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  1. F. M. Kalyma

    F. M. Kalyma Felicidade é andar de chinelo!

    A amizade de Frodo e Sam seria uma alusão à amizade do próprio Tolkien com o C. S. Lewis?
     
  2. My

    My Usuário

    Talvez... já ouvi algo a respeito, ou li, não sei, mas não me lembro quando nem onde.
     
  3. Excluído016

    Excluído016 Excluído a Pedido

    Creio que também já ouvi falar sobre isso...Acho que li num site qualquer, mas acabei não dando devida importância ...
     
  4. Fëanor

    Fëanor Fnord Usuário Premium

    Nada nesse sentido foi declarado por Tolkien, que inclusive manifestou diversas vezes que suas obras não continham nenhuma alegoria intencional - as quais eram de seu desagrado.
     
  5. Excluído016

    Excluído016 Excluído a Pedido

    Pois é, no site em que li dizia que Tolkien nunca havia declarado nada do tipo, o que havia lá era apenas uma suposição... Enfim, vou tentar achar o tal site, e se conseguir posto o link aqui...
     
  6. Fringway

    Fringway Andarilho do Norte (187)

    Eu também acho que não. Talvez essa referência possa ter acontecido, mas creio que sem a intenção do Mestre:yep:
     
  7. Calenardhon

    Calenardhon Cavalariço de Rohan

    É complicado se compararmos cada coisa da obra a algum aspecto da vida de Tolkien. É uma idéia, mas se ele fosse escrever o livro baseado em sua história, era mais fácil ter feito uma biografia. Já ouvi sobre a amizade de C.S e J.R.R, mas não creio que foi dela que Tolkien retirou o elo de Sam e Frodo.
     
  8. ARABAEL

    ARABAEL Ema Infame e

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    Eu li este livro... e olha que acho que a dupla Sam e Frodo tem tudo haver com Tolkiem e Lewis

    Bom...eu li um artigo também de Martim Vasques da Cunha é escritor e jornalista o qual ele diz que precisamos entender o companheirismo de Tolkien e Lewis, uma das amizades mais frutíferas do século XX, e que mostram que a lealdade e o respeito entre dois amigos não são, em hipótese nenhuma, uma insinuação homossexual - como pensam muitos ao lerem as passagens entre Frodo e Sam Gamgi em "O Senhor dos Anéis". Os dois eruditos faziam parte de um grupo de intelectuais em Oxford, chamado "The Inklings", e tanto Tolkien como Lewis recitavam seus poemas e discutiam sobre os estudos que cada um fazia sobre "Beowulf" ou sobre a natureza do mito. Obviamente, esse era o assunto que mais preocupava Tolkien, e foi justamente numa discussão sobre mitos que foi provada para Lewis, a verdade intrísica do Cristianismo. O biógrafo de Tolkien, Humphrey Carpenter, detalha a conversa fundamental:
    Era uma noite tempestuosa, mas eles seguiram em frente, pela Addison´s Walk enquanto discutiam o propósito dos mitos. Lewis, apesar de já ser um crente, ainda não conseguia compreender a função de Cristo no cristianismo, não conseguia perceber o significado da Crucificação e da Ressurreição. Disse que tinha de entender o propósito desses eventos - ou, como diria mais tarde numa carta ao um amigo, 'como a vida e a morte de Outra Pessoa (quem quer que fosse) há dois mil anos pode ajudar-nos aqui e agora - exceto na medida em que seu exemplo nos possa ajudar'.
    À medida que a noite passava, Tolkien e Dyson [um outro amigo dos dois, também cristão] mostraram-lhe que estava fazendo uma exigência totalmente desnecessária. Quando encontrava a idéia de sacríficio na mitologia de uma religião pagã, ele a admirava e se emocionava com ela; a idéia da deidade que morre e renasce sempre tocara sua imaginação desde que lera a história do deus nórdico Balder. Mas dos Evangelhos (diziam eles) ele estava exigindo algo a mais, um significado claro além do mito. Não poderia transferir seu apreço comparativamente tácito pelo mito para a história verdadeira?
    Mas, disse Lewis, mitos são mentiras, mesmo que sejam mentiras envoltas em prata.
    Não, disse Tolkien, não são.
    E, indicando as grandes árvores do bosque de Magdalen cujos ramos se curvavam ao vento, enveredou por uma linha diferente de argumentação.
    Você chama uma árvore de árvore, disse, e não pensa mais na palavra. Mas não era "árvore" até que alguém lhe desse esse nome. Você chama uma estrela de estrela, e diz que é só uma bola de matéria que se move numa trajetória matemática. Mas isto é meramente como você a vê. Nomeando e descrevendo as coisas dessa maneira, você está apenas inventando seus próprios termos para elas. E assim como a fala é uma invenção sobre objetos e idéias, assim também o mito é uma invenção sobre a verdade.
    Viemos de Deus (continuou Tolkien), e inevitavelmente os mitos que tecemos, apesar de conterem erros, refletem também um fragmento da verdadeira luz, da verdade eterna que está com Deus. De fato, apenas ao fazer mitos, ao se tornar "subcriador" e inventar histórias, é que o Homem pode se aproximar do estado de perfeição que conhecia antes da Queda. Nossos mitos podem ser mal orientados, mas dirigem-se, ainda que vacilantes, para o porto verdadeiro, ao passo que o "progresso" materialista conduz apenas a um enorme abismo e à Coroa de Ferro do poder do mal.
    (...)
    Quer dizer, perguntou Lewis, que a história de Cristo é simplesmente um mito verdadeiro, um mito que nos afeta da mesma forma que os outros, mas um mito que realmente aconteceu? Nesse caso, disse ele, começo a compreender.
    (...)
    Doze dias depois, Lewis escreveu ao amigo Arthur Greeves: 'Acabo de converter-me da crença em Deus à crença definitiva em Cristo - no cristianismo. Tentarei explicar isto em outra ocasião. Minha longa conversa noturna com Dyson e Tolkien teve muito a ver com isso'.
    (...)
    E Tolkien escreveu no seu diário: 'A amizade com Lewis compensa muita coisa, e além de dar prazer e conforto constantes me fez muito bem pelo contato com um homem ao mesmo tempo honesto, valente, intelectual - um erudito, um poeta e um filósofo - e um amante, ao menos após uma longa peregrinação, de Nosso Senhor'.
    "Por muito tempo, ele foi o meu único público", disse Tolkien, reconhecendo a dívida que tinha com Jack Lewis. Foi em sua homenagem que ele escreveu o poema que seria o germe de seu pensamento em relação a "O Silmarillion" e ao "O Senhor dos Anéis" - "Mythopoeia". Ele o leu numa conferência proferida em St. Andrews no dia 8 de março de 1939, dois anos depois do sucesso de "O Hobbit". Como o tema era justamente "o conto de fada", parece que Tolkien queria provar ao público e a si mesmo que não era um escritor de livros infantis, mas sim um erudito, que estava "por dentro da língua", e que podia criar suas próprias teorias sobre a função de um contador de histórias. "Mythopoeia" era o ponto crucial de suas idéias:
    "The heart of man is not compound of lies
    but draws some wisdom from the only Wise
    and still recalls Him. Though now long estranged,
    Man is not wholly lost of lordship once he owned:
    Man, Sub-creator, the refracted light
    through whom is splintered from a single White
    to many hues, and endlessly combined
    in living shapes that move from mind to mind.
    Though all the crannies of the world we filled
    with Elves and Goblins, though we dared to build
    Gods and their houses out of dark and light,
    and sowed the seed of dragons - ´twas our right
    (used of misused). That right has not yet decayed:
    we make atill by the law in which we´re made".

