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Diretor da Semana Andrei Tarkovsky

Tópico em 'Cinema' iniciado por Fëanor, 13 Jul 2012.

  1. Fëanor

    Fëanor Fnord Usuário Premium

    Andrei Tarkovsky

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    Andrei Arsenyevich Tarkovsky (4 de Abril de 1932, Rússia - 29 de Dezembro de 1986, França), foi um diretor de cinema, escritor, editor, filmólogo e também diretor de teatro e ópera.

    De maneira geral, os temas dos filmes de Tarkovsky giram em torno de questões metafísicas e espirituais, contrastando a natureza e os anseios humanos com o mundo ao seu redor.
    A visão e a abordagem cinematográfica de Tarkovsky são poéticas. Seus filmes não seguem estruturas convencionais, caracterizando-se como produtos do "sentir" do diretor. Além disso, Tarkovsky sempre prezou pelos aspectos estéticos de suas obras. Seus filmes possuem fotografias notáveis.

    Tarkovsky é considerado um dos mais aclamados diretores russos, ao lado de Sergei Eisenstein.



    Vida:

    Tarkovsky nasceu no vilarejo de Zavrazhye, localizado na região oeste da Rússia. Filho de Arseny Tarkovsky, um famoso poeta soviético, e Maria Ivanova Vishnyakova, graduada em literatura.

    Tarkovsky viveu parte de sua infância (de 1935 a 1937) em uma pequena casa de madeira próxima a um vilarejo chamado Ignatevo, a cerca de 100km de Moscou, sendo criado por sua mãe e morando com sua irmã e sua avó. Para Tarkovsky, tal contexto foi de grande importância para a formação de seu caráter e para seus trabalhos como cineasta.
    Foi nesse período que o pai de Tarkovsky abandonou a família. Segundo o diretor, em certa ocasião seu pai retornou para levá-lo para morar com ele, mas Andrei negou o pedido. Apesar disso, ele sentia a falta da presença paterna em casa, esperando seu pai voltar para morar com eles, e depois esperando que ele voltasse vivo da Guerra, para onde fora lutar em 1941 como voluntário.
    Seu pai voltou para casa sem uma perna, mas no posto de Capitão e condecorado com a Ordem da Estrela Vermelha.

    De acordo com Tarkovsky, seu maior desejo de infância era que a guerra acabasse para que seu pai pudesse voltar e para que a fome decorrente do conflito acabasse.

    Aos 20 anos Tarkovsky envolveu-se com más amizades, e sua mãe decidiu enviá-lo para trabalhar na Sibéria, onde ele permaneceu por um ano, período que o diretor considerava um dos melhores de sua vida.
    Apesar da situação de vida difícil, Tarkovsky conseguiu terminar suas aulas de piano e a escola de arte em Moscou.
    A mãe de Tarkovsky queria que ele se dedicasse à arte, tal como seu pai. Apesar de ter estudado música, pintura, literatura, Tarkovsky não se tornou um artista desses ramos, mas acabou agregando-os na sétima arte.

    Tarkovsky considerava sua personalidade semelhante a de uma planta: não pensava muito, mas sentia, percebia. Nesse sentido, ele acreditava que só conseguia fazer cinema por conseguir guardar parte de seu espírito infantil dentro de si.

    Em 1957 Tarkovsky casou-se pela primeira vez, com Irma Rausch. Viriam a ter um filho, Arseny, em 1962. O ano de 1970 foi intenso para Tarkovsky: divorciou-se de Irma, casou-se pela segunda vez, com Larissa Kizilova, e teve seu segundo filho, Andrei Andreyevich.

    Ao longo de sua vida como diretor, Tarkovsky enfrentou muitos problemas com as autoridades soviéticas, que no fim o levaram a sair de sua terra natal.


