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Notícias Associação de escritores protesta contra cachê de rapper

Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por Nicole "Melwen" Siebel, 25 Abr 2012.

  1. Associação de escritores protesta contra cachê de rapper

    Gabriel o Pensador vai receber R$ 170 mil para participar da Feira do Livro de Bento Gonçalves

    Ganhou novos desdobramentos a polêmica em torno do cachê de R$ 170 mil pago ao patrono da Feira do Livro de Bento Gonçalves deste ano, o rapper Gabriel o Pensador.
    Neste domingo, o presidente da Associação Gaúcha de Escritores (AGES), Caio Ritter, divulgou um documento com a posição da presidência da entidade (veja a íntegra abaixo).

    O documento questiona os critérios de definição de cachês e de escolha de atrações "midiáticas" para participarem de eventos literários no Estado.
    - O objetivo de colocar estes eventos sob os holofotes gera cachês desproporcionais à média dos valores pagos aos convidados locais - constata Ritter.
    Um dos 30 escritores convidados da Feira, Ritter confirma sua participação:
    - Vou cumprir um acordo firmado com a organização antes do surgimento da polêmica.

    Também no domingo, o escritor Fabrício Carpinejar divulgou uma carta aberta à coordenação do evento, anunciando o cancelamento de sua participação:
    - Lamento fazer isso por todo amor que guardo pelos leitores da cidade. É meu protesto pelo cachê absolutamente excessivo de R$ 170 mil destinado a Gabriel O Pensador. O artista (que eu admiro) não tem culpa de pedir o valor, porém a prefeitura tem inteira responsabilidade de acatá-lo e não informá-lo da real capacidade cultural do município.

    Coordenador da 27ª Feira do Livro de Bento Gonçalves, Pedro Júnior da Fontoura afirma:
    - Não estou sabendo de nada (sobre o cancelamento da participação de Carpinejar), mas já imaginava que isso poderia acontecer. Claro que essa é uma questão polêmica, mas vamos nos reunir hoje com o prefeito para decidir o que fazer em relação ao fato.
    O prefeito Roberto Lunelli (PT) argumenta que a presença do músico e escritor serviria de estímulo à leitura entre os jovens. O valor inclui participação no evento, show e compra de livros de Gabriel o Pensador.
    A respeito das manifestações, Lunelli afirma:
    - Não sei de nada sobre esse cancelamento. Vamos ter de analisar o que fazer.

    Nota da diretoria da Associação Gaúcha de Escritores

    Como se faz uma feira do livro

    Gabriel O Pensador receberá, alardeia a mídia, 170 mil reais para ser patrono de uma feira de livro municipal. E aquilo que poderia ser visto como a valorização de um escritor apenas aponta para algo que já vem ocorrendo há muito tempo nas feiras de livro que povoam nosso estado: patronos midiáticos concedem maior possibilidade de que os meios de comunicação voltem seus holofotes para tais eventos. Alguns convidados ganham muitos, outros quase nada. Os motivos para tal diferenciação são os mais variados possíveis. Gabriel é, portanto, apenas mais um. Mas não o único a lucrar por ter sua figura mais explorada que aqueles que “apenas” escrevem. Gabriel canta, dança, produz shows, escreve livros. A maioria dos escritores, todavia, apenas escrevem. E, por só fazerem isso, não conquistam espaço nos programas de auditório da vida, e por só fazerem isso, não recebem cachês milionários. Ao contrário.
    Não estranha que Gabriel cobre 170 mil para ser homenageado. Cada um cobra o que quer pelo seu trabalho. O problema maior é quem paga uma exorbitância, a fim de que seu município possa ficar sob os holofotes. Quem dera as feiras se preocupassem em formar leitores, quem dera verbas públicas remunerassem escritores, mas também abastecessem as bibliotecas municipais, escolares e familiares com livros. Só assim estaríamos formando uma geração mais leitora. Todavia, criar cidadãos-leitores não fará com que todos vibrem, cantem e dancem. A literatura não é tão bombástica; é mais silenciosa, menos espetacular.
    Há uma tremenda inversão de valores. A prática contradiz os objetivos. Escritores existem aos montes. Muitos deles com capacidade para atrair a atenção dos frequentadores de uma feira de livro, fazendo-os, através de depoimentos de vida e de leitura, potencializar desejos de mais e mais livros. É isso que deveria se pretender quando se resolve realizar uma feira literária: não apenas vender livros ou oportunizar shows de grandes astros. O contato entre autores e leitores, mediados pela leitura do livro (objeto que o poder público poderia adquirir com valores empregados em contratações de astros), é o que se deve promover. Esses encontros é que de fato poderão capacitar crianças, jovens e adultos para que possam desenvolver uma prática leitora crítica e libertária.
    Escritores, para quem ainda não sabe, são pessoas que escrevem. E, por escreverem, merecem o respeito de quem é um trabalhador da palavra, devendo, portanto, ser remunerado por isso. Uma remuneração digna, que passa, sem dúvida, pela aquisição de sua obra para que, de fato, um município possa, através de suas feiras de livro - mais do que propiciar momentos espetaculares - promover a leitura, finalidade maior de qualquer estadista que queira uma sociedade cidadã.
    Uma feira de livro se faz com leitores e com escritores. Uma feira de livro se faz tratando seus contratados com igualdade. Uma feira de livro se faz destinando o dinheiro público ao seu objetivo maior: formar leitores; promover o acesso aos livros e a discussão em torno deles; qualificar mediadores de leitura através de oficinas, de palestras, de mesas-redondas. Uma feira de livro se faz com livros. É isso que a Associação Gaúcha de Escritores defende. E ponto.

