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[Arwen_tinuviel] Helena e a Mulher do espelho[L]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Arwen_Tinuviel, 20 Ago 2006.

  1. Arwen_Tinuviel

    Arwen_Tinuviel Usuário

    Autora: Daniela
    Genero: Romance :oops:



    A lua luzia por traz das nuvens negras, e não havia estrelas que suavizassem aquele céu profundo e triste. O vento sopra frio na copa empoeirada das árvores, e sussurra como um gemido dolorido. Leila sente as folhas úmidas sobre seus pés, e os espinhos das árvores cortadas sua pele amorenada e delicada, arrancando fragmentos do seu manto negro.
    Um grito de urgência cresce em seu coração, assim como crescem as sombras na noite e o medo no vento. A perola fria que sempre fora sua proteção hoje de nada lhe serviria nesta noite. As lagrimas lhe escorriam nas faces cheias de uma saudade daquilo que ela jamais verá. Aperta o cesto conta seu corpo e corre na direção do rio. O rio de águas negras, o Rio das Almas Perdidas, que nasce alem da Floresta do Silencio, e desce até o Mar Morto. O tempo se esgotava e os uivos se aproximavam, agora já não era preciso esforço para senti-los se aproximando.
    Ela os havia sentido pela primeira vez há três dias atrás, na vila. Eles vieram do leste, dias e noite viajando sem parar, sem comer ou dormir, caçadores cujo instinto e fome estavam concentrados nisso. Será que sabiam da criança? Rezava aos céus que não desde que primeiro ouviu os sussurros de medo no meio da gente simples que a acolhera sem saber que era ou de onde vinha com seu luto. Eles não se arriscariam mais por uma estranha e Inov tardava a chegar.
    Agora estava ela ali, alta e rija como uma palma. Já não tinha medo em seu coração. Havia feito que acreditava ser certo e sua alma estava limpa. De todas as direções os uivos cresciam, e o sangue lhe fervia nas veias. Nunca fora uma cordeira e a Dama das sombras sabia disso, trazia em si as marcas daqueles anos de batalha. Leila havia sido uma loba, astuta até a estocada final que lhe custou seu marido e agora sua vida, mas havia valido a pena, por retirado das mãos da Sacerdotisa aquilo que ela mais desejava, e sua filha sobreviveria para terminar o que ela havia começado.
    Lá estão os lobos, pardos, grandes com só as bestas das terras ermas podiam ser, olhos amarelos cheios de uma inteligência aguda e fomo de sangue. Vinham por todos os lados, Leila fecha os olhos, um corvo negro desce o rio e um vento gélido sopra. Há apenas um silêncio profundo, e a lua se veste de luto.
    Um corvo negro abre suas asas de desce o rio atrás do cesto. É quase dia quando fica preso nas raízes especas duma árvore. O choro da criança chama a atenção de uma jovem, de não, mas que 20 anos que desce para seus afazeres matinais. Varínia puxa a criança pra si, pequena e indefesa, branca como a lua, cabelos ralos e vermelhos como rubi e olhos violeta. Em torno do pescoço trazia uma chave dourada escrita “Ab imo corde; Ab aeterno; Ad infinitum; Ad iudicia ” e nas costas da pequena mão direita trazia uma lua crescente quase invisível.
    _Nunca vi dada como você menina. Será uma filha do rio? Uma alma perdida vinda da floresta proibida. É tão estranha e tão linda. Aposto que não tem uma mãe que cuide de você. Eu também não tenho mãe faz muito tempo. Venha vou levá-la para casa.
    Varinia retorna para a pequena choupana em que vive com o pai que se surpreende com a criança. Pequena e vermelha como um espírito das matas, ou das águas talvez.
    _Sim papai. Ela veio nas águas do Rio das Almas...Será ela uma alma perdida
    ?
     
  2. Carol

    Carol Visitante

    Olá Arwen!

    Seu texto tá legal, só que você tem que prestar atenção na pontuação,acentuar as palavras e mudar essa fonte, ok? Ah, descreva melhor as personagens e os lugares aonde elas estão, por que fica melhor para os "leitores" entenderem a história. E poste a continuação :mrgreen:
     
  3. Elring

    Elring Depending on what you said, I might kick your ass!