    Carreira:

    Em 1954, então com 22 anos, Tarkovsky foi admitido no Gerasimov Institute of Cinematography em Moscou. Em 1956 ele dirigiu seu primeiro curta-metragem, The Killers (Ubiytsy), baseado em um conto de Ernest Hemingway. Em 1958 ele faria seu segundo curta, There Will Be No Leave Today (Segodnya uvolneniya ne budet), além de escrever o roteiro para um filme jamais gravado, Concentrate (Konsentrat), baseado no período em que viveu na Sibéria.

    O filme de conclusão de curso de Tarkovsky foi o curta O Rolo Compressor e o Violinista (Katok i skripka), realizado em 1960. Com este, Tarkovsky ganhou o primeiro prêmio do New York Student Film Festival, em 1961.

    Em 1962 ele viria a realizar seu primeiro longa, A Infância de Ivan (Ivanovo detstvo). O filme foi realizado com apenas metade do orçamento original, pois a outra metade já havia sido gasta por outro diretor, cujas filmagens foram descartadas, e então Tarkovsky foi chamado para dar sequência ao projeto. o diretor alterou drasticamente o roteiro junto com o escritor da história original, Vladimir Bogomolov, para somente então proceder com sua produção.
    A Infância de Ivan atraiu a atenção de vários intelectuais. Entre eles, Ingmar Bergman, que declarou: "Minha descoberta do primeiro filme de Tarkovsky foi como um milagre. Repentinamente, me encontrei parado frente a porta de uma sala cujas chaves, até então, jamais tinham sido dadas a mim. Era uma sala onde eu sempre desejei entrar e onde ele estava se movendo fácil e livremente."
    Jean-Paul Sartre escreveu um artigo sobre o filme, defendendo-o contra as críticas recebidas pelo jornal italiano L'Unita, e declarou que era um dos filmes mais belos que havia visto.

    O primeiro longa de Tarkovsky ganhou um Leão de Ouro, sendo a primeira vez que um filme russo foi premiado em Veneza.

    Na Rússia o filme foi mostrado com cortes, pois o então Primeiro Secretário do Partido Comunista, Nikita Khrushchev, disse que as crianças russas nunca foram utilizadas na guerra da maneira que o filme retrata. Não seria o primeiro problema de Tarkovsky com as autoridades da URSS.

    Em 1965 ele dirigiu o épico Andrei Rublev (Andrey Rublyov), contando a vida do pintor russo de mesmo nome que viveu no século 15. Novamente Tarkovsky encontrou problemas com as autoridades soviéticas, e teve que cortar o filme várias vezes, o que resultou em várias versões. Em 1969 uma das versões foi apresentada em Cannes, ganhando o prêmio FIPRESCI. Em 1971 uma versão com cortes estreou na União Soviética.

    Em 1972 dirigiu Solaris (Solyaris), uma adaptação do livro homônimo de Stanislaw Lem. O filme foi apresentado em Cannes, onde novamente Tarkovsky ganhou o prêmio FIPRESCI, além do Grand Prix do júri e a nomeação para a Palma de Ouro.

    Entre 1973 e 74 ele gravou O Espelho, um filme autobiográfico baseado em sua infância e contendo poemas de seu pai. Uma vez mais as autoridades soviéticas não foram agradadas, alegando que o filme possuía uma natureza elitista, e limitando sua distribuição. Os problemas consecutivos com as autoridades teriam sido um dos motivos que levariam Tarkovsky a gravar fora da URSS mais tarde.

    O último filme realizado pelo diretor em solo soviético foi Stalker, inspirado pelo livro Roadside Picnic, dos irmãos Arkady e Boris Strugatsky. A produção do filme foi longa e problemática. Iniciou-se em 1976, e enfrentou contratempos como a perda de vários negativos das filmagens externas, o desentendimento entre o diretor e o diretor de fotografia, Georgy Rerberg (que acabou substituído por Alexander Knyazhinsky) e ainda um ataque cardíaco sofrido por Tarkovsky em 1978. O filme foi concluído somente em 1979, e venceu o Prêmio do Júri Ecumênico em Cannes.