    Diretoria da AGES: Associação Gaúcha de Escritores


    FONTE:
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    *****
    O rapper já se pronunciou sobre o assunto em seu site:
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    Aqui no sul, esse episódio gerou muita polêmica e discussão. Achei interessante compartilhar e ver se alguém tem alguma opinião a respeito.
     
    Última edição por um moderador: 7 Nov 2012
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  2. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    Pelo que entendo quando duas artes são colocadas lado a lado podemos traçar contrastes e comparações em que alguns/umas podem ser realistas outras nem tanto.

    No caso de reconhecimento financeiro de um artista ou autor depende do contexto como valorização do mercado livreiro brasileiro em relação ao mercado fonográfico, valores defendidos por cada público etc...

    Mas no que pode ocorrer quando se colocam outras atrações de impacto num mesmo evento é haver o desvirtuamento do foco do evento e aí eu concordo quando há mostras de perda de sentido. Tem ocorrido em vários estados brasileiros a freqüência de pessoas que entram em eventos de livrarias apenas por causa de shows e atividades paralelas ou sem interesse em literatura. Quando esse público "não interessado em livros" se torna maioria devido ao impacto de outras atrações começa a haver atritos.

    Talvez seja o caso de criarem ambientes separados para não ter tanta confusão. Penso que o objetivo dos organizadores deva se concentrar privilegiando os livros sem no entanto pensar que a razão dos problemas seja o piso salarial entre artistas.
     
    Última edição: 25 Abr 2012
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  3. Excluído045

    Excluído045 Banned

    Sejam todos bem-vindos à sociedade do espetáculo.

    Acho até que demorou pra se fazer esse tipo de palhaçada nas feiras de livros.
     
    Última edição: 25 Abr 2012
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  4. Tar-Mairon

    Tar-Mairon DARK LORD AND LOVING DAD

    .

    Nada tenho contra apresentações de músicos em feiras de livros, mas escolha do Gabriel me parece bem apelativa. No final das contas, um evento destes acaba sendo sucesso de público por causa de apresentações como a dele e não devido a seu escopo original.

    .
     
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  5. adrieldantas

    adrieldantas Relax and have some winey

    Se me pagarem 3 mil eu canto, danço e ainda jogo confete no povo.
     
    • LOL LOL x 2
  6. Já fui à feiras em que havia shows de música e realmente foi um recurso que chamou público (e as pessoas passaram pelas bacas de livros enquanto esperavam a apresentação :joy:). Mas, a escolha foi apelativa e sem muito sentido. Apesar de Gabriel ter dois livros publicados, a escrita não é o foco do trabalho dele e não me parece justo nomeá-lo patrono de uma feira do livro, quando temos tantos escritores com carreira longa na literatura. Foi uma atitude incoerente, principalmente porque os escritores, que deviam ser os artistas principais do evento, receberiam cachês insultantes já que o município afirmava não ter verba para pagá-los. :???:
     
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  7. General Artigas

    General Artigas Não tá morto quem peleia

    Livros são passado.

    Na nova versão de O Tempo e o Vento Jayme Monjardim decidiu castrar a maior obra literária rio-grandense. Vamos ter gaúchos da fronteira falando como cariocas e paulistas.

