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"A Última Guerreira" (Steven Pressfield)

Tópico em 'Literatura Estrangeira' iniciado por Amaris, 31 Dez 2003.

  1. Amaris

    Amaris Usuário

    Alguém já leu este livro?
    Entrou para a minha lista dos melhores. Pressfield consegue recriar o mito das Amazonas de uma forma muito bela. O livro é muito bom. Segue um trecho dele:

    "Testamento de Selene:

    Não nasci no território das amazonas, mas dez dias ao norte, entre citas negros. Esse povo não tem a pele negra, como os etíopes, mas sim os cabelos; são guerreiros ferozes, tanto as mulheres quanto os homens. Minha mãe era Cimena, filha de Proto, que lutara com Héracles num duelo corpo-a-corpo e tinha sido morta por ele diante do Portão de Tifeu, em Temiscira, capital da Amazônia. Minha mãe sabia falar pelasgo e grego eólio, e queria que eu os aprendesse por amor ao povo livre, embora entre nossa raça, a fala, e sua criada, a razão, sejam consideradas estágios de degeneração, inferiores à ação e ao exemplo, que é a linguagem de Ehal, a Natureza, e de Deus. Entre o meu povo, a fala é restrita; até mesmo os bebês balbuciam pouco, e são, em vez disso, ensinados a se fazer conhecer como os cavalos e os gaviões, sem som. Eu tinha uma deformação, uma cicatriz em meio à minha raça, por ter aprendido as letras entre a sociedade civilizada. Essa arte me separou de Deus e do povo
    livre.
    Os homens dizem que Deus criou o céu. Isso está errado. Deus é o céu, pois a criação não pode ser separada do Criador, mas tudo o que é, é, e é Deus. Primeiro surgiram do céu o raio e a tempestade de granizo; durante cem vezes cem mil invernos reinaram, solitários. Então vieram a águia, e o falcão, e todas as criaturas do ar. Elas viveram por mil milênios sem jamais tocar a terra, que ainda não tinha sido feita, mas morando felizes no ar e dentro do ar, que era ele próprio todo o seu sustento, alimento físico e para o espírito. Eram uma parte de Deus e eram Deus.
    O céu desejava uma comunhão e deu forma à Terra, nossa mãe, impregnando-a com seus raios de fogo e rachando seu ventre para dar à luz o oceano e as montanhas e o mar em meio às terras. Tudo isso era grandioso e sagrado e era uma parte de Deus e era Deus.
    Do Céu, surgiu o Cavalo. No começo, o Cavalo voava, mais veloz do que a águia, e de fato era chamado por Deus de “águia das estepes,” como o povo livre ainda o chama hoje em dia. O Cavalo foi o primeiro a formar sociedades. Antes da vinda do Cavalo, cada criatura vivia isolada e solitária, em comunhão apenas com Deus e com a Terra. O Cavalo inventou a linguagem. Sua língua era sagrada, o idioma do próprio Deus, que fala em silêncio, sem sequer um olhar ou um movimento da crina. Essa língua ainda existe, mas só pode ser ouvida pela humanidade em meio ao clangor intenso da batalha.

    Ouçam, Ó Povos, o ressoar
    da língua sagrada de Deus,
    ecoando sozinho
    Na ponta da bigorna de Ares,
    fazendo-se ouvir pelo martelar da bravura.