    Muito boa a introdução de sua história, Arwen. Bem dinâmica e veloz! E lembre-se, você sabe o que aconteceu, o que acontece e o que irá acontecer; mas o leitor não. Foi como disse a Luthien, um lugar e os personagens que desencadearam a fuga de Leila causariam um maior impacto. :joinha: Fico na espera do próximo capítulo! :babar:
     
  4. Arwen_Tinuviel

    Arwen_Tinuviel Usuário

    _Nunca vi nada como você menina. Será uma filha do rio? Uma alma perdida vinda da floresta proibida. É tão estranha e tão linda. Aposto que não tem uma mãe que cuide de você. Eu também não tenho mãe faz muito tempo. Venha vou levá-la para casa.
    _Papai. Ela veio nas águas do Rio das Almas...Será ela uma alma perdida?
    _Ou uma filha da mãe d’água. Não devia tê-la trazido.
    _Mas papai. Ela morreria.
    _Isso se for humana e não um espírito...
    _Chega! Se estava ali, filha do rio ou não quis o destino que eu a encontrasse, e não a devolverei para as águas. Será minha pequena Helena.
    _Helena de que? Dará meu sobrenome para ela?
    _Não. Será apenas Helena.
    O velho olhava sua filha, uma moça,de longos cabelos castanhos presos numa trança, rosto suave e tão sozinha. Já era idade de se casar, e não arrumava pretendente algum presa nos afazeres da fazendola. Agora com uma filha postiça que não se casaria mesmo. Ele olhava as mãos velhas e calejadas, as pernas que já falhavam vez por outra e a cachaça no alambique.
    _Sou velho – repetia de si para si – logo eu a faltarei, é a realidade da vida e quem cuidará da minha menina que sempre cuidou de mim desde que a desnaturada da mãe se foi. Já se vão tantos anos...- suspira. – Que a menina fique! – diz finalmente.
    ..............................................................................................

    Rafael e Helena corriam em disparada sem olhar para trás, suas pernas doíam e parecia que não havia mais saída. Atrás deles estavam Alceu, Benício, Ésio e Letícia, mais uma pedra passou raspando pela cabeça dos dois.
    _Pra onde?
    _Temos que pular o muro.
    _A culpa é sua sabia?
    _Minha! Aquela maluca que queria te roubar, só dei o que ela mereceu Lena! E faria de novo.
    _Sobe logo!
    A menina era ágil como um gato, apesar de pequena e franzina.
    _To indo.
    _Peguem eles! – Gritava Letícia que não agüentava mais correr e estava parada, arqueada sobre os joelhos meio sem ar.
    _Fácil falar! Pularam o muro.
    _Se eles pularam nós também pulamos.
    Do outro lado do muro Rafael e Helena corriam na direção do rio. Tinham uma boa dianteira e sabiam que ninguém os seguiria depois da ponte.
    _Sua esquisita!
    _Adotada, você é filha do rio!
    _Sua mãe era uma cobra escamosa ou um peixe mutante!
    Choviam insultos enquanto os perseguidores desistiam da corrida.
    _Vocês tem que voltar na escola amanhã aí acertamos as contas sua anã magricela!
    Já a salvo os dois amigos se sentaram na terra saibrosa da estrada perto da ponte. Ofegantes mas felizes por se livrarem de mais uma surra. Eles sempre eram perseguidos na escola, por isso acabaram ficando amigos. Rafael era um menino moreno, de olhos grandes e uma língua bastante afiada. Filho do oleiro que morava num casebre na estrada, sempre encontrava Helena com o avô no carro de boi indo para a escola. Apesar de estar sempre sujo de terra não era feio. Estudavam na única escola da cidade, e Leandra a filha do prefeito achava um desaforo ter que estudar com esses pobretões, e principalmente com uma criatura esquisita, pequena e feia como Helena.
    Desta vez Leandra decidiu que o pingente do colar de Helena era lindo de mais para pertencer uma pobretona e resolveu tomar para si. Rafael que viu aquilo ficou indignado. Considerou uma covardia três para segurar uma só e acabou derrubando Leandra num monte de esterco de cavalo na rua. Claro que foi muito engraçado na hora, e surtiu efeito porque os brutamontes soltaram sua amiga, entretanto não demorou para Letícia tomar as dores da irmã e correr atrás deles.
    _Acho que seu pai vai te matar de pancada quando chegar em casa. A essa hora todo mundo já sabe.
    _Vai nada. Sua mãe é muito mais brava que ele. Além do mais foi meu pai quem me disse que devemos proteger as damas. Vou contar para ele que estavam te batendo.
    _È a terceira vez essa semana!
    _Eu sei. – disse ele desanimado. – Não vai colar. E ela é a filha do prefeito. Aquela vaca! Mas ela não te deixa em paz. Outro dia eu vi ela dizendo que você nem era gente.
    _Esquece! Estou com fome. Mas seu eu for para casa agora, minha mãe vai estar uma fera.
    _Vamos então lá pra goiabera. Quando a barra estiver limpa voltamos para casa.
    _Certo Rafa.
    Já era noite quando chegaram em suas casas. Varínia nem de longe estava mais calma, e não quis ouvir explicações de qualquer tipo. Sem falar que o tempo tinha mudado de repente e seu coração estava inquieto.
    _Onde já se viu jogar alguém no esterco! Já para o banho sua mal criada. Eu não sei mais o que faço com você. Uma semana de castigo, e vai dormir sem jantar hoje!
     
