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As Aventuras de Jimmy Corrigan, de Chris Ware

Tópico em 'Quadrinhos' iniciado por Zzeugma, 13 Mar 2010.

  1. Zzeugma

    Zzeugma Usuário

    Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,hq-jimmy-corrigan-usa-publicidade-e-design-grafico,492708,0.htm

    (por Ubiratan Brasil, pro Estadão)

    SÃO PAULO - O americano Chris Ware é um sujeito particular - apesar da postura saudável e do sorriso miúdo escondido no canto da boca, como se pode observar na foto abaixo, ele ostenta uma incrível melancolia e baixa autoestima quando fala sobre seu trabalho. "Durante os exatos 27 minutos que durou nossa conversa, ele disse ‘Sinto muito’ oito vezes e ‘Não fique triste comigo’ outras cinco", comentou o graphic designer americano Chip Kidd. "Para mim, ele disse temer que o livro não fizesse sucesso no Brasil", emendou André Conti, editor responsável pelo selo de histórias em quadrinhos da Companhia das Letras.



    Tanto Chip quanto André trocaram algumas palavras com Ware sobre Jimmy Corrigan - O Menino Mais Esperto do Mundo, obra que, desde que foi editada em 2000 nos EUA, tornou-se uma das mais importantes histórias em quadrinhos não apenas da primeira década deste século, mas de toda a trajetória das HQs. O livro foi lançado em dezembro aqui, pela Companhia (388 páginas, R$ 49), depois de vários meses de preparação. "Chris desculpou-se muito, mas não aceitou nenhuma modificação proposta por nós e o volume saiu como no original, mesmo que isso exigisse a quebra de algumas regras da editora", conta André.



    Não se encontra, por exemplo, o logotipo da Companhia na capa, tampouco o nome do autor. A ficha catalográfica está escondida em alguma das primeiras páginas da história e a triste trajetória de Jimmy Corrigan ocupa um volume único, como determinou o autor, e não em dois, como pedia a editora brasileira. Tamanho detalhismo, porém, manteve intacta a qualidade inigualável de Jimmy Corrigan, um lamento desapontador sobre os ideais perdidos dos EUA e das fronteiras desbravadas.



    Jimmy é um homem de meia-idade, tímido e solitário, que trabalha em uma repartição, onde é desdenhado pelos colegas e passa o tempo atendendo telefonemas da mãe, mulher dominadora, mas carente. Sua rotina muda quando recebe uma carta do pai que não conhecia, o que acaba acontecendo ao viajar a uma pequena cidade de Michigan no feriado de Ação de Graças. O que seria uma redenção, no entanto, torna-se uma série de episódios constrangedores e claustrofóbicos, que impedem a aproximação afetiva.



    Da trama, transborda um teor autobiográfico, pois Chris Ware foi contatado pelo pai desconhecido quando trabalhava no livro, e as frustrantes e breves tentativas de vê-lo aparentemente influenciaram o comportamento apresentado pelo pai de Jimmy. Ou seja, Ware veste essas cicatrizes como estigmas.



    A sofisticação da obra está na forma narrativa adotada por Ware, que transforma os sonhos e frustrações de Jimmy adulto em uma constante volta ao passado, quando o personagem era criança e vivia fascinado pela infância do avô. O passeio pelo tempo permite também que Ware utilize seu detalhismo e sua paixão pela publicidade e pelo design gráfico americano do início do século 20, transformando a leitura de Jimmy Corrigan em uma sucessão de descobertas visuais e históricas.



    Por conta disso, a versão brasileira necessitou ter exatamente a mesma tonalidade de cores, idêntico tamanho das letras e, principalmente, uma fidelidade extremada à concisão das frases. Para isso, o escritor Daniel Galera encarregou-se da tradução, que foi submetida a pelo menos três revisões, cada uma enxugando um pronome ou encurtando um substantivo para se aproximar da prosa de Ware, que exala alienação infantil, crueldade de pessoas comuns e falsas promessas de felicidade. "Algo como o encontro de Charles Schultz (criador de Charlie Brown) com Samuel Beckett", afirma Chip Kidd.



    Galera, que se prepara para estrear nos quadrinhos com Cachalote com desenhos de Rafael Coutinho, vê Jimmy Corrigan como um marco na linguagem das HQs pela brilhante combinação de texto e imagem sequencial. "A poética da obra depende tanto do roteiro e da narrativa principal quando de sutilezas tais como nuances de cor, mudanças quase imperceptíveis na expressão facial de um personagem ou cenas minúsculas ocorrendo em quadrinhos aparentemente secundários", comenta. "Uma experiência narrativa que só poderia ter sido realizada numa HQ."



    Em tempo: Chip Kidd garante que, apesar da autodepreciação, Chris Ware é um jovem (tem 32 anos) irônico e excepcionalmente ajustado.


    * * *

    Um pouco mais sobre Chris Ware AQUI em artigo de Claudio Martini, da Zarabatana:
    http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI2712854-EI8422,00-A+manufatura+de+quadrinhos+de+Chris+Ware.html
     
  2. Zzeugma

    Zzeugma Usuário

    Conheci gente que era fã de carteirinha do Chris Ware, antes de sair por aqui. Isto me levou a correr atrás do livro.