    Quando a humanidade apareceu, os indivíduos eram fracos e pequenos. O Cavalo os alimentou com leite e sangue de égua, criando-os como seus próprios filhos. O Cavalo levou os clãs até a água quando a sede crestou as planícies, e até os vales cheios de frutas e forragem quando a fome os oprimiu. Quando o fogo veloz varreu as estepes, o cavalo ordenou às pessoas: “Saltem sobre o meu dorso”; e levou-as, a galope, até um local seguro. O Cavalo ensinou-os a caçar o cervo arredio e o órix selvagem, o clã da montanha e a gazela. E quando a fome negra assolou a terra, o Cavalo instruiu as pessoas:“Comam da minha carne e vivam”. Sem essas dádivas, e outras tão numerosas quanto as lamparinas do céu, a raça dos mortais teria perecido mais de mil vezes. O Cavalo sempre os preservou. E quando o povo livre, em agradecimento, procurava oferecer um sacrifício a Deus, ofereciam aquilo que reverenciavam e veneravam acima de tudo, sua salvadora e aliada, a mãe Cavalo.
    O Cavalo ensinou ao povo livre seu modo de ser, como cavalgar e atacar de surpresa; treinou-os para suportar os rigores do inverno e o trabalho árduo do verão. Sua carne ele doava por completo, desde os invólucros de seus órgãos, com os quais o povo livre carregava água, até os seus tendões para servirem de cordas de arco e suas tripas para coser feridas. Com sua crina, o povo livre tecia cordas e roupas de inverno. Usavam seu couro, seus cascos e até mesmo seus dentes, moendo-os para fazer contas que tingiam e que eram usadas pelas moças nos quadris. As pessoas eram felizes.Vagavam em liberdade pela propriedade de Deus, sem desejar nada que o Cavalo e suas próprias mãos não pudessem proporcionar. Teriam assim caminhado para sempre, se os deuses, por sua própria discordância, não tivessem interferido.
    Pois aquela raça da humanidade que não conhecia o cavalo vivia na miséria e na degradação, fuçando para obter seu alimento, como fazem: os porcos, das bolotas e das raízes e larvas dos brejos. Prometeu, o titã, ficou com pena deles. Roubou o fogo do céu, quando Zeus do Trovão baniu a geração de imortais mais velha do que ele.
    Prometeu deu o fogo ao homem.
    O Cavalo temia o fogo. O povo livre também fugia dele. Mas aquela raça crescida nos brejos descobriu as artes pelas quais o fogo podia ser transformado em seu benfeitor. A carne eles assavam, e os cereais; domaram o centeio e a cevada selvagens e fizeram com que crescessem conforme as suas ordens, presos entre seus muros, e, com a chama próxima, os transformaram em pão.
    Com o fogo veio o orgulho, como Prometeu (nome que significa Premeditação) bem sabia, e cujo objetivo era destronar os deuses que agora estavam no céu. E, em seu orgulho, o homem dilacerou a carne de sua mãe, a terra, rasgando-a com o arado pontiagudo, para plantar as sementes com as quais alimentaria sua arrogância.
    O homem agora conhecia a fala, e se agrupava em cidades, sarjetas fétidas abominadas por Deus, onde nem mesmo Sua sagrada tempestade podia penetrar, já que muros e baluartes mantinham-na do lado de fora. O homem vivia em casebres fedendo a fumaça e cobertos de fuligem. Isso fazia com que seu cabelo cheirasse mal, e os trapos sujos que ele usava para vestir sua nudez; suas mãos fediam e sua pele se tornou acinzentada e gasta. O povo livre farejava aquelas criaturas e fugia, como fazem os cavalos, de sua imunda e malcheirosa aproximação.
    A linguagem dos homens sucedia-se à linguagem dos pássaros e dos cavalos, e à língua silenciosa do povo livre. A origem dessa fala era o medo, medo de Deus e dos mistérios de Deus. O homem procurava, ao nomear as coisas, desnaturá-las e esvaziá-las do terror que lhe causavam. Suas palavras eram ásperas e desarmoniosas, e tão distantes da verdadeira linguagem quanto os guinchos dos morcegos são da música das estrelas."
     
  2. natalia

    natalia Usuário

    Eu li!! Achei muito bom.

    Na verdade, esbarrei nele outro dia na Saraiva e fiquei curiosa pois não acho frequentemente literatura boa sobre o mito das amazonas. Achei interessante e comprei. Eu simplesmente me apaixonei... Esse trecho que foi escrito acima é muito bonito e traduz um pouco da ânsia pela liberdade e da sintonia com a Terra que essas guerreiras tinham.

    Eu li quase 'num tapa' pois é muito bem escrito e a história é boa mesmo!! Ficou aquele gostinho de 'quero mais' no fim.

    Só um alerta!! Ele não é para os estômagos mais fracos: algumas cenas são muito realistas.
     
  3. Amaris

    Amaris Usuário

    Olá,
    Vc já leu "O Incêncio de Tróia" da Marion Zimmer Bradley? Também é um livro que fala muito das amazonas e de uma forma muito bela. Também gostei muito. Mas em "A última guerreira" o mito das amazonas é muito mais elaborado! E sem dúvida com cenas fortes... 8O :tsc: :o?:
     
  4. natalia

    natalia Usuário

    'O incêncio de Tróia' eu não li não, mas é da mesma autora de 'As Brumas de Avalon', não? Deve ser bom... Vou colocá-lo na minha lista de 'livros recomendados e que quero conferir" :D

    Falando em 'As Brumas de Avalon', você já leu? Se sim, o que achou?
     
  5. Amaris

    Amaris Usuário

    É sim, da Marion Zimmer Bradley....realmente muito bom!
     

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