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A Poesia Sobrenatural Antiga em Tolkien e A Canção dos Valar

Tópico em 'J.R.R. Tolkien e suas Obras (Diga Amigo e Entre!)' iniciado por Neoghoster Akira, 27 Mar 2017.

  1. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    O Poder Ora Fantasmagórico Ora Real das Palavras

    Muito se pode concluir dos trabalhos apresentados por Verlyn Flieger e Owen Barfield para se explorar os conceitos e significados em uma obra como a de Tolkien.

    Todavia também é verdade que ainda que o autor houvesse terminado de determinar e lapidar cada aresta dos livros de pouco lhe valeria se não fosse o poder de encantamento da poesia nos leitores.

    Nos tempos idos do século 18, 19 e começo do século vinte quando as obras de referência a Tolkien foram escritas um tipo de poesia era muito popular entre as pessoas, produzindo um gênero que poderíamos chamar de "Poesia Sobrenatural".

    Para quem estuda o assunto em Portugal nessa época, a arqueologia costumava dividir os estudos e reconstrução de textos e significados em uma dessas 3 categorias abaixo, especificamente a literária:

    -Arqueologia Literária
    -Arqueologia Artísitica
    -Arqueologia Usual

    Esta primeira categoria em específico se responsabilizava por organizar, estudar e guardar os relatos escritos, inclusive experiências religiosas e transcendentes de santos nas igrejas.

    Afinal, depois de tantos séculos era necessário transmitir ao povo o poder da palavra nos relatos com o melhor da exatidão e fidelidade ao significado obrigando os sacerdotes a convocarem quem melhore entendia do assunto, escritores, poetas, músicos...

    Eram então elaborados hinos e canções tradicionais, poemas e livros em torno deste tema.

    A partir dele (do tema) a obra literária inspiraria a construção de portais, portas, lápides, portões, túmulos... No ocidente e no oriente trechos destes textos foram então gravados em pedras, madeira e metal influenciando fortemente a literatura da época. Exemplos:

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    Primariamente com objetivo solene, tal poesia encantatória no ocidente teria origem e musicalidade mais misteriosa do que se costuma admitir conforme comenta esse trecho num blog de musicologia de um aluno da UCLA:

    Teoria da Música Chinesa e Suas Implicaões para a Música Ocidental
    Chinese Music Theory and Its Implications for Western Music

    Ou seja, academicamente se reconhece a busca de Tolkien pelas narrativas do tempo dos Heróis do mundo antigo, mas que existe também um importante elemento de elas terem emergido primeiro e ainda mais por amor a tipos específicos de encanto na poesia antes de vir por meio de decisões e soluções didáticas, editoriais e acadêmicas.

    De que na imitação da natureza a letra criasse laços fortes com os significados do mundo indicando que Verlyn Flieger estaria realmente correta em reservar valor a semântica ao invés de unicamente focar nas regras.


    No livro "A History of Japanese Literature, Volume 1: The Archaic and Ancient Ages" de Jin'ichi Konishi, se comenta que a antigüidade buscada por Tolkien não conseguia separar entre religião e literatura, entre a eternidade de um herói militar ou a eternidade buscada por um santo. O trecho:

    A obra de Jin'Ichi cita que tal condição posteriormente se tornou "dormente" na sociedade, fazendo as pessoas imaginarem que o valor que dão as palavras vem de uma escolha vazia, mas que na verdade precisa ter importância semântica e cultural e não apenas escolha técnica ou se tornaria num idioma artificial sem utilidade.

    Reading the Miraculous Powers of Japanese Poetry
    Spells, Truth Acts, and a Medieval
    Buddhist Poetics of the Supernatural

    De fato, "os miraculosos poderes da poesia" citados acima inspirando amor, curando doenças, secas, exorcizando demônios e levantando os mortos são usados em Tolkien em que cada ocasião apresenta e inspira certo tipo de emoção ou clima.

    E de maneira semelhante, vários arquétipos e significados de Tolkien são condensados em uma única palavra criando uma força semelhante ao do Kotodama Japonês em trazer ao mesmo tempo razão e verdade encerrados em si durante passagens instigantes dos textos, a mesma força transcendente que move as pessoas. Ainda, segundo o autor acima, o poder do "verso" equivale a meditação e supera o valor da linguagem ordinária por meio de super abundância semântica.

    Tanto poder dá uma dimensão diferente no entendimento do mundo primordial dos Valar aonde música e criação se misturam e não tem diferenças. A forja de Aulë seria acionada ao mesmo tempo com poder e com poesia.

    Aos Poderes é dado lembrar da música primordial. A eles lhes compete possuir o que conseguiram guardar da música e serem possuídos por estarem dentro da manifestação dela enquanto trabalham.