    Após a conclusão de Stalker, Tarkovsky iniciou a produção de The First Day (Pervyj Dyen), ambientado na Rússia do século 18, durante o reinado do czar Pedro I. Mas para ter o projeto do filme aprovado pelas autoridades, Tarkovsky enviou para avaliação um script diferente do original, deixando de fora cenas que criticavam o ateísmo oficial da URSS. Após gravar cerca de metade do filme, o projeto foi interrompido pelo Goskino (o comitê responsável pela avaliação e censura dos filmes). Tarkovsky ficou enfurecido e destruiu a maior parte do filme.

    Ainda em 1979, Tarkovsky viajou à Itália, onde gravou o documentário Voyage in Time, junto com um amigo de longa data, o italiano Tonino Guerra. Com este mesmo, ele completou o script de Nostalgia (Nostalghia) em 1981, gravando-o no ano seguinte, inicialmente na União Soviética, mas concluindo-o na Itália. Com ele, novamente Tarkovsky venceu o FIPRESCI e o Prêmio do Júri Ecumênico em Cannes. Entretanto, as autoridades soviéticas voltaram a incomodar, impedindo que o filme pudesse ganhar a Palma de Ouro, o que deixou Tarkovsky ainda mais decidido a não filmar novamente em seu país natal.

    Em 1984 o diretor anunciou que jamais voltaria à União Soviética, e começou a gravar seu último filme, O Sacrifício (Offret), em 1985, na Suécia. O filme foi amplamente premiado em Cannes, levando o Grand Prix, o FIPRESCI e o Prêmio do Júri Ecumênico.



    Filmografia:

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    [TR]
    [TD]The Killers (Ubiytsy) - 1956 [curta]

    Realizado quando ainda era um estudante, e em companhia dos colegas Marika Beiku e Aleksandr Gordon. O curta é baseado no conto The Killers, de Hemingway, e é dividido em três cenas, que retratam dois gângsters que desejam assassinar um homem, que por sua vez toma conhecimento do fato por um amigo que presencia a entrada dos gângsters no restaurante em que está comendo, e é interrogado pelos mesmos.[/TD]
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    [TABLE="class: outer_border, width: 800"]
    [TR]
    [TD]There Will Be No Leave Today (Segodnya uvolneniya ne budet) - 1959 [curta]

    Outro curta realizado em conjunto com Aleksandr Gordon, é baseado em um evento real do pós-guerra, onde uma unidade do exército tenta remover várias bombas não detonadas de uma cidade.[/TD]
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    [TR]
    [TD]O Rolo Compressor e o Violinista (Katok i skripka) - 1961 [curta]

    O filme conta a história da amizade improvável do garoto violinista Sasha e o operador de um rolo compressor, Sergey. A amizade de ambos começa quando Sasha, sendo tradicionalmente amolado por outras crianças, é salvo por Sergey, que impede as outras crianças de importunarem o garoto. Nessa obra começa a aparecer mais claramente a preocupação de Tarkovsky com os conflitos humanos, através da representação do contato entre uma criança burguesa e solitária com o mundo externo e com o operário que trabalha no serviço pesado.

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    [TD]A Infância de Ivan (Ivanovo detstvo) - 1962

    Baseado no conto Ivan, de Vladimir Bogomolov, o filme conta a história do garoto órfão Ivan e suas experiências na Segunda Guerra Mundial. Em meio ao combate entre o exército soviético e os alemães, Ivan, um garoto de 12 anos, é utilizado como informante pelas forças soviéticas. Ao longo do filme são retratados os sonhos de Ivan, onde sua história é revelada, além das vidas dos soldados que travam contato com Ivan.

