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[Amy] [Em nome da ambição] [L]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Amy Fowler, 19 Jan 2013.

  1. Amy Fowler

    Amy Fowler Visitante

    Autor: Amy Fowler
    Gênero: Fábula (paródia)
    Título: Em nome da ambição

    Um dia houve um abalo na estrutura econômica de duas espécies de animais da floresta. Uma formiga ambiciosa deixou seu ninho no interior, dentro de uma plantação de cana-de-açúcar, para ir à cidade, a fim de obter mais dinheiro com menos horas de trabalho. A outra, uma cigarra, muito preguiçosa e esperta, que adorava manipular outros insetos em benefício próprio.

    As duas se conheceram na época em que a formiga sofria de uma desilusão após uma entrevista de emprego mal-sucedida. A formiga vagava pelas ruas da cidade quando avistou, em um grande depósito de lixo, uma placa que dizia: “HÁ VAGAS PARA ESTAGIÁRIOS”. Radiante com a perspectiva de conseguir um emprego, a formiga se adiantou e foi logo entrando por uma portinhola próxima ao anúncio.

    Era uma repartição pública governada por moscas, cuja principal função era a distribuição de lixo para o restante da população decompositora, isto é, as bactérias e os fungos. O que a formiga desconhecia era o fato de os recursos serem escassos, em decorrência das moscas parlamentares que usufruíam o benefício de selecionarem para si o lixo de primeira. Desse modo, como sobrava pouco para o resto do povo, praticamente não havia trabalho e, por isso, a formiga, habituada com o trabalho pesado, não foi admitida para esta função.

    Desolada, a formiga saiu com os olhos marejados d’água, resultado de um choro contido. A cigarra, que já conhecia a fama de corruptas que as moscas ostentavam, suspeitou do insucesso da formiga ao vê-la cabisbaixa. Entretanto, compaixão não era uma qualidade da cigarra, que foi logo se adiantando para se beneficiar do infortúnio da formiga. Ao aproximar-se dela, a cigarra lhe perguntou sobre o ocorrido, obtendo como resposta apenas tristes lamentos:

    - Nunca deveria ter saído do interior. Hoje vivo à míngua; sou uma marginal na sociedade – choramingou a formiga.

    - Não fale isso! A cidade tem muitas oportunidades para oferecer! Basta você procurar. Eu, por exemplo, sou dona de uma empresa de extração de seiva e, no momento, estou contratando funcionários. Você não teria interesse?

    A formiga ficou pensativa por alguns instantes. Embora tivesse consciência de que seria uma empreitada difícil por desconhecer as tecnologias modernas, a necessidade do trabalho tornou a proposta irrecusável. Assim sendo, a cigarra entregou-lhe um papel no qual estava escrito o endereço da empresa.

    Na manhã seguinte, a formiga dirigiu-se ao local indicado pela cigarra e, lá chegando, deparou-se com uma enorme e variada quantidade de insetos, provenientes do êxodo rural. Todos estavam desarrumados e entristecidos com as más condições de trabalho: o mau cheiro, a falta de saneamento, a sujeira e o péssimo salário estavam entre as principais críticas do proletariado.

    Em poucas semanas, a formiga igualara-se, em espessura, a um fio de cabelo, tornara-se depressiva e alienada: desistira de procurar outros empregos porque não aceitavam animais de baixa renda em cargos elevados e se conformara com o serviço que executava. No entanto, após nove meses, quando ela teve sua penúltima patinha arrancada pela esteira, decidiu que era hora de mudar a situação. Nessa mesma época, ouviu falar de um humano, escritor de um texto que poderia mudar o ponto de vista de uma sociedade. Curiosa pelos escritos, a formiga foi buscar em todos os cantos da cidade alguma pista desse autor. Encontrou o que precisava em uma biblioteca que escondia livros em uma sala dos fundos – o nome que procurava estava estampado, em letras garrafais, na capa de um livro intitulado O Capital: KARL MARX.

    A pequena formiga devorou o livro, lendo-o do início ao fim em poucos dias. A partir da leitura, ela conseguiu compreender o quanto era explorada pelo patrão ao trabalhar durante muitas horas, sem descanso. Quando entendeu o mecanismo da mais-valia, a formiga decidiu que estava na hora de unir os operários e lutar contra a tirania da cigarra.

    Então, a formiga convocou todos os insetos trabalhadores explorados para uma reunião, na qual explicou a todos as condições a que eram submetidos. Revoltados, os funcionários decidiram manifestar-se contra o capitalismo e gritar vivas ao socialismo pelas ruas. Contudo, apesar do esforço, o resultado foi o massacre do proletariado, pois a confusão teve repercussão global: os capitalistas da região entraram em guerra contra a arraia miúda. A formiga morreu no fim da batalha, engolida por um sapo da oposição.


    Moral da história: Exôdo rural é furada, você continua pobre e corre riscos de ser engolido por um sapo.
     
    • Ótimo Ótimo x 1
  2. korvvo

    korvvo corvo

    Simplesmente fantástico, eu acho que esse é o real ponto de vista do capitalismo contra o socialismo, sempre querendo se sobressair sobre os outros.
    Bem, muito bom cara, :p

    Namastê.
     

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