíduo se tornasse um problema para o bem, tanto como para o mal, situação semelhante à enfrentada pela dupla Saruman e Gríma.

    Para mim, a parte mais importante do Livro de Regras* é o capítulo 10: “Saga e Esplendor”, cujo conteúdo é voltado para a orientação da ambientação pelo Mestre. Este sistema, mais do que os outros, o Mestre é a figura mais importante. O jogo dependerá de suas qualidades de saber controlar a harmonia do jogo. O sistema permite o desbalanceamento entre os heróis com a criação de personagens “overpower”, sendo assim, cabe ao Mestre tomar as rédeas da situação de forma a incentivar a interpretação em detrimento da jogada de dados para combate.

    Este sistema traz consigo a idéia de humanismo e respeito ao próximo que provavelmente Tolkien tinha dentro de si e que ele deixa bem claro em suas obras. É este o exemplo que os jogadores de SDA devem seguir e o Mestre deve objetivar, afinal, por quê um veterano de guerra pôde criar um épico em que estas virtudes eram as linhas mestras de todos os seres de Arda – com exceção dos seres malignos, porém estúpidos, como orcs e aranhas – inclusive de Sauron e dos Nazgul e nós que jogamos por diversão e deleite não temos estes comportamentos como padrão?

    Tive a vontade de escrever este texto apenas para alertar aos Mestres de SDA, sobre seu papel de reeducador. Ele terá que orientar jogadores que se criaram por meio de jogos e sistemas que não tinham a mínima intenção de incentivar comportamentos virtuosos. O mundo de Tolkien não pode ser poluído com a presença de anti-heróis advindos de sistemas sombrios. Além do mais, se até Sauron tinha o Boca de Sauron para argumentar antes de cair no pau, por quê os jogadores não poderão?


    * Livro de Regras do RPG “Senhor dos Anéis” editado pela Decipher e publicado no Brasil pela Editora Devir.
     

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