    O filme obteve aprovação da crítica e tornou o diretor conhecido internacionalmente, sendo também reconhecido por inovar ao retratar aspectos da guerra do ponto de vista de uma criança;

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    [TR]
    [TD] Andrei Roublev - O Artista Maldito (Andrey Rublyov) - 1966

    O filme conta a história do pintor russo Andrei Roublev, um monge que viveu no século 15 e tornou-se famoso por suas pinturas de ícones religiosos. Dividida em 7 capítulos, a história retrata um período turbulento da história russa, caracterizado pelos conflitos entre príncipes rivais e pelas invasões dos Mongóis. Nesse contexto, a vida de Andrei e seus dilemas, tanto religiosos quanto artísticos, são retratados.
    Roublev marca a primeira experiência de Tarkovsky com a justaposição de películas coloridas e em preto e branco, prática que ele continuaria a explorar em sua carreira.

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    Palavras de Tarkovsky sobre o filme:

    "A pressão sobre [o trabalho de] Andrei Rublev não é uma exceção. Um artista nunca trabalha sob condições ideais. Se elas existissem, seu trabalho não existiria, pois o artista não vive no vácuo. Algum tipo de pressão precisa existir: o artista existe porque o mundo não é perfeito. A arte seria inútil se o mundo fosse perfeito, pois o homem não buscaria a harmonia, apenas viveria nela. A arte é nascida em um mundo mal planejado. Esse é o ponto em Rublev: a procura por relações harmoniosas entre os homens, entre a arte e a vida, entre o tempo e a história. É sobre isso que meu filme fala.
    Outro tema importante é a experiência humana. Nesse filme, minha mensagem é de que é impossível passar a experiência para outros, ou aprendê-la de outros. Nós precisamos viver nossas próprias experiências, não podemos herdá-las. As pessoas com frequência dizem: 'use a experiência de seus pais!'. É muito fácil falar, cada um de nós deve obter sua própria experiência. Mas uma vez que a obtemos, não temos mais tempo para usá-la. E as novas gerações se recusam a escutá-las, eles querem vivê-las, mas então eles também morrem. Essa é a regra da vida, seu real significado: não podemos impor nossa experiência sobre outras pessoas ou forçá-las a sentir emoções sugeridas. Apenas através da experiência pessoal podemos compreender a vida. Rublev, o monge, viveu uma vida complexa: ele estudou com o mestre Radonevsky na Trindade Sagrada, mas ele viveu em desacordo com seus ensinamentos. Ele precisava ver o mundo através dos olhos de seu mestre, apenas no final de sua vida que ele viveu à sua própria maneira."
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    [TR]
    [TD]Solaris (Solyaris) - 1972

    Kris Kelvin é um psicólogo que viaja para uma estação espacial orbitando o planeta Solaris, em busca de entender o que ocorreu com sua tripulação, que começou a ter crises emocionais. Na estação, Kelvin começa a sentir na pele o problema enfrentado pelos cientistas que lá estavam. O filme é uma adaptação da obra do escritor polonês Stanislaw Lem, abordando a trama de uma perspectiva diferente. Enquanto que o romance de Lem foca nos problemas de comunicação entre humanos e espécies não-humanas, o filme de Tarkovsky foca nos dramas pessoais de Kelvin e dos cosmonautas, que são confrontados com o passado de suas vidas.
    O filme é frequentemente comparado com 2001: Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick, filme que Tarkovsky considerava muito frio e desumano.

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    Palavras de Tarkovsky sobre o filme:

    "É meu pior filme, eu não gosto dele. Diferentemente de Lemn, o autor do livro, eu não estava muito interessado na relação entre o homem e o conhecimento, mas nos aspectos psicológicos e interiores do ser humano. Pode o homem viver em condições inumanas e permanecer humano?
    O personagem principal do filme me interessou por ter que permanecer humano em condições inumanas. É assim que eu o vi e como o retratei em meu filme. Eu não gostei dele por que eu não pude lidar com todo aquele jazz de ficção científica: lâmpadas brilhantes, etc, que não tinham nada a ver com minha ideia. "
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    [TABLE="class: outer_border, width: 800"]
    [TR]
    [TD]O Espelho (Zerkalo) - 1975

    O Espelho uma é obra autobiográfica, onde Tarkovsky explora memórias de sua infância, a relação com sua mãe, com sua ex-esposa e com seu filho. É uma obra que marca claramente o estilo poético do diretor, sem seguir um enredo e inclusive contendo citações de poemas de seu pai, Arseny Tarkovsky. O resultado é um filme onírico, hipnótico e visualmente deslumbrante.

