1. Caro Visitante, por que não gastar alguns segundos e criar uma Conta no Fórum Valinor? Desta forma, além de não ver este aviso novamente, poderá participar de nossa comunidade, inserir suas opiniões e sugestões, fazendo parte deste que é um maiores Fóruns de Discussão do Brasil! Aproveite e cadastre-se já!

Dismiss Notice
Visitante, junte-se ao Grupo de Discussão da Valinor no Telegram! Basta clicar AQUI. No WhatsApp é AQUI. Estes grupos tem como objetivo principal discutir, conversar e tirar dúvidas sobre as obras de J. R. R. Tolkien (sejam os livros ou obras derivadas como os filmes)

Além do momento

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por imported_Rafa, 23 Jan 2011.

  1. imported_Rafa

    imported_Rafa Usuário

    O vento levantava seus cabelos de leve, como se quisesse fazer cócegas. Estava sob a sombra de um velho carvalho, acompanhando o ambiente com o olhar, como quem não quer nada com nada. O tempo passava, ora lenta, ora rapidamente e estava alheia ao fato.
    O cachorro percorria o gramado ao seu redor, por vezes chegando a pular em si, pedindo para que brincasse com ele, mas não importava-se com isso. Parecia em transe, recompondo-se rapidamente a cada interrupção. As pessoas passavam pela rua, olhavam-lhe e continuavam seu caminho, sem importarem-se. Era como um fantasma, mas com algo que lhes chamava a atenção para o ponto em que estava, inerte.
    Em um balanço dependurado numa árvore, encontrava-se outra pessoa. Ia e vinha lentamente, também inerte. Dessa vez, seu companheiro era um pássaro, pousado em seu ombro. Sua cantoria era perceptível pelas vastas campinas que rodeavam o pequeno chalé, herança de família há umas cinco gerações. Não havia sol no horizonte, o vento aumentava aos poucos, sinais de chuva eram perceptíveis, talvez uma tempestade.
    Já no meio do caos de uma grande metrópole, encontrava-se mais uma pessoa, também inalterada ao que ocorria ao seu redor, de pé contemplando o rio que percorria a cidade, sozinha. Os odores da cidade misturavam-se com a poluição, e a vila que estava não era das melhores, sua aparência era malcuidada, como se fosse abandonada há anos. O céu estava cinza, mas não havia sinal de chuva e tampouco de vento.
    Para estas pessoas, tudo estava calmo, como se o mundo houvesse parado, mas não as ações da natureza, que continuavam vivamente dia após dia. Era como se vivessem na sua própria imaginação, entretanto, o que se sucedia para elas era realmente real. As pessoas notavam-as nos seus locais, falavam com elas e elas apenas ignoravam-as, como se fossem parte de um objeto.
    O tempo realmente mudara: na cidade, escurecera, perto do carvalho, o sol tomara a sombra abaixo da árvore e no campo, a chuva iniciara, forte, com grossos pingos incessantes. As horas não eram as mesmas nos três locais, percebemos. E do nada, notava-se uma melodia doce e suave, mas na cidade tal melodia era quase inaudível. Parecia que a melodia iria definir o destino das três, sem mais nem menos, como um inesperado estalar dos dedos. Ninguém esperava-as em casa, eram pessoas sós, sem companhia de outrem que não fossem apenas uns animais; nem amizades aparentavam ter. Não se conheciam, mas suas fisionomias eram semelhantes, especialmente na cor dos olhos, um azul tão belo que lembrava o céu, na maçã do rosto e na cor dos cabelos, cor de cobre vivo. Pelas observações até agora obtidas, a nós não parecem humanas. Mas o são, criaturas sofríveis que estão entre nós e nem percebemos.
    Do nada, aquela que contemplava o rio deu um impulso e caiu da ponte, no rio. Já a que estava sob o carvalho, caiu dura no chão e a que estava no balanço, enforcou-se com a corda que a sustentava momentos antes. Trágicos e tristes fins para as três irmãs, quem sabe, que viveram em anos diferentes, todas com aparência de novas. Seriam elas parentes uma da outra? Não se sabe até hoje.
    Luzes acenderam-se em todo o local. Todos levantavam, um por um, como se fosse ensaiado, de suas fileiras, aplaudindo incansavelmente, enquanto as cortinas fechavam-se. Momentos depois, abriam e as três apareceram para agradecer a presença do público, sendo aplaudidas por um tempo indeterminado, devido a excelente atuação. Tudo não passara de um farsante então, mas parecera tão real.
     
  2. imported_rique

    imported_rique Usuário

    Nossa... Final fascinante. legal...

    Tchau:tchauzim:
     

Compartilhar