    (O coração do homem não se compõe de mentiras,
    mas retira alguma sabedoria do único Sábio,
    e ainda O relembra. Embora há muito alheado,
    o Homem não está totalmente perdido ou mudado.
    Degradado talvez, mas não estronado,
    mantém os farrapos do domínio outrora seu:
    o Homem, Subcriador, a luz refratada
    através da qual um único Branco se fende
    em muitos tons, e infinitamente combinada
    em formas vivas que se movem de uma mente à outra.
    Embora tenhamos preenchido todas as frestas do mundo
    com Elfos e Duendes, ousado moldar
    Deuses e suas casas com a escuridão e a luz,
    e semeado a semente de dragões - era nosso direito
    (usado ou abusado). Esse direito não decaiu:
    ainda criamos pela lei na qual fomos criados.)

    Tradução de Ronald Eduard Kyrmse

    Creio que ali está a idéia que Tolkien desenvolveria com maior amplitude e sucesso em "O Senhor dos Anéis". Havia um fundo cristão em todo esse exagero de teorias que só poderia dar certo na hora de narrar uma história. "O cristão", disse ele, "pode agora perceber que todas as suas inclinações e faculdades têm um propósito, que pode ser redimido. É tão grande a graça que recebeu que agora talvez possa ousar que, com justiça, que na Fantasia ele realmente pode assistir no desdobramento e enriquecimento múltiplo da criação". Frodo, ao perceber que o seu mundo acabará de qualquer maneira mesmo se cumprir sua missão, decide realizá-la sozinho para que as coisas não tenham um fim trágico, e a única coisa que torna a resolução mais suportável é a ousadia de Sam em acompanhá-lo até a Terra de Mordor. Tolkien trata, em seu livro de "fantasia", da busca de um sentido, da restauração de uma ordem. A vida se trata de uma interminável peregrinação, de uma aventura única em que todos têm uma missão, e ela deve ser cumprida, não importa o quão impossível.
    E num documentário antigo (gente se eu conseguir passar do VHS para DVD eu tento postar em algum lugar da Valinor, juro) para a BBC, Tolkien, já com seus setenta e oito anos, com o sucesso perseguindo a sua porta (hippies invadiam o seu jardim em Oxford só para perguntar qual era a natureza da estranha erva que Frodo usava para fumar seu cachimbo), escuta a pergunta simples do entrevistador: "Poderia-nos dizer, sr. Tolkien, qual é o verdadeiro tema de 'O Senhor dos Anéis'?". E Tolkien dá uma baforada no cachimbo (ele próprio se reconhecia como um hobbit) e responde: "O tema de 'O Senhor dos Anéis' é o que todos as epopéias falam sem exceção: a morte inevitável".
    Eu acredito que Sam e Frodo sejam o estilo de amizade ideal que Tolkien queria para a humanidade. A verdadeira amizade.
     

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