    Parece algo esquizofrênico/bipolar... Enquanto existe um "narrador" de ironia fina e de humor negro... a história dos personagens é bastante melancólica... Muito, muito triste.

    Pra quem curte quadrinhos, vai se interessar bastante por suas páginas diagramas fluxogramas (Alguém já deve ter inventado um nome melhor pra isto); aqueles quadros com conexões e flechas mudas... É muito legal... São passagens importantes para compreensão da trama... vc consegue obter de dados a partir dali...

    Vale a pena... Deve ter sido um dos quadrinhos que mais demorei pra ler, tamanha a quantidade de detalhezinhos... É o tipo de obra que - definitivamente - não vale o scan. Mas existem disponíveis em inglês poraí... Com um milhão de letrinhas pra quem quiser ficar cego no monitor.

    Uma página de Ware já havia saído pela própria Cia das Letras numa coletânea de contos de fadas feita por quadrinistas independentes gringos (Saiu bem antes daquela outra, feita pela Desiderata, com quadrinistas brasileiros)



    Abs
     
  3. Zzeugma

    Zzeugma Usuário

    http://bravonline.abril.com.br/conteudo/literatura/jimmy-corrigan-saga-revolucionaria-homem-mediocre-538134.shtml

    (Via o "De Chaleira": http://e-chaleira.blogspot.com/)

    Jimmy Corrigan - Saga Revolucionária de um Homem Medíocre

    Por Carol Bensimon para Revista Bravo


    As histórias em quadrinhos parecem pertencer ao mesmo território dos livros policiais: sucesso de público, mas com raro reconhecimento da crítica, os dois gêneros ocupam um lugar movediço, entre as obras de consumo rápido e a "alta literatura". De vez em quando, porém, surge um autor que desafia as barreiras. O americano Chris Ware, autor da graphic novel Jimmy Corrigan ? O Menino Mais Esperto do Mundo, encaixa-se perfeitamente nessa categoria. Lançada em 2000 nos Estados Unidos e publicada no Brasil no fim do ano passado, Jimmy Corrigan já é considerada uma obra-prima entre as HQs.

    A trama nos traz a história de Jimmy, um homem solitário com um trabalho maçante, tímido demais para os contatos sociais, que se resumem às conversas telefônicas com sua mãe dominadora. Ao receber uma carta do pai que nunca conheceu, Jimmy decide ir ao seu encontro em uma cidadezinha do estado americano do Michigan, durante o feriado de Ação de Graças. Paralelamente aos episódios que se seguem ? descobertas, desconfortos, silêncios, solidões compartilhadas, acidentes ?, vamos também acompanhando a vida do avô de Jimmy quando menino, na Chicago de 1893, e sua relação problemática com o próprio pai.

    Trata-se, portanto, do clássico conflito entre pai e filho, mas Chris Ware dá a ele um tratamento muito particular, aproveitando toda a liberdade que as histórias em quadrinhos podem oferecer. Os delírios de Jimmy se misturam perfeitamente às conversas triviais que ele tem com o pai ou com a meia-irmã, criando uma trajetória onde imaginação e realidade se confundem. Além disso, cada detalhe visual parece dialogar com o sentimento de inadequação do protagonista, de modo que os panoramas cinzentos da cidade, as salas de espera das clínicas médicas, os luminosos das lanchonetes, todo esse cenário está carregado de melancolia.

    Alguns críticos e leitores têm comparado Jimmy Corrigan a Ulisses, o emblemático romance de James Joyce, devido às inovações formais da obra ? a mistura de ações, pensamentos e memória lembraria um fluxo de consciência, e a inusitada e desconcertante disposição dos elementos gráficos seria uma revolução de linguagem equivalente à que Ulisses provocou na literatura. Exagero ou não, é difícil imaginar para Jimmy Corrigan melhor suporte que os quadrinhos. Seria como adaptar o livro de Joyce para o cinema e esperar que ele continuasse tendo o mesmo impacto. E é justamente essa certeza ? de que a história está sendo contada da melhor maneira possível ? o que caracteriza uma grande obra.

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    Carol Bensimon é escritora, autora de Pó de Parede e Sinuca Embaixo d'Água.
     
  4. Phantom Lord

    Phantom Lord London Calling

    Lembro que li no blog do Zeca Camargo no começo do ano,um post acerca da obra,que na época me deixou bastante interessado.


    Eis o texto(com algumas imagens da obra):

     
  5. Zzeugma

    Zzeugma Usuário

    Outra resenha, esta do Universo HQ. Fez uma observação importante: definitivamente não é um gibi "fácil", com suas idas e vindas no passado e no presente.

    http://www.universohq.com/quadrinhos/2010/review_JimmyCorrigan1.cfm
     
  6. raquel.

    raquel. Usuário

    Eu comprei esse livro ontem e já comecei a ler. Até agora tenho gostado muito, na verdade fiquei bastante impressionada com a diagramação e com o conteúdo da história.
    Quando eu terminar faço um post mais conciso...
     

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