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    Palavras de Tarkovsky sobre o filme:

    "A maioria das pessoas acredita que é meu filme favorito. Eu certamente me sinto mais próximo a ele, já que é sobre minha família: tudo é verdade, nada é inventado. É a biografia verdadeira da nossa família. Contudo, nem todos meus princípios estéticos estão refletidos nele. Foi muito difícil fazer este filme, eu não conseguia editá-lo. Os episódios tinham um certo sentido dramatúrgico que o filme derramou sobre mim durante sua edição. Eu tive que fazer 19 variantes diferentes da edição, trocando cenas inteiras para tentar obter um filme delas. E isso prova que eu não o editei da maneira tradicional. Eu não sei como eu consegui. Agora eu modifiquei a estrutura dos meus filmes, como em Stalker e Nostalgia, este último filmado na Itália. Eu simplifiquei meu estilo narrativo, eu acho. O Espelho é recheado por muitos detalhes e entonações para ser o filme onde meus conceitos estéticos estejam incorporados."

    Um exemplo da bela poesia do pai de Tarkovsky, explorada no filme:
    First Meetings

    Every moment that we were together
    Was a celebration, like Epiphany,
    In all the world the two of us alone.
    You were bolder, lighter than a bird's wing,
    Heady as vertigo you ran downstairs
    Two steps at a time, and led me
    Through damp lilac, into your domain
    On the other side, beyond the mirror.

    When night came I was granted favour,
    The gates before the altar opened wide
    And in the dark our nakedness was radiant
    As slowly it inclined. And waking
    I would say, 'Blessings upon you!'
    And knew my benediction was presumptuous:
    You slept, the lilac stretched out from the
    table
    To touch your eyelids with a universe of blue,
    And you received the touch upon your eyelids
    And they were still, and still your hand was
    warm.

    Vibrant rivers lay inside the crystal,
    Mountains loomed through mist, seas foamed,
    And you held a crystal sphere in your hands,
    Seated on a throne as still you slept,
    And—God in heaven!—you belonged to me.
    You awoke and you transfigured
    The words that people' utter every day,
    And speech was filled to overflowing
    With ringing power, and the word 'you'
    Discovered its new purport: it meant 'king.
    Ordinary objects were at once transfigured,
    Everything—the jug, the basin—when
    Placed between us like a sentinel
    Stood water, laminary and firm.

    We were led, not knowing whither,
    Like mirages before us there receded
    Cities built by miracle,
    Wild mint was laying itself beneath our feet,
    Birds travelling by the same route as ourselves,
    And in the river fishes swam upstream;
    And the sky unrolled itself before our eyes.

    When fate was following in our tracks
    Like a madman with a razor in his hand."

    Arseny Tarkovsky
    (Traduzido para o inglês por Kitty Hunter-Blair)
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    [TR]
    [TD]Stalker (idem) - 1979

    Considerada a segunda obra de ficção científica de Tarkovsky, ao lado de Solaris. O Stalker é um indivíduo que trabalha como guia, levando pessoas para a "Zona", um lugar onde as tradicionais leis da física não se aplicam. No centro da "Zona" está a "Sala", onde supostamente as pessoas que a atingem podem ter seus desejos mais profundos realizados. E é para lá que querem ir os outros dois personagens guiados pelo Stalker, o Escritor e o Professor.
    Como é recorrente em Tarkovsky, Stalker utiliza cenas longas, mostrando a natureza e permeado por diálogos densos. E também é um filme com muita, muita água. Tarkovsky tinha uma predileção especial pela água.