    Agora a cidade de Bento Gonçalves dando 170 mil pra um fulano qualquer ser patrono da feira do livro municipal. A não ser que o sentido tenha mudado, mas patrono é quem deveria custear a feira e não ganhar uma bolada de dinheiro, to errado?

    Eu tenho muita pena dos moradores de Bento Gonçalves e espero que esses 170 mil não façam falta quando alguém precisar ir até o hospital da cidade ou quando for matricular o filho na escola. O governo municipal não faz jus ao nome da cidade.
     
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  8. Tar-Mairon

    Tar-Mairon DARK LORD AND LOVING DAD

    .

    Sou paulista filho de um teuto rio-grandense (minha mãe é baiana), por isto preferi deixar que um lídimo gaudério como o Veda tocasse em certos assuntos.

    .
     
  9. Um autor e ilustrador gaúcho publicou, no portal Artistas Gaúchos, um texto sobre a questão que achei muito interessante:

    Sobre a polêmica 27ª. Feira de Livros, de Bento Gonçalves
    Hermes Bernardi Jr.

    Recentemente foram veiculadas na imprensa as manifestações de Fabrício Carpinejar e AGES - Associação Gaúcha de Escritores - implicando a 27a. Feira do Livro de Bento Gonçalves. A manifestação iniciou no Facebook e foi malinterpretada por muitos leitores desatentos e não leitores.

    A manifestação de desagravo do escritor Marcelo Spalding, quem iniciou o debate no Facebook, referia-se à discrepância dos valores dos autores convidados, para os quais a Coordenação da Feira havia oferecido o cachê de R$350,00 alegando que este era o cachê padrão. Para outros, vimos a saber no debate via mensagens de um pequeno grupo de autores, o valor seria de R$1.000,00 e R$800,00. Certo é que cada autor tem seu preço. Cada autor aceita ou não a sua participação como melhor lhe convier pelo valor que ele mesmo dá ao seu trabalho, muitas vezes bem longe dos afagos da mídia nacional.

    O que nos saltou aos olhos foi a informação de que o valor era padrão. Não era. Eu mesmo não irei à feira por nenhum destes valores. Irei através do IEL, em agenda que me foi solicitada pelo Instituto Estadual do Livro para visita a uma escola. Só vim a saber que integraria a programação da feira através de livreiro de Caxias do Sul que me assegurou de minha ida há uma semana atrás. Liguei para a coordenação da feira e soube que, sim, eu estava agendado para o evento. Surpresa! Mais uma informação equivocada.

    Logo em seguida, a mídia divulgou a carta aberta de Fabrício Carpinejar onde o autor cancelava de sua ida ao evento e esclarecia seus motivos. Ele tem mais acesso à imprensa do que nós. Era justo.

    A seguir, a AGES, Associação Gaúcha de Escritores que há trinta anos criou a prática de cobrar cachês para autores no Rio Grande do Sul, prática esta, diga-se, desejada por muitos autores de outros Estados que não têm por hábito - ou ainda não se mobilizaram - cobrarem por suas participações em eventos de literatura e visitas à escolas, saiu em defesa do leitor e de nós, autores. A AGES defendeu mais investimentos em livros e atividades melhor remuneradas nas feiras. Muitos aplausos aos nossos iguais.

    Não bastasse toda a repercussão de mídia que a referida Feira conseguiu – Sim, porque mídia negativa é gratuita e pode virar uma mídia positiva - agora o referido patrono desiste do cachê e a prefeitura divulga os custos discriminados das atividades que o patrono realizaria. Aproveitando o clima de união dos autores que se instaurava, mobilizando-nos contra a iniciativa da Feira de Livros de Bento Gonçalves, o rapaz posa de bom moço, inclusive dizendo em entrevista no Rio de Janeiro que isto era “briga de gaúcho”. O patrono fez do limão uma limonada e vai bebê-la junto ao prefeito em vésperas de eleição.

    É preciso dizer que em nenhum momento, nós, autores de uma literatura sem territorialidade e sem fronteiras, brigamos pelos valores que o sujeito receberia. Indagávamos o porquê de um evento que tem uma história de dificuldades para sua permanência, pagar tanto à música e à distribuição gratuita de livros em detrimento da oferta de cachês tão baixos aos outros autores convidados. Este era o exato ponto sobre o qual refletíamos e questionávamos.