  5. Arwen_Tinuviel

    Arwen_Tinuviel Usuário

    O Viajante e a orfã

    Fazia frio e a chuva tamborilava na janela. Helena podia ouvir lá fora o doce som do riacho e os passos dos cavalos na relva molhada. Todos na casa dormiam, menos ela, pequena de longos cabelos vermelhos como rubi e olhos profundos. Por todo o dia na escola e na cidade ela sentira o cheiro de medo. Mas medo de que? As pessoas andavam encolhidas e sussurrantes, e não havia sons nas matas, os pássaros não cantavam e nem os animais se atreviam a pastar longe de casa.
    Varínia andava inquieta e pessoas estranhas cavalgavam nas ruas. Cinco homens com seus cavalos negros e rostos cobertos, sua presença era fria a tudo silenciava, homens tremiam e animas fugiam ao pressentir seu cavalgar. Ela própria não os vira de perto, mas tremera ante sua existência. Agora com a lua cheia também ouvia lobos. Seu avô Azael dizia que fazia mais de trinta anos que não havia lobos em Mocambinho, e que eram um mal pressagio.
    O som da chuva tranqüilizava e trazia um cheiro gostoso de mata molhada e frutas frescas. Muitas vezes havia fugido pela janela para se banhar nas águas frias das chuvas, seu amor pelas águas justificava o infame apelido de filha do rio. Desde bem pequena Helena sabia que adotada, seus colegas na escola não a deixavam esquecer que fora encontrada no rio numa noite de lua. As beatas na rua se benziam na sua presença acreditando mesmo que ela era filha dos espíritos da floresta.
    O velho Azael contava historias de tempos antigos, falava dos Elfos quando eles ainda andavam entre os homens e os feiticeiros antes da Sacerdotisa Vermelha aparecer e vir a guerra. Contava estórias de antes da existência de muitas coisas criadas pelo homem, de uma época em que o mundo acreditava em magia e nos seres encantados.
    Helena gostava de dormir ouvido que os Elfos eram altos e belos com estrelas luzindo nos olhos, vozes belas e que em sua gentileza podiam ser mais mortais que qualquer outra criatura.
    _Os Elfos não confiam nos homens. – Ele dizia – Porque a raça dos homens não ama este mundo, facilmente a raça humana mente e trai.
    Falava ainda sobre fadas, pequenas e suaves, gnomos, anões, feiticeiros, Iaras, Caiporas e Boitatás. Tudo existente no mundo dos sonhos, nos livros para crianças, nas mentes dos velhos, dos índios e dos supersticiosos. O mundo havia mudado, a razão havia substituído o fantástico nas grandes cidades.
    Pressentimentos e sonhos eram coisas para ciganas como a velha Vilma que roubava crianças para mendigar em outras cidades e nas ledeiras de sorte que diziam tudo que as moças enamoradas queriam ouvir por uns trocados, mesmo que não fosse verdade.
    O vento frio levantava as cortinas brancas fazendo o corpo se arrepiar numa sensação gostosa de liberdade. Entre as pequenas mãos ela tinha uma medalha na forma de uma chave dourada, com uma inscrição “Ab imo corde; Ab aeterno; Ad infinitum; Ad iudicia ”,talvez a única lembrança de sua mãe verdadeira.
    Foi quando ela viu nas sombras da noite lá fora um enorme pássaro negro olhando diretamente para ela. Quase hipnotizada caminhou até a janela e abriu para ver melhor a ave pousada na amoreira. O corvo deu um vôo rasante jogando um envelope dentro do quarto e desapareceu na noite.
    Quem é você?
    _Pergunta mais estranha. Quem sou eu? Eu sou Helena, oras! E se jogou irritada sobre a cama ainda olhando o papel. Quem será que quer saber isso? Será que é um pássaro treinado? Será que é para eu responder.
