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As Histórias Preferidas das Crianças Japonesas

Tópico em 'Literatura Estrangeira' iniciado por Márcio Bicalho, 22 Abr 2008.

  1. Márcio Bicalho

    Márcio Bicalho Usuário

    [attachment=107][attachment=106]Minha filha sempre gosta de revisitar As Histórias Preferidas das Crianças Japonesas, da editora JBC, uma compilação em dois volumes de histórias japonesas tradicionais para crianças feita por Florence Sakade.

    O livro foi lançado nos EUA em 1953 e está há mais de 50 anos entre os títulos infantis mais vendidos do mundo. A edição brasileira é a única no mundo publicada com o texto em duas línguas, português e japonês. Além da escrita em kanji, optou-se também por incluir o texto em furigana, a escrita em hiragana em cima de cada kanji, para que crianças ou estudantes de japonês tenham menos dificuldades.

    Outro destaque são as ilustrações criadas especialmente para celebrar o 50º aniversário deste best-seller infantil nos EUA, em 2003. Preparadas pelo artista japonês Yoshisuke Kurosaki no primeiro volume e por Yoshio Hayashi no segundo volume, elas foram adaptadas e receberam novas cores sem perder o traço tradicional.

    Dragões, ogros e outros seres fantásticos do imaginário japonês ensinam lições de coragem, bondade e amizade em 36 histórias. As lendas são relatadas de forma simples para serem entendidas pelas crianças pequenas e com o encanto e o mistério necessários para prender a atenção dos maiores.

    Curiosamente, algumas histórias têm similares em histórias de outras regiões do mundo. É o caso de As Aventuras de Kintaro, muito parecido com a lenda indiana de Mowgli o Menino Lobo, ou O Pilão Mágico, muito parecido com a lenda finlandesa que explica porque o mar é salgado.

    Uma das histórias do primeiro volume, A Aranha Tecelã:

    [attachment=108]

    “Certa vez, um jovem camponês chamado Yosaku estava trabalhando nos campos quando viu uma cobra prestes a comer uma aranha. Yosaku sentiu pena da aranha, então correu com sua enxada em direção à cobra e a afugentou. A aranha desapareceu no mato, mas antes deu a impressão de parar por um instante e se inclinar agradecida diante do jovem camponês.

    Uma manhã, pouco tempo depois de ter salvo a aranha da cobra, Yosaku estava em sua casa quando ouviu uma voz fininha chamando do lado de fora:

    - Tio Yosaku!

    Ele abriu a porta e viu uma bela garota ali parada.

    - Ouvi dizer que você procura uma tecelã. Não gostaria de me deixar viver aqui e tecer para você? - perguntou a garota.

    Yosaku ficou muito satisfeito pois ele realmente precisava de alguém para lhe ajudar. Ele mostrou o quarto de tecelagem à garota, que começou a trabalhar com algodão no tear. No final do dia, Yosaku foi ver o que ela tinha feito e ficou muito surpreso ao notar que ela havia tecido oito longas peças de roupa, o suficiente para fazer oito quimonos. Ele nunca tinha ouvido falar de qualquer pessoa que tecesse tanto em um único dia.

    - Como conseguiu tecer tantas peças de roupa? - ele perguntou à garota.

    Mas, em vez de respondê-lo, ela disse:

    - Você não devia me perguntar isso. E jamais deve ir até o quarto de tecelagem quando eu estiver trabalhando.

    Yosaku, no entanto, ficou muito curioso. Um dia ele foi silenciosamente até o quarto de tecelagem e espiou pela janela. E o que ele viu realmente o surpreendeu! Não era a garota que estava sentada no tear, mas uma grande aranha, tecendo muito rapidamente com suas oito pernas. Para isso, ela usava sua própria teia de aranha, que saía de sua boca.

    Yosaku olhou novamente e viu que aquela era a mesma aranha que ele tinha salvado da cobra. Então compreendeu tudo. A aranha tinha ficado tão grata por sua ajuda que quis fazer algo para retribuir.

    Assim, ela se transformara em uma bela garota para ajudá-lo a tecer. Ao comer o algodão que estava no quarto de tecelagem, ela era capaz de fabricar o fio como se fizesse uma teia, e podia tecer as peças de roupa muito, muito rapidamente.

    Yosaku ficou muito agradecido à aranha por sua ajuda. Ele viu que o algodão estava quase acabando e, no dia seguinte, saiu para o vilarejo mais próximo, no outro lado das montanhas, para comprar mais. Ele comprou um grande saco de algodão e se pôs a caminho de casa, carregando o algodão em suas costas.

    No caminho, algo terrível aconteceu. Quando Yosaku sentou-se para descansar, a mesma cobra que ele tinha afugentado no momento em que atacava a aranha se aproximou e entrou furtivamente no saco de algodão. Porém, Yosaku não percebeu nada. Ele carregou o algodão até sua casa e o entregou à garota.

    Ela ficou muito satisfeita com o algodão, porque já tinha usado todo o restante. Assim, pegou o saco e o levou para o quarto de tecelagem.

    Logo que entrou no quarto, a garota se transformou em aranha e começou a comer o algodão, com a intenção de transformá-lo em fio. A aranha comeu, comeu e comeu, até que, de repente, a cobra saltou do meio do algodão diretamente sobre ela!

    A cobra abriu sua boca o mais que pôde para engolir a aranha. A aranha ficou muito assustada e pulou para fora da janela, mas a cobra rastejou em seu percalço. Porém, a aranha tinha comido tanto algodão que não podia correr rapidamente, e a cobra logo a capturou. Mas, nesse momento, uma coisa maravilhosa aconteceu.

    O Velho Homem do Sol, lá do céu, vinha assistindo a tudo o que estava acontecendo. Ele sabia o quanto a aranha tinha sido bondosa com Yosaku e sentiu muita compaixão pela pobre aranha. Desse modo, o Sol estendeu seu raio para agarrá-la, lá embaixo. Ele pegou o final da teia que saía da boca da aranha, e cuidadosamente foi levantando até bem alto no céu, onde a cobra não podia alcançar. A aranha ficou muito agradecida ao Velho Homem do Sol por tê-la salvado da cobra. E, assim, ela usou todo o algodão dentro de seu corpo para tecer muitas nuvens bonitas e macias.

    Dizem que essa é a razão pela qual as nuvens são brancas e macias feito algodão, e também o motivo de as palavras aranha e nuvem, em japonês, serem chamadas de ‘kumo’.”
     
  2. Zuleica

    Zuleica Usuário

    Que história meiga!
    Estou desatualizada. Esses livros são edições de 2005 e eu não os conhecia. Vamos para a divulgação.
     
  3. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    O q mais encanta nas histórias japonesas, ou chinesas tb, é o olhar q eles nos passam, q mto diferente do olhar ocidental! Eles podem ateh modificar aqui e ali, mas eles sempre vão nos passar a visão deles...q na minha opinião é o ponto forte dos livros, e suas criaçãos!
     
  4. Artanis Léralondë

    Artanis Léralondë Ano de vestibular dA

    Que legal, eu não conhecia =]
    Linda história!
    Com certeza as crianças vão achar fascinante essas historinhas, é divertido criar esses enredos que explicam de onde surgiu tal coisa de uma forma criativa. As crianças adoram e eu também :mrpurple:
     

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