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As Justas de Fornost

Tópico em 'Fanfics Tolkienianas' iniciado por Aewena, 15 Abr 2018.

  1. Aewena

    Aewena Usuário

    Arnor - Ano 40 da 4ª Era.

    O clima de festa estava impregnado no ar e nas pessoas daquela cidade. Um burburinho frenético como aquele de uma colmeia com milhares de abelhas podia ser ouvido por todo lugar. O barulho dos bate-estacas que prenderiam às barracas de tecidos multicoloridos aos seus lugares se misturava ao riso dos trabalhadores que nem o trabalho pesado parecia arrefecer a excitação. Carroças com suprimentos disputavam espaço com os recém-chegados nas ruelas pavimentadas da cidadela. Donzelas acorriam alvoroçadas em buscas dos melhores trajos para a festa, pois quem poderia saber se ali não encontrariam um cavalheiro formoso de terras longínquas, ou nem tanto, disposto ao matrimônio.

    Enfim as Justas de Fornost!! Assim eram chamadas as competições de cavalaria ou pelejas que ocorriam de dois em dois anos em Fornost Erain.

    No princípio esses jogos não passavam de exercícios criados pelo comandante Etharion para manter o condicionamento e habilidades em batalha de seus soldados. Contudo, além do caráter de treinamento, as Justas agiam também como uma das poucas formas de diversão que possuíam aqueles homens durante aqueles duros anos iniciais da reconstrução do reino do Norte. Com o passar do tempo, esses jogos tomaram tamanha fama (a qual muitos imputam à participação do príncipe nas disputas) que passaram a fazer parte do calendário oficial da cidade. Até Annúminas, a capital do reino unificado de Arnor passou a imitar sua irmã caçula, criando suas próprias Justas, que tentavam (apenas tentavam) rivalizar em público e fama com as de Fornost.

    A área em frente às muralhas da cidade já havia sido preparada. O terreno aplainado e as arquibancadas e pavilhões montados para receber os visitantes e competidores que viriam de todos os lugares da Terra Média. Estandartes com o brasão de Fornost (A muralha de Fornost, a Torre de Amon-Sûl e Árvore branca de Gondor) flanqueavam toda a área de competição.

    A tribuna de honra ficava situada à esquerda da entrada principal, na parte central da arena, de onde o Príncipe e seus convidados poderiam acompanhar todas as provas da competição. Bandeiras multicoloridas enfeitavam o balcão, como uma guarda de honra à bandeira preta e branca de Fornost ao centro.

    No centro da área de combates, uma estrutura comprida, de madeira escura, foi montada para delimitar o campo dos cavalheiros que competiriam com as lanças longas sem ferro e com a ponta roma. Essa estrutura foi preparada de tal forma que poderia ser removida para dar lugar às outras modalidades da competição, tais como arqueirismo, cabo-de-guerra, luta livre entre outras. Competidores duelavam entre si usando uma variedade de armas e simulavam batalhas corpo-a-corpo com muitos cavaleiros de cada lado. As armas utilizadas eram conhecidas pelo nome de armas cortesias ou graciosas pois evitavam ferir com gravidade ou matar o adversário. Contudo, o evento mais esperado de toda competição era o combate individual com espadas.

    Ossiriol, o capitão da guarda, era o responsável por acompanhar as provas e evitar que deslealdades, quebras de regras ou comportamentos que colocassem risco a vida dos oponentes ocorressem. Em casos mais complexos, o próprio príncipe Etharion poderia ser chamado a ajuizar uma disputa.

    As regras da competição eram simples: não brigar fora das filas, não lutar vários cavaleiros contra um, não machucar o cavalo do rival, desferir os golpes apenas no rosto e no peito do adversário e não machucar o cavalheiro que levantasse a mãos espalmada sobre a cabeça.

    Nos jogos o vencido e as armas ficavam a disposição do vencedor que era saudado com frenéticas aclamações e prolongados aplausos dos espectadores. Aqueles que triunfavam eram conduzidos como heróis a receber das mãos do príncipe ou das damas o justo prêmio de sua vitória. Para terminar era realizado um banquete no qual os cavaleiros participantes no evento eram cobertos de atenção.

    Naquele ano em especial, as justas eram aguardadas com ansiedade, faltava agora menos de três dias para que o evento começasse.
     
  2. Aewena

    Aewena Usuário

    Finalmente o grande dia havia chegado. O céu estava límpido, de um azul radiante, com apenas alguns fiapos de nuvem aqui e ali levados preguiçosamente pela brisa que soprava do Oeste. O sol cálido do Norte fazia com que as pontas das lanças e metal das espadas refulgissem. Flâmulas coloridas tremulavam alegres como se também estivessem em festa.

    O povo ia chegando aos borbotões para assistir ao primeiro dia dos torneios. Vendedores de guloseimas e quinquilharias já estavam a postos animados com a promessa de boas vendas aos visitantes. A tribuna dedicada aos convidados do regente estava parcialmente ocupada. Diferente do que se poderia esperar, aquele espaço especial não era reservado somente à nobreza ou para autoridades de Fornost e de outras cidades. A ela eram convidados todos aqueles que haviam demonstrado seu valor ou prestados serviços relevantes à cidade, independentemente de sua posição social. Era a forma que o regente havia encontrado para honrar aquelas pessoas e seus esforços. Havia também dois lugares reservados aos ganhadores de um sorteio realizado com o objetivo de angariar fundos (dinheiro, material, ou até mesmo mão de obra) para a manutenção das casas de passagem, de cura e orfanatos.

    Apesar dos esforços de Ossiriol, Etharion nunca se considerou um “nobre”. Era um homem simples, um guardião dos ermos, um homem do povo como qualquer outro. Acreditava que só a ancestralidade não era suficiente para determinar o valor de uma pessoa. O título de Príncipe que recebera de Elessar, o filho de Halbarad bem o sabia, não tinha nada a ver com o parentesco dele com o rei, (que afinal vinha da linhagem materna de Aragorn e Etharion), mas sim com a confiança que o primo tinha nele. Fornost, uma cidade maculada pelo mal, jamais teria sido reconstruída se não fosse Etharion a aceitar o desafio. A nenhum outro Elessar confiaria tão árdua demanda.

    É claro que o caráter democrático do regente não agradava a todos. Havia aqueles, descendentes das antigas famílias vítimas da “diáspora” do povo de Arnor, que haviam retornado à Fornost na esperança de retomar suas antigas posições de prestígio e poder na ordem social da nova cidade. Encontrar um príncipe que acreditava que um homem comum tinha tanta importância quanto aqueles que tinham linhagem e história e que parecia dar pouca prioridade às questões de protocolo e etiqueta foi de certa forma uma decepção. Contudo nem esses orgulhosos descendentes podiam reclamar da atenção que lhes era dispensada, pois sempre foram recebidos por Etharion com respeito e consideração às suas necessidades. Na verdade, o que lhes doía, era algum tipo velado de despeito, pois o príncipe oferecia o mesmo tratamento reverente que acreditam reservado a eles, a todas as outras pessoas.
     

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