    No dia seguinte na escola, Helena se sentou ao lado de Rafael e mostrou o bilhete.
    _Muito esquisito! Você devia jogar isso fora.
    _Eu não estou com medo.
    _Tem coisas esquisitas acontecendo, minha mãe viu aqueles homens com capas pretas cavalgando por aí. Ela acha que são bandidos.
    _Não acho que isso tem haver com eles. Foi um pássaro que me levou.
    _Um corvo querendo saber quem é você, corvos são um mal presságio.
    _Isso é coisa de beatas como a velha Marocas.
    _Ela não conta, acha que até ver televisão é pecado.
    _SILENCIO! – sibilou a professora lá na frente.
    Os dois se calaram e Rafael passou um bilhete.
    “È fácil saber quem é você. Você é uma menina baixinha, magricela, de cabelo cor de ferrugem e que detesta gueroba”
    Helena riu, mas de repente sentiu que não sabia de todo quem era e rabiscou uma resposta.
    “Eu não sou como as outras pessoas daqui. Acho que agente só sabe quem é de verdade quando sabe quem é o pai e a mãe da gente. Eu queria saber se me pareço com eles ou por que não me quiseram. Será que é por que nasci esquisita?”
    _Não diga bobagens Lena!
    _Sssshi! – reclamou a professora olhando feio e eles não falaram mais até o fim da aula.
    Alceu, Benício e Ésio estavam no portão de saída esperando os dois amigos para terminar o que começaram no dia anterior.
    _E agora?
    _Corre Rafa que lá vem eles!
    Dessa vez não houve como escapar, os dois foram agarrados enquanto corriam. Helena lutava e esperneava enquanto Alceu o mais forte a segurava e os outros dois batiam em Rafael. Quando ela já estava sem fôlego, com os braços vermelhos e o colar no chão Alceu a soltou para pegar o pingente, uma rajada de vento subiu levantando areia e segando os malandros enquanto ela de gatinhas tateava pelo colar.
    O guarda da escola veio como uma onça para saber o que estava acontecendo. Os garotos gemiam e reclamavam que tinham areia nos olhos.
    _Quem fez isso?
    _Ninguém foi o vento! – Rafael se apressou em dizer escondendo as marcas das briga e arrastando a amiga para fora.
    Fora da escola os dois se olharam mas não disseram nada. Era a segunda vez que uma coisa estranha os salvava. Na semana anterior eles tinham sido encurralados na biblioteca e os livros choveram sobre os atacantes como se um imã os dirigisse. Na ocasião foram castigados pela professora por arremessar livros – o que era menos mal que uma surra.
    Em casa, ela não quis saber das tarefas, estava toda dolorida, apenas almoçou e caiu na cama. Mais tarde ainda teria que ir lavar roupa com Varínia.
    _Que vida! Quem sou eu? Será que eu fiz aquilo? Não isso é burrice, ninguém faz aquilo.
    No começo da noite quando retornou dos seus afazeres a janela do seu quarto estava aberta e havia outra carta com a mesma letra.
    Helena já sabe quem é você? Pequena Helena Morgan, me espere.
    _MÃE!
    Varínia larga as panelas e corre para o quarto encontrando Helena sentada na cama com os olhos arregalados e tremendo dos pés à cabeça.
    _O que houve?
    _Veja!
    _Que brincadeira de mau gosto é essa menina?
    _Não é brincadeira. Estava aí em cima quando eu cheguei.
    Uma onda de terror invadiu todo o corpo de Varínia. A possibilidade de ser alguma pista da verdadeira família da menina era mais assustadora que agradável. Um vento levemente morno e úmido entrava pela janela, parecia que choveria de novo.
