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ACM NO ALÉM - poeminha a lá literatura de cordel (Legal!)

Tópico em 'Atualidades e Generalidades' iniciado por elfah, 1 Ago 2007.

  1. elfah

    elfah Usuário

    ACM NO OUTRO MUNDO

    Miguezim de Princesa

    (Codinome de um delegado da Polícia Civil do Distrito Federal).


    I
    Numa sessão em Angola,
    O meu amigo Raimundo
    Recebeu alma penada
    Que num contar bem profundo
    Narrou a fundo a chegada
    De ACM no outro mundo.

    II
    Todo vestido de branco,
    Pois já tinha trocado o terno,
    ACM se postou
    Na entrada do inferno
    Para onde foi direto
    A mando do Pai Eterno.

    III
    Carregando água de cheiro,
    Viu-se um cordão de baianas
    Esperando o grande líder
    Numa comitiva bacana
    Com mais de 100 deputados
    E um cão comendo bananas.

    IV
    Apareceu Lúcifer:
    Com um chicote na mão
    E a cara muito amarrada,
    Foi logo dizendo, então,
    Que entre o babalaô,
    Hoje tem reunião.

    V
    Duma grande mesa de ferro
    Já foram se aproximando.
    Na cabeceira da mesa,
    ACM foi sentando;
    Lúcifer deu um pinote
    E começou protestando:

    VI
    - Aqui, quem manda sou eu,
    Eu sou o rei da folia!
    Pra comer acarajé
    Tem de pedir à minha tia.
    Já falei pra Juraci
    Que aqui não é a Bahia!

    VII
    ACM não falou
    Durante a reunião,
    Fingiu concordar com tudo
    Que viu na resolução,
    Disse: "Tou com Lúcifer,
    Vou apertar sua mão".

    VIII
    Junto com seis senadores
    Começou a passear,
    A cumprimentar o povo
    Que encontrou no lugar,
    Nas esquinas do Inferno
    Desandou a discursar.

    IX
    Lúcifer tava dormindo,
    Acordou de supetão,
    Pela brecha da janela
    Viu muita aglomeração
    E ao redor de ACM
    Toda espécie de cão.

    X
    "O Inferno está sem graça";
    "Queremos animação";
    "Lúcifer é um moleza,
    Não rouba nem tem ação"
    - assim pediam nas faixas
    Do diabo a deposição.

    XI
    Lúcifer inda propôs
    Dois turnos de eleição,
    ACM fincou pé
    Que não aceitava, não,
    Pois a vontade do povo
    Pedia deposição.

    XII
    Lúcifer sai correndo,
    Pulou um grande portão,
    Encontrou do outro lado
    Seu amigo Lampião.
    Disse: "O homem tá com a gota,
    Quer fazer revolução!"

    XIII
    - A hora é de resistir –
    Exclamou Chico Pinguelo.
    - Vamos botar pra feder –
    Animou-se João Tranguelo.
    - ACM hoje vai ver
    Como se come farelo!

    XIV
    Aí, começou uma guerra
    (Cacete de cão com cão):
    A turma de ACM
    Deitou abaixo o portão,
    Tinha até uma quitandeira
    Com uma vassoura na mão.

    XV
    No exército de ACM
    Se viam até generais;
    Lúcifer tinha cangaceiros
    Que não acabavam mais
    Pra defender o portão,
    Reduto de Satanás.

    XVI
    O grande Lucas da Feira
    Se agarrou com Pinochet,
    Arrancou o seu bigode
    Com uma agulha de crochê,
    Deu uma facada em Videla,
    Botou Médici pra correr.

    XVII
    O Cão-Coxo de um pinote
    Uma tora de pau pegou,
    Zuniu a tora no vento
    Chega a direção mudou,
    Meteu em Garrastazu,
    A tora pegou no sul
    Que o norte sentiu a dor.

    XVIII
    ACM quase morre
    Na volta de Cão-Ligeiro,
    Escapou manco de uma perna
    Por dentro do marmeleiro,
    Escoltado por uma diaba
    Com um pau de bater tempero.

    XIX
    Corisco acertou um tiro
    No general Golbery;
    Castelo Branco, com medo,
    Começou fazer xixi;
    Lampião disse só falta
    Do nosso lado Waldir.

    XX
    Apareceu Costa e Silva,
    Sem saber por quem lutava;
    Ernesto Geisel num canto
    Com Figueiredo falava,
    Enquanto o Cabeça Branca
    Na capoeira escapava.

    XXI
    Se mandou em retirada,
    Pegou o caminho do Céu,
    Deu um esbregue em São Pedro,
    Uma bicuda em São Miguel
    E ainda pirraçou
    O arcanjo Gabriel.

    XXII
    Na porta do paraíso
    Quando ACM chegou,
    Ofegante e agitado,
    A santidade esnobou
    E disse para São Pedro:
    - Não falo com assessor

    XXIII
    Mandaram chamar Jesus
    (Quem chamou foi São Tomé),
    ACM se exaltou,
    Fez o maior rapapé:
    - Eu só falo é com o pai dele,
    Daqui não arredo pé!

    XXIV
    Jesus Cristo então pediu
    O parecer de Maria.
    Ela pensou direitinho
    Enquanto o Inferno ardia:
    - Se o Inferno não agüenta,
    Se aqui ele não entra,
    Só voltando pra Bahia. :mrgreen:
     
  2. LatinoAmericano

    LatinoAmericano Aqui jaz Alcarecco

    Muito bom!
    Essa literatura nordestina é muita rica e satírica.
     
  3. elfah

    elfah Usuário

    É interessante. putz, acm morreu! Achei que não viveria para ver isso.

    Bem, estilo é literatura de cordel, mas não foi um nordestino qem escreveu :mrpurple:
     

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