    A entrega honesta ao trabalho ao se tornar ferramenta de um bem maior trata de Aulë especificamente e o pesquisador acima fala do assunto quando comenta da necessidade de habilidade e coração sincero para comover os deuses do Japão com poesia capaz de mudar o coração das pessoas:



    Para os grandes e para os pequenos a poesia funciona como "spell" nos personagens de Ea:

    A evocação do nome de Lúthien, não é apenas poesia, ele encerra o significado de amor honesto, manifestado por sua aproximação de Beren. Nas palavras da letra da música oitentista Get Closer de Valerie Doré: "Changing a Spell Can Save You".

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    Song of Beren and Lúthien
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    Project Gutenberg
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    Renascence and Other Poems
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    NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA
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    Reading the Miraculous Powers of Japanese Poetry
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    Teoria da Música Chinesa e Suas Implicaões para a Música Ocidental
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    A History of Japanese Literature, Volume 1: The Archaic and Ancient Ages
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    Última edição: 27 Mar 2017
  2. Eferos Masopias

    Eferos Masopias Senhor dos Pastéis

    Pensa num cara que se aprofunda no assunto... se o @
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    vivesse na Terra-Média ia aparecer naquela cena do filme que o Gandalf procura referências ao anel, no primeiro filme. E ele é quem entregaria os pergaminhos ao Gandalf, em vez do mago procurar sozinho!
     
    • Gostei! Gostei! x 1
  3. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    Seja bem vindo para incluir novas referências Eferos!

    É que eu estava mesmo rastreando raízes das influências de Tolkien. :)

    Por exemplo, essa parte dos pergaminhos Gondorianos na guerra do anel, se integraria nas operações de “guerras secretas de Tolkien” na World War.

    Segundo os militares, os oficiais britânicos de inteligência estavam responsáveis por mensagens que podiam significar ao mesmo tempo uma coisa e outra. Nas mensagens dele para a esposa havia um lado público e um lado privado. Um sentido para os olhos do inimigo e outro sentido para olhos amistosos evitando que fosse rastreada com facilidade.



    Por exemplo, em Tolkien um hobbit não apenas entra no período da primavera, mas a primavera (sua terra) o recebe de braços abertos, ou ainda a pessoa pode se postar diante dos portões da primavera. A mensagem não é simplesmente comunicada de forma simples como um pacote pesado jogado no chão, ela é transmitida preservando também significados intangíveis e valores não-materialistas. A estação do ano não é só um termo morto, mas assume características de personagem, semelhante as “fúrias gregas” na antiguidade. Ela pode ouvir, pode tomar as dores de alguém, a pessoa pode querer fugir dela ou permanecer na estação, pode querer correr o mundo ou descansar dependendo do humor.



    Esse foco no juízo do leitor de estar pronto para imprevisibilidade mais perigosa que é a de uma pessoa é algo presente na época que precedeu Tolkien. No transcendentalismo americano do século 19 derivado do romantismo inglês e alemão há uma incrível fé no poder de resolução do indivíduo:

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    Também ocorreria concentração de significados dentro de uma mesma mensagem em meio a luta quando usam Kotodama no Aikido ao reafirmar a força. Ao invés de haver apenas o banal os sentidos de cada frase vão caminhando na direção do importante e do especial.



    Então que Frodo não é fustigado por uma mera missão vaga. Ele corre também porque assume um contrato (como dizem os espiritualistas que usam um vocabulário focando outra semântica). Frodo não apenas corre como se os “cães dos Valar” estivessem em seus pés. Ele mesmo, não apenas poeticamente, começa a ver os cães da destruição se aproximando dos seus pés de todas as direções do futuro, como um grande inimigo.

    Yavanna e os outros também, quando trabalham se identificam com seu trabalho de tal forma, de todo coração e toda alma como a poesia das orações no catolicismo. Ouvir cada sentença é como escutar a música clássica “Die Moldau” como poema para um rio. A poesia sobrenatural buscaria cumprir a duríssima tarefa de descrever experiências transcendentes preservando a dignidade e alguma fidelidade em relação a um mundo ou dimensão diferente.

    Todavia, com a passagem do tempo esse tipo de informação pode se tornar “selada” não apenas para novos fãs, mas para a própria indústria que pode acreditar que basta apertar um botão para confiar que as pessoas receberam a mensagem. Sem ensinar a reconstruir a semântica original muitos vão vivendo sem perceber o que estavam olhando, os indivíduos cada vez mais estranhos uns aos outros, como se fosse apenas o velho argumento de maniqueísmo nessas histórias.
     
  4. Eferos Masopias

    Eferos Masopias Senhor dos Pastéis

    Legal... na verdade tenho que reler!
     

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