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Anton Chekhov, sobre descrições

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Haleth, 16 Jan 2011.

  1. Haleth

    Haleth There's no such a thing as a mere mortal

    Acho que ele segue um bocadinho a linha de raciocínio do
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    . Eu, ao menos, gosto muito dessa opinião dele.

     
  2. kika_FIL

    kika_FIL Usuário

    Concordo com o texto. Achei Chekhov (no conto lido) extremamente sucinto nas suas descrições, mas assim mesmo fornecendo ao leitor um belo quadro do que se passava,,,
     
  3. Lucas_Deschain

    Lucas_Deschain Biblionauta

    [align=justify]Bá, só esse trecho já renderia boas discussões, hein?

    Achei legal o que ele diz sobre fazer as descrições teleologicamente, porque tem descrições (normalmente sobre paisagens) que vem sem pé nem cabeça, para encher linguiça mesmo. Orientar as descrições para objetivos é uma boa pedida.

    Contudo, penso (confusamente) que as descrições podem ter uma espécie de "fim em si mesmas", como exercícios verbais, testes da capacidade do autor de transmitir ao leitor o que quer que esteja retratando, de forma a haver entendimento.

    Descrições preenchem e contextualizam as histórias, pensando bem, acho que sou mais pró-descrições do que contra elas.

    Essa resposta está um pouco pointless demais, XD, enfim...[/align]
     
  4. Haleth

    Haleth There's no such a thing as a mere mortal

    Kika, eu não comentei antes porque não li o conto em inglês, e vi como vc sentiu diferença na descrição da cidade na versão inglesa e portuguesa. =/

    Eu sou completamente utilitarista com descrições, principalmente de paisagens. Não gosto de descrições muito detalhadas que levam a gente do nada a lugar nenhum. Pra mim, se o autor quer fazer um exercício verbal, que o faça no seu lindo moleskine e que por lá fique, obrigada. =)

    Acho que o Kundera é um dos autores que mais gosto nesse ponto. Ele faz descrições de ambiente e de estados psicológicos na medida. Se bem que ele podia caprichar um pouquinho mais no "Você deve tentar fazer esse estado emergir claramente a partir de suas ações" (aliás, faz tempo que não o leio, já não sei se estou sendo injusta), porque pra quem não é muito chegado em drama como eu, alguns trechos dele podem ser cansativos.

    Contextualizar é importante, mas detesto quando o autor quer que eu imagine o personagem com o mesmo número de fios de barba que ele imaginou. É completamente desnecessário e limitante pra leitores não-tão-passivos-assim. Sem falar que, quando a descrição é feita com objetivos "ampliatórios" para o entendimento da trama, é bacaníssimo vc se achar tão genial qnt o autor por descobrir as sutilezas que ela tão graciosamente revela. Dá até um orgulhinho e vontade de sair falando isso pra todo mundo... rs
     
  5. imported_Alberto

    imported_Alberto Usuário

    Eu também não tenho tanta paciência para ler descrição de ambientes, exceto se tiver alguma ligação importante com a história. Por exemplo, se for um conto de mistério e em uma determinada sala tem um enigma a ser descoberto ou algo do gênero. De outra forma, ficar masturbando a luz sobre ângulos distintos de objetos, formas e perspectivas espaciais de um autor narcisista, acaba cansando.
    Acho que pode se mostrar como um escritor melhor, se souber descrever bem ou sentimentos ou personagens ou ainda mudanças de estados internos, como do alegre para o triste em dadas circunstâncias ou ainda se de uma forma sucinta descrever o ambiente.

    Discordo disso daqui: No campo da psicologia também é preciso mais detalhes. Deus te livre de lugares-comuns. Ou melhor, evite todas as descrições do estado de espírito dos personagens. Você deve tentar fazer esse estado emergir claramente a partir de suas ações. Não tente usar muitos personagens. O centro de gravidade deve residir em dois: ele e ela.

    Me parece que se contradisse, inclusive, primeiro dizendo que quer mais detalhes psicológicos e depois dizendo para evitar descrições de estado de espírito...

    Mas de qualquer forma é importante sim saber descrever o ambiente, pois do contrário o leitor pode passar batido em coisas que o escritor gostaria que ele percebesse. Imagina um conto de suspense ou terror, sem a descrição do ambiente e do clima?
     
  6. Haleth

    Haleth There's no such a thing as a mere mortal

    Não vi contradição, não, Voltaire. Quando ele diz detalhes, refere-se ao mesmo "detalhe" que citou anteriormente pra falar da natureza: "Você tem que escolher pequenos detalhes na descrição da natureza, agrupando-os de tal forma que, se você fechar os olhos depois de ler, você possa enxergar a coisa toda. Por exemplo, você consegue descrever uma noite de luar escrevendo que na barragem da usina um pedaço de garrafa quebrada iluminou-se como uma estrela brilhante e a sombra negra de um cão ou um lobo rolou como uma bola, etc."
    O que ele está dizendo é que a parte psicológicas deve seguir a mesma linha, pra não cair no lugar comum do "estou triste, estou feliz". Ok, é questão estilística e isso cada um tem o seu, mas acho muito pertinente. ;)
     
  7. imported_Alberto

    imported_Alberto Usuário

    Em realidade eu tinha entendido outra coisa: de que se vc detalhar bem o perfil psicológico do personagem, não precisará entrar em detalhes sobre o estado emocional dele, pois a construção ficaria para o leitor, que subentenderia como o personagem estaria se sentindo em cada situação. Mas nem sempre o leitor percebe tudo. Nem sempre o leitor é capaz de viajar ou mesmo de compreender tão bem quanto o escritor esperava. Por isso pra mim é importante descrever bem tudo.
     
  8. AlexB

    AlexB Usuário

    No caso do Chekhov que é eminente contista descrições curtas, precisas e diretas são fundamentais, é parte inerente de seu formato conciso. Descrições pintam o panorama mental, criam o cenário do espetáculo, se o autor perde-se em banalidades que já fazem parte da imaginação do leitor tornam-se enfadonhas, mas se ao contrário, são vivas e mostram panoramas pouco óbvios e interessantes formam saborosa refeição, fazendo-se de condimento que faz a leitura mais viva e empolgante.

    Acredito também que a descrição possa ser usada para marcar o tempo da literatura, expandindo e contraindo e assim criando um ritmo conforme a estória pede. Como todos os elementos da escrita a descrição é arte em si mesma e o quanto e como se usa deste condimento é o segredo de cada escritor.

    Abraço,
    Alex
     
  9. Nadz

    Nadz Usuário

    Eu também sou assim... vocês podem me crucificar por eu falar isso, mas por diversas vezes enquanto lia O Senhor dos Anéis, de Tolkien, eu pulava alguns exageros descritivos que encontrava pelo caminho.Para mim, acabava sendo muito repetitivo e parecia me enrolar um pouco. Digo isso de alguns trechos, não do livro inteiro!!!
     

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