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    Palavras de Tarkovsky sobre o filme:

    "Cada um pode classificar meus filmes como quiser, mas eu sou contra a subdivisão em gêneros. Quando as pessoas me perguntam o que eu penso de Stalker, eu fico intrigado. Eu nunca pensei que meus filmes poderiam pertencer a algum gênero. Para mim é mais uma parábola do que uma ficção científica. Eu nunca pensei sobre a atitude da audiência, é muito difícil para mim me colocar no lugar deles, é uma coisa inútil e desagradável de se fazer. Algumas pessoas o fazem para tentar prever o sucesso futuro do filme. Eu não sou um desses diretores. O melhor caminho para a audiência é permanecer você mesmo, usar uma linguagem pessoal que eles certamente entenderão. Devemos lutar contra filmes comerciais. Veja como os escritores tratam sobre essa questão! Eles não tentam ser amados, eles sabem que o público irá aceitá-los. Os escritores que tentam agradar a audiência não obtém sucesso: poetas e escritores não sabem como agradar. Eu encontrei uma saída para esse problema, movendo, em meus filmes, do externo para o interno mundo humano: a questão da lealdade a si mesmo, a relação entre personalidade e ideais. Esse é o problema do otimismo. Para mim, o homem está em um beco sem saída, pois ele inventou a solução material para seus problemas através do progresso tecnológico. Mas isso não é uma solução de fato, à medida que o homem e a sociedade não progridem harmoniosamente ou espiritualmente por dentro. Eles nunca têm paz e sua condição é trágica. A solução consiste em equilibrar essas duas linhas de desenvolvimento: o espiritual interno e o material externo. Essa é a mensagem em Stalker e em Solaris, e talvez em todos os meus filmes: essa tentativa de equilibrar nossas necessidades materiais e espirituais. "​

    Supostamente a morte do diretor anos mais tarde, assim como a de sua esposa e do ator Anatoli Solonitsyn, estaria ligada à contaminação química presente nos locais de gravação.
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    [TABLE="class: outer_border, width: 800"]
    [TR]
    [TD]Nostalgia (Nostalghia) - 1983

    Um poeta russo chega à Itália, acompanhado por sua intérprete, para pesquisar sobre a vida do compositor russo Pavel Sosnovsky, que viveu na Itália e suicidou-se após voltar à Rússia. Apesar da beleza do local, o poeta é afetado por fortes sentimentos nostálgicos. Além disso, ele faz amizade com um morador local que trancou sua família por longos anos, à espera do fim do mundo, enquanto ele insiste em tentar cruzar uma piscina de água mineral com uma vela acesa, acreditando que quando ele conseguir ele irá salvar o mundo.
    Nostalgia é um filme bastante tátil na maneira como explora as texturas, os objetos e superfícies. Também é marcado por sua trilha sonora, contendo composições de Debussy, Wagner, Verdi e Beethoven, especialmente a 9ª sinfonia deste.

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    [TABLE="class: outer_border, width: 800"]
    [TR]
    [TD]O Sacrifício (Offret) - 1986

    O último filme de Tarkovsky, filmado na Suécia quando o diretor já estava doente, funciona como uma alegoria ao auto-sacrifício. Alexander é um ator velho, além de psicólogo e escritor que, ao lado de sua esposa e filho, vivencia a perspectiva do fim do mundo por uma catástrofe nuclear. Alexander, em seu desespero, promete sacrificar tudo que ele ama em troca da salvação do mundo.
    Em O Sacrifício, ainda mais que nos demais filmes, Tarkovsky explora as cenas longas com movimentos lentos da câmera. A cena inicial tem mais de 9 minutos, sendo a cena mais longa dos filmes do diretor, e no total o filme tem apenas 115 cenas. Outra curiosidade é que ele foi filmado por Sven Nykvist, o diretor de fotografia favorito de Ingmar Bergman, um dos poucos diretores que Tarkovsky realmente admirava. Além disso, o filme também inclui o ator Erland Josephson, que fez vários filmes com Bergman e que já havia trabalhado com Tarkovsky em Nostalgia.