    Pensemos, como fez o patrono, se esta não foi uma bem articulada tacada de mestre. Denegriram a imagem do Estado e, principalmente dos autores que aqui vivem, escrevem e participam há anos de eventos literários na perspectiva da qualificação do leitor e da formação de uma mercado consistente. Parece-me que estamos vivendo novamente a situação do colonizado, que precisa do colonizador trazendo seus espelhinhos para que nos enxerguemos. E parece que querem que nos vejamos feios.

    Li, na mídia eletrônica, inúmeras manifestações de apoio ao patrono, pela sua exemplar atitude de renunciar aos valores. Viraram o jogo. Calaram-nos. Fazem com que nós, autores e operários reais da literatura e da qualificação do leitor, pareçamos bando de enciumados por causa de grana. Não, não estamos com ciúmes. Não temos tempo para isto. Temos muito a escrever. Estamos, como bem disse a AGES em seu comunicado, preocupados com o destino das verbas que bem poderiam ser usadas na formação de mediadores de leitura, em acervos para as bibliotecas da cidade, para mais atividades ao redor de e para a leitura ao povo bentogonçalvense, que carece de ações mais bem articuladas entre prefeitura, secretaria de cultura e de educação, assim, minúsculas, haja visto não tenham tido vergonha de divulgar que foram omissas no processo de decisão sobre a destinação dos valores. Simplesmente acataram. O que nos prova que esta é uma administração vertical, baseada em modelos mofados, em que um ordena e os outros cumprem calados. Ou seja, uma administração sem diálogo, imersa na maresia das ideias.

    Prova também disto é que aos autores convidados não foi dada a possibilidade de diálogo. O prefeito não quis nos ouvir. Reuniu-se em sala fechada com o patrono e decidiram que o patrono desistiria do show e da venda de seus livros. Dois mil livros distribuídos formaria filas e muitas fotos registrariam o feito para a imprensa. Ganham a administração e o autor, que no imaginário construído pela ótica mastigada das relações humanas televisivas se renderia aos propósitos eleitoreiros, como se tivesse sido escolha do leitor por esta literatura.

    O atual patrono posou para fotos, confortavelmente reclinado sobre a cadeira, com os pés sobre a mesa, sorrindo, típico de quem sabe e convive muito bem com as articulações de mídia podendo, inclusive, espreguiçar-se sobre ela. Uma afronta ao nosso trabalho. Uma afronta ao trabalho ao redor da literatura que vimos construindo juntos no Rio Grande do Sul, um campo fértil ao olhar e atitudes de natureza imperialista e colonizadora.

    Nós não queremos briga, senhor patrono. Queremos respeito pelo nosso ofício e cachês adequados ao trabalho de alimentar o imaginário do leitor, este sim, o show merecedor de muito mais do que cento e sessenta mil reais, num país acostumado a bundas e peitos à venda e em exposição nas bancas de revistas.

    O espetáculo foi armado em lona muito usada pelos veículos de comunicação. O prefeito e o patrono, aos quais recuso-me a citar os nomes para não lhes dar mais espaço de divulgação, agora posam de bons moços. Um, quando desiste diante das câmeras da imprensa nacional de seus valores; outro, que trata de promover suas intenções de formar pequenos futebolistas em seu município aproveitando-se da mídia que o fato desrespeitoso estava rendendo. A nós, autores, operários da palavra, sem acesso a câmeras e holofotes globais, coube a imagem forjada de vilões.

    Nós, autores, não nos calamos. Nós, autores, queremos que façanhas como as praticadas pela prefeitura de Bento Gonçalves não sirvam de modelo a toda a terra. Façanhas como esta não podem ser multiplicadas, esvaziando a terra de tudo o que vimos plantando a bem do nosso leitor e de um olhar mais crítico ao viver em sociedade e trabalhar em favor dela.

    Não se trata de “briga de gaúchos”, senhor patrono. Trata-se de um debate muito profícuo e maduro a respeito de qualificar leituras, a respeito da profissionalização do autor, aquele que vive de sua escrita e que construiu estrada bem pavimentada por onde o senhor agora desfila a fim de realçar toda a sua posterior generosidade. Teria sido mais digno recusar-se ao exorbitante cachê, antes. Certamente nós, autores e sociedade em geral, aplaudiríamos a sua atitude que refletiria seu apreço pela leitura e por tudo o que fazemos aqui a bem do nosso leitor e em nada afetaria a sua imagem, e não precisaríamos tentar limpar os respingos que sua atitude provocou ao nosso ofício.

    Hermes Bernardi Jr. é escritor e ilustrador de LIJ

    FONTE:
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