    _Mãe você está bem?
    _Estou sim. – disse com voz fraca – Esqueça isso. É uma bobagem. Vá tomar banho o jantar está quase pronto.
    No dia seguinte mostrou o bilhete a Rafael que não gostou nada.
    _Será que Morgan é meu sobrenome?
    _Esquece. Sua mãe mandou esquecer. Hoje vamos embora mais cedo a professora Gertrude não veio. Parece que está com febre amarela.
    _Credo.
    No caminho para casa os dois viram um estranho caminhando de vagar com roupas muito surradas de tropeiro. O rosto estava escondido pelo chapéu velho, entretanto algo em sua figura atraia os olhos da menina.
    _Para de olhar que ele vai perceber, vamos!
    _Vamos. Você almoça lá em casa.
    _Certo. Minha mãe vai ficar o dia todo na cidade, tem que fazer umas roupas novas para o casamento da prima Bernadete. Eu nem acredito que ela vai me fazer usar uma roupa toda cheia de fruru. Pareço um mauricinho.
    Helena riu. A tarde passou, veio a noite, mais quente e seca que as anteriores. O corvo estava de novo lá do lado de fora da janela olhando para ela.
    _Qual o seu segredo amiguinho? – Um uivo vindo de longo encheu assustadoramente a noite. O corvo não se moveu. O viajante na estrada lhe veio novamente na lembrança. Então ouviu um som surdo de trás da casa, como se algo tivesse caído, em seguida uivos de gelar o sangue. Varínia ascendeu às lâmpadas e Azael correu com a espingarda para a porta da cozinha, abriu a porta e deu dois tiros. Um grande animal que parecia um lobo caiu para trás e um homem correu na direção da porta. Outro animal pulou atrás recebendo um segundo tiro, uivou e o homem atirou contra ele uma faca que lhe atravessou a garganta e entrou na casa ofegante. Varínia fechou a porta atrás de si, o homem caiu de joelhos amparado por Helena.
    _O que está havendo?
    _Lobos! – Varínia respondeu com uma cartucheira a mão olhando pela janela.
    _Eles não vão mais voltar. – Respondeu Azael – Dois deles estão mortos, e não tem como entrar, devem comer uma ou outra cabra e ir embora.
    Helena volta-se para o estranho e tenta reanima-lo. Com ajuda da mãe o coloca no sofá e pouco a pouco ele vai recobrando os sentidos. Tem o rosto jovem, talvez não mais que vinte anos, logos cabelos prateados e olhos escuros, suas roupas surradas fazem crer que é um tropeiro, e muito provavelmente sem patrão no momento. Azael não gostava desse tipo de gente se demorando em sua casa, ainda mais tento duas mulheres para proteger. Homens do mundo, sem pouso certo tem sempre um mal feito na manga. Embora seus modos no falar dissessem o contrario de suas roupas.
    _O senhor está bem?
    _Sim minha senhora... apenas um pouco cansado. Eu lhes devo minha vida.
    Ele olhou para a menina e sorriu inesperadamente.
    _Eu não esperava, mas ao que parece cheguei ao lugar certo, e bem a tempo.
    Ninguém na casa entendeu o que o homem quis dizer, então ele procurou se sentar com mais dignidade apesar das roupas maltrapilhas que usava.
    _Eu não te vejo Helena desde que você era um bebê.
    Varínia deu um pulo da cadeira onde estava como uma leoa ferida, mas o homem não se incomodou e continuou falando naturalmente com a menina.
    _Que grosseria a minha, sou Inov. Mandei um bilhete dizendo que vinha.
    Varínia se aproximou furiosa. Mas Inov gentilmente lhe sorriu com um gracejo.
    _Não vim para brigar minha senhora.