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    Estilo e opiniões

    Os pontos mais marcantes nas obras de Tarkovsky são as questões metafísicas exploradas, as cenas longas e a beleza da fotografia. Com frequência os filmes utilizam elementos como sonhos, memórias, água e levitações. Além disso, o diretor gostava de justapor personagens com a natureza ao seu redor.

    As cenas de levitação eram utilizadas pelo diretor, segundo ele, por seu valor fotogênico e por sua inexplicabilidade mágica.

    Sobre o uso recorrente da água, Tarkovsky declarou:

    "Eu gosto de água, especialmente de riachos. É um tipo de água que fala comigo. O mar é algo alienígena para mim, é muito vasto. Não me assusta, é apenas demasiado monótono. Por natureza, eu gosto mais das pequenas coisas, o microcosmo ao macrocosmo. Eu prefiro superfícies limitadas, e é por isso que eu gosto da atitude dos Japoneses em relação à natureza. Eles se concentram num espaço pequeno e lá eles vêem o reflexo do infinito.
    ... eu não sei por que eu gosto tanto de água. A água é um elemento misterioso, devido à sua estrutura molecular, e é muito cinegráfica: ela transmite movimento, mudanças profundas. É uma das coisas mais belas do mundo. Nada é mais belo que a água. Mas, como tudo na vida tem um reflexo em nosso subconsciente, eu não diria que meu amor pela água se explica por um ponto de vista tão estreito. Talvez seja alguma memória antiga, meus ancestrais vieram para a vida a partir da água, quem sabe? De qualquer maneira, eu não conseguiria fazer um filme sem água. "

    Tarkovsky desenvolveu uma teoria do cinema que ele denominou de "Esculpindo no Tempo". Para ele o cinema funcionava no sentido de alterar nossa experiência de tempo. Cenas não editadas transcreveriam o tempo em tempo real, então ao usar longas cenas e poucos cortes, ele buscava passar aos espectadores uma sensação do tempo passando, do tempo perdido e da relação do momentos no tempo.

    Essa teoria foi mais explorada até O Espelho, depois do qual o diretor decidiu explorar mais as unidades Aristotélicas, as regras de drama propostas por Aristóteles e que consistiam em concentrar a história em poucos atos, em um único lugar e em um único dia.


    Sobre a sétima arte, Tarkovsky disse:

    "O cinema é uma arte infeliz porque depende de dinheiro. Não só porque um filme é muito caro, mas também porque é comercial, como cigarros, etc. Um filme só é bom se dá dinheiro. Mas se o cinema é arte, tal caminho é um absurdo. Isso significaria que uma obra-de-arte só é boa se ela vende. Sabendo muito bem disso, eu não reclamo. Não posso exigir termos especiais para os meus filmes, uma vez que estes termos não existem. Um filme, para o grande público, não pode ser poético.
    Alguns filmes foram vistos por milhões de pessoas, mas isso aconteceu no final do cinema mudo. Quando cada filme novo atraía a curiosidade das pessoas. Agora é difícil surpreender o espectador. E filmes bons não são vistos pelas massas."


    E sobre arte de modo geral, sua opinião era que:

    "Antes de definir arte ou qualquer outro conceito, devemos responder uma questão mais ampla: "Qual o sentido da vida do homem na Terra?" Talvez estejamos aqui para nos aprimorarmos espiritualmente. Se nossa vida tende para o enriquecimento espiritual, a arte é um meio de se conseguir isso. Claro, de acordo com minha definição de vida. A arte deveria ajudar o homem nesse processo. Alguns dizem que a arte ajuda o homem a conhecer o mundo como nenhuma outra atividade intelectual. Eu não acredito nessa possibilidade de conhecimento. Sou quase um agnóstico. O conhecimento nos distrai do nosso objetivo principal na vida. Quanto mais aprendemos, menos sabemos. Indo ao fundo, nosso horizonte se torna mais estreito. A arte enriquece a própria capacidade espiritual do homem e ele pode, então, crescer para usar o que chamamos de livre-arbítrio."​
    "A arte afirma tudo que há de melhor no homem - esperança, fé, amor, beleza, preces... com o que ele sonha e pelo que ele espera... quando alguém que não sabe nadar é atirado na água, o instinto diz ao seu corpo que movimentos irão salvá-lo. O artista, também, é conduzido por uma espécie de instinto, e seu trabalho promove a busca do homem pelo que é eterno, transcendente, divino - frequentemente a despeito da pecaminosidade do próprio poeta". ​