    Azael segurou a filha antes que ela fizesse alguma besteira e o viajante continuou.
    _Eu peço perdão por não ter vindo antes. Eu não pude, mas sabia que a criança estava bem cuidada quando de longe eu a vi nos seus braços senhora. Bem mas agora o bebê está com 11 anos e tem o direito de saber quem é e de onde vem.
    Varínia não se acalmou mas aceitou se sentar um pouco.
    _O senhor é parente dela?
    _Não senhora. Toda a família da menina está morta.
    Helena pareceu chocada, uma onda de tristeza e alivio percorreu seu corpo. Varínia a olhou num misto de tristeza e amor.
    _Então não fui rejeitada?
    _Claro que não.
    Agora Helena tinha milhões de perguntas em sua cabeça, mas se mantinha humildemente quieta. O homem não sorriu mais.
    _Seus pais te amavam muito. Foi uma tragédia, mas você sobreviveu. E eu pensei que fosse mais seguro que continuasse com sua mãe de criação até ter um pouco mais de idade.
    _Segura contra o que? – Varínia perguntou intrigada.
    Ele respirou fundo escolhendo bem as palavras, não estava certo de até onde poderia dizer.
    _Vamos por partes para que todos possam entender. Ok? – agora ele estava tenso e inquieto – Bem, são muitas coisas para dizer em muito pouco tempo. Eu posso dizer que seus pais eram Carlos Elasar e Leila Morgan, de modo que sue nome é Helena Elasar Morgan. E ouça bem é muito importante saber que eles foram pessoas muito especiais. Eles pertenciam a uma outra raça diferente das pessoas comuns que você conhece aqui. Uma raça de homens com dons especiais. Eles eram feiticeiros.
    Varínia explodiu.
    _Chega de tolices. Você entra na minha casa e vem com esse bando de atrocidades. Fora! NÃO ESTÁ OUVINDO! FORA!
    _Não são tolices. – sua voz era calma, cristalina e firme, voltando-se para Helena – Você acha que estou dizendo tolices? Aposto que já percebeu que pode fazer coisas que outras pessoas não entendem.
    A menina corou e concordou com a cabeça. Seus olhos estavam fixos nos de Inov.
    _O senhor não veio aqui apenas para dizer isso? Não é mesmo?
    _Na verdade não. Eu vim porque agora que Helena tem idade ela deve ir para uma escola mais apropriada. Este não é mais o lugar dela.
    _Você não pode roubar minha filha!
    _Eu não vim rouba-la.
    _Helena vá dormir. Agora isto é uma conversa de adultos.
    Helena obedeceu a mãe e foi para o quarto. Mas não se deitou, ficou com o ouvido colado á porta.
    _Pronto. Seja honesto. O que quer com a menina.
    _Eu disse a verdade senhora. Helena e uma feiticeira, com os poderes dela se desenvolvendo, este não é mais um lugar seguro para ela.
    _O que aconteceu com os pais dela?
    Ele não disse nada. Agora ela roia as longas unhas sem esmalte e olhava o pai. Mas Azael também não sabia o que dizer, e apesar de conhecer muitas historias não sabia se queria acreditar no que ouvia.
    _Eu tenho que deixa-la partir não é mesmo?
    _Não chore senhora. É o melhor. Ela tem direito de saber quem é.
    _Para onde? Quando?
    _Tintagel, temos que ir o mais breve possível, lá as aulas se iniciam em primeiro de março. Já estamos no dia quinze de fevereiro.
    _Eu a verei novamente?
    _Ela virá sempre nas férias.
     
  6. Nessa Lúinwë

    Nessa Lúinwë Usuário

    :clap: :clap: :amem:

    Muito bom mesmo.
    Estou aguardando ansiosa o desenrolar dessa história^^
    Não demora muito, pois eu sou curiosa, tá?
    :abraco:
     

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