    Para Tarkovsky, seu papel como diretor permanecia incerto, e ele seguia procurando por pontos de contato entre o cinema e a poesia. Mesmo mais tarde ele considerava o cinema um mistério, assim como toda forma de arte.

    O diretor dizia ser incapaz de separar sua vida privada do papel de diretor, já que considerava a direção não apenas um trabalho, mas a sua vida. Gostava muito do processo de criação do filme, escrever os roteiros, pensar nas cenas, procurar os locais de filmagem; mas achava entediante o processo de filmagem.


    Morte

    A morte de Tarkovsky é cercada por mistérios. Tendo falecido devido a um câncer de pulmão, em Paris, em 1986, a origem da doença é atribuída à gravação de Stalker. Em um dos locais de gravação do filme havia uma usina hidroelétrica, onde atores e equipe permaneceram algum tempo. Rio acima havia uma indústria química, que despejava resíduos no rio. Várias pessoas envolvidas com o filme desenvolveram reações alérgicas na época. Poucos anos mais tarde, não apenas Tarkovsky veio a desenvolver câncer e morrer, mas também sua esposa Larissa, que trabalhou no filme, assim como o ator Anatoli Solonitsyn.
    Contudo, no início dos anos 90 surgiram evidências que levantaram a hipótese de o diretor ter sido assassinado pela KGB. Tais evidências seriam documentos de ex-agentes da KGB onde constariam que Viktor Chebrikov, chefe da agência de segurança, teria dado ordens para eliminar Tarkovsky, para evitar o que a KGB e o governo da URSS consideravam como propaganda anti-soviética. Além disso, um dos médicos de Tarkovsky teria afirmado que o câncer do diretor não poderia ter surgido de causas naturais.

    Tarkovsky está enterrado no Cemitério Russo de Sainte-Geneviève-des-Bois, na França. Em sua lápide lê-se: "O homem que viu o Anjo"



    Referências

    Filmes/Vídeos:
    Andrei Tarkovsky: A Poet in the Cinema (Un poeta nel Cinema: Andreij Tarkovskij, 1984)
    Dossiê Tarkovsky

    Links:
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    Livros:
    Andrei Tarkovsky - Sculpting in Time


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    Última edição por um moderador: 6 Out 2013
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  2. Vëon

    Vëon Do you know what time it is?

    Re: Diretor da Semana - Andrei Tarkovsky

    Imaginava a filmografia dele maior, até que vi bastante coisa. Stalker de longe meu preferido, pra mim junto com 2001 os melhores sci-fi's de todos os tempos.
     
  3. Hobbit Bonzinho

    Hobbit Bonzinho Usuário

    Re: Diretor da Semana - Andrei Tarkovsky

    Nem sabia dessa história com as autoridades soviéticas.
    Acho todos, tirando os dois últimos, obras-primas, até Solaris.
    Mas Stalker parece estar em outro plano cinematográfico. Tenho a impressão que todo o cinema só está aí pra arranhar a superfície da imensidão que é esse fime.
    Outra curiosidade é que a cena em O espelho, em que a mãe corre na chuva é baseada em uma suposta lenda urbana do stalinismo, em que uma corretora do jornal Pravda teria deixado passar um erro em que, em vez de Stalin estaria escrito uma palavra que em russo significa algo como cagar.
     

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